Fretless – The Wrath of Riffson é um daqueles indies onde você tem uma notória curiosidade ao ver o trailer de divulgação e lançamento, em um aspecto muito peculiar, um jogo misto. A mistura de gêneros, em específico rítmico com RPG, já chama sua atenção, e notaremos novas surpresas conforme avançarmos…
Desenvolvido pela Ritual Studios e distribuído pela Playdigious Originals, até o momento apenas para PC pela Steam, vamos então embarcar em mais uma jornada de mix, com gêneros queridos e adorados pelo público em geral e analisar tudo que ele nos traz ?
Playdigious Originals (site oficial)
A Playdigious possui 2 selos, um dedicado ao lançamento e port de jogos para mobile e o Originals, que envolve editorial de lançamentos para PC e consoles.Os melhores jogos agora no celular
Sediada em Paris, Montpellier e Nancy, na França, a Playdigious é uma publicadora com capacidade interna de adaptação, trabalhando em jogos indie de alta qualidade para celulares, consoles e PC.A empresa foi fundada em 2015 por Xavier Liard e Romain Tisserand, empreendedores experientes que anteriormente fundaram a DotEmu.Descubra nosso novo selo
Com mais de 15 jogos lançados para PC, dispositivos móveis e consoles, temos orgulho de trazer essa expertise a você com nosso selo editorial: Playdigious Originals.
A Playdigious Originals quer ajudar a dar vida a esses projetos indie criativos e inovadores. O objetivo é ser uma máquina bem lubrificada, compartilhando sua visão do setor e seu conhecimento técnico para colaborar com equipes que precisam alcançar o próximo nível.

Código fornecido para review pela Playdigious Originals, versão Steam
Nome: Fretless – The Wrath of Riffson
Gênero: RPG, Rhythmic, Deck Building, Turn Based
Desenvolvedora: Ritual Studios
Distribuidora: Playdigious Originals
Plataformas: PC
Lançamento: 2025 (17 de julho)
Compatibilidade com Steamdeck: Jogável, alguns textos são pequenos e podem dificultar a leitura.

Tela Título

História / Enredo

Todos os anos, acontece a Battle of the Bands, onde músicos entram no palco e travam uma luta para sobreviver e passar para o próximo rival. Quem chegar ao topo do evento, tem a chance de gravar um disco com a Super Metal Records.

Rick Riffson é o idealizador e organizador da Battle of the Bands, além de ser o CEO e dono da Super Metal Recrods. Quem ganhar o concurso, conhecerá ele e terá a oferta de assinatura dessa grande chance.


Estranhas criaturas estão causando o terror, espalhadas pelo mundo…
Enquanto isso, nosso protagonista Roberto (aka Beto), está em seu estúdio, fazendo o que mais gosta: tocando violão…
Conforme os dias passam e Roberto se aperfeiçoa na música, no período de um ano, eis que uma nova Battle of the Bands está prestes à começar e as inscrições estão abertas…
A chance de fama de Beto na carreira musical está começando…
Trívia
Roberto / Beto é inspirado no músico e influenciador Rob Scallon, que também anunciou sua parceria ao Ritual Studios para trabalhar em Fretless no ano de 2023.
Gráficos



Trazendo o estilo retro e pixel art, temos uma paleta de cores mista, com tons fortes / vibrantes e tons pálidos / cinzentos, dependendo da ocasião. Os efeitos de jogo são baseados na diferenciação de arte da paleta em sua maioria, e outros efeitos sutis com tons de blur.
Os diálogos não mostram quaisquer artwork, sendo apenas o texto em balões.
Apesar de simples, podemos notar expressões dos personagens nos seus rostos, com efeitos cartoon e exagerados, além de o cenário ser bem dinâmico, com Beto passando e interagindo entre flores nos campos ou vermos sapos e outros animais reagindo conforme sua proximidade, por exemplo.

Som / OST
O jogo não possui dublagens efetivamente, sendo inteiramente sonoro e musical.
Com relação à trilha sonora, tem a participação do próprio Rob Scallon em colaboração com de outros artistas e composições próprias de outros artistas como Cult of Luna, Northlane, entre outros.
A G4F Prod (Furi, Rogue Lords, Ravenswatch) ajudou na produção musical.
Jogabilidade

É possível jogar com teclado e controles e remapear todo o esquemático entre o mundo ,batalhas e menus, indo do gosto e necessidade de cada jogador. O jogo também aceita controle de Xbox, Playstation e Nintendo, mas a interface mostrada é apenas do Xbox.
O poder da música…
Fretless é um RPG baseado em batalhas com turnos e com ataques usando baralhos de cartas de ataque, montados em conjuntos (decks) para sua build, ou seja, DECKBUILD usando noções de ritmo e tempo musical.
Cada carta é uma ação, e essas ações terão efeitos diferentes com ataques em RIFF’s, seu baralho é composto por 6 cartas que podem ou não ser descartadas no turno. Os riffs precisam ser confirmados no arranjo e serão executados conforme a ordem escolhida por você ao apertar
.


Cada riff escolhido irá para a barra de arranjo no topo da tela.
Você pode usar até 3 riffs por turno no arranjo, e as cartas usadas serão trocadas por outras no próximo turno. Cada riff terá sua característica e tipo diferenciado, seja ataques individuais / múltiplos, buff/debuff, defesa/cura e mistos.


Ao selecionar riffs de ataque, você terá um timing para adicionar atributos conforme o tempo e ritmo da música de batalha, sendo indicado por auras no entorno de Beto. Aura amarelo indica que o jogador deve apertar o botão de confirmação
para adicionar dano ao ataque, que se feito corretamente, traz a aura verde para Beto.

Já os riffs de defesa irão ocasionar escudos para Beto, que será indicado no valor adicional ao seu HP.
Os danos dos inimigos irão primeiro acertar o escudo, que ao chegar em 0, irá causar dano na HP de Beto, entretanto é possível recuperar escudo conforme usar os riffs de defesa.

Os Riffs de Buffs / Debuffs aplicam estados anormais ou condições específicas com relação aos personagens e seus turnos, e são indicados pelos espaços abaixo dos personagens.
Os buffs e debuffs são chamados de Status FX, um trocadilho com STATUS EFFECTS baseados em ruídos sonoros. Os efeitos podem ser adicionados em combos.

Os Riffs Mistos podem mesclar os 3 tipos de cartas em pares combinados. Essa mistura interfere diretamente no efeito de ambas as condições.
No exemplo da foto, o “Slide à Ponte” é um riff misto com ataque & defesa.


E por fim, não menos importante, temos o ataque mais poderoso de todos, onde é um ataque isolado no arranjo, trata-se do Crescendo, indicado no canto inferior esquerdo. Seu valor máximo é 50, e preenche em cada ataque causado pelo Beto, tendo um valor maior de aumento se tiver ataques bem aplicados no ritmo.
O Crescendo dará uma breve animação e irá trazer notas com os botões para você apertar, conforme acertar a sequência, seu dano será maior. Caso erre notas, você terá um ataque com valor penalizado, mas que ocorrerá de qualquer forma.
A música por outros intérpretes…
Os turnos inimigos terão o mesmo dinamismo que Beto tem, ou seja, os inimigos terão alguns aspectos parecidos no seu combate e que poderão ser explorados de forma previsível e notória.


Os ataques inimigos também terão auras que irão indicar o momento certo pra você apertar o botão de confirmação e tentar bloquear parte do ataque, isso faz com que o dano sofrido seja menor que o ataque usual dos inimigos, indicado pelo “BLOQUEADO”.
Saber ler partituras e tablaturas é essencial para um músico, certo ????
Em Fretless, é a mesma coisa, sendo substituído pelos indicadores acima dos inimigos.
Cada indicador é uma previsão do que eles irão fazer nos seus respectivos turnos, como ataque sendo indicado por notas musicais vermelhas, escudo para atribuição de defesa e Status FX para buffs e debuffs por setas verdes indicativas.

Alguns valores podem ter multiplicadores, isso é sinal de que o ataque terá ações múltiplas de ataque que causarão o valor do dano mostrado, ou seja, SMR Bassist irá aplicar 2 ataques de dano em valor 6, totalizando a possibilidade de 12 em dano.


Batalhas com chefes irão ocorrer, com certeza, e eles também terão os mesmos sistemas de batalha dos inimigos normais, com um plus, o CRESCENDO, que irá ocorrer da mesma forma, acerte as notas para diminuir o dano sofrido, pois o ataque ocorrerá independente do sucesso em 100% de acerto.
Como podemos notar, os turnos são bem dinâmicos e estratégicos, já que podemos prever ações, poupar cartas do deck e montar estratégias de defesa e combos.
Um musicista versátil e bem preparado…
Um musicista bem preparado pode se tornar um grande e versátil músico.
Beto pode usar diferentes tipos de instrumentos durante sua jornada para o Battle of the Bands, assim como adquirir e aprender novos riffs.
É aqui que entra seu desenvolvimento para o personagem e equipamentos.
Beto pode encontrar estações de modificações, no qual adicionam equipamentos e acessórios aos instrumentos que nosso herói irá usar.

Cada instrumento irá ter seus equipamentos de forma isolada e cada slot poderá usar apenas um mod por tipo, no caso do violão, temos captadores, cordas e acessórios. As builds podem ter grande efeito em batalhas que você estiver tendo dificuldades, recomendo sempre que revise seus mods e alterne entre eles para estudar estratégias e ver vantagens e desvantagens de cada um.

As batalhas irão conceder alguns materiais derrubados pelos inimigos, encontrados no meio do mapa através de objetos naturais ou baús, além de dinheiro para coletarmos. Esses materiais irão servir para melhorar os Riffs, que serão indicados por contornos ao redor da carta.
Os baralhos tem um limite de 16 cartas no seu total, o valor atribuído no deck é referente à frequência e repetições que eles podem aparecer nos turnos que você joga. Saber montar o baralho eficiente e tentar causar combos variados é uma grande chance de sucesso em batalhas contra os chefes.

Novos riffs podem ser aprendidos ao encontrar o professor de Riff que ensinará por um valor considerável…


… ou também tocando nas estátuas de Riff.

Como disse antes, ao avançarmos na história, Beto irá adquirir novos instrumentos, no review/tutorial irei mostrar apenas o Baixo.

Instrumentos novos podem ser equipados através do menu de riffs, e consequentemente a mecânica de riffs irá variar, já que são diretamente atribuídos entre os instrumentos.

Note que a HUD mudou e as definições de riffs também, no caso do baixo, você terá riffs que causam dano de slap, que irá trabalhar em conjunto com a habilidade passiva do baixo, indicada no canto superior esquerdo do HUD.


Cada instrumento terá uma habilidade passiva diferente, para deixar bem claro:
Violão – a cada 6 riffs de ataque, dobrará o dano do próximo ataque. Alvos múltiplos não são considerados, mas riffs de ataques múltiplos são considerados.
Baixo – acumula dano de slap ao dano sofrido, somando ao riff de ataque do baixo, ao chegar em 10 ou mais, irá zerar novamente.
Outro detalhe interessante é que a mudança de instrumento irá trocar o tema de batalha, exigindo um novo timing para os ataques.

As pedaleiras são equipamentos que irão causar efeitos poderosos em Beto e seus equipamentos.
Cada distorção e pedal irá modificar e atribuir efeitos de ataque, defesa e suporte de atributos.
É possível usar até 3 pedaleiras simultaneamente.
Pedaleiras não encontradas podem ser adquiridas realizando alguns objetivos revelados ao passar o cursor nelas.
Conquistas

Dificuldade: 3/10
Para perfectar o jogo, temos um set de conquistas bem amigável e que exige apenas um empenho em encontrar tudo que o jogo tem a oferecer.
De forma resumida, você deve:
- Terminar o jogo ao derrotar o Rick
- Derrotar alguns chefes opcionais específicos
- Comprar todos os itens de Zolio
- Encontrar todos os riffs
- Aprimorar um riff ao máximo
- Encontrar todos os pedais
Ser derrotado pela sua Guitarra de 8 Cordas
Complete a coleção de bichos (side quests específicas)
Considerações Finais e Conclusão
Graficamente temos um jogo competente. O pixel art foi aplicado na medida certa, baseado em aspectos da fluidez de animações e expressão dos personagens, que refletem ao timing de dinamismo do combate e até mesmo na interação de Beto com o cenário e as criaturas que estiverem presentes na tela.
A falta de dublagem não incomoda ou penaliza o jogo em nenhum ponto, já que estamos lidando com uma história que envolve música e jornada de fama. A trilha sonora tem um bom mix de arranjos e gêneros musicais, e esse dinamismo reflete na exploração de novos instrumentos para equipar em Beto.
Evidentemente, as músicas podem soar repetitivas já que são músicas de batalhas, mas lembre-se que você está jogando um jogo com sistema de RPG de turno, o que interfere nesse aspecto sonoro. Para suprir isso, temos um jogo demasiadamente curto em seu storytelling, questão de 4 horas se fizermos uma linha reta seguindo apenas a história principal, e que dobra para 8 se for fazer tudo que ele propicia.
Então reclamar de OST repetitiva não é plausível para um RPG, se você reclamar disso, você não deve ter jogado muitos RPG’s, correto?
A jogabilidade é fluída e eu particularmente recomendo jogar com controle para ter maior proveito da interface, não testei o teclado em si, mas a disposição de comandos por padrão já são eficientes, mesmo que o jogo permita remapear todos os botões.
O sistema dinâmico e interativo das batalhas, mesmo que para um RPG de turno é claramente um futuro inspirador, no qual já vimos em outro jogo que foi lançado esse ano. E a mescla de rítmico com essas batalhas trazem ainda mais diversão à elas.
A mudança de tema de batalha conforme o instrumento que usar e trazer novos sistemas de atributos para as batalhas não deixam o jogo repetitivo, em termos de combate.

Fretless também tem um grande ponto de exploração, com as side-quests dos personagens que você encontrar serem em sua grande maioria eficazes para a sua resolução, e seu design amigável de mapas ajuda à lembrar facilmente onde esses NPC’s estão e seu fast travel através do mapa geral.
Os puzzles presentes no jogo não são obrigatórios para a evolução da jornada, mas podem recompensar consideravelmente o jogador que explorar tudo. A dosagem de escolhas no jogo permite que você simplesmente siga o caminho linear e apenas curta o desenrolar do jogo, ou quebre um pouco mais seu tempo tentando batalhas mais desafiadoras com chefes opcionais ou pegue coletáveis e equipamentos novos, resolvendo esses puzzles.

Com relação à narrativa, temos um ponto que poderá dividir jogadores de velha guarda e jogadores que começaram à jogar RPG’s específicos e que foram modinha na mídia, seja pelo hype ou falso saudosismo. RPG’s antigos, em alguns casos, tinham a falta de riqueza no mundo e na sua evolução. Isso é claramente visto em Fretless.
O que eu quero dizer é que: mesmo que Beto se torne um grande músico no decorrer do jogo, voltar para ambientes anteriores do mapa não modificam os diálogos dos NPC’s que estiverem naquele ponto em específico, o que torna o mundo mais simples e pouco evoluído.
Isso pode ser um tanto quanto chato para jogadores que começaram com RPG’s em história e mundo rico, ou jogadores que já jogam diversos RPG’s e já viram vários tipos de história, desde as mais rasas e bobas, até as mais simples.
Entretanto, é possível encontrar diversas referências no decorrer do jogo, seja pelo universo geek ou pelo aspecto musical, apesar de que alguns pontos, essas referências sejam um tanto quanto específicas (vide print abaixo).

Já no aspecto de performance, o jogo não teve fechamentos repentinos ou erros escrotos, entretanto, bug ocasional que por sinal já foi corrigido, poderia ocorrer se pulasse cenas de narrativa. Algo do nível de ter que apenas dar um reload no save.

Em vez de Disco de Platina por álbuns vendidos, temos um Troféu Shin Reviews de Platina
Fretless – The Wrath of Riffson se mostrou um divertido e eficaz projeto misto. O fator de RPG de turno baseado em deckbuild com o dinamismo do gênero rítmico traz uma boa fórmula de evolução em um nicho que começa à ser modificado e modernizado.
Puzzles, exploração e linearidade estão bem nivelados, assim como desafios e batalhas com estratégias simples.
O troféu de platina é merecido pela audácia de mistura de gêneros e a criatividade desse dinamismo.
Uma joia que apenas os verdadeiros jogadores e amantes de RPG’s podem apreciar de forma diferenciada, mas que jogadores que gostam de experiências diversificadas podem achar “OK” em seu geral, levando em consideração a proposta de forma isolada e sem fazer “comparativos em proporções desiguais”.
Então, vamos com Beto nessa jornada musical e ver o que Riffson esconde ?????


