* Esta análise foi feita com o código cedido pela Don’t Nod Entertainment   (versão PS5)

Distribuidora: Don’t Nod Entertainment
Produtora: Don’t Nod Entertainment
Plataforma:  PS5 / Xbox Series S / Xbox Series X / PC
Mídia: Digital
Ano de Lançamento: 2023


Jusant é um jogo de plataforma onde controlamos um menino escalando uma torre em uma terra devastada pela seca.

TERRA SECA

Um menino atravessa uma planície desértica, deparando-se com barcos encalhados na areia, além de gaivotas e caranguejos; o local parece ter abrigado o mar ou algo semelhante no passado.
Ao longe, ele avista seu objetivo: uma monumental torre, cujo topo confunde-se com as nuvens.

Resquícios da vida marítima espalham-se na planície
A torre eleva-se monstruosa em direção às nuvens


Como equipamento, ele carrega apenas uma corda, quatro “grampos” de fixação e sua força de vontade; ah, é claro, também seu pequeno companheiro, um animal simpático que vai em sua mochila.

TORRE SOLITÁRIA

A escalada funciona de forma mais complexa que na maioria dos jogos (até porque aqui ela é o elemento principal do gameplay).
Localizando os pontos de apoio, você deve alternar L2 (braço esquerdo) e R2 (braço direito) para agarrar-se e o analógico para alcançar a direção desejada; o X serve como pulo e pulo duplo (apenas durante as subidas).

Alterando os braços, você busca novos pontos de apoio
Os pontos de fixação estão no começo e no fim de cada escalada


Para iniciar cada nova escalada, é necessário um ponto de fixação, ao qual a corda será presa; caso não haja um, você pode simplesmente fixar a corda com um dos grampos (você possui quatro deles), utilizando Quadrado.
Enquanto escala, o seu fôlego vai caindo na barra de vigor e você pode utilizar o L3 para descansar, recuperando a energia.

Atenção à barra de fôlego, ela indica o cansaço
Em áreas muito ensolaradas, o fôlego cai mais rapidamente


Pontos altos, fixos para baixo, servem para arremessar a corda (Quadrado) e utilizá-los como pêndulo, balançando-se para frente e para trás.
Quando estiver pendurado na corda, você pode descer com L1 e subir com R1.

Sem ponto alto para prender-se? Fixe em alguma outra estrutura e aproveite o embalo
Você também pode correr pelas paredes


Ao atingir o objetivo, segure Círculo para recolher a corda. Também é possível remover um grampo da mesma maneira, já que você possui apenas quatro deles e precisa calcular onde usá-los em longas subidas.

Estações servem para fixar novamente a corda, recuperando a parte já escalada
Grampos servem como um “checkpoint” da corda, para o caso de você cair


A corda, aliás, não é infinita: em escaladas mais demoradas, algumas estações estarão no caminho. Ao chega em uma delas, aperte Quadrado (fixando a corda na estação e recolhendo o restante dela, junto dos grampos).
Assim você terá novamente toda a extensão da corda para continuar subindo

PEQUENO NOTÁVEL

A torre está vazia dos humanos que já viveram nela, mas repleta de pequenos animais, sendo alguns essenciais para progredir.
Dentre os animais, destaca-se o bebê Ballast (uma espécie de peixe/baleia voadora) que acompanha o menino e pode ressoar seu canto, localizando objetos e pontos de interesse próximos (Direita no D-Pad), ativando plantas e chamando animais para ajudar, além de auxiliar o garoto a ativar postos avançados na torre (há cinco deles).

Ballast ajuda com seus poderes (aperte Esquerda no D-Pad para acariciá-lo)
Plantas crescem ao canto do Ballast, criando caules escaláveis


Pequenos “insetos-pedra” movem-se por algumas partes dos paredões, servindo de apoios móveis.
Celantes, pequenos insetos brilhosos e voadores, impulsionam o menino em saltos maiores, para alcançar apoios distantes. Plantas florescem ao serem ativadas com a ressonância do pequeno Ballast (apertando para Cima no D-Pad) e crescem seus caules pelos paredões.

Celantes alçam o garoto para plataformas mais distantes
Estes insetos com formato de pedra aguentam o peso do garoto e podem carregá-lo


Quando nos postos avançados, o garoto utiliza uma concha para assoprar em uma grande cornucópia, acompanhado do Ballast, o que ativa o posto, criando uma onda de renascimento da natureza próxima ao local.

Conectando a concha à cornucópia, o som se intensifica
O Ballast ecoa o som da concha
Reativando portais e recuperando parte da natureza local

SILÊNCIO E CONTEMPLAÇÃO

Jusant é um jogo com um desafio leve, focando na exploração da torre, que contém uma narrativa (parcialmente) não-intrusiva.
O que aconteceu para que a seca tomasse conta do local, por quê os habitantes abandonaram a torre e os conflitos que aconteceram em suas vidas está contido em cartas e comunicações que você encontra durante a jornada.

O pequeno ajudante pode localizar coletáveis próximos
A seca afetou a vida dos habitantes, que pode ser conferida em comunicações e cartas


Conchas relevam resquícios de som da água que já existiu no local, painéis exibem parte do lore (na galeria é possível ler os textos dos painéis) e pedras empilháveis (automaticamente, obrigado Don’tNod) servem como as atividades extras do jogo.

Conchas revelam ecos do passado local
Murais também são ativados com o eco do animal
Eles contêm mensagens sobre o cotidiano, disponíveis na galeria


O gráfico de Jusant é suave, com cores vivas, refletindo os diferentes biomas encontrados.
O título é bastante fluído, destacando-se a vegetação reagindo aos fortes ventos em estágio mais avançado do jogo.

Os diferentes biomas refletem a vida marinha de outrora
Subir durante a ventania torna tudo mais difícil
Mas o visual pode ser recompensador


Não há falas ou dublagem no título.
A trilha sonora, composta por Guillaume Ferran, é paradoxalmente discreta na maior parte de suas inserções e apoteótica ao encapsular momentos de grandeza.


ESCALAR E PLATINAR

Assim como a experiência do jogo em si, a platina é também relaxante, baseada em encontrar todos os coletáveis.
Há seleção de capítulos ao final do título e fica indicado qual tipo de coletável faltou, facilitando em muito o processo de ir atrás do que não foi pego.

A seleção de capítulos mostra quais tipos de coletáveis escaparam dos seus olhos
Sofrer com minigames de empilhar pedras não serão problema aqui!

RESUMO DA ÓPERA:
Jusant é uma experiência pessoal e íntima, com uma narrativa não-intrusiva que deixa o jogador livre para focar-se na jornada de escalar a gigantesca torre e descobrir o que aconteceu aos habitantes locais através de suas cartas e desenhos.

O que restou do povo da torre?


Enquanto a escalada é mais complexa que o habitual de outros títulos, o desafio é mais leve, não havendo mortes, já que o personagem está sempre obrigatoriamente preso à um ponto de fixação da corda; não há saltos suicidas de beiradas.

A natureza retomou o controle ou foi moldada pela humanidade?


A escolha artística adotada (que lembra um pouco Life Is Strange) é perfeita para a sensação de leveza que o jogo traz, o que também se reflete na trilha sonora.
A corda pode apresentar alguns bugs, enroscando em partes do cenário e travando o personagem aqui e ali, mas você consegue resolver com alguns movimentos extras.

O Sol escaldante não é páreo para a determinação da dupla


Uma jornada rumo ao desconhecido no cume da torre, Jusant é reflexivo e transcendental, em uma experiência relaxante e agradável, para jogar confortavelmente e esquecer os problemas da vida real.

One thought on “Review / Tutorial – Jusant”

Deixe uma resposta

Previous post Review / Tutorial: Atelier Ryza 2: Lost Legends & The Secret Fairy
Next post Review / Tutorial – Fearmonium