Jogos que são trabalhados com apenas um desenvolvedor, o chamado SoloDev, devem ser considerados diversos aspectos em um geral, desde arte, criatividade, sistema e sua funcionalidade. The Little Brave é um metroidvania desenvolvido e distribuído por Dmitrii Batov e foi lançado em fevereiro.
Sem mais delongas, vamos então analisar e ver o que esse título feito por 1 homem só, nos traz???

Código cedido para review por Dmitrii Batov, versão Steam

Nome: The Little Brave
Gênero: Metroidvania, Action, Adventure, Platformer
Desenvolvedora: Dmitrii Batov
Distribuidora: Dmitrii Batov
Plataformas: PC
Lançamento: 2025 (25 de fevereiro)
Compatibilidade com Steamdeck: Desconhecida, a Valve ainda não avaliou a compatibilidade.

História / Enredo

Era uma vez, do coração da floresta encantada, a magia cresceu livremente no mundo.
Os Primeiros Guardas da Magia eram os melhores guerreiros do mundo e tinham o objetivo de proteger a magia e a fonte em que ela se encontrava, com suas próprias vidas.
Entretanto, nem todos tinham o coração nobre, e consumido pela ganância, Faer desejou toda a magia para ele mesmo, trazendo uma corrupção nele mesmo e no mundo.

Os 3 Guerreiros se uniram a fim de derrotar o traidor, porém uma poderosa batalha tomou conta dos céus e ao dissipar todo o pó, nenhum dos 3 sobreviveu, ficando presos à magia que tentaram proteger. A corrupção ficou maior e o mundo acabou se tornando uma desolação.
Os 3 guerreiros ficaram presos com a suas magias em templos distintos, com poderosas armadilhas impostas por Faer, a fim de evitar que seus espíritos fossem despertados.

Essa é a lenda que a mãe de Keely contou para ele e sua irmã antes de dormirem, almejando que ele um dia cresça e traga de volta a purificação da magia de volta ao mundo.

Keely e sua irmã Weyka decidem brincar perto dos bosques corrompidos com uma aposta de corrida.
Weyka se distancia ao ponto de ser encontrada por Keely, sendo perseguida por uma besta, e assim sendo, capturada por Shirak.

Nosso pequeno guerreiro, agora tem a missão de ir atrás de Shirak, e recuperar sua irmã…

Gráficos

Usando a engine Unity, temos um jogo com uma arte espetacular e bonita, com um cenário desenhado, porém com tons escuros em grande parte do jogo. A paleta de cores vibrantes aumenta ainda mais a beleza do design e concepção artística, com sutis efeitos de luz e brilhos dos combates.
A narrativa se passa por meio de animações.

O sprite de Keely possui bons detalhes, entretanto sua movimentação é bem limitada e com frames curtos, assim como os inimigos e os chefes que encontraremos no jogo.

Som / OST

A dublagem é presente para a narrativa com Chloe Elmore sendo a mãe de Keely, Maria Kuchmiy para Weyka e Viva, o próprio Dmitri faz a voz de Keely, Vadim Vetrichenko para o Bear, Grai e Agbvid, além do Speechless para as vozes dos Wardens.

A trilha sonora é composta por Jose Mora-Jimenez e tem arranjos sutilmente orquestrados, porém com performance discreta e sutil.

Jogabilidade

É possível jogar com o combo teclado+mouse ou controle de Xbox.
O jogo permite jogar com controle do Playstation se ativar a Entrada Steam para a tradução dos comandos, mantendo a interface de Xbox, evidentemente.

Um pequeno e corajoso heroí…

Keely pode atacar inimigos com sequência de golpes em 3 hits com sua espada.
Os golpes podem ser variados ao serem executados de acordo com sua velocidade ao apertar o comando no controle.

Alguns objetos podem ser derrubados pelos inimigos, como tochas e pedras, ambas podem ser usadas também como armas de ataque para Keely, com as pedras sendo atiradas pelo estilingue.
A tocha terá dano elemental adicionado (fogo) e as pedras tem um número limitado, indicado no canto inferior esquerdo. Ambas tem um dano considerável e frequência variada.

A tocha também poderá ser lançada por Keely para causar danos à distância, além de poder queimar determinados pontos do cenário para explorar novas áreas.

A bravura, traz a experiência…

O desenvolvimento e aprimoramento de Keely se dá através de níveis, assim como nós vemos em jogos de aventura e RPGs. Derrotar inimigos irão conceder um valor de XP por cada inimigo derrotado, mas o total requerido para a evolução dos níveis, irá subir conforme Keely adquire nivelamento.

O valor de XP poderá ser somado, caso Keely derrote mais de um inimigo ao mesmo tempo.
Você também ganha XP considerável ao completar as quests e subquests e atualizar seu diário.
Ao completar a barra de experiência do nível, uma sutil mensagem aparecerá e Keely poderá usar um ponto de habilidade.

A árvore de habilidade de Keely não é muito grande, e os pontos de habilidade poderão ser aplicados em 2 aspectos:
Bravura – relacionado aos ataques físicos de Keely
Místico – relacionado aos ataques mágicos, providos dos espíritos dos guardiões

Os poderes místicos estão em poder dos fantasmas dos guardiões, onde você deverá provar sua coragem e lutar contra eles, logo após passar pelas diversas armadilhas em sua câmara.

Logo após a batalha, você será abençoado com os poderes místicos que os fantasmas possuem, e irão ajudar na sua aventura.

A barra de magia irá se encontrar abaixo da stamina de Keely e a magia mística terá de estar “pronta” para ser usada, sendo indicada pelo círculo no entorno da magia. Ao ser usada, você gasta a magia e a prontidão do poder místico.

Haverão 3 tipos de magias, relacionadas aos 3 guardiões:
No exemplo acima, estamos usando o poder de Grai, o Fantasma da Força, que poderá criar uma barreira de proteção para acessar lugares impossíveis de resistência física.

E por fim, mas não menos importante, Keely poderá encontrar áreas secretas e coletar os Medalhões dos Guardiões, que terá o efeito de aumentar sua saúde máxima. Tente prestar atenção em todos os cantos do cenário, principalmente com objetos que possam ser destruídos ou queimados, para mostrar os segredos.

Conquistas

Dificuldade: 2/10
As conquistas do jogo não tem uma exigência muito grande com habilidade, e sim com alguns aspectos de missable e encontrar tudo, progredindo na história.

  • Concluir o jogo
  • Encontrar todos os medalhões escondidos
  • Usar habilidades específicas, até mesmo em momentos específicos (conquistas missable)

Mas caso você quiser saber, vou colocar as conquistas específicas em spoiler de qualquer forma.

Conquistas Ocultas

Reflita a faca atirada pelo inimigo de espinho (porco espinho)
Na batalha da guardiã Viva, reflita a flecha de volta para ela
Derrote um inimigo com apenas um disparo
Use o poder oculto e chame os 3 guardiões para ajudar nas batalhas

Considerações Finais

É inegável que o jogo traz uma concepção artística admirável, com uma paleta de cores bem forte e com efeitos aplicados de forma que agradam o design desenhado. Entretanto, as animações são escassas e em alguns momentos, fazendo com que os inimigos não tenham expressões enquanto tomam dano em alguns momentos, isso também se dá perante à aspectos que irei comentar mais pra frente.

A trilha sonora é inexistente em grande parte do jogo, já que as músicas são mais sutis e quietas em sua grande maioria durante a exploração do mapa. As batalhas com os chefes dão um pouco mais de intensidade na trilha sonora, mas não o suficiente para passar uma imersão de aventura (apesar de ouvir em separado ser potencialmente boa).

A dublagem tem uma pequena parte de emoção em falas de alguns personagens (como Keely), mas nem sempre isso se mantém, dando a impressão de leitura mecânica do roteiro.

A jogabilidade é um dos fatores que incomoda e muito em diversos pontos.
Apesar de eu ter explicado no tutorial que a intensidade dos ataques de Keely varia conforme sua velocidade de ataque, os controles tem input delay em alguns momentos, seja nas batalhas, ou na hora de dar saltos precisos entre as plataformas. As vezes Keely consegue desferir diversos golpes, e em outros momentos, parece que está cansado, sem ao menos ter um indicador de resistência e fôlego no jogo

Outros problemas incluem bugs diversos em cair em buracos com a falta de impacto, seja com Keely interagindo com o cenário ou atacando inimigos, dando um efeito de ESPONJA que incomoda, causando erros que travam a câmera e não dão continuidade ao erro (muitas vezes causados pelo input delay) e que deixam o jogo com um aspecto de mal polido e revisado.

Por sua vez, a progressão do jogo também é afetada por bugs com o próprio cenário, que não mantém uma continuidade aos feitos em áreas visitadas anteriormente. O bug é tão estranho que vou ter que explicar em partes:

Na área inicial, Keely deve parar o mecanismo da serra e consertar o velho mecanismo da madereira para ir ao outro lado, e com alguma falta de lógica, ele conseguir ALCANÇAR a roldana e descer a garra.
A madeira irá para o outro lado.

Dando continuidade ao jogo, sairemos por trás da madereira e seremos livres para cruzar áreas interligadas (afinal é um metroidvania, certo???). Porém explorando e voltando em áreas, o jogo travou a progressão e não me permitiu voltar para a área por trás da madereira, tendo em vista que manteve os feitos iniciais da outra área em segmentos diferentes…

Tal erro fez com que eu recomeçasse o jogo e refizesse tudo até onde estava meu save, já que o save automático e manual mantiveram o bug e não deu pra recarregar através deles.

A exploração em sí mostra as diferentes áreas que você poderá se guiar e as devidas indicações de bloqueio por não ter sido explorada ainda, entretanto, o direcionamento do jogo e a forma que as quests são ordenadas são deveras confusos no diário, já que ele impõe coisas que você verá apenas depois, como habilidades místicas específicas para destruir pontos da área inicial do jogo.

A falta de coerência, seja pela forma como resolve-se os puzzles (aka Keely alcançar objetos muito mais altos mas não conseguir andar em coisas já abertas no chão) ou pela forma de evolução das habilidades, podem confundir e muito os jogadores.

Aí você pensa:
“É um metroidvania, afinal preciso de algo para poder explorar a área, certo???”
Certo, entretanto quando uma habilidade de proteção te diz que você pode passar áreas inacessíveis, é indiscutível que o jogo te deixe claro que nem sempre essa habilidade de proteção TE PERMITE EXPLORAR LUGARES QUE É PRECISO TER PROTEÇÃO. Consequentemente, faltou indicativos maiores do que uma aura amarela para impor que ali você não pode passar com o elemento que você tem no momento. mas que por diversos BUGS de progressão você não consegue alcança-la…

A questão é que isso é um agravamento sério e que atrapalha a diversão e bom proveito do jogo.
Sou muito otimista em tentar ver o lado bom e ruim dos jogos e sempre amenizo com algo que consiga ser justificável para todos os públicos.

O jogo em si não é muito longo, se não ocorrer bugs na sua jornada, você consegue terminar em menos de 2 horas, o problema em questão é que aparentemente o código do jogo não obedece condições feitas pelo jogador ou até mesmo pela progressão do salvamento automático e manual.

O que me leva à dizer que a performance do jogo é incrivelmente péssima no aspecto de funcionalidade progressiva. Apesar de não ter fechamentos repentinos e crashes. Os frames variam conforme o bug e demora de reconhecimento de condições (afinal, o jogo demorou segundos para travar o Keely e fazer ele morrer).

The Little Brave que se torna uma A GRANDE BRAVURA para concluir…

Vou ser coerente aqui, e infelizmente os diversos aspectos de falta de revisão, polimento, falta de impacto, input delay e efeitos esponjas me fazem não dar menos que o primeiro troféu latão do site.

O jogo teve pequenas correções mas que não sanaram as principais divulgadas pelos diversos jogadores na comunidade na página do jogo.
Focando apenas em localização.

Não vou tirar o mérito artístico e bonito do jogo, e o grande potencial das batalhas, que talvez teriam sido mais proveitosos se Dmitri tivesse tido mais tempo em planejar a evolução da narrativa, sistema de colisões para os combates e coerência na evolução das habilidades.

As conquistas em si não são difíceis, o que é difícil é conseguir terminar o jogo sem ter a frustração de ocorrer diversos bugs ou ser prejudicado na sua jogatina.

Espero que esse review não o desanime ao ponto de não lançar mais nada, mas sim que tente manter a visão artística e conceitual, aprimorada na prática funcional e lógica para o bom funcionamento do jogo.
Vale ressaltar que o último update do jogo foi em Maio de 2025, e eu joguei o jogo em MARÇO, esperando meses pra ver se os updates feitos teriam melhorado os problemas, mas infelizmente não.

Deixe uma resposta

Previous post Review/Tutorial: Aaero 2 Black Razor Edition
Next post Review/Tutorial – Ghost Of Yotei

Descubra mais sobre

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading