Review / Tutorial: void tRrLM()++ // Void Terrarium++

Ola, aqui é o Pena e hoje vamos com um rogue-like nos moldes clássicos do gênero, o Void Terraruim.

Ele é produzido e publicado pela Nippon Ichi Software ou como Nis America aqui no ocidente. Ela é responsável por diversos jogos publicados nesse lado do globo, dos quais já fizemos o review do Utawarerumono: Prelude to the Fallen, Langrisser I & II, Disaster Report 4 Summer Memories e Legend of Heroes: Trails of cold steel IV (tem bem mais, mas dai a propaganda fica muito grande XD)

O jogo segue os moldes clássicos do gênero de rogue-like, com exploração por turno e reset de nível, coisa que você encontra em vários jogos, tais como Chocobo Dungeon, Azure Dreams, Izuna: Legend of the Unemployed Ninja e Sorcery Saga: Curse of the Great Curry God.

Review feito em base da versão pra PS5
(códigos cedidos pela Nis America)

Titulo: void tRrLM(); //Void Terrarium
Produtora: Nippon Ichi Software
Distribuidora: Nis America
Gênero: Rogue-Like / RPG por turno
Plataformas: Nintendo Switch, PlayStation 4 e PlayStation 5 (versão ++)
Mídia: Digital e físico
Textos: Inglês

Os Kowai / Kawaii da NIS

Em 2014 a Nis lançou o jogo Htol#Niq: The Firefly Diary para vita, que mistura as artes bonitinhas (kawaii) com o terror (kuwai) cruel com a personagem. Apesar de ser um jogo basicamente de puzzles, ele não perdoa a protagonista.

Depois desse jogo, houveram outros jogos que seguem mais ou menos essa linha e o Void Terrarium também entra nessa linha, então não custa falar rapidamente dos jogos dessa linha lançados até o momento, todos recomendo fortemente tanto pela arte como a jogabilidade.

Htol#Niq: The Firefly Diary

Aqui controlamos uma fada que precisa direcionar uma garotinha num mundo estranho e mortal.

Ele é uma sequencia enorme de puzzles que desafiam bem a mente com os diversos obstáculos e necessidade de controle rápido da fada nos dois planos pra atingir a saída do estágio.

A Rose in the Twilight

Esse também é de puzzles, tendo o controle da garota com uma rosa nas costas e um golem que a protege.

Os puzzles desse jogo são interessantes por mexerem com o fluxo de tempo, paralisando objetos em pleno ar pra criar caminhos enquanto guiamos a garotinha pra os locais mais seguros.

Yomawari: Night Alone

Esse é um jogo de survivor horror aonde controlamos uma garotinha que sai na noites assustadoras da sua cidade a procura do seu cachorro que fugiu.

Esse realmente é de sobrevivência, já que não temos como revidar os diversos monstros que circulam na cidade, precisando se esconder e fugir com frequência enquanto desvenda o que está acontecendo nessa região.

Yomawari: Midnight Shadow

Sequencia direta do primeiro Yomawari, segue os mesmos passos do seu predecessor, só que dessa vez controlando duas garotas enquanto elas procuram o paradeiro uma da outra no meio das sombras da cidade.

Como ocorre a ligação com o primeiro jogo eu deixo no ar pra aqueles que tiverem curiosidade nele.

The Liar Princess and the Blind Prince

Nesse controlamos um lobo monstro que adquiriu a aparência de uma garotinha pra se aproximar dum pequeno príncipe que devido a um acidente ficou cego.

Esse mistura puzzles com um pouco de combate, o que balanceia bem enquanto conta uma história simples mas bem gostosa de acompanhar.

História

Aqui controlamos um robo autônomo que foi nomeado de “Robbie” pelo computador central encontrado no lixão das ruínas subterrâneas da Terra. Nesse mundo os humanos foram extintos durante uma praga que assolou todo o planeta, que mesmo forçando eles viveram nos subterrâneo não foi o suficiente pra sobreviverem.

Só que por algum milagre eles encontram uma humana que, contra todas as possibilidades, ainda estava viva e começam a cuidar dela, mesmo não entendendo as necessidades dela.

A história não é muito profunda, focando mais na exploração e nas resoluções de como melhorar a vida da garotinha no meio desse mundo inóspito, mas ainda assim é bem agradável ver o desenrolar dela, ainda mais por que o robo e o computador central não entendem a fragilidade dum ser humano.

Gráficos

O jogo usa gráficos em 3D durante as explorações das diversas ruínas e em 2D nos momentos que você está no lixão conversando com o computador central e cuidado da garotinha. Ambas as versões são bem bonitinhas, mas tem um toque mais pesado justamente pelo tema do jogo.

Não existem tantas variações de cenários e inimigos, mas isso é normal no gênero de rogue-like, já que eles focam mais na geração de labirintos aleatórios, o que reduz um pouco as possibilidades de variações estéticas dos cenários, mas ainda assim todos ficam bem feitos.

Áudio

As músicas do jogo foram feitas por Hajime Sugie, que também trabalhou no “HTOL#NIQ” e no “A Rose in the Twilight“. Elas seguem um estilo mais puxado pro eletrônico, dão um clima legal pra a exploração do jogo e os momentos mais tranquilos no lixão, mas também tem umas mais agitadas, principalmente pros encontros nas dungeons.

Infelizmente esse jogo não teve nenhuma dublagem, não que afete a diversão e imersão da jogatina, mas é sempre bom deixar avisado.

Não encontrei a OST do jogo no Spotify nem no Soundcloud, então vou deixar uma lista dela que encontrei no Youtube pra você curtir enquanto termina de ler o review.

Jogabilidade

O foco do jogo é a exploração das ruínas usando o estilo de rogue-like nele, aonde as dungeons e vários outros pontos do jogo são gerados aleatoriamente a cada partida, o que força o jogador a se adaptar as condições que apresentadas pra ele.

Lixão

O lixão é a sua base de operações. Aqui você criará upgrades pro robo e melhorara a vida da humana que as duas AIs estão cuidando, além de outros detalhes. Boa parte disso é feito por menus diretos, sem precisar ir em algum ponto da base pra fazer isso.

Uma parte específica dele eu vou explicar posteriormente pra facilitar o entendimento.

Menu principal na base

O menu é diferente enquanto você está na base e na exploração. Na base temos as opções:

  • Item Craft: Cria itens diversos, variando entre chips de técnicas e outras melhorias pro robo e pro lixão;
  • Resource List: Mostra itens chaves coletados durante as explorações;
  • Customize Robot: Altera técnicas e outras caracteristicas do robo;
  • Skill Removal: Retira skills indesejáveis da chance de aparecer na exploração;
  • Craft Bonus List: Mostra os bônus acumulados das criações;
  • Terrarium Editor: entra no modo de edição do proteção da humana;

A parte do Terrarium e uns outros detalhes eu vou explicar posteriormente no momento certo.

No Item Create você pode criar diversos tipos de itens, variando entre mobilias para a proteção da humana, remédios e chips que modificam o funcionamento do robo.

Um detalhe aqui é que, quando você cria pela primeira vez uma mobilia nova, mesmo que não vá utiliza-la, você recebe bônus permanentes para o robo, que deixam ele mais forte e ajudam demais na exploração, então criar esses itens são essenciais pro avanço dele.

Pra criar qualquer coisa, você precisa gastar um dos 4 tipos de materiais, que mostra no lado direito da tela e alguns itens e técnicas, além de precisar encontrar planta de como cria-la, também precisa de algum item chave pra isso.

O Resource List serve apenas pra saber quais itens chaves você tem e as suas quantidades, já que muitos itens podem ser criados mais de uma vez.

A quantidade de customizações aumenta conforme avança no jogo

No Customize Robot você altera as configurações do robo que você controla no jogo:

  • Install Knack: Aqui você insta-la chips que alteram as probabilidades de técnicas aparecerem durante a exploração, assim você tem mais chance de montar uma configuração que te facilite a exploração conforme as suas preferenciais;
  • Custom Parts: Aqui você equipa técnicas especiais pro sem robo, podendo ser de ataque ou passivas que te ajudam e muito na exploração;

No Skill Removal você desativa técnicas que não deseja que apareçam durante a exploração, mas claro que a quantidade que você pode retirar é bem pequena e varia conforme os bônus que adquiriu ao criar itens no jogo;

No Craft Bonus List mostra todos os bônus já adquiridos, é mais pra um controle, já que não e possível mudar nada aqui, mas dá pra ver que eles são essenciais pra a sua exploração.

Menu de sistema é acessível em qualquer ponto, mas save só na base.

Toda vez que você retorna de uma exploração, o jogo salva automaticamente, mas é sempre bom salvar manualmente pra caso precise trocar entre saves.

A opção Archive é acessível durante qualquer parte do jogo, podendo analisar diversas informações que já foram liberadas, como inimigos, itens, etc.

Exploração

Quando você sai pra exploração, entra no menu de escolha das ruínas. Conforme vai avançando na campanha libera novos locais e qual você precisa ir.

A exploração do jogo é toda em dungeons aleatórias e o movimento é por turnos. Esses turnos seguem algumas regras clássicas do gênero:

  • Cada quadrado andado é um turno;
  • Ataque também conta como turno;
  • Equipar, desequipar equipamentos e utilizar itens do inventário também contam turnos.

Entender bem essas regras de turno do jogo são extremamente importantes pois a cada turno seu, todos os inimigos do andar tem o seu turno e qualquer um que tenha você na mira tentara te atacar.

Claro, essa explicação é na velocidade normal, buffs e deffus mudam a velocidade dos combatentes e certos inimigos são mais rápidos ou lentos normalmente.

Inimigos roxos estão infectados e são bem mais fortes que os normais

Aqui temos duas barras bem importantes:

  • Vermelha: É a vida do robo, caso chegue a zero, ele morre;
  • Amarela: É a energia do robo, ao chegar a zero, começa consumir a vida do robo;

A barra de energia é extremamente importante, pois ela é consumida conforme você explora as ruínas ou utiliza skills e ter um controle de consumo dela é essencial.

Conforme você explora, a vida do robo também é recuperada, isso já ajuda um pouco já que itens de cura não aparecem toda hora.

existe itens que mostram todo o mapa do andar

Como comentei, os andares são criados aleatoriamente a cada exploração e o mapa é gerado conforme você explora o andar. Nele aparecem alguns pontos e saber distinguir o que significam ajuda bastante:

  • Amarelo: A sua posição no andar;
  • Vermelho: Posição dos inimigos descobertos;
  • Verde: Saída para o próximo andar ou da ruína;
  • Azul: Posição dos itens encontrados mas não pegos;
  • Roxo: Posição de armadilhas descobertas

Você encontra diversos itens no chão conforme explora, mas claro que o espaço é limitado pra carregar itens, então muitas vezes terá que decidir se vai pegar o item, usar na hora ou simplesmente deixar ali.

Quando você está nos corredores entre uma sala grande e outra, a visão é diminuída significamente e é claro que você pode encontrar inimigos nos corredores, então cuidado. Itens aqui, só se um inimigo derrotado deixar cair.

Quantidade de skills, frequências e outros detalhes tem como mexer um pouco lá na base

Bem, lembra que esse é um rogue-like, né? Então, toda vez que você começa uma nova exploração, inicia no nível 1, então precisa evoluir de novo a cada exploração. Quando você sobe de nível, aparecem 2 opções aleatórias pra você escolher como pretende melhorar o seu personagem. Entre as diversas opções, segue algumas:

  • Aumentar caracteristicas de combate, como força e defesa;
  • Aprender novas skills de combate e passivas;
  • Aumentar a quantidade de itens carregados.

No menu, na parte de Items, você vê todos os itens que está carregando no momento, podendo usar / equipar, jogar na direção que o robo está olhando ou trocar com um item que você está em cima quando seu inventário está cheio.

Uma coisa que você irá reparar é a diferença de cores dos itens. Isso indica o nível de contaminação deles. Dependendo do nível, as propriedades dos itens mudam, tendo alguns que chegam a inverter o efeito normal do item.

Na aba de Status você consegue analisar o que já foi adquirido de técnicas durante as evoluções e seus status, mais pra ter uma base de como você está.

Em Skills você vê as técnicas de ataque que tem no momento, cada uma fica registrada num botão e pra ativa-las gasta energia. Você pode ativa-las durante a exploração com o combo de botões indicado.

Só tome cuidado, durante as explorações você pode e vai se deparar com as famosas “Monster House“. Aqui, além de mudar a música, tem uma quantidade fora do normal de monstros, armadilhas e itens. É extremamente perigoso, mas se conseguir sobreviver, a quantidade de itens compensa muito.

Essas plataformas são o caminho para o próximo andar ou a saída da ruína que você está explorando. Cada ruína tem uma quantidade específica de andares e só tem dois jeitos de sair delas, chegando no final dela ou morrendo.

Independente de morrer ou chegar no final da ruína, todos os itens que você tinha são reciclados nos quatro tipos básicos de materiais, que a partir deles que você pode criar os itens que você precisa no decorrer da campanha, então não precisa se preocupar com morte nesse jogo, já que boa parte da força do robo vem das melhorias permanentes.

Cuidando da Humana

A missão principal do jogo é cuidar da ultima humana e como cuidar dela ocorre tanto na base como enquanto você está explorando as ruínas, preferi explicar isso depois de ter comentado os outros pontos.

Primeiro de tudo, ela precisa comer e você precisa encontra algo que ela consiga consumir. Esses locais são os pontos aonde tem comida pra ela e ao finalizar a ruína, tem que guardar no armazém.

Já na base, preste atenção, pois as comidas tem prazo para estragar, sendo que diminui em 1 cada vez que sai pra exploração. Outro ponto é que as comidas podem estar contaminadas e claro que isso pode fazer mal pra ela.

Todas as opções demoram para liberar.

Pra auxiliar os cuidados dela, temos o Petty Nani. Você acessa ele durante as explorações e sempre fica no canto inferior da tela depois que fica disponível. Temos várias informações nele:

  • Corações: Indica a satisfação dela, vai perdendo corações conforme passa o tempo;
  • Garfo e faca: Acende quando ela está com fome;
  • Crânio: acende quando ela está doente;
  • Nota Musical: ela quer atenção do robo;
  • Sujeira: Vai acumulando conforme passa o tempo, muita sujeira trás doenças;
  • Barra na parte inferior: Indica o nível de contaminação dela, quanto maior, mais chances dela adoecer.
  • Símbolo no canto superior direito: Esse indica o nível de contaminação no mundo;
Forcei aqui, foi mal ><

Conforme você explora as ruínas, vai passando o tempo e com isso nossa protegida vai ficando com fome, sujando o terrário. Quando o Petty Nani apitar, veja o que está acontecendo, pois dependendo do que for, é melhor voltar logo pra ela não morrer.

Você também consegue brincar com ela ou limpar o terrário remotamente, mas alimentar ela é só pessoalmente. Qualquer ação remota gasta uma grande quantidade de energia.

Você pode deixar o terrário do jeito que quiser

Como você precisa criar as mobilias pra melhorar as caracteristicas, não custa usar o seu senso de design (no meu caso, a falta disso XD) e deixar o local que a nossa protegida fica melhor pra ela não ficar entediada.

Tem também como criar roupas e mudar a aparência dela com alguns itens, mas isso é só estético, não muda nada na jogabilidade, mas tem umas coisas bonitinhas.

Doenças

Doenças, ferimentos e parasitas são uns dos problemas do mundo pós apocalíptico

Humanos são criaturas frágeis e claro que iriam mexer com esse ponto no jogo, sendo que isso afeta diretamente a campanha.

Quando algum desses casos inesperados ocorrem, você precisa largar o objetivo da campanha e focar no tratamento dela ou isso pode levar ao game over.

Cada doença é tratado de uma maneira diferentes, mas a base pra isso é o mesmo.

A variedade de doenças é bem grande no jogo, coitadinha…

Um ponto em comum é que quando ela está doente, não tem como alimentar ela com substancias sólidas, então você precisa triturar elas antes de dar pra ela, só que isso não é tão efetivo como quando dado a comida sólida, então precisamos cuidar dela logo.

Ao descobrirem que doença está afetando nossa garotinha, o computador central analisa os materiais necessários pra criar o tratamento pra ela. Nisso, uma área especifica com os materiais necessários aparece. Assim que você cura-la, esse estágio desaparece.

De resto, o procedimento é o mesmo da campanha principal, encontrar os materiais e criar os itens necessários pra cura-la, mas de novo, isso é a prioridade do momento, por que senão nossa garotinha vai morrer e assim acaba o futuro da raça humana.

Extras

A beira de fechar o jogo libera uma área nova chamada “Endless Ruins“. Como o nome implica, ela é uma sequencia infinita de andares aleatórios, aonde quanto mais se avança, mais difícil fica. Aqui a cada 50 andares (até o andar 200) existe itens só encontrados aqui.

Aqui muda um pouco as regras, já que devido a certas especificações, as condições da garota não alteram enquanto estiver explorando essa área (e somente aqui), permitindo o avanço sem maiores preocupações e conseguindo acumular materiais.

Troféus

Demorou mas saiu a platina

A lista de troféus do jogo é um pouco trabalhosa, como a maioria dos jogos desse gênero, já que você depende de sorte pra alguns itens e avançar bastante no jogo em pontos antes do final. Outro detalhe que os troféus da versão para PS5 são os mesmos pro do PS4. Os troféus mais trabalhosos são:

TroféusDescrição
void EatTheBug(all)Dar todos os tipos de comida para a garota
void CheckLevel(50)Chegar no nível 50
void KillThemAll()Matar todos os tipos de inimigos
void BeWithYou()Ver a lua com a garota (esse não vou explicar hahaha)

Conclusão

Void Terrarium é uma boa porta de entrada para o gênero de rogue-like clássico, trazendo as mecânicas clássicas sem ser extremamente punitivo que nem muito outros jogos desse gênero.

A parte gráfica dele é um dos pontos que chamam bastante atenção pra quem gosta de animes com um estilo mais “kawaii“, mas que não deixa de ter umas maldades que entra bem no estilo do “kowai“, dando um belo equilíbrio nos estilos.

As músicas são mais puxadas pro eletrônico pra acompanhar o clima de pós-apocalipse, sendo a maioria mais lentas e misteriosas, com exceção de alguns pontos que ficam mais agitados pra as batalhas surpresas do jogo.

A história é interessante, simples e direta, focando mais no que pretendem fazer garantir a sobrevivência da única humana sobrevivente e como garantir um futuro pra ela, tendo um ponto que pega meio de surpresa na história, mas isso eu deixo pra quando você jogar.