
Fala pessoal, aqui é o Pena e hoje temos um review que foge bem dos padrões que eu posto geralmente posto com o jogo “Scar-Lead Salvation”, um jogo de tiro em 3ª pessoa que mistura elementos de roguelike e bullet-hell na sua jogabilidade.
O jogo foi produzido pela e publicado pela Idea Factory, responsável pelo jogos da franquia Neptunia e Mary Skelter (todos os review que fizemos deles você aqui).
Esse jogo foge bem do estilo geral dos jogos da empresa, tendo a direção de Hiroshi Aoki, que já trabalhou com a série Dariusbust, sendo esse um dos motivos da variação de estilo e também da dificuldade que temos nesse jogo.

Código cedido pela Idea Factory
Titulo: Scar-Lead Salvation
Produtora: Compile Heart / Idea Factory
Distribuidora: Compile Heart / Idea Factory
Gênero: Tiro em 3ª Pessoa / Roguelike / Bullet-hell
Plataformas: PlayStation 4, PlayStation 5, PC (Steam) e Xbox Series (previso para setembro/25)
Mídia: Digital e Física
Textos: Inglês, Espanhol, Francês, Japonês, Chinês Tradicional e Simplificado.
Dublagem: Japonês e Inglês.
História

A história inicia num local desconhecido, aonde acompanhamos a nossa heroína após ela acordar e sair de um compartimento, sem memórias de antes desse momento, nem mesmo do seu nome. Perdida e sem respostas, ela começa a explorar esse local enquanto luta contra robôs.

Após morrer e renascer no mesmo local aonde ela acordou, uma AI militar inicia retorna um contato anterior com ela pelo comunicador. Dai pra frente, enquanto ela continua a sua exploração com o novo apoio, temos o desenrolar de toda a história.
A ideia base da história é interessante, mas infelizmente não muito bem aplicada, já que todos os ocorridos que são comentados durante a campanha são de fatos fora do local aonde o jogo ocorre, deixando a sensação de que não temos relação nenhuma com a trama, mesmo que na sequencia final da história temos todas as explicações, o mistério não engaja muito.
Gráficos

Os gráficos são todos em 3D no estilo puxado para o anime, assim como a maioria dos jogos da empresa. Enquanto os modelos e efeitos são bem feitos, a variedade peca um pouco.

Assim como a maioria dos jogos que usam as mecânicas de estágio procedurais dos roguelikes, a variedade dos ambientes são bem limitados, junto com o caso que tudo aqui segue exatamente o mesmo padrão de um centro de pesquisa secreto, mudando apenas o tema básico entre “normal”, “câmara fria” e “câmara quente”, o que deixa bem repetitivo a campanha, pelo menos os inimigos tem uma variação razoável dentro dos padrões estipulados.
O detalhe que pode chamar a atenção de alguns jogadores é o fato da armadura da protagonista ficar destruída durante os combates, não chega a mostrar nada demais, mas é um ponto que sempre vai agradar alguns fãs do estilo.
Audio

As musicas tem dois pontos. Durante os combates elas tem uma boa batida que seguram bem o clima da ação, principalmente nas batalhas contra os chefes, mas fora desses momentos, quando você está verificando as áreas por itens ou outros detalhes, as musicas seguem um padrão “meio vazio”, que deixando esses momentos bem chatos.
Infelizmente dessa vez não encontrei a OST do jogo em nenhum local, então fico devendo um som durante essa postagem.
O jogo tem dublagem em Japonês e Inglês, que enquanto temos apenas dois dubladores trabalhando, são vozes já conhecidas no ramo:
- Fairouz Ai: Dubladora da personagem principal, faz a Catherina Grann do Metaphor: Re-Fantazio e a Celis Ortesia da série Legend of Heroes;
- Junichi Suwabe: Dublador da AI militar, faz o Grimmjow Jeagerjaques da série Bleach e o Tseng nos jogos e animações relacionados ao Final Fantasy VII.
Jogabilidade

A jogabilidade geral do jogo não é complicada pra se acostumar, um pelo inicio do jogo ser bem fácil para aprender as mecânicas como também por seguir os padrões gerais dos jogos de tiro em 3ª pessoa, mas tem as suas peculiaridades.
Menu

O menu do jogo é bem simples e direto, mais pra ajudar na navegação e ter informações do jogo, já que não conseguimos configurar nada nele. Na aba “Map” temos acesso ao mapa explorado do andar que estamos, com todos os símbolos indicando inimigos e itens nelas.

Na aba “Weapon” temos as informações das armas que a protagonista tem com ela no momento, mostrando todas as características delas. Ela só consegue carregar duas armas por vez.

Em “Status” temos as informações das skills equipadas na protagonista, com o nível atual dela e a tabela completa de efeitos de cada nível. Enquanto não podemos mudar nada aqui, ajuda a montar uma estratégia de melhorias para cada tipo de jogador.

Na aba “Library” temos todas as informações do jogo liberadas conforme avançamos na campanha e adquirimos novos itens. Os detalhes principais das conversas e da história, além de inimigos e equipamentos ficam armazenados aqui.
Exploração e combates

A exploração e combates seguem os moldes do jogos desse gênero, tendo o controle da protagonista podendo se mover, mirar e atirar enquanto desvia dos ataques inimigos. Vale apontar que enquanto temos munição infinita pra qualquer arma e podemos trocar entre as duas equipadas a qualquer momento, ainda temos o sistema de cartucho, precisando recarregar assim que esgota-los, ficando sem poder atirar nesses momentos.
A variedade das armas é bem razoável, indo do básico de metralhadoras laser e uma espingarda no mesmo estilo, como lança granadas e até mesmo misseis teleguiados. Cada um tem as suas peculiaridades e saber se adaptar a arma encontrada (já que lembre-se, é um roguelike, então tudo encontrado no ciclo é aleatório) vai te ajudar bastante.

Fora as armas que encontramos na exploração, também podemos usar um ataque físico de curto alcance, sendo que esse não é perdido quando a protagonista morre e iniciamos um novo ciclo. Mais detalhes dos ciclos eu comento no final dessa parte.

Aqui temos a implementação o gênero “bullet-hell”, aonde os inimigos começam atacar consecutivamente, enchendo a tela com projeteis de todos os lados, causando um caos enorme, principalmente pra quem não tem costume com esse tipo de jogo, principalmente nas áreas finais, que deixam o jogo extremamente complicado.

Pelo menos a maioria dos projeteis são destrutíveis, podendo usar o ataque físico pra contra-ataca-los e anular os efeitos. Ainda por cima, usando essa estratégia e evitando danos, você carrega a barra de “Onslaught”, que é a barra na parte de baixo da tela.

Inicialmente só temos o primeiro segmento da barra, liberando mais conforme avançamos na campanha, chegando ao total de 4 segmentos. Cada segmento tem a compatibilidade com uma sequencia de skills, então skills da 1ª parte nunca são equipadas em outro ponto.
Um detalhe aqui é que cada skill tem nível de 1 a 10, melhorando o efeito conforme adquirimos mais da mesma skill equipada, então só aqui já deixa claro que precisa pensar bem no que pretendo usar pra te facilitar a vida.

Ao carregar as segmentações da barra, você ativa o “boost” da skill, deixando ela em amarelo e deixando ela mais forte. Só que temos um porem, caso você receba dano, além de perder vida, também perde um pouco dessa carga, podendo desativar o efeito extra delas.

O sistema de dano aqui tem um mecânica própria. No início de cada ciclo, a protagonista começa com uma armadura pesada e completa, só que conforme recebe ataques, essa armadura e a roupa protetora são destruídas aos poucos, deixando ela desprotegida.
Além do OBVIO motivo de chamar a atenção para as curvas da personagem, esse sistema realmente tem uma mecânica interessante, por que enquanto a armadura está completa e até ela receber bastante dano (com exceção de danos por status específicos), a protagonista NÃO PERDE VIDA, então não é só o ponto estético aqui, realmente tem uma utilização prática.
A partir do momento que ela está com a armadura bem danificada e dependendo de onde o ataque acerta, ai sim ela começa receber dano, mostrando na tela que ela realmente foi acertada fisicamente, dai sim perde vida e começa a receber as penalizações da barra “Onslaught”.

Com pelo menos um segmento de “Onslaught” carregado, você pode ativar esse bônus, deixando ela invencível por alguns poucos segundo e ativando o boost de todas as skills equipadas, te salvando nos momentos mais apertados.

Como todo bom roguelike, temos salas especiais aonde aparecem aleatoriamente objetos que podem te facilitar a exploração, como salas de combates mais complicadas, então vai da sorte e habilidade do jogador tentar usar esses portais extras.

Dentro das opções positivas, temos dois bem importantes, um de cura e outro que ativa uma ressuscitação automática nesse ciclo, mas claro que pra usa-las precisamos gastar os Elm Chips que recolhemos dos inimigos derrotados e os valores para usa-los sobem conforme avançamos na campanha.

No final de cada andar que não seja de chefe, além do portal para a mudança de andar, temos um equipamento aonde podemos melhorar a arma equipada gastando Elm Chips, subindo o seu nível. Isso é muito importante aqui, já que dependemos muito da força das armas equipadas.

Com exceção dos andares de chefes, enquanto você não estiver em combate, é possível suspender a partida e retornar do exato ponto parado, mas lembrando que isso é um save temporário e o jogo só te permite usar um save para evitar trapaças, então tenha um pouco de cuidado nesses momentos.

Como já é de se imaginar, você morrerá bastante depois de um certo ponto do jogo, mas pelo menos esse jogo não é tão punitivo como boa parte dos roguelikes, te permitindo retornar ao ultimo andar que você morreu direto sem ter que percorrer tudo novamente (e agradeço muito isso, senão esse seria um review que seria postado sem finalizar pela dificuldade excessiva na reta final).
Outro detalhe é o que retemos ao início de cada novo ciclo, que também é bem mais generoso que a maioria dos roguelikes. Aqui não vamos liberando novas armas e equipamentos que são disponibilizados no inicio desses ciclos, mas temos outros detalhes, conforme a seguir:
- Quando você morre, caso tenha duas armas em posse, a arma primária é destruída, mas a secundária (a que não estava usando na hora da morte) é retida no novo ciclo. Com um pouco de estratégia e cautela, é possível criar uma arma bem forte, mas claro, caso morra sem ter uma arma secundária, no novo ciclo iniciamos com uma arma base nível 1;
- As skills equipadas, independe do nível, são retidas, então é possível melhora-las até o nível máximo com um pouco de sorte e paciência, mas não tem como guarda-las depois de troca-las.
- Como já de se imaginar, apesar de reter o equipamento secundário e as skills, no novo ciclo perdemos todos os Elm Chips coletados anteriormente.
Extras

Quando você realmente finalizar o jogo, libera o Loop Mode, aonde você reinicia a sequencia de estágios com o equipamento que você tinha na ultima batalha e os inimigos ficam mais fortes a cada novo ciclo.
Isso deixa o desafio final ainda mais complicado, recomendado só pra quem realmente gosta de partidas difíceis e trabalhosas.
Conquistas

Enquanto o começo do jogo é bem tranquilo, a parte final dele se torna extremamente difícil, necessitando de uma boa habilidade e paciência pra realmente finalizar o jogo, mas pelo menos a lista de conquistas dele é curta e em sua maior parte você consegue durante o processo normal do jogo.
As mais trabalhosas são:
| Conquista | Descrição |
| Overwhelming Power | Derrotar no total de 300 inimigos durante o Onslaught |
| Gold Hunter | Adquirir um total de 600.000 Elm Chips |
Conclusão


Se esse fosse um review baseado somente no que o jogo mostra no começo, indicaria ele para iniciantes em “tiro em 3ª pessoa” e roguelike, mas o pulo de dificuldade nas áreas finais torna o jogo extremamente desafiador, ainda mais se o jogador tenta finalizar com tudo possível.
Os gráficos tem bons modelos em 3D, mas como a maioria dos jogos roguelike, peca na falta de variedade de cenários, aqui pecando bem mais por usar praticamente o mesmo modelo durante todo o jogo somente mudando alguns aspectos de cores.
A parte das musicas também divide bem a opinião, por que durante os combates temos uma boa trilha sonora condizente com a ação, principalmente nos chefes, mas em compensação, fora desses pontos a musica deixa um vazio incomodo.
No ponto da história, você não vai joga-lo por causa disso, por que enquanto ele tem uma boa ideia na estrutura final da campanha, como é contado a história te deixa meio fora do contexto geral devido aonde o jogo ocorre, dai quando temos realmente a explicação da trama, o impacto fica perdido.
Em resumo, se você gosta de jogos de tiro em 3ª pessoa bem desafiadores que misturam elementos de roguelike e bullet-hell, esse é uma boa pedida pra te desafiar, só precisando passar pela parte inicial que te engana bastante.



