Ah, a indústria de games!
Uma verdadeira montanha russa de emoções
, acompanhar o rumo das empresas do ramo é sempre uma situação complexa.

Em meio às demissões em massa que assolam o mundo dos games nos últimos dois anos, novamente a Ubisoft se vê ameaçada, com um aparente interesse de compra pela Tencent, desta vez.

Assim como outras companhias, ela teve origem em um ramo diferente, apesar de o nome Ubi Soft Entertainment já ter surgido voltado para o mercado de jogos eletrônicos.
Entretanto, a família Guillemot começou como uma empresa de fomento aos agricultores da Bretanha (França), ainda nos anos 80.

Os irmãos Guillemot, da esquerda para a direita: Michel, Yves, Christian, Gérard e Claude

Com o tempo os cinco irmãos (Yves, Michel, Christian, Claude e Gérard) decidiram diversificar a empresa, a princípio vendendo equipamentos úteis aos agricultores, mas logo expandiram para a venda de CD’s, computadores e softwares (incluindo aí video games). Os custos de compras de computadores e software diretamente na França eram mais caros do que comprar no Reino Unido e enviar para a França, o que os deu a ideia de montar uma empresa de venda de hardware e software por correspondência. Assim, os cinco irmãos criaram a Guillemot Informatique, em 1984, agora por conta própria, não mais ligados aos pais.

Conseguindo redução de custos dos produtos em até 50%, foram procurados por varejistas e, em 1985, já com um lucro significativo, eles fundaram a Guillemot Corporation (existente até os dias de hoje), agora atuando em um mercado maior.

Zombi, um dos primeiros títulos da Ubi

Em 1986, percebendo a grande ascensão do mercado de games, fundaram a Ubi Soft Entertainment (em referência à palavra ubiquitous, onipresente em inglês). Tendo como primeiros títulos Zombi, Ciné Clap, Fer et Flamme e Masque (além de Graphic City, um programa para edição de sprites), também importando jogos do exterior, incluindo Commando (o run’em gun, não confundir com a franquia de estratégia isométrica Commandos) e Ikari Warriors, em 1987. No ano seguinte Yves seria nomeado diretor executivo da empresa.

Entre os primeiros desenvolvedores, estava um jovem Michel Ancel, com um protótipo do que viria a ser Rayman, o que motivou Michel Guillemot a encapsular o projeto em Montreuil, em um estúdio com mais de 100 desenvoldores.

A evolução de Rayman ao longo dos anos

Daí para a frente, a Ubisoft se consolidaria com uma série de franquias, entre Prince Of Persia (a qual obteve os direitos e rebootou com Sands Of Time, em 2001), a continuidade da franquia Rayman, Splinter Cell (e demais derivados do universo Tom Clancy), Far Cry, Assassin’s Creed, entre tantas outras.

Porém, em algum momento entre a geração passada e a atual, a empresa começou cada vez mais a focar em poucos títulos (algo comum entre muitos estúdios da atualidade, dado o custo elevado dos jogos). A qualidade dos mesmos também passou a cair consideravelmente, em parte devido à grande quantidades de filiais espalhadas pelo mundo trabalhando em partes específicas de um mesmo jogo.

Vaas e a definição de insanidade popularizou a franquia Far Cry

A falta de comunicação direta entre filiais resultou em jogos cada vez mais bugados, enquanto a empresa investia cada vez mais nos open worlds, com grande destaque para Assassin’s Creed (aqui cabe uma mea culpa, já que sou consumidor assumido desta saga) e Far Cry.
Por outro lado, os jogos com foco em militarismo, do selo Tom Clancy, passaram a ter uma qualidade cada vez mais baixa, uma parcela dos problemas talvez se devendo ao fato das obras de Tom Clancy terem deixado de ser a base inspiradora, tendo apenas o nome estampado e também ao grande foco do multiplayer em tais jogos, com microtransações sendo lugar-comum.

Outros fatores entram na equação, como o fracasso de Skull and Bones, o jogo de piratas com foco em combates navais, que passou 11 anos em produção e recebeu subsídio do governo de Singapura, o que impediu o título de ser cancelado (provável futuro do título, após tantos atrasos).

Após exaustivos 11 anos de atrasos, Skull and Bones recebeu críticas pesadas

É bem verdade que a Ubisoft correu atrás do prejuízo e conseguiu erguer alguns jogos como serviço que fracassaram no lançamento, como Rainbow Six Siege e até mesmo For Honor.
O mesmo, entretanto, não foi conseguido com Skull and Bones.

Entre tantos problemas, em 2015 a Vivendi tentou uma aquisição hostil, onde compraria o máximo de ações, até tornar-se acionista majoritária. Os irmãos Guillemot conseguiram reverter a situação depois de alguns anos, mas novos problemas surgiram: entre relatos e processos de abuso nos escritórios, a polêmica de Assassin’s Creed Shadows e as baixas vendas de Star Wars Outlaws, que até mesmo ganhou um novo diretor (pós-lançamento), para tentar consertar o jogo e lançar novos conteúdos que atraiam mais jogadores.

Um case de sucesso, Siege teve um lançamento desastroso, mas recuperou-se e é uma das maiores receitas da empresa

As baixas vendas dos jogos na Ubiart, engine da geração retrasada focada em 2D e de Prince Of Persia: The Lost Crown, um reboot da franquia de forma diferente, afastando-se da semelhança a Assassin’s Creed, a extinção de The Crew, o primeiro jogo de corrida da franquia, cujo online permanente impediria a continuidade do jogo (o que poderia ser resolvido via atualizações) e a subsequente remoção do jogo das bibliotecas virtuais dos usuários que o possuíam, foram colocando a empresa em uma situação cada vez pior.

Saudade Ubi Art…

Agora, com um foco em lançar 10 Assassin’s Creed em 5 anos, incluindo Shadows e outros, até mesmo com variantes de foco, como o título de terror até então denominado Codename Hexe, a empresa parece lançar suas últimas cartadas, ante a possível aquisição pelas mãos da Tencent, ainda tratada como rumor.

Entre os múltiplos Assassin’s Creed prometidos, Hexe é o mais misterioso e supostamente tem uma pegada de terror

Após tantos sucessos e uma sequência de catástrofes, qual será o destino da Ubisoft? Enquanto fã da empresa, admito que noto a sua descendente lenta, porém constante.
Afinal de contas, estaria a Ubisoft subindo no telhado?




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