Review / Tutorial de Disaster Report 4 Summer Memories

Distribuidora: NIS America
Produtora: Granzella Inc.
Plataforma:  PlayStation 4 / Switch / PC
Mídia: Física e Digital
Ano de Lançamento: 2020 no Ocidente (2018 no Japão)

* Esta análise foi feita com o código cedido pela NIS America (versão PS4)

Jogos de sobrevivência são muito populares atualmente. 
Embora parte de um nicho, o gênero possui uma extensa fanbase (especialmente no PC), com grande foco em gerenciamento de recursos.

Mas foi no PlayStation 2 que um subgênero dos jogos de sobrevivência surgiu: Disaster Report (Zettai Zetsumei Toshi – 絶体絶命都市 – no Japão / Raw Danger na Europa) foi o pioneiro nos jogos de sobrevivência a desastres; com um foco muito maior nas interações pessoais e solução de “puzzles”, rapidamente ganhou a atenção do público japonês e abriu um nicho no Ocidente.

A Anatomia da Catástrofe

Disaster Report 4 Summer Memories é um jogo de sobrevivência a desastres, com elementos de RPG.
O 4º título é focado em um grande terremoto que provoca uma série de “aftershocks” (tremores adicionais) e suas consequências pela cidade de Hisui (cidade/ilha nipônica fictícia).

Corra Lola, Corra


Diferentemente dos jogos anteriores da franquia, o personagem é customizável, sendo sexo e aparência escolhidos no início e o background através de conversas: o personagem pode tanto estar indo para uma entrevista de emprego quanto uma reunião com um empresário, bem como vir de uma cidade distante ou próxima, dentre outras opções.

Percebe-se também uma redução no gerenciamento de sistemas: nos anteriores, em especial no primeiro, o uso de pilhas e baterias e a duração das mesmas, bem como dos itens em geral era parte importante do gameplay.
Em Summer Memories o foco é muito mais nas interações com NPC’s, sendo os itens apenas meios para progredir nas missões principais ou sidequests.

O que parece ser uma simples sidequest no início (indicar ou não para onde um personagem foi a outro) torna-se uma das premissas principais do roteiro (que apresenta um belo plot twist no capítulo final).
Ao todo, o personagem precisa sobreviver aos eventos catastróficos da ilha por seis dias.

Uma simples conversa no início do jogo está ligada ao plot


Quando e como ajudar (ou não) os NPC’s cabe ao jogador, podendo este até mesmo extorquir personagens cobrando por itens e ajuda.
Tais escolhas acarretam nos Pontos Morais ou Pontos Imorais, embora isto não pareça ter grande impacto no gameplay como um todo.

Além da saúde, o stress, a fome, a sede e a necessidade de usar o banheiro são status que necessitam de atenção.
Comida e bebida podem ser compradas em lojas de conveniência ou restaurantes; itens de cura podem ser também comprados em lojas de conveniência ou obtidos através de alguns NPC’s.

Quando você precisa ir, você PRECISA IR


Mochilas de diferentes tamanhos podem ser coletadas e determinam a quantidade de itens a ser carregada.
Como itens puramente estéticos, roupas diversas estão disponíveis nos cenários ou para compra e diferentes modelos de bússola servem como “colecionáveis”.
Alguns itens podem ser construídos, como capacetes ou cordas, unindo-se outros itens específicos.

O Destino dos NPC’s

Durante a aventura, diversos NPC’s interagem com o protagonista, solicitando ajuda ou mesmo acompanhando por um determinado trecho.
A vida desses NPC’s depende das escolhas que você faz.

Para exemplificar melhor:
– no início da minha saga, encontrei uma professora que procurava por três alunas; assim que as reuni, me acompanharam por alguns cenários, até que nos separamos; fui encontrá-las já perto do final do jogo, quando voltava para as primeiras regiões. 
Uma cadeia de eventos, que talvez eu pudesse ter evitado com uma abordagem diferente no começo resultou em uma morte nesse grupo

– ao entrar em apartamentos alagados, tentei salvar uma mulher com um bebê, enquanto procurava um meio de pedir socorro para ajudar os moradores do prédio, me precipitei em uma decisão e o prédio desabou

Memórias de três personagens que não sobreviveram às minhas decisões


Algumas destas situações podem ser evitadas ou mesmo sidequests podem ser perdidas, dependendo dos rumos que o seu personagem tomar.
Certas quests levam vários capítulos para serem concluídas e envolvem uma boa noção de planejamento e memória para não serem abandonadas.
Ao se ajudar um NPC em uma rápida quest, pode-se fazer pelo bem da pessoa, ou cobrar por isso. Não quer se envolver? Ignore o NPC.

Chacoalhando O Esqueleto (e a Cidade)

Após o primeiro grande terremoto, tremores adicionais são constantes e podem derrubar estruturas e prédios, bloqueando algumas rotas e abrindo outras.

Os tremores acontecem sem aviso prévio, cabendo ao jogador proteger-se ao início do evento, usando a opção de agachar-se e/ou rastejar. Ao não fazer isto, quedas podem reduzir sua saúde e aumentar o nível de stress; em caso de grandes abalos, correr pode ser uma opção quando perto de grandes prédios que ameaçam desabar (o que pode acarretar em morte imediata).

Incêndios e outras catástrofes se seguem aos abalos sísmicos

Esta tensão ao passar por baixo de estruturas frágeis e/ou prédios colapsados pode aumentar o nível de stress do personagem, que é baixado ao se descansar em uma save point. Da mesma forma, o stress é alterado ao receber grande dano ou ao se mergulhar em águas profundas.
As grandes rachaduras em paredes podem indicar um perigo iminente de colapso, portanto cuidado ao explorar diversos andares de um arranha-céu.

O Lado Feio da Tragédia

Disaster Report 4 Summer Memories passou por um ciclo catastrófico de desenvolvimento.
Planejado inicialmente para PlayStation 3 pela Irem (empresa responsável pela franquia até então), sua produção foi paralisada em 2011, após o Tsunami e Terremoto de Tohoku, ano no qual seria o título seria cancelado
Além dos problemas da produção, o clima no país realmente não era o mais favorável para o lançamento de um jogo tratando justamente de uma tragédia de tal magnitude.

O trágico tsunami no Japão, em 2011, não apenas atrasou o lançamento em uma geração, como acabou com o clima para um título tão próximo à realidade da época


Em 2014, Kazuma Kujo (chefe de produção e designer da franquia) revelou que sua nova empresa, Granzella, havia adquirido os direitos da propriedade intelectual. 
No ano seguinte, foi anunciado que o jogo estava sendo produzido para o PlayStation 4, sendo refeito do zero.
O jogo foi lançado no Japão em 2018, já com um modo em VR (Realidade Virtual) incluso, através de um sistema de capítulos (ao qual eu vou ficar devendo a análise por falta do periférico). 

Posto este ciclo conturbado de desenvolvimento, é preciso dizer que DS4SM possui diversos problemas técnicos.
De quedas de frame em certos lugares a um gráfico 3D datado, o jogo parece deslocado no tempo, com uma jogabilidade um tanto quanto travada.

Alguns efeitos de iluminação se salvam, mas o gráfico é bastante simples


A trilha sonora é escassa, embora pontue bem os momentos de maior tensão, como perseguições/stealth.
A dublagem em japonês dá um bom tom à dramaticidade e ao exagero de certas partes, onde uma dublagem em inglês provavelmente tiraria parte da emoção, tornando as falas mais robóticas.

Troféus em Meio ao Caos

A platina do jogo requer fazer os dois finais e completar uma série de sidequests específicas, além de outros troféus de miscelânea, como dinheiro total acumulado e obter 1000 Pontos Morais.
A exploração se faz necessária e um certo entendimento sobre o gatilho para certos eventos e um bom conhecimento do mapa ajudam bastante na conclusão de todas as sidequests. Embora haja possibilidade de fazer os dois finais em uma única jogada, com o uso de save no momento certo de decisão, uma segunda jogada é mais recomendada, pelo entendimento dos sistemas do jogo.

RESUMO DA ÓPERA:
Disaster Report 4 Summer Memories é uma boa volta à sobrevivência de desastres (subgênero que já estava no esquecimento do mercado).
O roteiro competente, personagens carismáticos, situações inusitadas e mistura entre drama e comédia cumprem muito bem o seu papel, embora a parte técnica tire o brilho do título.
Entre mortos e feridos, o título sobrevive, apesar de um ciclo conturbado de desenvolvimento; talvez este seja o caminho natural da franquia, afinal de contas, tal e qual os protagonistas, escapar de um desastre é sempre uma tarefa complicada e dolorosa.

PONTOS POSITIVOS:
– o “roteiro stealth” surpreende com uma virada de eventos perto do final
– o jogo possui uma boa dose de humor em meio ao caos…
– …entrecortada por partes bastante dramáticas e tristes com o destino de certos personagens
– o sistema de destruição de estruturas é bem executado, surpreendendo e causando mortes acidentais por vezes hilárias

PONTOS NEGATIVOS:
– a performance do jogo é sofrida em alguns trechos
– a parte gráfica é bastante datada
– algumas mecânicas não parecem ter evoluído em relação aos antigos jogos da franquia

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