
Fala pessoal, aqui é o Pena e hoje venho com o review do Shin Megami Tensei V: Vengeance, um JRPG pós-apocalíptico pra aqueles que curtem as escolhas morais e suas consequências.
O jogo foi produzido pela Atlus, responsável pro toda a série “Shin Megami Tensei” (também conhecida entre os fãs por SMT, algo que eu usarei durante o review), mais conhecida pela sub serie Persona, na qual já fizemos o review do Persona 5, como também os da série Etrian Odyssey (mais reviews que já fizemos envolvendo eles você encontra aqui), enquanto a publicação ficou a cargo da Sega, antiga conhecida dos gamer com os jogos da franquia Sonic (fizemos o review do Sonic Superstars) e outras franquias como o Sakura Wars (mais reviews que já fizemos envolvendo eles você encontra aqui)
O lançamento inicial desse jogo foi para o Nintendo Switch, sendo um dos jogos mais aguardados da plataforma entre os “third-party”, recebendo alguns anos depois o port para os consoles da Sony e Microsoft, além para a plataforma da Steam com o sufixo “Vengeance”, trazendo uma grande quantidade de conteúdo extra além do visto inicialmente na versão base.

Titulo: Shin Megami Tensei V: Vengeance
Produtora: Atlus
Distribuidora: Sega
Gênero: JRPG / turno
Plataformas: Nintendo Switch (jogo base e nova versão), PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series S e PC (Steam)
Mídia: Físico e Digital
Textos: Inglês e Português
Dublagem: Inglês e Japonês


História

Aqui iniciamos o jogo controlando um estudante normal de Tokyo no seu dia a dia de escola, voltando para o dormitório com seus amigos e tudo mais de cotidiano que uma vida moderna nos oferece atualmente.

Isso até certos eventos se desenvolverem e ele se encontrar no submundo, um local desértico e em ruínas cheio de demônios. Quando está a beira de ser morto por um bando de demônios, ele é salvo por um ser humanoide que, sem muitas explicações, se funde a ele, criando um ser conhecido como Nahobino, com a capacidade de enfrentar os demônios nesse local inóspito.

A ideia da história segue a base dos SMTs anteriores, aonde mesmo que o foco da história não gira em torno do protagonista, mas sim nas consequências das suas ações. Esse ainda foca um pouco mais na interação entre outros NPCs e demônios do que os seus predecessores, o que ajuda bastante na entrada na série para os novatos que nunca jogaram um jogo da linha principal.
Gráficos

O jogo é todo em 3D usando a Unreal Engine, com o estilo puxado para o anime como já é esperado, com uma qualidade gráfica bem grande durante toda a campanha, tanto nos cenários do submundo como nos detalhes de cada demônio encontrado na campanha.

Nesse jogo não temos cenas desenhadas nem CGIs fora do padrão visto na jogabilidade normal, mas não é por causa disso que não deixam de trazer cenas muito bem trabalhadas e bonitas que deixam qualquer fã de JRPG fantasioso ou pós-apocalíptico felizes.
Áudio

As musicas foram compostas por Ryota Kozuka, que já trabalhou em outros jogos da franquia, tal como o mais conhecido Persona 5, além do SMT 4 e os spin-offs Devil Survivor, trazendo nesse uma variação de musicas enorme, tanto durante a exploração como nos combates, aqui realmente variando muito mais do que os anteriores, com umas musicas bem pesadas e agitadas pra acompanhar o clima caótico da campanha.
O jogo principal e a nova versão tem albums separados, então deixei ambos para você curtir enquanto continua a leitura do post.
Aqui temos dublagem em Inglês e Japonês, dai para aqueles que preferem a dublagem original, temos um excelente time nesse ponto, entre eles:
- Toshiyuki Morikawa: Dublador do Aogami, faz o Sephiroth do Final Fantasy VII e o Dante da franquia Devil May Cry;
- Chiwa Saito: Dubladora da Yoko, faz a Elaine da franquia “Legend of Heroes” e a Jean do Genshin Impact;
- Saori Hayami: Dubladora da Tao, faz a Yor da série “Spy X Family” e a Emma da franquia “Legend of Heroes”;
- Kaito Ishikawa: Dublador do Yuzuru, faz o Fidel da série “Star Ocean” e o Gunvolt da série “Azure Striker Gunvolt”
Jogabilidade

Logo de início você pode escolher a dificuldade que deseja jogar, mas vale informar que é só nesse primeiro momento que é possível escolher a dificuldade “Difícil”, enquanto as outras dificuldades podem ser alteradas no decorrer da campanha conforme desejar.
Menu

O menu do jogo é relativamente simples e direto, aonde na tela inicial já te mostra o seu time principal e todos os demônios que você tem de reserva no seu time, além do dinheiro e gloria.

A aba Skill não muda a visão geral do seu time, mas mostra toda as técnicas de todos os seus demônios categorizadas, além de permitir o uso das técnicas de cura e alguns suportes.

A aba Items também não muda a visão geral, mas temos acesso aos itens que adquirimos no decorrer da campanha e usar conforme necessário. Vale apontar que nesse jogo não existem equipamentos, dependendo totalmente da força e customização dos demônios.

A aba “Essence” mostra todas as essências dos demônios que você já adquiriu no decorrer da campanha, indicando as que você ainda tem ou já usou, com todas as técnicas e status delas. O uso delas não é por aqui, no momento oportuno eu entro em mais detalhes.

Em “Party” você monta o seu time de batalha, dentre todos os demônios que você tem em estoque, como também é possível verificar as suas técnicas e outros detalhes conforme desejar.

Seguindo mais o padrão que vimos no quarto jogo da série, temos uma parte com as quests principais e secundárias pra facilitar o controle do que você precisa fazer durante a campanha, o que já ajuda bastante por que tem bastante coisa espalhada no mundo.

Em “Analyze” você pode verificar todas as informações dos inimigos e chefes já derrotados, o que pode ajudar bastante a montar estratégias futuras.
Exploração

A exploração segue uma linha um pouco diferente do que vimos nos outros jogos da franquia, com um estilo puxado mais para o mundo aberto, mas ainda assim bem direcionado, dando uma boa liberdade na exploração, permitindo até mesmo pular em vários pontos para encontrar as coisas mais escondidas no mapa.

Pra facilitar a vida do jogador, além do mini mapa e do mapa geral que completa conforme explora a região, temos também uma visão aérea do ponto aonde você se encontra, mostrando os ícones para facilitar a sua exploração.

Enquanto você encontra diversos demônios preparados para te atacar no mapa, alguns deles conversam com você normalmente e muito deles tem missões para o protagonista, o que amplia bastante o tempo de jogo.

Falando em ver os demônios no mapa, como não temos batalhas aleatórias, agora é possível decidir quando lutar, como também ataca-los para iniciar com vantagem, mas também precisa ter cuidado pois eles também podem iniciar a batalha contra você.

No mesmo estilo do 4º jogo, as máquinas de venda servem para adquirir relíquias do mundo humano usados na venda, sendo um dos principais modos de conseguir dinheiro.

Uma das novidades são os “Magatsu Rail”, que forma diversos atalhos no mapa e acessam pontos que não existiam no jogo original, dando mais locais de exploração e também agilizando a vida do jogador nas idas e voltas que precisamos fazer.

Nessa versão do jogo você tem a facilidade de salvar a qualquer momento e tem vários pontos de atalhos, mas ainda assim, os pontos de save normais são bem úteis, pois é a partir deles que temos acesso a alguns locais que precisamos para melhorar nosso time e sobreviver, como o uso de viagem rápida entre eles e de recuperar a energia do grupo.
Cadaver’s Hollow

Nosso amigo verde Gustave é o vendedor do jogo. Aqui você pode comprar e vender itens durante toda a campanha, aonde o estoque melhora conforme você avança no jogo.
World of Shadows

Essa é uma das áreas mais importantes do jogo, aonde podemos fundir os demônios adquiridos “no papo” durante os combates e customizar certos pontos dos seu time.

Em “Demon Fusion” temos 5 modos específicos para criar novos demônios:
- Dyad Fusion: O modo mais básico, simplesmente selecionando 2 demônios compatíveis do seu time, vendo o resultado parcial antes de concluir a fusão;
- Dyad Compendium Fusion: Aqui você seleciona um demônio do seu time e outro dos registros do seu cadastro de demônios, gastando um valor para convocar o demônio que você não tem no time;
- Reverse Fusion: Aqui você vê primeiro quais os resultados disponíveis de fusões baseado nos demônios que você tem no time, para dai ver quais as opções de fusões dão esse resultado;
- Reverse Compendium Fusion: Quase o mesmo uso do anterior, mas aqui também puxa todos os demônios do seu cadastro, gastando dinheiro para convoca-los. Nesse você pode usar 2 demônios que estão no cadastro;
- Special Fusion: Aqui são fusões especiais aonde só existe uma única forma de chegar no demônio desejado, muitas vezes precisando mais de dois demônios nessa fusão.

Independente de qual tipo de fusão está utilizando, na hora de criar o novo demônio, você pode escolher quais técnicas ele recebera dos demônios usados como base nessa fusão, levando em consideração que técnicas únicas não são transferíveis.
Cada demônio tem uma afinidade para o uso de certos tipos de técnicas, tendo valores positivos e negativos na frente dele. Esses valores indicam o quanto bom / mal o demônio é com esse tipo de técnica e quanto melhor for, menor o gasto de MP no seu uso.

O “Compendium” registra todos os demônios adquiridos na campanha. A primeira vez que consegue o demônio, ele é registrado automaticamente aqui, sendo possível atualizar o registro conforme desejar.
Aqui também é possível pagar pra convocar um demônio registrado, sendo que dessa vez temos a opção de convocar a versão atualizada que cadastramos como também a versão base do jogo.

Em “Apotheosis” podemos customizar melhor o nosso time dependendo do que foi liberado na campanha, aprendendo milagres ou usando as essências dos demônios.

Usando “Glory” adquirido na partida, você pode aprender diversos milagres que ajudam muito na campanha, como melhora a afinidade de elementos para o Nahobino, facilitar a conversa com os demônios e muito mais detalhes.

Já o uso das essências te permite customizar individualmente cada demônio e também o Nahobino, ensinando técnicas diretamente dessas essências. O Nahobino só aprende novas técnicas com esse procedimento.
Outro ponto específico para o Nahobino é que ele pode mudar as suas resistências e fraquezas usando as essências, o que aumenta bastante a estratégia durante certos combates.
Demon Haunt

Uma das novidades dessa versão é o “Demon Haunt”, aonde podemos relaxar por um breve momento, literalmente botar o “papo em dia” com o Aogami e os outros demônios do seu grupo. Nisso você aumenta a amizade entre eles e evolui suas características fora do básico do “level up“.

Com os demônios é possível dar presentes pra eles para acelerar o desenvolvimento, enquanto com o Aogami somente conforme você avança na campanha.
Batalhas

Assim como a maioria dos jogos da franquia (sim, existem algumas exceções), esse é um RPG por turno, aonde aqueles que já jogaram os jogos da sub série Persona já estão “semi familiarizados”, pois algumas coisas continuam o mesmo, mas existem vários pontos diferentes aqui, como principalmente o seu grupo se totalmente composto por demônios, com exceção do Nahobino, dando uma boa abertura para mudanças estratégicas conforme necessário.

Aqui é utilizado o sistema “Press Turn”. O básico é o que vemos nos jogos do Persona, aonde ao atacar uma fraqueza ou causar um ataque crítico, o time ganha um ataque extra, mas temos diversas diferenças aqui:
- Ao acertar a fraqueza ou um critico, o ícone de turno começa a brilhar, ganhando um ataque extra, mas não para o atacante, mas para o grupo todo;
- Errar um ataque ou acertar uma resistência que anula o dano faz com que percamos DOIS ÍCONES de ataque;
- Acertar um ataque que o inimigo absorva ou reflita o dano encerra o turno do time atacante;
- Passar o ataque sem atacar ou defender tem o mesmo efeito de acertar a fraqueza, não perdendo o ícone por completo;
- A quantidade de ícones de ataques depende da quantidade de participantes do time durante o início do combate, sendo 1 ícone por participante (com exceção de alguns chefes);
Com essas diferenças, é mais perigoso sair atacando os inimigos sem conhecer as suas fraquezas, mas existem itens que mostram isso para você, além de que, após derrotar o primeiro inimigo da espécie, todos os atributos são mostrados pelo resto da campanha.

O uso de itens é relativamente limitado, já que inicialmente somente humanos conseguem utiliza-los, mas dependendo do ponto, são um auxilio enorme.
Outro detalhe desse jogo é que ele te da uma maior abertura para o uso de técnicas de suporte e status, aonde até vários chefes sofrem com esses efeitos negativos.

Com exceção do Nahobino, você pode trocar os participantes da batalha para melhor combater os desafios encontrados, mas tem algumas regras:
- O Nahobino pode mudar qualquer um dos outros do time conforme desejar;
- Um demônio só pode trocar o seu espaço com outro do estoque durante o combate.
Independente de qual seja a forma utilizada, você perde somente “meio turno” nessa transição e move o ataque para o próximo atacante.

O que não podia faltar é a negociação com os demônios durante o combate. Aqui, ao iniciar uma conversa, temos opções que podem seguir para uma negociação de troca de itens para eles entrarem no seu grupo ou outros itens, mas eles podem ir embora no meio da negociação caso algo não sai do jeito que eles querem.

Conforme os combates e exploração do jogo avança, carrega o “Magatsuhi“, energia liberada pelos seres vivos que ao chegar ao máximo, permite usar técnicas especiais.
Essas técnicas variam dependendo da espécie geral que o demônio é classificado ou pelas habilidades do Nahobino, mas sempre ajudam virar o jogo nas batalhas.

Outra novidade é a combinação de ataques dos demônios, não precisam estar todos no time de ataque (mesmo por que tem umas combinações que necessitam de 4 demônios), tendo todos os participantes no estoque, mas no geral funciona como um técnica de Magatsuhi normal, precisando ter ela completa para usar o ataque.
Um ponto final nas batalhas é a importância do Nahobino, como ele que coordena todos os demônios do grupo, caso ele morra, é “Game Over” direto, então cuidado com ele durante os combates mais difíceis.
Extras

A versão “Vengeance” pode ser considerada a completa agora, trazendo boa parte das DLCs originais já como conteúdo integrado, sendo elas:
- Retorno Do Verdadeiro Demônio;
- Uma Deusa Em Treinamento;
- A Fúria De Uma Rainha;
- O Último Desejo Do Médico.

O mais importante dessa versão é a inclusão da nova rota “Cânone da Vingança“, que inicialmente segue a base da campanha original mas já recebendo alguns detalhes diferentes conforme avança, tendo áreas extras e 2 finais específicos para essa rota.

Outro detalhe, independente da rota utilizada, foram adicionados novos demônios para todo jogo, claro que alguns são aparecem na nova rota, mas boa parte são acessíveis normalmente em ambas as rotas.

Por ultimo, ao finalizar o jogo, libera o New Game +, aonde temos alguns modos específicos para decidir o que é carregado para a próxima partida (e os modos dependem do que foi feito nos saves):
- Newborn: Na nova partida leva apenas os seguinte pontos:
- Informações dos inimigos enfrentados;
- Cadastro dos demônios;
- Fusões especiais já liberadas;
- Alguns Milagre;
- Reborn: Tudo que vem no “Newborn”, mais:
- Level e status do Nahobino;
- Todos os Milagres aprendidos;
- Dinheiro e itens (até mesmo alguns itens chaves);
- Glory
- Godborn: Tudo que vem no “Reborn”, mais:
- Inimigos ficam mais fortes;
- Limite do nível chega até 150 em vez de 99 dos outros modos.
DLC

O jogo ainda conta com algumas DLCs fora do pacote principal, tendo acesso a 2 novos demônios (em DLCs separadas), um nível de dificuldade mais facil para os iniciantes na franquia e os pacotes com aumento de frequência de batalhas com inimigos do tipo “Magatama”, que facilita subir de nível a adquirir dinheiro.
Conquistas

Enquanto o jogo é bem mais acessível em comparação a outros jogos da franquia principal e alguns outros spin-off pelas facilidades encontradas nele, a lista de conquistas dele segue o mesmo padrão do terceiro jogo, necessitando alcançar todos os finais e conquistas todos os desafios extras, algo que consome muito tempo. Ente os mais trabalhosos temos:
| Conquista | Descrição |
| Demi-fiend Overcome | Derrotar o Demi-fiend |
| Compendium Loremaster | Registrar todos os demônios no Compendium |
| The Will of the Godborn | Finalizar o jogo no modo “Godborn” |
| He Who Revels in Carnage | Terminar todas as batalhas virtuais no “modo Desafio”Challenge Mode” |
Conclusão

Em resumo, Shin MegamiTensei V: Vengeance traz um excelente JRPG por turno com bastante melhorias usando como base todo o histórico da franquia.
Os gráficos todos em 3D seguindo o estilo anime, todos com excelente qualidade e uma enorme quantidade de inimigos captura bem a ideia base de adentrar em diversas mitologias e crenças, enquanto os cenários também chamam a atenção, como detalhes do rastro na areia e muitos outros pontos que marcam o mundo desolado que ocorre o jogo.
As musicas são sempre um ponto forte na série, mantendo bem o clima pós-apocalíptico durante toda a campanha, variando bastante as musicas em cada região, mas que chama ainda mais a atenção na quantidade de musicas usadas nos combates, agradando tanto aqueles que curtem musicas mais pesadas como as mais puxadas para o eletrônico.
A história dessa vez foca um pouco mais no protagonista, ao contrário do que acontece nos outros jogos da franquia principal e a nova rota traz bem mais conteúdo, deixando a campanha bem mais interessante do que a original.
No geral, se você curte JRPGs por turno, já conhece a franquia principal ou tem curiosidade de conhece-la, esse é um bom ponto de entrada fora dos jogos da sub série Persona.

