
* Esta análise foi feita com o código cedido pela Capcom (versão PS5)
Distribuidora: Capcom
Produtora: Capcom
Plataforma: PS5 / Switch 2 / Xbox Series S / Xbox Series X / PC
Mídia: Física e Digital
Ano de Lançamento: 2026


Pragmata é um jogo em terceira pessoa de ação e puzzle, onde Hugh Williams utiliza a ajuda de Diana para reparar a estação lunar chamada O Berço.
O BERÇO
Um grupo de técnicos chega à estação lunar conhecida como O Berço, para realizar reparos e entender o que aconteceu de errado no local. A estação realiza mineração e estudos para futura colonização, sendo operada por alguns humanos, mas principalmente por bots e robôs, administrados pela inteligência artificial IDUS.


Chegando ao local, a equipe da Delphi Corporation, composta por quatro membros, é surpreendida por um terremoto lunar, que acaba matando três de seus integrantes, restando apenas o protagonista, Hugh Williams.
Hugh, especialista em segurança, caminha pelos destroços, encontrando no processo um pragmata, um robô criado por lunafilamento (o material extraído da Lua), DI-03367.

REVOLUÇÃO DAS MÁQUINAS
Único sobrevivente do desastre na estação, Hugh precisa comunicar-se com a Terra, mas a conexão foi interrompida.
Para piorar a situação, IDUS (a IA responsável pelo Berço), o detecta como um intruso, mandando os bots atacarem-no.
DI-03367, entretanto, ajuda Hugh a escapar do ataque, hackeando os bots, que ficam vulneráveis aos disparos do protagonista.


Passado o susto, ambos se apresentam e, para comodidade do protagonista (e do jogador), DI-03367 passa a ser chamada Diana, um trocadilho com as iniciais de seu código e também uma referência à deusa romana da lua (e também da caça, equivalente à Ártemis grega).


Apesar da aparência de criança, Diana é capaz de hackear qualquer bot, passando a ser carregada por Hugh, em suas costas.
A dinâmica do jogo envolve o hackeamento dos inimigos para que os disparos das armas surtam mais efeito.
Para tal, ao segurar L2 um retângulo com vários quadrados surge, tendo por objetivo navegar por cima dos sinais azuis (que aumentam o dano) e acessar o botão verde, que finaliza o hack. Ao ter sucesso, os pontos fracos do bot são expostos, ficando vulneráveis aos ataques de Hugh.


Importante ressaltar que o tempo não para durante o procedimento, sendo necessário movimentar-se para evitar ataques dos inimigos, usando R1 para esquivar e não se afastar demais do alvo, ocasião em que o hack é paralisado. Caso não tenha sido atingido, o jogador pode continuar a movimentação pelo painel (utilizando os quatro botões principais como direções); se for atingido, o hack é resetado para um novo painel.
VIAGEM DE BONDE
Hugh e Diana conseguem acessar a área central do Berço, que se torna sua base para reagrupamento e local de segurança, onde ficam disponíveis upgrades, dados e simulações de treinamento.
Para reestabelecer a conexão com a Terra, a dupla precisa avançar por diferentes setores, através de um pequeno “bonde” circular. A cada área vencida, um novo setor fica disponível para viagem, sendo possível revisitar antigos locais para adquirir os coletáveis disponíveis.


A base possui displays de LMT, com paisagens e brinquedos que ficam acessíveis para Diana quando coletados.
A “garota” logo passa a apreciar as simulações terrestres e aprender mais sobre o planeta através das constantes conversas com Hugh, seja ao explorarem os setores entre os combates, seja nos bate papos ocasionais na base.


Curiosa, Diana aprende cada vez mais sobre a Terra e os humanos e estabelece um vínculo com Hugh Williams, em uma relação que se assemelha à parental.
Conforme o relacionamento progride, Diana faz desenhos que entregue a Hugh e são pendurados em um dos balcões da base.


Assim como hackeia os bots, Diana também pode abrir portas e acessar sistemas de segurança por meio de mini games de prompt, como girar nodos que se conectam ou ativar partes de um sistema com o pressionamento do botão no momento certo.
Já o hack dos inimigos pode ser melhorado com habilidades específicas (como confundir os bots ou superaquecê-los, por exemplo) ou dificultado, com inimigos que possuem antes de bloqueio (que precisam ser destruídas) e/ou habilidades que danificam ou interrompem o progresso.


Hugh conta com uma série de armas à sua disposição, sendo a pistola a arma principal e de munição infinita (embora ainda precise ser recarregada) e as demais imprimíveis com lunafilamento ou encontradas em caixas pelos cenários.
Dentre as armas “descartáveis” (pois aqui não há munição disponível, apenas um número limitado de cargas por armamento), temos lança mísseis, colmeia de drones (ao serem liberados, atacam continuamente os inimigos), arma de estase (paralisa o inimigo), entre outras.


As armas só podem ser impressas (e, consecutivamente, desbloqueadas), através de Cabin, um robô de serviços que troca moedas por itens e melhorias, incluindo novas habilidades, roupas e dados sobre os inimigos.
As moedas cabin podem ser encontradas em caixas, obtidas ao desbloquear novos cenários/brinquedos de LMT para Diana e ao vencer desafios de simulação. Estes desafios envolvem corridas contra o tempo e eliminação de inimigos, cada qual com dois objetivos secundários.


Há também coletáveis mini Cabin, bonecos do robô que devem ser acertados nos cenários, geralmente bem escondidos, mas que emitem sons para facilitar sua localização (semelhante ao Mr. Raccoon, de Resident Evil).
BRILHO METÁLICO
Há poucos personagens humanos em Pragmata, o principal sendo o protagonista, Hugh Williams, o qual se vê apenas o rosto quando o capacete se abre. A modelagem de seu rosto é um pouco artificial e não aparece com frequência; ironicamente, Diana, apesar de ser um pragmata, possui modelagem realista, com traços leves e a aparência de uma criança humana.


Os demais bots/robôs, são mais funcionais em seus visuais, com exceção de um modelo de estatura normal e outro maior, humanoides, os demais possuindo formas variadas e abstratas, de círculos com pernas a drones com lasers.


Já os cenários, ao contrário do que seria natural em um ambiente estéril e metálico, possuem boa variedade, sendo na construção parcial de uma Times Square, uma floresta e uma praia, através do lunafilamento. Há também segmentos onde é possível atravessar porções do solo lunar, com a baixa gravidade afetando a movimentação, permitindo saltos mais longos e esquivas mais lentas.



A trilha sonora é discreta na maior parte do tempo, com músicas embalas pelo piano, possuindo forte vertente eletrônica durante os combates, especialmente contra os chefes.
A dublagem se destaca nas vozes de David Menkin (Hugh), Grace Saif (Diana), Naomi McDonald (Oito) e Cameron Bernard Jones (IDUS). Iniciando o jogo em japonês, acabei testando a sincronia labial, que funcionou perfeitamente tanto no japonês quanto no inglês. A localização para o português possui boa qualidade nas legendas (o jogo também conta com dublagem em português).

PRAGTINA
A platina é desafiadora e, embora não seja muito complexa, envolve um certo nível de habilidade por conta do jogador.
Afora os troféus relacionados à trama, temos Completar O Sinal Desconhecido (desafios extras liberados após finalizar a campanha), Completar o jogo na dificuldade Lunático (dificuldade extra liberada após concluir a campanha), Completar o Objetivo Principal em todas as Simulações, Derrotar o Bot Varredor (um tipo que não ataca, apenas se move e libera pedaços de lunafilamento), Atirar em todos os Mini Cabins, Imprimir todas as Armas, Nodos de Hackeamento e Habilidades (alguns disponíveis apenas após a finalização da campanha) e Atingir 100% de um Setor, entre outros.


RESUMO DA ÓPERA:
Pragmata é um jogo em terceira pessoa de ação e puzzle, onde o único sobrevivente da missão em uma base lunar precisa juntar forças com um robô, em forma de criança, para lidar com uma revolta gerenciada pela inteligência artificial responsável por administrar o local.
Enquanto avançam pelos setores do Berço, um vínculo forte é formado entre Hugh Williams, o humano solitário, e Diana (DI-03367), a pragmata forjada em lunifilamento, que o ajuda a hackear os inimigos e aprende como se fosse uma criança humana.
Pragmata é focado nessa temática de pai e filha, com um combate que mescla estratégia e soluções de puzzles rápidos com tiroteio e esquivas, uma mistura inovadora e envolvente.

Os gráficos polidos de Diana contrastam com o rosto um tanto estranho de Hugh, ficando mais tempo escondido em seu capacete que faz parte de uma roupa espacial/armadura acinzentada. Os cenários possuem variedade nas paisagens simulando locais terrestres, refeitas através de lunafilamento, o material encontrado na Lua, capaz de ser usado para imprimir praticamente qualquer objeto e ferramenta necessários.
A trama de ficção científica envolvendo exploração lunar, novas tecnologias e robótica é amalgamada com a temática parental, mostrando sensibilidade na construção da relação dos dois protagonistas. Os diálogos entre a dupla ajudam Diana a entender melhor a humanidade, ao passo que ajudam Hugh a resgatar o mesmo sentimento dentro de si.

Pragmata inova não apenas na mecânica de combate e puzzles, como consegue cativar pela dinâmica dos dois personagens, criando uma variante no “gênero pai solteiro”.
Mais um acerto na série dos novos anos dourados da Capcom!
