
* Esta análise foi feita com o código cedido pela Atari (versão PS4/PS5)
Distribuidora: Atari
Produtora: Fabraz
Plataforma: PS4 / PS5 / Switch / Switch 2 / Xbox One / Xbox Series S / Xbox Series X / PC
Mídia: Física e Digital
Ano de Lançamento: 2026


Bubsy 4D é o retorno do lince em um jogo de plataforma 3D, onde o mascote precisa enfrentar uma nova ameaça: os BaaBots.
Bubsy está em casa com a sua família: os sobrinhos gêmeos Terry e Terri (Terrence e Teresa) e o seu interesse amoroso (?), a gata Oblivia, quando o rato inventor Virgil Reality entra avisando que os Woolies voltaram.*
Ao olharem pela janela, um dos discos voadores dos Woolies está capturando ovelhas.
* Terry e Terri apareceram em Bubsy 2D, enquanto Oblivia e Virgil são personagens da série de TV cancelada.


Para surpresa de todos, as ovelhas escaparam dos Woolies e usaram sua tecnologia para se transformar em BaaBots, ovelhas cibernéticas que dominaram os Woolies e tomaram conta de seu planeta.
Elas roubam a Lã Dourada de Bubsy, que precisa derrotar os comandantes BaaBots e recuperar sua lã.


Bubsy conta suas habilidades costumeiras, como saltar, agarrar-se às paredes e planar, porém agora ele também pode se transformar em uma bola de pelos e rolar a altas velocidades.
Você plana com L2, transforma-se em bola com L1 e acelera com R2; o ataque funciona com R2 (quando marcado com a mira), servindo não apenas para acertar os inimigos como botões com mola, balões e bolas presas em estacas, que geram impulso e permitem alcançar maiores distâncias, podendo ser combinados com o dash e a planar.


Outras habilidades podem ser desbloqueadas com os gêmeos, usando Diagramas encontrados nas fases.
Entre as várias habilidades disponíveis, temos a Quicada (quando na forma de bola), a Corrida do Coyote (permite correr no ar por alguns segundos) e recarregar as vidas nos checkpoints. Não há exatamente um game over ao perder as vidas, mas quedas permitem voltar à última plataforma quando ainda há “vidas” (os pontos de exclamação), enquanto ao perder todos, você volta para o último checkpoint (Caixa de Areia).



Além dos Diagramas, como coletáveis há também os Novelos de Lã comuns, que servem para comprar outras skins do personagem (incluindo a skin do abominável Bubsy 3D) e os Novelos Prateados (que servem apenas como desafio e para obter os 100% dos níveis).


Os cenários são amplos e bem coloridos, com grande foco na verticalidade, embora no chão haja poucos “objetivos” claros, além dos novelos para serem coletados. Os inimigos são esporádicos, variando entre Woolies e BaaBots (estes em pequenos discos voadores, com pistolas).


Para navegar, há tubos onde é possível circular na forma de bola, alguns contando com saídas onde pode-se projetar como uma bola de canhão para atingir distâncias mais longas e plataformas mais distantes, além de quebrar barreiras de vidro. Áreas com menor gravidade permitem saltos mais longos e alguns desafios de tempo envolvem plataformas criadas a partir de alavancas.


A trilha sonora é animada, com uma pegada de jazz e música dançante, remetendo ao estilo de plataforma em uma roupagem mais nova.
A dublagem se destaca nas vozes de Sean Chiplock (Bubsy), Phillip Sacramento (Virgil), Aimee Smith (Terry e Terri) e Marissa Lenti (Oblivia), com tom voltado ao humor. O jogo não possui legendas em português.


A platina é complexa com os desafios de tempo nas fases e a completude de 100% em cada cenário.
Também é exigido completar o jogo no modo Nine Lives, onde o jogador conta com apenas nove blocos/pontos de exclamação e o modo Gauntlet, um longo estágio com praticamente todas as armadilhas do jogo.


RESUMO DA ÓPERA:

Bubsy 4D retorna ao mundo 3D, exatamente 30 anos após o desastroso Bubsy 3D, com a dificil tarefa de se redimir no mundo das três dimensões.
Os Woolies sequestraram ovelhas, mas estas se libertaram e transformaram-se nos geneticamente modificados e poderosos BaaBots, dominando os Woolies e roubando a Lã Dourada de Bubsy.
Bem intencionado, o jogo tenta resgatar o lince de sua terrível trajetória, mas sofre com problemas de câmera e controles, tornando muitas vezes a navegação confusa e gerando erros de cálculo do jogador nas plataformas. A coisa piora muito nos desafios de tempo, onde o tempo entre saltos e planar é essencial, com ângulos obtusos e giradas de câmera desorientadoras.
A habilidade da bola de lã é agradável e até se sai melhor que outras habilidades, com uma boa sensação de velocidade, porém também prejudicada pela câmera instável. Já as lutas contra chefes são o ponto alto do jogo, divertidas e criativas, ao contrário dos demais inimigos espalhados pelas fases, que apresentam pouco ou nenhum desafio.

Os cenários amplos e belos, com o visual altamente caricato, são um tanto vazios e os NPC’s, com os quais se pode conversar, dificilmente apresentam um propósito claro, com exceção de Virgil, que fornece algumas explicações sobre a navegação.
A dublagem é competente e agradável, porém os diálogos são um tanto deslocados e o humor do jogo, no geral, parece bem datado, remetendo ao que Bubsy era no passado, mas sem atualizar-se para os tempos atuais.

Bubsy 4D tinha a difícil missão de resgatar o mascote de um passado complicado enquanto franquia e, até certo ponto, ele consegue atingir seu propósito, ainda que a duras penas. As lutas contra os chefes divertem e são o ponto alto do jogo, ao lado da nova habilidade de bola de pelo.
A jogabilidade e a câmera, entretanto, jogam contra o título, carecendo de ajustes, uma maldição da qual o lince parece ser uma vítima recorrente.
O estúdio Fabraz parece ter carinho pelo mascote e faz referências ao seu passado, mostrando conhecer bem a franquia, porém entrega um resultado controverso.
Bubsy 4D ainda atinge o ponto de segundo melhor jogo da franquia, apenas atrás do primeiro título, o que não é algo tão difícil, em uma série desastrosa de plataforma.
