
* Esta análise foi feita com o código cedido pela IMAGINATION S.C (versão PS5)
Distribuidora: The End Of The Sun Forge / IMAGINATION S.C
Produtora: The End Of The Sun Forge
Plataforma: PC / PS5
Mídia: Digital
Ano de Lançamento: 2025/2026

The End Of The Sun é um walking simulator ambientado na mitologia eslava, onde você é Ashter, um mago do fogo investigando um vilarejo preso em uma fenda temporal.
UNIDOS PELO FOGO
Ashter é um mago do fogo, ele está no vilarejo Willow, investigando um estranho fenômeno temporal.
Ao acessar as memórias através do fogo, o mago vê o encontro entre dois jovens locais: Nadimir e Mira.
Nadimir oferece um ovo petrificado à jovem e, após uma discussão, o ovo “choca” sozinho, revelando o pássaro de fogo Rarog, que avança sobre a jovem, momento em que a memória acaba.


Ashter pode conectar-se às fogueiras para revisitar acontecimentos do local e até mesmo modificá-los, alterando o passado.
Willow está preso em um vórtice temporal, onde o mago pode navegar, inclusive mudando as estações do ano para ter acesso a diferentes momentos.


Agora cabe ao mago do fogo tentar entender o que aconteceu na vida de Dalim e Dobromila (pais de Nadimir), Nadimir e Mira, afetados pelas ações de Rarog. Sempre que resolve uma memória, Ashter recebe uma pena de fogo do pássaro.
MITOLOGIA ESLAVA
A discussão do casal girava em torno de Samodiva, uma “ninfa” da água na mitologia eslava, sedutora mas também mortal.
As samodivi (ou samovilas) são uma raça mitológica protetora da natureza e conhecedora de plantas medicinais, vivendo em lagos e rios ou embaixo de árvores.


Já Rarog é um falcão ardente, podendo também ser visto, em alguns casos, como um “demônio de fogo”.
Como a mitologia eslava engloba as crenças de vários países, na República Checa, acredita-se que Raroh (outro nome para a criatura) pode ser obtido ao chocar um ovo guardado em um fogão por nove dias e nove noites.



Bem, falando mais sobre a mitologia eslava como um todo, ela gira em torno principalmente ao respeito pela natureza, ancestrais e rituais ligados ao calendário agrícola. Uma “religião” animista e politeísta, não possui um panteão unificado, devido às várias regiões em que existia, podendo alguns deuses serem cultuados em diferentes áreas. Abaixo, cito alguns deuses relevantes para o jogo:
Rod: criador do universo, deus do destino, da família e da ancestralidade, dividiu o universo em três planos: Javia (o reino material, dos vivos), Navia (o reino imaterial, dos mortos) e Pravia (o reino invisível dos deuses);
Svarog: deus do sol (pai de Dazhbog, o deus-sol), do fogo celestial e da criação, patrono dos ferreiros;

Mokosh: a deusa mãe, deusa da terra, do destino das mulheres e dos trabalhos domésticos, é também a tecelã responsável pelo fio da vida de todo ser vivo;
Morana: a deusa da vegetação, da morte e do inverno, tendo um ritual ao fim de seu reinado onde uma imagem de palha é queimada e lançada ao rio, celebrando o fim do inverno e a chegada da primavera.
Veles: o deus da terra, das águas, da magia, do submundo e dos rebanhos, rival de Perun (deus do trovão), governante de Navia (o reino dos mortos);
Svetovid: rei da guerra, da fertilidade, da abundância e da profecia, tinha uma estátua em sua homenagem no templo de Arkona

WILLOW E ARREDORES
Nadimir e Mira participam do Festival do Fim do Sol (que dá nome ao jogo), durante o Solstício de Verão, quando a luz de Svarog afasta as trevas, tornando as noites menores. É após o festival que se inicia a Noite de Kupala* (Ivana Kupala em algumas regiões), a menor noite do ano, celebrada com jovens casais saltando sobre fogueiras para afirmar seu compromisso duradouro, caso não conseguissem saltar, o relacionamento estaria fadado ao fracasso.
*Kupala é a deusa polonesa das ervas, feitiçaria, sexo e do verão.


É lá que também acontece o ritual das guirlandas (como vemos no jogo), onde as jovens as colocam nas águas dos rios, torcendo para que flutuem para longe, tentando prever o futuro do relacionamento com o fluxo da água. Os garotos podem tentar resgatar as guirlandas, para chamar a atenção das mulheres solteiras.


Este é um dos pontos onde Ashter pode agir, ajudando Nadimir a resgatar a guirlanda de flores de Mira, através da fogueira. Igualmente, outros eventos serão modificados pelo mago de fogo ao interagir com memórias e fogueiras. Em alguns casos, puzzles relacionados à sequência de símbolos e de ingredientes surgirão, todos intuitivos e bem demonstrados através de anotações.


O jogo se passa em uma área grande no território do vilarejo de Willow, com bosques e longos prados, além das construções das casas de Dalim e Dobromila. O mapa queimado não possui indicações de posição do protagonista, apenas marcando a fogueira à qual o personagem está ligado, o que pode dificultar a localização em alguns momentos.
Ao completar uma memória, Ashter pode olhar para a fogueira e meditar, conectando-se ao início do fogo, onde uma árvore espectral une quatro fogueiras, cada qual representando uma estação do ano; é aqui que o jogador pode mudar a estação, modificando não apenas a paisagem, mas também estruturas construídas e acontecimentos.



Os personagens possuem uma modelagem simples, mas eficiente, utilizando roupas típicas da região. Além dos personagens principais, é possível ver ecos espirituais de outros moradores locais durante o festival, executando danças ritualísticas, e outras criaturas folclóricas, como as Crianças da Água (possivelmente referência a Russalkas, crianças que morreram afogadas e tentam atrair pessoas para o fundo dos lagos).



A trilha sonora é um dos pontos de destaque do título, composta por Kinga Machowska, utilizando instrumentos eslavos tradicionais e cânticos, em uma atmosfera imersiva que transporta o jogador para dentro do mundo do jogo.
A dublagem faz um bom trabalho, em inglês, nas vozes de Rudy Abel (Ashter), Adriana Beals (Mira), Joe Goffeney (Nadimir), Joy Hayward (Samodiva), Stephane Cornicard (Dalim), Josselyn Cambridge (Dobromila) e Roman Northey (Nadimir criança). O jogo não possui legendas em português.
GROMOVITI PLATINA
A platina do jogo não é difícil, consistindo em grande parte de troféus relacionados às memórias resgatadas em fogueiras, com eventuais itens específicos e localidades encontrados, pedindo apenas uma boa exploração por parte do jogador. Como citador anteriormente, a navegação com o mapa pode ser um pouco confusa e certos locais e itens apenas podem ser acessados com a estação do ano correta.

RESUMO DA ÓPERA:

The End Of The Sun é walking simulator/jogo investigativo onde assumimos o papel de Ashter, um mago do fogo, que tenta remontar os acontecimentos que prenderam o vilarejo Willow em um vórtice temporal.
Através da manipulação de memórias, fogueiras e estações do ano, o mago deve remontar momentos das vidas de Nadimir, Mira, Dalim e Dobromila, afetados pela intervenção do pássaro de fogo, Rarog.
Classificar o título como walking simulator é, na melhor das hipóteses, uma falta de opções de estilos. O jogo é muito mais interativo do que o gênero, sendo mais um jogo de exploração propriamente dito do que um simulador de caminhadas, enfim…
Fortemente baseado na mitologia eslava, o título ambienta-se durante o festival do Solstício de Verão, no Festival do Fim do Sol, como sugere o nome, a chegada de Svarog para afastar as trevas, seguindo pela festa da Noite de Kupala, onde os jovens casais tentam fortalecer seus laços através de rituais aos deuses.

Graficamente o jogo não impressiona, especialmente no que concerne aos personagens humanos; todavia os cenários compensam essa falha, detalhados e amplos nas vastas paisagens. A trilha sonora, por sua vez, brilha com altíssima qualidade, envolvendo cânticos e instrumentos eslavos tradicionais, o que contribui em muito para a experiência, bem como o rico lore mitológico.

The End Of The Sun é um destes jogos que apelam a um público específico, não sendo fácil recomendá-lo para a maioria. Porém, aqueles que gostam de mitologia e roteiro, não terão problemas em se divertir aqui.
The End Of The Sun entrega uma ótima experiência envolvendo a mitologia eslava, com puzzles divertidos e intuitivos, sem exigir demais do jogador, enquanto entrega um roteiro competente, mas peca pela falta de ação.
