Review/Tutorial – Ruffy And The Riverside

* Esta análise foi feita com o código cedido pela Phiphen Games (versão PS4/PS5)
Distribuidora: Phiphen Games
Produtora: Zockrates Laboratories
Plataforma: PS5 / Xbox One / Xbox Series X / Xbox Series S / Switch / PC / macOs
Mídia: Digital
Ano de Lançamento: 2025


Ruffy And The Riverside é um jogo de plataforma e puzzle onde um urso com o poder da troca precisa restaurar o Miolo do Mundo e salvar Riverside do vilão Groll.
Ruffy foi encontrado, ainda bebê, por uma toupeira chamada Eddler, que o levou até a cidade de Riverside e o deixou aos cuidados de Qwin, um urso pintor.
Ruffy cresceu na cidade, ajudando seu pai adotivo através de uma habilidade que ele desenvolveu, a Troca.
Segurando R1, você copia a textura/cor de um objeto e pode aplicá-lo a outro (R2 ou L2+R2, na Troca Múltipla).



Um dia Eddler retorna até Qwin, pois estava na hora de Ruffy explorar o mundo e lidar com as bolas de gude, artefatos que podem alterar o local à sua volta.
Entretanto, ao ajudar Eddler a recuperar uma bola de gude, uma força ancestral retorna: Groll, o destruidor!


Groll é um vilão antigo do mundo de Riverside, banido no passado, retornando para recuperar as bolas de gude que lhe dão poder e destrói o letreiro do reino.
Agora Ruffy precisa resgatar as Seis Letras Sagradas e restaurar o Emblema (letreiro) para ajudar a regenerar o Miolo do Mundo.



A mecânica de Troca é o grande trunfo do jogo, servindo para trocar não apenas cores e texturas, mas utilidade de objetos, como transformar cachoeiras em folhagens para serem escaladas ou objetos de madeira em pedra ou aço, para aumentar o peso ou mesmo ser movido através de ímãs.


O jogo utiliza um sistema de mundo aberto, separado por áreas, algumas delas acessíveis somente após o progresso da trama e a resolução de puzzles.
É assim que a jornada atrás das Letras Sagradas se inicia, com a reparação das “estradas” até os locais que as contêm.
Ao acessar as Terras Submersas, você precisa resolver um puzzle onde uma bola precisa chegar até o seu destino, construindo o caminho para tal com o uso da transferência de imagens até cubos vermelhos, o que cria pontes e passarelas. Uma vez resolvido o puzzle de cada região, a passagem para o local que guarda a Letra será desbloqueado.



Boa parte dos segredos e acessos a novas áreas do jogo está relacionado a diferentes puzzles, seja a reprodução de símbolos escondidos para revelar a Batata-Padrão (que flutua e revela uma Pedra do Sonhos escondida) ou a resolução de puzzles matemáticos e de lógica com os corvos, que abrem portais para cenários 2D nas paredes, onde Ruffy pode apenas saltar. Em ambos os casos, a solução pode ser comprada por 100 moedas, caso o jogador esteja perdido.



As moedas servem também para comprar corações (em máquinas), capuzes de cores diferentes e apostar na Roleta dos Capuzes, que faz o upgrade dos mesmos em quesitos de fôlego e vida.


Ruffy é acompanhado de Pip, sua abelha companheira que ajuda tanto para planar (segure X após o salto), quanto a entender melhor sua missão, e também nos momentos de alívio cômico do jogo.



Para locomover-se mais rapidamente e mesmo acessar locais disponíveis somente através de trilhos, Ruffy pode usar fardos de palha no formato de rodas, simplesmente subindo em cima de um deles e correndo para acelerar.
O processo para obter o primeiro fardo, entretanto, é um pouco mais complexo, envolvendo vencer uma corrida com o uso de trapaças para derrotar os rivais com fardos mais tunados.


Riverside é povoado por uma série de diferentes animais, incluindo os ursos (ao qual Ruffy pertence), toupeiras, peixes, raposas, cobras e tubarões, entre outros. Tubarões separados dos demais peixes por serem inimigos que controlam pequenos lagos.


No mundo, é possível coletar os Etois, seres místicos capazes de restaurar a natureza, Borboletas para Quintus, a raposa colecionadora e Pedras dos Sonhos, para Pix, um urso pixelado que permite transformar as paisagens através da pintura.




A arte de Ruffy And The Riverside é uma curiosa mistura entre gráfico 2D (desenho à mão) e cenários 3D.
Os personagens são animados em um 2D “recortado”, com cores vivas e onde é possível mesmo ver o traçado das cores na pintura, que possui leves “falhas” durante a movimentação, dando um charme todo especial. Existem alguns inimigos em 3D, como montes de pedras empilhadas e “humanos” (?) em naves com espinhos.


Os cenários, por sua vez, são em 3D, com alguns objetos e texturas em 2D, especialmente o preenchimento de paredes, rochas, mar e areia. É possível trocar boa parte destas texturas entre si, congelando, derretendo ou até mesmo solidificando em pedra áreas inteiras.


A trilha sonora é uma mistura de gêneros que vai do reaggae/ritmos caribenhos a temas que se assemelham ao folk, country e até temas mais “medievais”. A trilha possui vários cânticos em determinadas canções, embora não em uma língua existente.
Tecnicamente não existe uma dublagem, embora os personagens emitam sons em linguagem própria. A localização para o português está entre uma das melhores que já vi, incluindo pérolas de trocadilhos e adaptações para as canções dos corvos na Basílica.

A platina é um tanto quanto complecionista, embora esteja temporariamente afetada por alguns bugs, como o travamento do jogo ao passar pelos créditos (que me fez ter de tirar o PS5 da tomada) e algumas engasgadas ocasionais nas trocas de cenários (acentuadas pelo uso da Pedra dos Sonhos, recomendo desligar o efeito após o primeiro uso). Nas semanas seguintes ao review, o erro foi reparado e agora é possível voltar antes da missão final do jogo, podendo o jogador explorar todas as áreas e pegar os troféus que faltam.


Os troféus envolvem Realizar a Troca 1001 vezes, Entregar todas as gemas lendárias para a loja de Eddler, Comprar todos os capuzes de Riverside, Completar os upgrades de todos os capuzes, Entregar todas as Pedras dos Sonhos a Pix, Resolver todos os puzzles de cogumelos (pinte os pequenos cogumelos de uma área com a cor do “cogumelo mãe”), Vencer os Cinco Caras nas corridas de feno, Encontrar todos os Etoi, Limpar todas as áreas poluídas, Resolver todos os puzzles de Batata-Padrão e Coletar todas as borboletas, além de troféus miscelânea e relacionados à trama.

RESUMO DA ÓPERA:

Ruffy And The Riverside é uma aventura plataforma e de puzzle onde um urso e uma abelha precisam coletar as Letras Sagradas e restaurar o Miolo do Mundo, derrotando o vilão Groll durante o processo.
O sistema de troca de cores/texturas é o que faz o jogo valer à pena, uma ideia simples, mas que oferece muitas possibilidades, seja para resolver puzzles ou simplesmente para brincar com cores e exploração de áreas.

O gráfico em 2D desenhado mesclado ao ambiente 3D possui um charme especial, dando um aspecto único à obra. A trama leve e despretensiosa é recheada de trocadilhos e piadas, além de uma “moral da história” digna de contos infantis, embora a alusão à trapaça seja uma constante para os adultos.
A trilha sonora divertida e uma amálgama de gêneros musicais, ajudando a complementar o clima de um jogo de plataforma da era de ouro. A localização para o português foi muito bem feita e traz uma série de pérolas para os jogadores mais atentos.

Os bugs, durante o lançamento e semanas subsequentes (incluindo a criação do review) afetam parcialmente a experiência, embora não a comprometam, apesar do glitch pós-créditos ter me assustado.
Um jogo com forte apelo na nostalgia, conseguindo capturar bem o sentimento dos jogos de plataforma 3D (especialmente era N64/PSOne/Dreamcast), surpreende pelo carisma, caráter lúdico e pela criatividade.
Apesar de alguns deslizes na parte técnica (passíveis de resolução com patchs), Ruffy And The Riverside é um jogo altamente divertido e nostálgico, com uma pureza que não costumamos ver com frequência na indústria atual.
