
Sentir ansiedade é algo normal a todo ser humano.
Ficamos ansiosos por acontecimentos importantes ou situações muito graves.
Vai fazer uma prova na escola ou na faculdade? O teste prático para tirar a habilitação? Pedir demissão e abrir a própria empresa?
Diante de grandes decisões e/ou eventos impactantes em nossas vidas, a ansiedade é uma resposta natural da mente humana.
Entretanto, passado o momento, retorna-se ao normal; bom, pelo menos para uma parte da população.

A ansiedade pode também ser um transtorno que afeta cada vez mais pessoas pelo mundo, passando de uma simples emoção corriqueira a um problema contínuo.
Em casos mais graves, até mesmo a Síndrome do Pânico pode entrar em ação, paralisando completamente o indivíduo, que passa a ficar trancado em casa, com sensação de morte iminente. Mas vamos aqui nos focar no Transtorno de Ansiedade Generalizada e semelhantes, Pânico é algo ainda mais complexo e demandaria uma explicação (e um texto) maior.

Durante boa parte da minha infância e adolescência, eu sofri de contínuos “casos de vômito”: algum nervosismo mais forte, o primeiro sintoma de qualquer doença que eu teria (antes mesmo da febre) e, por fim, a depressão.
Eu e a depressão comemoramos Bodas de Prata (25 anos) em 2023, ao menos contando de quando fui diagnosticado.
O que eu só fui descobrir já na vida adulta é que, além da depressão, eu também sofria de ansiedade.
E isso explica muito alguns problemas que tive nos jogos.
Time trial, time attack, boss rush: o desafio por tempo sempre me estressa.
Pior ainda era nos jogos de luta. A ansiedade me impedia de calcular o tempo ou a distância correta para alguns golpes, me fazia avançar ou recuar antes do tempo.

Apelidei de “Síndrome do Último Golpe” a dificuldade em ganhar uma luta, quando o oponente está prestes a ser derrotado.
Bate um nervosismo e eu simplesmente começo a me precipitar, querendo logo desferir o golpe derradeiro; e aí eu perco.
Na pandemia de Covid-19, enquanto muitas pessoas trabalhavam de Home Office, não podiam sair pra trabalhar ou mesmo viam seus empregos se desfazerem diante de seus olhos, eu estava trabalhando em um hospital.

E na recepção, percebi o agravamento do estado mental de muitas pessoas: de pacientes a colegas, todos pareciam afetados de alguma forma.
Os óbitos, que eram raros (no máximo um por noite, quando ocorria), chegaram a até oito ou dez por plantão; a maior parte passava pelas minhas mãos, já que trabalhava no turno da noite e é na madrugada que a maior parte das mortes ocorrem.
Lidar com funerárias e parentes nervosos não é uma tarefa fácil, mas o trabalho era esse, afinal de contas.

Então eu comecei a trabalhar na Recepção da Pediatria, onde a parte das mortes não ocorria, mas onde comecei a identificar a ansiedade em crianças de 8 a 12 anos.
Esta não é uma idade “normal” para ansiedade, mas durante o isolamento da pandemia, as crianças chegavam com falta de ar e taquicardia.
As crianças não estavam sabendo lidar com o stress causado pela doença, aliás, ninguém estava.
Mas nem só de Covid vive a ansiedade nos tempos atuais.
Vivemos em ritmo cada vez mais acelerado: inúmeras senhas para gravar, redes sociais nos bombardeando com constantes atualizações, empregos que cada vez mais demandam produção e resultado.
O smartphone, de invenção genial, passou a cabresto virtual dos seres humanos.

E isto só piora conforme as gerações avançam.
A Twitch já está criando a “Geração TDAH”, que tem uma dificuldade absurda de prestar atenção no que quer que seja.
É o chat na velocidade da luz desviando o foco do que o streamer está jogando ou assistindo.

Alguns jogos, inclusive, já me deram grandes crises de ansiedade, como The Last Guardian (com aquele gameplay travado e o animal não obedecendo propositadamente) e um outro aí, que eu ainda estou devendo review, mas preciso descobrir como jogar sem surtar.
Enfim, eu acabei me perdendo na ordem dos assuntos, então vou encerrando por aqui.
Eu sei, eu sei, tem gente que acha que eu me exponho demais aqui, mas acredite, é quase como uma extensão da minha terapia.
Escrever sobre os problemas ajuda bastante e eu nunca me aprofundo muito, então guardo as partes mais bizarras pra psicóloga e aqui só falo da parte mais leve.

