* Esta análise foi feita com o código cedido pela 3D Realms (versão PS5)

Distribuidora: 3D Realms/Atari
Produtora: Jasozz Games
Plataforma: PS5 / Xbox Series S / Xbox Series X / PC
Mídia: Física e Digital
Ano de Lançamento: 2025/2026

Cultic é um FPS retrô boomer shooter onde um detetive investiga um culto que idolatra A Vontade.

Uma série de assassinatos e desaparecimentos ronda a cidade rural americana de New Grandewel, na década de 1960.
A polícia local pouco parece fazer para resolver o mistério, parecendo até mesmo estar envolvida e/ou negligenciando as investigações.

Uma onda de sequestros explode em New Grandewel
Um detetive assume o caso

Um detetive vai até o local de alguns desaparecimentos, mas é atacado por alguém, que não é mostrado.
Algum tempo depois, o detetive acorda em uma pilha de corpos, desarmado e desorientado. Ele se levanta, pega uma machadinha que encontra nos arredores e parte para a investigação, na qual descobrirá um culto “satânico” que venera um princípio/entidade chamada apenas de A Verdade.

Infelizmente ele é surpreendido no local
Pego de surpresa e nocauteado, não resta opção além de recolher as armas que encontrar, começando por uma machadinha

Munido inicialmente apenas da machadinha, que pode ser usada tanto para ataques físicos diretos quanto ser arremessada (e gasta no processo, mas você coleta várias delas, não se preocupe), o detetive coleta uma série de outras armas ao longo de sua jornada, como a escopeta, o rifle de precisão, a metralhadora e o lança-chamas, entre outros.

Você trouxe uma machadinha para um tiroteio?
Quando você tem uma escopeta na mão, seus problemas acabaram! Mas os do outro só começaram…
Esse culto fica cada vez mais suspeito…

As fases são grandes e longas, com vários locais para exploração e possíveis diferentes rotas de abordagem dos grupos de inimigos, permitindo mais estratégia para emboscadas. Puzzles simples servem para desbloquear caminhos, envolvendo encontrar chaves e cartões de acesso, bem como operar maquinário e desbloquear passagens de acesso.
Diversas áreas secretas escondem munição extra, armaduras e placas de proteção, além de Restos Imbuídos (caveiras de cultistas mortos, imbuídos com A Vontade) que aumentam a quantidade de vida máxima do jogador.

Nas mesas de trabalho é possível dar upgrade nas armas, com as peças de armas coletadas
O isqueiro serve para acender dinamite, coquetel molotov e iluminar a escuridão (e esse tiro que quase me acertou também ilumina que é uma beleza)
Escudos de inimigos podem ser coletados e limitam as armas que podem ser usadas, mas são uma boa opção para se proteger enquanto avança

O jogo é dividido em dois grandes capítulos e um interlúdio (onde joga-se com outro personagem), totalizando 24 grandes fases, repletas de caminhos secundários e hordas inimigas. Como conteúdo adicional, temos I’ll Be Home for Cultmas, uma fase extra durante o natal dos cultistas e o mapa da versão demo.
O modo Survival envolve ondas de inimigos em mapas extras, onde novas armas, munição e itens de cura e proteção devem ser comprados com o dinheiro ganho dos abates.

Espere, a luta de chefe é contra um tanque de guerra???
Durante o Interlúdio você controla um segurança, que troca a machadinha por um cassetete
Em I’ll Be Home for Cultmas você começa com um forcado, uma arma sutil no combate…

A arte do jogo remonta aos antigos jogos de PC dos anos 90, simulando as cores da técnica palette mapping (mapeamento de paleta restrita), a limitação comum à época. O gráfico possui um efeito “borrado” (proposital) e pixelado, com 3D simples, sem muito detalhamento, nos itens e em alguns inimigos, como os chefes e outras criaturas, enquanto os humanos são unidimensionais, em sprites 2D.

O 3D simplificado e o esquema de cores garantem o sentimento nostálgico dos antigos FPS (easter egg de Bonerooms, do mesmo criador)
Agora a parada ficou séria!!!
Os puzzles são simples e não devem travar o jogador (agora, os labirintos…)
A fama do detetive começa a circular entre os cultistas

A trilha sonora, composta pelo próprio criador do jogo, Jason Smith, é atmosférica, com músicas que remetem aos clássicos antigos, um tanto dançante, mas discreta. O jogo não possui dublagem, mas está bem localizado para o português nas legendas e textos (encontrados em máquinas de escrever e anotações de ex-cultistas).



A platina do título é desafiadora, envolvendo Finalizar o jogo na dificuldade Extreme (um troféu por capítulo), Completar a mesa de bilhar sem trapacear, Encontrar todos os segredos dos mapas (um troféu por capítulo), Conseguir um score perfeito no Pirate Booty Shooty (o tiro ao alvo do parque, jogado com uma arma de pressão), Resgatar um animal de pelúcia em cada mapa (excetuando-se os de chefes), Gastar U$ 15.000,00 em uma única partida de Survival e Completar uma fase sem sofrer dano, afora outros troféus de miscelânea.
Destaque para os troféus divertidos e inventivos, como Matar um inimigo com um olho e Entupir um vaso sanitário com partes de corpos.

O modo horda é o desafio final para aqueles que queiram colocar sua habilidade à prova!
O que o mini game Pirate Booty Shooty tem de difícil, não é brincadeira… a arma de pressão ao menos tem munição infinita, mas só pode ser usada aqui



RESUMO DA ÓPERA:

Cultic é um boomer shooter, inspirado nos clássicos FPS de PC dos anos 90, emulando a estética e jogabilidade da época, onde você encarna um detetive investigando desaparecimentos e mortes em uma cidade rural americana, na década de 1960, ligadas a um culto que idolatra A Verdade.

O combate simples e funcional é visceral e gore, com explosões de cabeças e corpos, permitindo pegar partes de corpos e arremessar em outros inimigos, além de combater criaturas sobrenaturais com deformidades e corpos desproporcionais (como um corpo sem cabeça que se transforma em uma boca gigante com pernas).


As fases longas e repletas de segredos recompensam a exploração, permitindo atalhos e rotas alternativas para emboscadas e mesmo momentos stealth (ainda que raros e curtos). Florestas, cavernas, estações de trem e esgotos compõem a paisagem desolada da outrora pacífica New Grandewel, agora tomada por um violento culto.

Eu avisei que tinha gore!

O gráfico mescla o 3D simples e os personagens humanos com sprites 2D, além de uma técnica de coloração simples, emulando a limitação técnica dos antigos jogos. A trilha sonora é bastante atmosférica e levemente discreta, dando mais espaço à imersão através do ocasional silêncio e do som constante de tiros e explosões.

Não acredite que o gráfico irá te impedir de tomar alguns sustos…

Divertido e brutal, Cultic é o impressionante trabalho de apenas um homem, Jason “Jasozz” Smith, que conseguiu capturar a essência dos FPS de PC da era de ouro, inclusive publicando seu jogo através da 3D Realms (empresa responsável por boa parte desses clássicos) e Atari.
Um jogo que nos lembra o quão divertido pode ser um videogame que não tem vergonha de sê-lo em sua essência, Cultic é um clássico cult instantâneo para todos os fãs de tiro em primeira pessoa.

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