
* Esta análise foi feita com o código cedido pela Capcom (versão PS4/PS5)
Distribuidora: Capcom
Produtora: Capcom
Plataforma: PS4 / PS5 / Xbox One / Xbox Series S / Xbox Series X / PC
Mídia: Digital
Ano de Lançamento: 2024


Kunitsu-Gami: Path Of The Goddess é um jogo de ação e estratégia onde a sacerdotisa Yoshiro e seu guardião, Soh, lutam para remover a mácula da montanha e recuperar as máscaras da Deusa e os vilarejos.
MACULAÇÃO DA MONTANHA
A montanha Kafuku, lar da Deusa, foi atacada pelos Coléricos, yokais que macularam os vilarejos, corrompendo a natureza e as máscaras sagradas.
Os habitantes foram presos a “casulos”, os animais recobertos por carapaças escuras e os locais tornaram-se repletos de cascas e massas disformes e coloridas, empesteando o ar.


É neste cenário que a sacerdotisa Yoshiro chega para recuperar os vilarejos e habitantes, removendo o miasma e a corrupção que se espalharam. Ela invoca Soh, seu guerreiro e protetor, imbuído do poder da última Máscara da Deusa, para combater os coléricos e resgatar a montanha.

ESTILO KAGURA
Soh luta usando sua espada, com movimentos de Kagura, uma dança/estilo teatral xintoísta com ligações que remontam ao teatro Nô e aos rituais para Amaterasu, a deusa sol.
Amaterasu-o-mi-kami (Gloriosa Deusa que Brilha no Céu) nasceu do olho esquerdo de Izanagi, o Deus primordial e consorte de Izanami, os criadores do mundo e das outras divindades japonesas.

Amaterasu é irmã de Tsukuyomi (Deus da Lua) e Susanoo (Deus dos mares e tempestades), tendo sida retratada no jogo de PlayStation 2 Okami, onde assume a forma de uma loba.
Kunitsu inclui trajes referentes ao jogo para Yoshiro e Soh, além de uma espada especial.


Por ter sido invocado, a vida de Soh está intrinsecamente ligada à Yoshiro. Ao ser morto em batalha, o guerreiro perde seu corpo físico, vagando como espírito até coletar cristais suficientes para reencarnar; se Yoshiro for morta, o Game Over é automático, seja na forma física ou espiritual de Soh. Portanto proteger Yoshiro é a primeira responsabilidade do guerreiro.


SOL E LUA
O gameplay de Kunitsu divide-se em duas partes: purificação e defesa.
Durante o dia, você percorre o vilarejo purificando as máculas e libertando os habitantes. Ao utilizar os cristais coletados na purificação, é possível atribuir classes de combate ou proteção, entre arqueiros, lanceiros, arcabuzeiros (arma de fogo), xamãs (curandeiras), onmyoji (sacerdotes de proteção espiritual) e ninjas, entre outros, sendo que a maior partes das classes é desbloqueada ao derrotar os chefes e recuperar as Máscaras da Deusa.


Ao purificar, a espada de Soh transforma-se em uma espécie de onusa (a varinha xintoísta), que repele a energia negativa e os maus espíritos.


Aldeões podem ser mandados para reconstruir alguns caminhos de pedra ou portais bloqueados; já as armadilhas e opções de defesa podem ser reconstruídas e/ou reparadas pelo carpinteiro que acompanha o grupo; todas estas atividades de recuperação e reconstrução podem ser efetuadas apenas durante a fase do dia.


Por fim, Soh deve correr de Yoshiro até o Portão Torii da área, traçando o caminho espiritual. Fincando sua espada ao chão (segurando Círculo), ele corre abrindo um caminho puro que a sacerdotisa irá percorrer, até chegar ao Torii, que deve ser purificado. A quantidade de caminho que Soh percorre depende da quantidade de cristais obtidos (os mesmos usados para converter os aldeões em guerreiros e mudar suas classes), já Yoshiro percorre vagarosamente o caminho aberto pelo guerreiro, executando uma dança (Kagura). Ao atingir o Portão Torii durante o dia, Soh deve se posicionar à sua frente para purificar o portão, sendo o primeiro uma abertura para a segunda parte do cenário e o segundo a purificação completa do vilarejo.
No primeiro portão, enquanto executa os movimentos com a espada “onusa”, o jogador deve manter a imagem no centro do portão com o analógico, o segundo portão tem a conversão automática.



Na fase da noite, alguns portais se abrirão com a saída constante de Coléricos, que avançarão sobre Yoshiro.
Este é o momento de calcular bem sua estratégia, posicionando corretamente os guerreiros e ajudantes (R1). Caso precise mudar a função de algum deles ou curá-los durante o combate, aproxime-se e pressione Círculo para acessar o menu do personagem (o tempo para neste momento) e pressione Quadrado para usar uma provisão; estas podem ser obtidas ao purificar animais corrompidos na fase diurna.


A espada de Soh conta com diferentes guardas (Tsuba, a guarda tradicional das katanas; a empunhadura é a Tsuka, não modificável no jogo), que possuem poderes especiais, acionados com R2 (até três podem ser equipadas; para baixo no D-Pad troca a tsuba).
Golpes poderosos são usados com estas guardas ou mesmo poderes de proteção. Uma bem útil cria um escudo em volta de Yoshiro, protegendo-a de alguns ataques; outra pode causar um ataque que quebra a resistência dos Coléricos, ideal para os grandes e mais fortes que, ao serem enfraquecidos, ficam momentaneamente paralisados, permitindo o golpe fatal com Triângulo ao se aproximar do ponto fraco com o círculo vermelho.


O combate funciona através dos ataques normais com Quadrado e finalizadores com Triângulo. A esquiva é a configuração mais estranha, ficando no L3 (sim, a esquiva é clicável), L1 serve de defesa (e pode ser combinado com Quadrado para recuperar a vida de Soh).


Os Coléricos avançam em ondas dos portais abertos e devem ser derrotados rapidamente, antes de alcançarem a sacerdotisa, que fica completamente vulnerável à noite.
Caso o guerreiro seja derrotado, como citado anteriormente, ele assume sua forma espiritual, voando e sem poder executar nenhum tipo de ataque, apenas absorver cristais para retornar à forma física; apesar da intangibilidade, ainda é possível dar ordens de posicionamentos aos NPC’s.
Ao final da noite, o surgimento do sol irá aniquilar qualquer Colérico ainda visível.
DE VOLTA À VILA
Cada vilarejo reconstruído torna-se uma base, que pode ser visitada regularmente, devendo os aldeões serem enviados para reconstruir altares, portais e plantações destruídas.
Ao visitar a base novamente após outro combate, os locais reconstruídos darão bônus a Soh, que deve requisitá-los na tenda de Yoshiro.



É lá que também está disponível a mudança de Tsuba’s, o aprimoramento das classes depende do uso de Musubi, saquinhos rosa que são obtidos ao finalizar missões, reconstruir bases e completar objetivos opcionais de cada fase, mudar os amuletos equipáveis (obtidos em altares desbloqueados ao purificar todos os locais de uma parte do vilarejo, na fase do dia), trocar os doces que a sacerdotisa come e verificar os pergaminhos com ilustrações e explicações sobre os Coléricos.



Os amuletos possuem diferentes buffs e debuffs para Soh, Yoshiro e os aldeões.
Além de serem obtidos nos altares desbloqueáveis, podem também ser recebidos ao derrotar chefes. Entre as funções de amuletos, podemos verificar aumento de vida de Soh, caminhada mais rápida de Yoshiro, aumento da resistência dos aldeões, entre muitos outros.


As arenas onde os chefes surgem podem ser revisitadas apenas para repetir o combate, ao contrário dos vilarejos, embora estes também possam ser repetidos durante a purificação.
UKIYO-E
Kunitsu-Gami possui um estilo artístico único, repleto de cores expressivas e designs impactantes, seja pela mácula em si, pelos yokais ou mesmo pelos golpes da espada de Soh, que deixa rastros fluídos conforme corta o ar.


Os Coléricos, aliás, possuem uma grande variedade, dos mais fracos Gaki, passando pelos voadores Hitoban e Kamaitachi, os feiticeiros Rosokuro, os explosivos Hozukime (certamente entre os mais irritantes do jogo) e os poderosos Shokera e Noderabo, entre tantos outros.
As lutas contra chefes, por sua vez, exigem mais estratégia e possuem recursos limitados.


A variedade de cenários também se mostra interessante, especialmente no que tange às batalhas marítimas, onde proteger os barcos mostra-se um desafio bem maior e diferente do restante das missões.
A trilha sonora do título é uma curiosa mistura entre música tradicional japonesa, piano, guitarras e um inusitado saxofone, com estilo livre (free? acid jazz?).
Após finalizar a campanha pela primeira vez, o Músico surge como uma nova classe, que dá acesso ao sound test, com variações inclusive na forma de se ouvir as músicas, como distância do som, velocidade e outras opções.
PLATINA EM DOIS TEMPOS
Aqui temos um grande consumo em termos de horas para quem se aventurar a platinar.
Primeiro, é necessário saber que a platina envolve também a completude do New Game +, mas não apenas ele, como completar todos os objetivos secundários em ambas as campanhas, fazer o upgrade completo de todas as classes de NPC’s e também de todas as habilidades de Soh.


Os demais troféus giram em torno de remover a mácula de todos os vilarejos e derrotar todos os chefes, incluindo um que só está disponível no final do NG+.
RESUMO DA ÓPERA:
Kunitsu-Gami: Path Of The Goddess é um daqueles jogos tão diferentes que por vezes é difícil compreender apenas através dos vídeos, você precisa jogar para entender o que ele tem de bom.
E, meus amigos, que pérola a Capcom lançou!
Uma jogabilidade simples e fluída, combinando dois estilos distintos de gameplay fazem de Kunitsu-Gami um título viciante.
O desafio cresce exponencialmente conforme novos Coléricos surgem e situações diferentes pedem a mudança completa de planejamento por parte do jogador.

Visualmente, o jogo é um deleite, com um estilo artístico característico e bem diversificado na vibrante paleta cores e na grande variedade de inimigos, cenários e NPC’s.
A trilha sonora mistura a música japonesa tradicional e religiosa com guitarras, piano e saxofone, compondo um complexo e fascinante “pot-pourri” de gêneros mesclados.
Kunitsu-Gami: Path Of The Goddess é uma daquelas novas IP’s que nos fazem ter esperança em uma indústria tão enfraquecida nos últimos tempos, mostrando que mesmo as grandes, como a Capcom, podem (e devem) se arriscar com novas ideias.
Um mergulho profundo no xintoísmo em uma versão pop bem executada e que ainda irá surpreender muitos jogadores!
