
* Esta análise foi feita com o código cedido pela Freedom Games (versão PS4/PS5)
Distribuidora: Freedom Games
Produtora: Elseware Experience
Plataforma: PS4 / PS5 / Xbox One / Xbox Series X / Xbox Series S / PC
Mídia: Física e Digital
Ano de Lançamento: 2022 / 2023

Broken Pieces é um jogo de suspense/terror psicológico e investigação passado em Saint-Exil, um pequeno vilarejo pesqueiro na França, que guarda um grande segredo em seu interior.
SAINT-EXIL
Buscando uma vida mais simples, Elise mudou-se junto do noivo, Pierre, para o vilarejo costeiro de Saint-Exil.
O local, apesar de pequeno, era cercado de alguns mistérios, os quais o casal achava graça, como os cultistas, que adoravam alguma entidade obscura.


Tudo mudou em um dia, quando um evento de origem paranormal fez com que todos os habitantes locais, com exceção de Elise, desaparecessem.
Desde então, a jovem busca por respostas sobre o que realmente aconteceu.


Entretanto, embora não haja outros seres humanos, criaturas “feitas de sombra” surgem para atacá-la com certa frequência, precisando ser combatidas com a pistola que ela carrega e com o poder da pedra presa ao pulso, como um talismã.
Esta pedra azul fosforescente parece ser o motivo pelo não desaparecimento de Elise e também lhe concedeu o poder de invocar uma tempestade rápida quando acionada.
WALKMAN CONTRA SOLIDÃO
Sozinha no vilarejo, Elise conta apenas com um walkman para combater a solidão, seja através das músicas que Pierre gravava para ela ou fitas K-7 com diálogos gravados pela própria ou por habitantes locais.


O walkman pode ser acessado a qualquer momento, pressionando para baixo no D-Pad, o que irá listar uma série de fitas a serem escolhidas. Encontrar as músicas e gravações é parte da mecânica de coletáveis e também da trama de Broken Pieces; Elise também registra algumas memórias para matar o tédio, podendo ser acessadas no gravador, ao lado da cama, todas as manhãs.


Ao conseguir acessar o porão da casa onde moram, Elise se depara com uma base improvisada do antigo morador, que se mostra um espião investigando estranhos sons vindo do mar e o culto que aparentava ter interesse genuíno no farol local.
A descoberta dos planos do espião, que deixou Saint-Exil às pressas por temer ser descoberto, é o pontapé inicial da investigação que a garota irá empreender para solucionar o mistério do vilarejo.
UM PÉ NO SURVIVAL, OUTRO NA EXPLORAÇÃO
Elise pode explorar as áreas das 8h até às 20h, com relativa tranquilidade: espectros aparecem eventualmente para atacá-la; após as 20h, no entanto, caso ainda esteja fora dos portões da casa, os ataques de espectros serão constantes e mais agressivos.


É possível esquivar tais ataques com L2 (botão de mira) + X e o analógico para o lado (evita ataques diretos, em vermelho) e para trás (evita ataques circulares, em amarelo).
A pistola da protagonista pode ser carregada com munição de quartel (mais eficaz) e munição de baixa qualidade, que ela mesmo fabrica com sucata encontrada pelos cenários. A fabricação de munição, no entanto, só ocorre durante a noite, ao ser colocada no baú da casa e deve ser resgatada pela manhã.


Além dos tiros, a pedra azul que Elise carrega no pulso permite um ataque para repelir os adversários (L2 + Círculo) ou um ataque que elimina todos os inimigos na tela (salvo aqueles protegidos por escudos) com o uso do Triângulo. Este ataque deve ser carregado por segundos e fica indisponível por algum tempo após ser usado, além de utilizar a barra de “mana”.
Os ataques espectrais criam uma arena temporária, sendo impossível simplesmente fugir do combate.

Como citado anteriormente, a pedra também concede o poder de invocar uma tempestade rápida, que pode derrubar árvores e estruturas destruídas com machado previamente ou empurrar dispositivos trancados, como pontes elétricas que não desceram após terem as alavancas acionadas.


A mecânica de mudança de clima é complementada por tanques d’água corrente, os quais Elise utiliza para alternar entre a neve e o clima ensolarado.
Ao congelar a atmosfera com os tanques, a água transforma-se em passagens gélidas, incluindo partes do mar (com restrições).
Entretanto, a neve bloqueia algumas portas e outras passagens.


Navegar pelos cenários envolve a solução de puzzles, observação e boa memória, uma vez que alguns elementos apresentados em momentos prévios podem ser necessários futuramente.
Achar chaves, desbloquear caminhos através da mudança climática, espantar pássaros e decifrar frequências de rádio estão entre os desafios através de puzzles, que representam boa parte do gameplay.


Adicionalmente, os puzzles de George envolvem mover uma série de esferas conectadas por um labirinto, até que a esfera com o símbolo metálico passe pela argola. Estes puzzles liberam fichas que concedem prêmios em sua oficina.
No sótão da casa, o arcade preferido de Pierre, Trens de Fúria, onde trens de diferentes cores precisam ser guiados até suas estações correspondentes, com a modificação constante dos trilhos, sem que eles se acidentem.


O inventário possui uma limitação pequena de itens, incluindo aí itens necessários para puzzles: pense bem no que irá carregar. Apenas um item pesado pode ser carregado por vez, como um machado ou uma alavanca, por exemplo.
É possível largar qualquer item no chão e pegá-lo posteriormente, caso não mude de dia, ou voltar até a casa e depositá-lo no baú.


Mas aí reside uma questão importante: sempre que você muda de cenário, um aviso na passagem indica a quantidade de tempo gasto no processo, geralmente mais de uma hora.
É importante lembrar que o período de “segurança” dura 12 horas e cada mudança de mapa consome uma boa fatia deste tempo, então ir e voltar para casa constantemente não é recomendável.
ARTE SOLITÁRIA
O gráfico de Broken Pieces é simples, com modelagens 3D competentes dentro do possível.
As câmeras fixas, que podem ser alternadas com R1, e o modo de observação em primeira pessoa (R3), dão uma variedade interessante de perspectivas, mas também podem tornar a movimentação um tanto confusa em alguns momentos.


Os cenários são cheios de detalhes, porém com pouco polimento nos objetos em geral, tornando o gráfico por vezes cru.
O jogo passa uma impressão de que irá dar crash ou travar em algum momento, dado o seu estilo, mas surpreendentemente ele se comportou durante todo o tempo, sem bugs ou engasgos, mesmo com as alternâncias de clima.


A arte do jogo tem uma temática dos anos 90, seja pelo relógio de caranguejo de Elise, seu walkman ou mesmo os pôsteres de filmes e bandas em seu quarto.
Ao mesmo tempo, um clima levemente sombrio se espalha pelos desertos cenários de Saint-Exil, reforçado pela trama de suspense usando sugestões de terror cósmico e citações ao Triângulo das Bermudas.


Dada a natureza vazia do vilarejo, o jogo tende a ser mais silencioso, com o som de gaivotas e corvos, os únicos outros seres vivos locais.
Para espantar o tédio, é possível ouvir as músicas de Mael Vignaux, disponíveis através das fitas K-7 de Pierre, a qualquer momento.
Composições com uma pegada melancólica, combinam bem com o clima anos 90 do jogo e mesmo a estética de Elise.
Já na dublagem (em inglês) destacam-se as vozes de Rachel Pefferkorn, que interpreta Elise e Bryan Dechart, interpretando o espião Mathew Banks.
Rachel não possui muita informação na internet, talvez seja seu primeiro trabalho como dubladora; e se for, parabéns pela ótima atuação (especialmente para uma estreia),
PLATINA TEMPORAL
A platina de Broken Pieces não é realmente complexa, embora dificilmente seja completa em uma única run.
Finalizar a trama em cinco dias de jogo é um desafio que você provavelmente só conseguirá após saber a localização de certos itens e a solução de puzzles, dado o tempo gasto para navegar entre os cenários.


De resto, a maior parte dos troféus gira em torno de eventos da trama, além de coletar todas as fitas e todos os souvenirs, completar todos os desafios de George (lembre-se, você gasta tempo para qualquer atividade do jogo) e completar todos os portais oníricos, além de troféus de desafios adicionais.
RESUMO DA ÓPERA:
Broken Pieces é uma curiosa mescla de survival horror com jogo de exploração em um vilarejo deserto após um incidente paranormal.
Abandonada à própria sorte, Elise se vê em um mundo silencioso, tendo de recorrer às fitas de música do noivo, Pierre, também este desaparecido.
A trama misteriosa é um pouco vaga em muitos momentos, concentrando-se em explicar os acontecimentos mais para o fim do jogo.
Inclusive, assista aos créditos, nele alguns plot twists são revelados, com explicações adicionais.

Os puzzles são interessantes e bem integrados, com a mecânica de mudança climática diretamente ligada a algumas soluções.
A navegação também pede que o jogador grave alguns locais na própria mente, pois obstáculos intransponíveis poderão ser acessados futuramente.
Um clima misterioso e uma trama envolvente fazem de Broken Pieces uma aventura instigante por uma pequena região da França.
O jogo, apesar de pequenos problemas técnicos, segura bem as pontas na sua execução, especialmente quando lembramos que o título foi feito por uma equipe de cinco pessoas.
Embora o jogo possua aspectos simples, revela um futuro promissor para o estúdio estreante Elseware Experience.
Estarei acompanhando o progresso de vocês em futuros jogos!
