
Você se lembra da Naughty Dog?
Uma empresa que fazia grandes jogos para PlayStation até 2020, mas que parece ter estacionado depois disso…
Mas são apenas 3 anos? (quase 4).
Sim, sim, e ainda tivemos a pandemia, eu sei; o problema não é o tempo e sim os projetos duvidosos.

A empresa começou como JAM Software, em 1984, pelos estudantes do ensino médio Jason Rubin e Andy Gavin.
Desenvolvendo inicialmente para Apple II, eles criaram o Ski Crazed, que mais tarde fora comprado e lançado pela Baudville.
Em 88 eles lançaram para Apple II IGS o jogo Dream Zone, mais tarde portado para Atari ST e PC.

Já em 1989, eles criaram Keef The Thief, um point-and-click para Apple IIGS, Amiga e IBM PC Compatible.
A publicação, feita pela Electronic Arts, foi o motivo da mudança de nome para Naughty Dog, uma vez que a JAM Software estava ligada contratualmente com a Baudville. Foi ainda na parceria com a EA que eles lançariam, em 91, Rings Of Power, para Mega Drive.


O grande salto da empresa teria início em 1994, quando eles apresentaram Way Of The Warrior a Mark Cerny, que viu o projeto em desenvolvimento para o 3DO e, por uma espécie de “iluminação divina”, assinou um contrato para que eles produzissem mais três jogos para a Universal Interactive Studios.
Sim, Way Of The Warrior é um jogo medonho, o que mostra a capacidade de Mark Cerny em ver o potencial (o mesmo cara que desenvolveria o PS4 e o PS5).


Decididos a criar um jogo de plataforma 3D, eles contrataram dois cartunistas (Charles Zembillas e Joe Pearson) e como resultado surgiu Crash Bandicoot.
O mascote foi um grande sucesso e recebeu mais duas continuações oficiais, além do spin-off Crash Team Racing, todos pelas mãos da Naughty Dog e publicados pela Sony, mas distribuídos pela Universal.


Como os direitos de Crash Bandicoot estavam nas mãos da Universal, a Naughty Dog focou-se em uma nova franquia, agora já tendo sido adquirida pela Sony (2001).
Novamente focados em um mascote, foram lançados três jogos oficiais da série Jak And Daxter e um jogo de corrida (Jak X: Combat Racing).


Em 2007, a empresa apostou em uma proposta diferente, trazendo uma aventura ao estilo Indiana Jones, com Uncharted: Drake’s Fortune.
Saiam os mascotes e entravam os personagens humanos em cena, com mais violência e cenas cinematográficas, mas sem perder o humor habitual do estúdio.
Uncharted teria quatro títulos, além de dois spin-offs (não, desta vez não de corrida); um para PS Vita Uncharted: Golden Abyss e para PS4 Uncharted: Lost Legacy.


Porém, entre os lançamentos de Uncharted 3 e 4, a empresa lançou um título mais sério e focado no drama: The Last Of Us (2013).
Este é um ponto importante de virada do estúdio, que focava drama de Joel e Ellie, afastando-se do bem humorado Nathan Drake.

The Last Of Us mudou profundamente a filosofia do estúdio, além de ter influenciado uma mudança nos exclusivos da Sony de outros estúdios.
Essa mudança se refletiria em Uncharted 4: A Thief’s End (2016), que traz Drake mais velho e sendo afetado pelas consequências de seus atos.

Aqui começa parte do problema: sem a retrocompatibilidade, The Last Of Us estava preso ao PS3 e recebeu um remaster para PS4, em 2014 (alguns meses depois de seu lançamento original).
Um certo estranhamento pairou no ar, dada a velocidade com que o remaster surgiu, trazendo poucas mudanças em relação ao original (além da inclusão do DLC Left Behind).

Em 2020, foi lançado o polêmico The Last Of Us Parte II, onde Neil Druckmann (diretor e um dos roteiristas) tomou decisões que dividiram a fanbase.
O jogo fez sucesso, apesar das polêmicas na internet, consolidando a franquia e a capacidade da Naughty Dog.

E o que a ND traria depois?
Uma nova franquia? Um resgate de Jak And Daxter?
Aqui as coisas realmente começaram a desandar para o estúdio.
The Last Of Us, lançado originalmente para o PS3, havia recebido um remaster para PS4 no ano seguinte.
Entretanto, em 2022, agora para o PS5 (e também para PC), The Last Of Us Parte I, um “remake” foi lançado.
A engine fora atualizada para o gráfico de Parte II, deixando tudo mais bonito, porém com o preço de um lançamento, o que irritou boa parte dos jogadores.

Um remake que ninguém estava realmente pedindo, sem inovações (além da atualização gráfica) e também sem o modo multiplayer Facções.
Vale ressaltar que The Last Of Us Parte II também fora lançado sem o modo multiplayer, que estaria sendo desenvolvido como um título em separado pela ND.
Aproveitando-se do grande hype da série feita pela HBO, a Sony havia lançado a carta do remake para o console atual e a chegada ao PC.

O desenvolvimento do título online, todavia, fora paralisado e parecia apresentar sérios problemas de produção.
Durante a gestão de Jim Ryan no PlayStation, o foco nos Jogos Como Serviço foi forçado em parte dos estúdios, o que atrapalhou ainda mais a já conturbada produção.

Foi então que veio o golpe final nos fãs: The Last Of Us Parte II, um jogo que já rodava muito bem no PS4 e que se beneficiava da retrocompatibilidade com o PS5, seria remasterizado.
The Last Of Us Parte II Remastered, agendado para o início de 2024, trará alguns conteúdos extras, como partes excluídas do primeiro e um novo modo.
Não apenas isso, mas também uma grande preocupação do público com o estado atual do estúdio.

Embora fontes não oficiais digam que o remaster é o trabalho para novos funcionários do estúdio, enquanto a equipe principal trabalha em outros título, os fãs continuam apreensivos quanto ao futuro incerto da empresa.
Naughty Dog, pisque se estiver em perigo!
