Review / Tutorial: Sky Racket

Sempre que um gênero se revoluciona, é um misto de emoções em confiar na proposta de mudança aplicada ou esperar que não perca o legado do gênero, seja ele qual for sua principal característica com determinada franquia…

Sky Racket (antes Racket Boy) é um desses jogos que revoluciona um gênero (com louvor), no caso o gênero shmup (shoot’em up). Mas antes de partirmos para o review e ver com detalhes, vamos conhecer um pouco da empresa Double Dash Studios, que é brasileira e nos concedeu o jogo para review através da live de divulgação do canal da Twitch Daltiva, o qual eu estava participando e gostaram do trabalho do site (agradecimentos inclusos para ambos)…

Double Dash Studios (Site Oficial)

Nós da Double Dash buscamos a simplicidade através da combinação do Retrô com o moderno. Criamos inovação a partir de mecânicas que sejam clássicas, familiares e fáceis de entender porém difíceis de dominar. Dedicamos um cuidado especial para nossos produtos, criando um universo único para que cada um de nossos jogos seja uma experiência memorável.
Acreditamos que o universo dos jogos vai muito além de uma simples mídia digital. Games são um produto transmídia e um dos nossos principais objetivos é criar nossos jogos seguindo esse direcionamento, configurando-os como possíveis produtos da cultura pop.

O que fazemos?
Além de criar nossos próprios produtos e propriedades intelectuais, oferecemos também nossos serviços de desenvolvimento de projeto a empresas interessadas, desenvolvendo jogos para PIs com nossa visão de qualidade e diversão, garantindo um jogo envolvente e diferenciado, focando em Game Design, Programação, Arte & Animação, Música & Som e Conteúdo & Narrativa.

O jogo foi originalmente lançado em 2019 para Windows e Linux, tendo seu desenvolvimento desde 2015 na Indie vs Gamers, numa game jam de 72 horas. Sua apresentação foi na PAX East de 2019.

Game Jam

Trata-se de eventos voltados para encontro de desenvolvedores de jogos para debaterem seus jogos e as suas concepções técnicas para arte conceitual, programação, trilha sonora e derivados. Geralmente o desenvolvimento dos jogos indies são feitos nesses encontros.

Em 2020 foi lançado para Nintendo Switch, porém ainda nos resta esperar versões para Xbox, Playstation e outras possíveis plataformas…

Código cedido para review pela Double Dash Studios, versão Steam

Nome: Sky Racket
Gênero: Shoot’em Up / Block Breaker (subgênero: shmup breaker, cute’em up)
Desenvolvedora: Double Dash Studios
Distribuidora: Double Dash Studios
Plataformas: 2019 (22 de outubro, PC) e 2020 (17 de março, Nintendo Switch)
Mídia: até o momento do review, apenas digital

Tela Título

História / Enredo

RacketBoy ou RacketGirl, guardiões escolhidos pela Deusa Capivara para salvar a galáxia das patas de um terrível gênio tirano! Incapaz de atacar sozinho, você deve rebater os disparos dos inimigos de volta a eles, transformando o campo de batalha em uma explosiva partida de tênis espacial. Traga raquetadas de devastação por hordas de patos, gatos-sanduíche, coelhos voadores, robôs tenistas espaciais e até mesmo BANANAS nesta surpreendente e singular aventura totalmente realística para salvar a galáxia!

Sky Racket é baseado em uma história real.” – Double Dash Studios

Gráficos

Os gráficos do jogo foram trabalhados em Unity e possuem uma coloração de paletas viva, aplicada em pixelart, lembrando o estilo dos jogos antigos de 16 bits. Algumas telas, como a abertura, são feitas em cenas animadas e com apresentação dos chefes com o artwork dos personagens, variando conforme o número de jogadores.
O efeito de luzes é conforme a variação da paleta de cores, então a técnica de “flashes” na tela é aplicada para distinguir as intensidades das explosões, com um nível considerável em sua intensidade, tendo de haver cuidado para sensibilidade em epilepsia. Ainda há o efeito de distorção com variação de cores.

Som / OST

O jogo não possui dublagens significativas, apenas a voz que anuncia quando você pega um buddy e sobe o nível dele…
A trilha sonora usa a tecnologia FMOD e é composta com arranjos mistos de dance, pop e sintetizadores com uma leve pitada de chiptunes. A quantidade de músicas porém é limitada aos mundos, sendo uma música tema para cada um dos mundos que você passa, além de alguns temas dedicados ao chefe e mapa.

A Double Dash disponibilizou a OST no seu canal oficial do YouTube para sua apreciação.

Jogabilidade

O jogo conta com um esquemático simples para seus comandos, sendo 3 funções de ação e tendo total suporte para controladores em sua versão Steam.
A resposta dos comandos é bem aplicada, e há diferença entre velocidade de deslocamento, se houver ação específica, assim como na intensidade de deslocamento do analógico.

Sistema de Jogo

O jogo conta com um carismático sistema de mapa com os mundos que os personagens irão passar. Cada fase do jogo é denominada set, sendo geralmente 2 ou 3 sets de fase, e o match point para os chefes.

O poder da raquete e a união de 2 gêneros

Como dito antes, o jogo é uma inovação de dois gêneros, o shmup e o block breaker.
Shmup todos já viram diversos exemplos aqui no site, porém caso alguém não saiba, o block breaker são jogos destinados à destreza e agilidade para destruir e limpar obstáculos da tela, como exemplos, posso citar o próprio Block Breaker, Arkanoid e Breakout.
Como isso é aplicado??? É o que vamos ensinar agora…

O jogo é um SHMUP no aspecto de ter projéteis inimigos vindo na sua direção, e nesse caso, você não faz parte daqueles jogos japoneses onde os bonecos voam e soltam tiros de raio laser pela mão.

Cada batalha do jogo é dividida em áreas de partidas, essas áreas terão blocos que irão aparecer na tela com o objetivo de proteger os inimigos, cada um com um padrão de locomoção e posicionamento. Você deve destruir os blocos e atingir os inimigos, é aí que entra o gênero Block Breaker.
Seu ataque se limita em rebater os tiros dos inimigos.

Seu objetivo é justamente destruir os blocos, ou acertar os inimigos de forma direta.

As áreas ficam ativas por um determinado tempo até destruir os inimigos, caso não conseguir fazer isso à tempo, eles irão sair da tela.

Simples né??? Mas ainda temos alguns detalhes…

Não temos Wilson, mas temos munições…

Uma coisa que você deve prestar atenção é a hora de rebater e o quê rebater…
Nem todos os tiros são possíveis de rebater, outros terão efeitos diferenciados.

Pellet Ball

As bolitas são ataques que simulam as jogadas “ace” do Tennis e Ping Pong, com uma velocidade maior e poder único, sendo destruída após o choque no inimigo ou nos blocos.

Bubble Ball

As bolas bolhas são os tiros com um raio um pouco maior que as pellets e se movem com menor velocidade, ficam ricocheteando entre a borda superior e inferior da tela do jogo, além de bater nos alvos e voltar. Se elas passarem para o lado esquerdo da tela, serão perdidas.

Big Ball

As bubbles por sua vez, permitem que você rebata elas novamente ao retornar para sua direção, isso fará com que elas aumentem de tamanho e causem danos maiores.
OBS: as pellets também pode rebater, mas não aumentam de tamanho.

Rainbow Ball

Ao rebater as bubbles na sua forma máxima, elas começam a brilhar em cores de arco iris, sendo capaz de atravessar os alvos, tendo uma duração razoável e causar um dano descomunal quando explodem.

Silver Ball

Essa munição é específica do mundo 4, Radiant Rock, onde ela tem seu próprio efeito de gravidade, sendo curvilíneo.

Combos, Score e Buddies

A mecânica de combos funciona em quase todas as suas ações, sendo identificada pela barra no canto superior esquerdo, abaixo dos pontos.
Ações como rebater, destruir blocos e inimigos, coletar estrelas aumentam o seu combo e a sua barra, sendo possível chegar ao valor de multiplicador 32x (na verdade não consegui encher mais uma vez e ver se vai até 64 lol).

Em sets específicos dos mundos, haverão os Buddies, que serão desbloqueados conforme avançar no jogo. Os buddies terão uma função de auxílio para os nossos heróis, porém esse auxílio usa a mecânica de cooldown. Enquanto estiverem piscando, é possível usar seu poder.

Há 4 buddies possíveis para coletar, seja no mapa do mundo ou durante as fases.
Caso tiver um buddy equipado e pega-lo novamente, ele aumenta seu poder, se bater com a raquete nele, irá trocar para o próximo buddy (se já tiver desbloqueado os outros).

Batata – uma criatura amarela que lembra um elefante. Seu poder é atirar de 2 à 4 pellets na tela.

Mokeka – um beija-flor que usa seu bico para cortar inimigos em um raio entorno dos personagens.

Fagulha – uma lampada capaz de soltar um raio de alto poder em sentido horizontal.

Kanjika – um cão de asas que possui luzes de neon e penas, protege nossos amigos com um escudo no seu entorno.

OBS: é possível recrutar sempre um dos amigos no mapa mundo, além de poder escolher qual personagem irá ser seu acompanhante no modo cooperativo.

Uma exceção à Regra

Beleza, agora sabemos que dá pra rebater munições, temos diferentes tipos de munições… mas e bater nos inimigos??? Não seria mais fácil??? Seria, mas aí a diversão e a inovação não seriam a mesma coisa…
Entretanto, inimigos específicos podem sim ser espancados e usados para criar uma sequência de danos, ou até mesmo aplicar técnica de ‘embaixadinhas’ e acertar alvos e chefes…

Os inimigos rebatíveis são identificados com contorno verde piscante, tendo formação e padrões ao cruzarem a tela ou simplesmente vindo de outros inimigos (não rebatíveis):

Por fim, outro inimigo que é rebatível é o satélite no fim de algumas fases, quanto mais rebater, mais pontos irá receber e estrelas bônus ele irá derrubar.

Os diferentes tipos de blocos

No decorrer do jogo você encontrará diversos blocos e elementos na tela, cada bloco funciona de maneira diferente.

Blu – bloco azul, um dos mais frágeis.
Purp – bloco roxo, precisa de 2 impactos para ser destruído.
Pinky – rosa, geralmente dropa vida.
Gris – cinza, indestrutível
Neon – blocos do mundo Radiant Rock em sua variação para Blue, Gris e Purp

Haverão outros elementos no jogo, mas isso deixo pra você descobrir por conta própria…

Extras

Ao terminar as fases 1 vez, os objetivos de cada fase serão revelados.

Os objetivos variam de fase para fase, mas um em especial se mantém para 99% das fases: não ser atingido, com certeza um dos maiores desafios do jogo é conseguir realizar todas as metas opcionais….

Por que digo isso??? No final saberá…

O modo arcade está no jogo, mas você deve atingir as metas.

Conquistas

Dificuldade: 5/10

Para fazer 100% das conquistas, de forma resumida, você deve:

  • Terminar o jogo e fazer todos os objetivos extras
  • Terminar o modo arcade em coop
  • Descobrir onde usar um código

Considerações Finais

Graficamente o jogo agrada muito com sua paleta de cores bem definida e destacada. O saudosismo aplicado para os 16bits e pixel art torna o jogo uma mistura com cute’em up (só notar os inimigos).

A trilha sonora, apesar de relativamente pequena em número de músicas, não chega à ser enjoativa perante seus arranjos e pelas fases terem duração pequena / média, variando mais de acordo com sua habilidade.

A jogabilidade é divertida, perante o fato de o ângulo usado para rebater os tiros interfere pra onde eles irão (e acredite, no último chefe você deve saber usar isso). O sistema de combos torna a destruição em massa algo calculado e bem executado.

A performance do jogo é satisfatória, rodando grande parte do seu tempo em 60fps, sem fechamentos repentinos, e com loads não muito demorados, incluso para um notebbok mediano como o meu.

A duração é de bom tamanho, sendo 5 mundos iniciais com 3 sets. O replay do jogo é limitado ao seu objetivo de cumprir as metas e ver o que acontece (o jogo irá te instigar à isso), porém há pouca variação dos inimigos, sendo mais focado em diversificar as batalhas com os chefes (o que não é de todo o mal) e usar a criatividade nas referências (e acredite, há muitas).
O desafio é progressivo moderado baixo e chegando ao limite para um bullet hell em alguns casos, se tiver uma boa destreza e atenção, não será problemas.

Resumindo, Sky Racket é um excelente exemplo de evolução e mistura de dois gêneros, que com certeza irá divertir você jogando em cooperativo e desafiar seus reflexos gradativamente. Parabéns ao estúdio brasileiro Double Dash por trazer um jogo evoluído, com uma proposta diferente e arriscada, porém bem executada, dentro do que é a proposta de um jogo… a diversão e o desafio (ou stress dependendo da pessoa hahahaha).
Espero que lancem para os outros consoles…