
Você já ouviu falar sobre a teoria da Internet morta?
Embora seja uma teoria conspiratória sobre dominação da opinião pública, ela fala sobre uma internet dominada por inteligências artificiais e bots, gerando conteúdo e interagindo entre si.
Até algum tempo atrás, essa teoria parecia não fazer sentido. Mas ela se torna real a cada dia que passa…
Inteligências artificiais (sobre as quais já escrevi um artigo, talvez apocalíptico demais) alimentam-se de informações pré-existentes, condensando o conhecimento.
O problema começa quando o conhecimento humano é “esgotado” e a inteligência artificial passa a se alimentar de conteúdo gerado por outra IA.

A criatividade humana e seus erros passam a ser substituídos pela homogeneidade estéril e exata da inteligência artificial, alimentada por todo o conhecimento produzido pelo ser humano e retroalimentada pelo próprio resumo destes conhecimentos, provenientes de outras IA’s.

Salvo o fato de grandes sites internacionais que já copiaram o texto literal de algum Youtuber e/ou redator menor, a “inspiração” (leia-se cópia não total) de um redator no trabalho de outro é uma cópia de estilo ou abordagem de um assunto. Esta “cópia”, entretanto, não fere o autor original, pois apenas simula parte de sua “dialética”.

Mas a inteligência artificial não faz isso, ela resume aquilo que foi escrito e cospe a versão compacta do texto, sem que o leitor precise entrar no site em questão.
Esses dias um PR (relações públicas) estava reclamando do fato no X (Twitter): como bons sites estavam perdendo espaço pois o Gemini, do Google, exibia o resumo do review, sem que o leitor entrasse no site da análise original. Ou seja, a visualização do conteúdo, justamente o que gera o engajamento e faz o site crescer, está sendo afetado pelo resumo de uma inteligência artificial. E isso não afeta apenas sites de jogos, mas as buscas em geral.

Até mesmo o Google sofreu uma grande perda de usuários em suas pesquisas recentes, uma vez que leitores podem tirar suas dúvidas com inteligências artificiais concorrentes.
A informação contida na resposta das inteligências artificiais, contudo, nem sempre é confiável.
Por agregar diversas informações diferentes, uma mesma pesquisa, repetida algumas vezes, pode apresentar resultados contraditórios.
Bem, então não há porque se preocupar, não é?
Na verdade, isso é bem mais preocupante, pois o ser humano tende a sempre escolher o caminho mais fácil e menos trabalhoso.
Em uma sociedade cada vez mais obcecada com a velocidade e o fluxo constante de informações rápidas, perguntar algo para uma inteligência artificial parece tentador.
A praticidade e a velocidade de tal método conquista cada vez mais adeptos.

Outra parte do problema é que a informação obtida desta forma não fica retida no cérebro humano.
É o famoso “vem fácil, vai fácil”. A falta de dificuldade para obter uma resposta, ignorando o método clássico de pesquisa, faz com que a mente identifique algo descartável, que pode ser obtido novamente sem grande esforço.
Agora, se isso afeta tanto adultos, calcule o estrago na mente de crianças e adolescentes, usando essa obtenção de informação rápida e prática para aplicar em trabalhos, tarefas de casa e até mesmo provas.

No passado, quando pensávamos na SkyNet dominando o mundo através de robôs assassinos, estávamos produzindo uma visão romantizada e lúdica.
A “revolução das máquinas” é muito mais silenciosa e rasteira e nós mesmos estamos permitindo que ela aconteça, fazendo da preguiça a nossa própria cova…

Sem contar o custo de manter os datacenters de IA, que literalmente destrói a vida em pequenas cidades..
Com certeza. Além do consumo absurdo de água.