
* Esta análise foi feita com o código cedido pela PQube (versão PS4/PS5)
Distribuidora: PQube
Produtora: SOFTSTAR
Plataforma: PS4 / PS5 / Switch / Xbox One / Xbox Series X e S / PC
Mídia: Física e Digital
Ano de Lançamento: 2024



The Bridge Curse 2: The Extrication é um jogo de terror em primeira pessoa sobre quatro pessoas que investigam eventos sobrenaturais à noite, em uma universidade assombrada.
FENG SHUI INVERTIDO
A Universidade Wen Hua foi construída baseada nos preceitos da geomancia (também conhecida como Feng Shui), a técnica de harmonização utilizando energia através da disposição de objetos. Entretanto, a universidade não respeita as posições corretas, tendo sido projetada por um famoso arquiteto, a construção do prédio Da Ren, em especial, parece ter sido propositalmente invertida.


O prédio possui uma série de tragédias em seu histórico, supostamente relacionadas ao Qi negativo que as direções erradas geraram. Dentre estas tragédias, está o assassinato de Xu You-yi e o desaparecimento da estudante Huang Ting-Ting, que se assemelha ao caso real de Elisa Lam, estudante canadense que apareceu morta na caixa d’água de um hotel americano, após uma estranha gravação da câmera do elevador (Ting-Ting, inclusive, faz movimentos parecidos com o de Lam).


Além disso, uma lenda urbana indica que as almas mortas na construção continuam presas no local e o elevador pode acessar um andar inexistente durante a madrugada, o subsolo B3.
O jogador terá encontros com estas almas com intenções malignas, o espírito do mascote do local e o Trevoso, uma entidade maligna e poderosa que manipula a realidade.
QUATRO PILARES
O jogador assume o controle de quatro personagens diferentes: a repórter Sue Lian, que investiga o local para descobrir mais sobre o desaparecimento de Huang Ting-Ting e três estudantes que querem gravar um filme de terror: Richie Chen, estudante que morou nos EUA e agora retorna a Taiwan e à Universidade Wen Hua, A-Hai a jovem estudante e interesse amoroso de Richie e Wu Zi-nan, mais conhecido como Doc, o estudante brincalhão, neto de um antigo exorcista.


Sue Lian conseguiu informações sobre o caso de Ting-Ting através de Doc, tendo ido à universidade à noite para investigar os mistérios do local, até ser encontrada pelo sargento Huang. Embora não queira comentar sobre o assunto, ele diz conhecer bem o local e concorda em dar uma entrevista.


Em contrapartida, Richie, A-Hai e Doc decidem gravar um filme na universidade, baseado no caso do assassinato de Xu You-yi, após criarem um trailer em que uma mão fantasma foi vista no elevador.


Sue Lian e A-Hai terão, em momentos diferentes, contato com a Lanterna Anima, um artefato mágico capaz de remover barreiras de energia negativa (representada por uma densa fumaça escura) e repelir momentaneamente espíritos malignos; a Lanterna é também capaz de banir temporariamente espíritos mais fracos, que surgem no chão e denunciam a presença do protagonista para o Trevoso. Richie e Doc, por outro lado, não possuem meios de se defender diretamente, apenas talismãs de proteção que podem paralisar momentaneamente os espíritos.


O jogo possui uma série de perseguições, onde correr e reagir rápido, escolhendo o caminho certo, liberando passagens e limpando as energias negativas são a chave para escapar dos perseguidores, dentre eles destacando-se a Bailarina Maluca (um dos melhores vilões do jogo) e o já citado Trevoso, o espírito maligno mais forte do prédio.


Os puzzles do título variam entre deslizamento de peças para espaços vazios até a formar a imagem correta, passando por corrigir circuito de eletricidade e canalizar as energias opostas dos elementos para abrir portas baseadas no Baguá , entre outros. Uma característica interessante destes puzzles é que eles possuem um nível de dificuldade bem balanceado, feitos para cumprir seu propósito e não para trancar o jogador indefinidamente com soluções muito complexas.



O jogo conta ainda com coletáveis, sejam eles físicos (bonecos de caveira, panfletos e outros objetos) e espirituais (símbolos e marcas nas paredes, revelados através da Lanterna Anima); alguns destes compõem mistérios, agrupados no menu.

JADE SOMBRIO
O gráfico de Extrication é mais sólido nos cenários, especialmente no que concerne à iluminação. O prédio Da Ren, após à meia noite, torna-se um ambiente ameaçador, engolido pelas sombras e com aparições rondando seus corredores e salas.


O elevador, onde Ting-Ting foi vista pela última vez, é capaz de levar as pessoas até uma dimensão sobrenatural, o subterrâneo B3, que dá acesso a um sistema de cavernas e um altar, habitado pelos espíritos que ficaram presos à construção após sua morte.


As entidades possuem boa modelagem e estilo artístico, o que não pode ser dito dos humanos, com um gráfico menos realístico e expressões mais “vazias” e exageradas. A dublagem em inglês possui boas interpretações, embora a falta de sincronia labial seja um problema. Não há opção de jogar no idioma original (mandarim), o que acaba por prejudicar a experiência.


A localização para o português é boa, embora hajam equívocos quanto ao gênero dos personagens aqui e ali e eventuais erros que fazem traduções para o espanhol surgirem. A trilha sonora é discreta aqui, mas discreta demais, ao ponto de passar praticamente imperceptível na maior parte do tempo.
TRIGRAMA PLATINÁVEL
A platina de Extrication é relativamente simples, especialmente pelas subdivisões dentro da seleção de capítulos, que indicam o número de coletáveis pegos em cada uma delas.
Embora boa parte dos troféus seja relativo ao avanço da trama e passível de spoilers, citarei apenas o troféu de morrer de todas as formas possíveis, fazer ambos os finais (um troféu para cada), pegar todos os coletáveis e obter todas as recompensas de todos os desafios (podem ser verificadas no menu principal do jogo).


RESUMO DA ÓPERA:
The Bridge Curse 2: The Extrication é um jogo de terror em primeira pessoa que aborda uma série de assassinatos e desaparecimentos ligados ao prédio Da Ren, da Universidade Wen Hua, em Taiwan.
Explorando mitos da cultura taiwanesa com a geomancia chinesa, o título possui interessantes interpretações e usos do Baguá e dos Trigramas, bem como o conceito dos espíritos vingativos asiáticos.

Utilizando os puzzles como uma dinâmica para solução de problemas, o jogo faz um bom trabalho em criar enigmas na medida certa de dificuldade, sem serem muito fáceis ou excessivamente difíceis (artifício muitas vezes servindo para estender o tempo de gameplay). As sessões de fuga trazem um elemento dinâmico, onde o jogador precisa avaliar rapidamente a melhor rota de fuga e lidar com o perseguidor da melhor maneira possível, seja se escondendo sob mesas e dentro de armários, esperando a carga da Lanterna Anima para poder se defender ou utilizando os talismãs de proteção colados às paredes.
A parte gráfica ganha destaque nos cenários bem desenvolvidos, seja nos amplos saguões da universidade ou nos apertados corredores e cavernas da “dimensão paralela” do andar B3. Os personagens humanos, em compensação, possuem gráfico menos trabalhado, mas as entidades ganham um melhor polimento, utilizando-se bem do sistema de luz e sombras.

A trilha sonora se mostra quase imperceptível na maior parte do tempo, dando mais espaço ao som ambiente, que é também tímido, mas faz bem o trabalho de tensão. Já a dublagem em inglês é boa, apesar da falta de sincronia labial incomodar em alguns momentos.
Entre alguns tropeços, The Bridge Curse 2: The Extrication se mostra um bom jogo de terror em primeira pessoa, com puzzles inteligentes e um lore interessante (embora alguns espíritos estejam meio deslocados da trama principal). O jogo faz pouco uso do elemento jump scare, deixando a mente do jogador trabalhar por conta própria a maior parte do tempo, apenas sugerindo presenças e o fazendo caminhar abaixado, na expectativa de não atrair atenção desnecessária.
Um jogo que sabe bem o que quer, The Bridge Curse 2: The Extrication oferece uma boa experiência em um curto tempo, sem se alongar desnecessariamente em nenhum momento.

Jogo interessante.
O puzzle do quadro elétrico me lembrou o Saw de PS3, dentre alguns outros.
Parabéns pelo review!
Nossa, que lembrança!
Pior que eu curtia esses dois Saw, apesar de serem bem trash.