Depois de alguns anos sem novos lançamentos, o mais novo título da clássica franquia Mana chega aos consoles da geração atual. Infelizmente a Ouka Studios (produtora do jogo) teve suas portas fechadas logo após o lançamento do jogo, sendo este o seu último.
Olá, aqui é o JP, e hoje trago para vocês um dos jogos mais bonitos de toda série Mana na nossa review / tutorial completa de Visions of Mana.

Título: Visions of Mana
Produtora: Ouka Studios
Distribuidora: Square Enix
Gênero: Action RPG / Hack’n Slash
Plataformas: Playstation 5, Xbox Series, PC
Mídia: Físico / Digital
Textos: Inglês, francês, alemão, espanhol, japonês, coreano e chinês
Data de Lançamento: 29 de agosto de 2024
Esta análise foi feita com o código fornecido pela Nuuvem. Review baseado na versão de Playstation 5.


Vídeo de lançamento:
História
A narrativa de Visions of Mana é centrada nos clássicos elementos e na ligação dos heróis com a força vital do mundo. Dessa vez acompanhamos o Soul Guard Val e seus companheiros em uma jornada para a Árvore de Mana.
Em um mundo abençoado com o poder da Mana, pessoas são escolhidas para se tornar “Alms” e dessa forma devem oferecer as suas almas para a Árvore de Mana para assim manter o ciclo de bênçãos e um futuro de prosperidade.
Se recusar a fazer tal peregrinação pode ser fatal, e é o que vamos presenciar logo no prólogo do jogo.

A trama segue a tradição da série, trazendo temas de amizade, sacrifício e a eterna luta entre luz e trevas. Apesar de não ser a história mais original do mundo, ela funciona bem dentro da proposta do jogo, principalmente para quem já é fã da franquia e aprecia o clima mais leve e fantasioso.

Gráficos
Visualmente, Visions of Mana aposta em cenários coloridos e vivos, mantendo a identidade artística da série. Os modelos de personagens são bem trabalhados e cada área do mapa apresenta biomas distintos, desde florestas mágicas, desertos e até montanhas.

O estilo gráfico se encaixa no padrão dos RPGs japoneses modernos, mas sem buscar realismo absoluto – o foco aqui é a fantasia. No entanto, algumas animações de combate podem parecer um pouco rígidas.


A engine usada foi a Unreal Engine 4, por ser uma engine mais conhecida dos desenvolvedores.
Áudio/OST
A trilha sonora mantém o espírito da série Mana, com músicas que variam entre o épico e o melódico. A dublagem em inglês e japonês cumpre bem o seu papel, mas não há grande destaque fora dos combates e cutscenes principais. O jogo infelizmente não possui dublagens para nossa língua portuguesa, o que pode afastar drasticamente diversos jogadores daqui.
As trilhas foram produzidas pelos compositores Hiroki Kikuta, Tsuyoshi Sekito e Ryo Yamazaki, entregando um total de 100 faixas e você as encontra disponíveis para venda em sites como Steam e Apple Store.
Gameplay / Mecânicas

Visions of Mana mantém a tradição da franquia com um sistema de combate em tempo real, mas evolui a fórmula ao introduzir camadas de customização e progressão que tornam a experiência aprimorada dentro do gênero.
Cada encontro é delimitado em uma área, e o jogador precisa lidar com grupos de inimigos ou chefes utilizando ataques básicos, especiais e magias. O fluxo lembra um hack’n slash tradicional, mas com a profundidade típica de um RPG.

Classes – Cada personagem possui uma classe base, mas ao longo da história é possível desbloquear até 8 classes adicionais, cada uma vinculada a um Elemental Vessel.

Cada classe possui armas exclusivas, estatísticas próprias e um Class Strike (golpe supremo que consome a barra CS). As classes possuem árvores de habilidades chamadas Elemental Plots, onde o jogador investe Elemental Points (EP) para desbloquear magias, ataques e habilidades passivas.

A progressão é bem planejada: no início apenas uma parte das habilidades ficam disponíveis, mas conforme itens especiais são adquiridos (Tônicos), a árvore se expande, incentivando o jogador a avançar na campanha. Esse sistema incentiva experimentação constante, já que você pode trocar de classe fora de combate sem restrições.

Elemental Vessels – O coração das mecânicas de Visions of Mana está nos Vessels, artefatos mágicos que representam os oito elementos clássicos. Ativados com R2, executam um ataque único de grande impacto, porém necessitam de um tempo de recarga para serem usados novamente.
Cada Vessel possui uma habilidade distinta, como desacelerar o tempo (Luna), invocar uma árvore de cura (Dryad), aprisionar inimigos em uma bolha de água (Undine), entre outros.

Elemental Breaks – Após acumular energia durante batalhas, é possível ativar os Elemental Breaks, versões “turbinadas” dos Vessels. Eles transformam o campo de batalha, concedendo buffs globais, como cura passiva (Dryad), chuva de rochas (Gnome) ou até desaceleração quase total do tempo (Luna).
Esses momentos funcionam como clímax das batalhas, especialmente contra chefes.

Ability Seeds – Como não há acessórios tradicionais (o jogo realmente é bem simples nesse aspecto), os Ability Seeds cumprem esse papel. Eles funcionam como “slots” que concedem bônus (aumento de status, resistências, habilidades extras ou até conjuração consecutiva de magias). Inicialmente cada personagem pode equipar apenas dois, mas itens especiais adquiridos ao decorrer da campanha aumentam esse limite.


Equipamentos e Armas – Diferente da maioria dos outros JRPGs, cada personagem só pode usar armas e armaduras próprias, o que reforça sua identidade.
- Armas são divididas por classe (espadas, lanças, flails, leques, cajados, etc.).
- O melhor equipamento geralmente é obtido em quests, incentivando exploração.
- Não existe aquele excesso de loot descartável: cada item encontrado tem valor real para progressão.
Os equipamentos se resumem a arma e armadura, sendo a aba “Appearance” apenas “skins” das armas e roupas (essas adquiridas por DLC).

Corestones – Val possui a habilidade de condensar os monstros em itens chamados Corestones. Durante a campanha poderemos transformar esses Corestones em Ability Seeds poderosos para nos ajudar na jornada.

Mapas e Exploração – Os “meridians” são os locais onde iremos salvar o jogo e usar a função de fast travel, porém só poderemos nos teletransportar para regiões próximas de onde você se encontra, o que eu particularmente achei horrível, ainda mais em um jogo que possui diversas sidequests onde precisamos fazer backtrackings. Isso atrapalhou consideravelmente minha gameplay.

Sidequests – Ao viajar pelas cidades e povoados do mundo, você encontrará pessoas com problemas. Se conversar com elas, algumas poderão pedir que você complete uma missão secundária e as ajude a sair de suas dificuldades. As missões são simples, ir de um local a outro para derrotar algum inimigo, coletar algum item ou verificar alguma paisagem. Personagens com uma exclamação na cabeça indicam missões secundárias a serem realizadas.

Postgame – O jogo possui um New Game+ após finalizar a campanha, além de um capítulo extra na campanha atual. Finalizar o jogo também libera a dificuldade Expert.
Conquistas
Dificuldade: 3/10 – Tempo: 50 horas.
Visions of Mana não possui uma platina difícil, porém existe uma conquista que necessita que você derrote um chefe em especifico na dificuldade Hard, o que pode gerar um pouco de trabalho.
Tudo pode ser feito em apenas uma jogada, não necessitando que você volte no NG+.
De forma resumida iremos precisar de:
- Expandir o Elemental Plot com os personagens;
- Encontrar todos os Li’l Cactus;
- Desbloquear todos os Meridians;
- Descobrir todas as ruinas;
- Abrir 100 baús do tesouro.
Boa parte das conquistas irá vir naturalmente enquanto você avança no jogo, boa sorte.
Conclusão / Veredito Final

Visions of Mana consegue resgatar a essência da franquia ao mesmo tempo em que tenta modernizar sua jogabilidade. O enredo não é o mais ousado do gênero, mas cumpre bem a função de sustentar a jornada dos protagonistas, mantendo a tradição da série em abordar temas clássicos como amizade, sacrifício e a eterna luta entre luz e trevas. Para veteranos da franquia, o jogo traz uma sensação de familiaridade acolhedora; para novos jogadores, serve como uma boa porta de entrada.
O sistema de classes interligadas aos Elemental Vessels oferece uma diversidade de estilos de combate, incentivando experimentação constante. O combate pode parecer repetitivo em alguns momentos, mas o conjunto de magias, habilidades e Elemental Breaks ajuda a manter a variedade.
Do ponto de vista técnico, temos um jogo bonito, com direção de arte vibrante e fiel ao tom fantasioso da série, mas que peca em detalhes: as animações nem sempre transmitem fluidez, além disso faltou melhor refinamento na exploração/viagem rápida, o que pode evitar que jogadores façam backtrackings com frequência. Felizmente, a trilha sonora mantém o padrão da franquia, trazendo composições memoráveis que reforçam a atmosfera mágica do mundo.
No geral, Visions of Mana não é um título perfeito, mas entrega muito mais pontos positivos do que negativos. Ele é capaz de agradar tanto aos fãs de longa data, que encontrarão aqui elementos familiares repaginados, quanto aos novatos, que terão acesso a um JRPG de ação acessível, mas ao mesmo tempo profundo para quem deseja se dedicar por dezenas de horas.
Se o objetivo da Square Enix era reviver a franquia com relevância e ao mesmo tempo mostrar que a série Mana ainda pode ter espaço no mercado atual de RPGs, então a missão foi cumprida. Visions of Mana é um jogo que diverte, envolve e recompensa o jogador que decide mergulhar em suas mecânicas.
Um futuro sem sacrifícios é possível?
Até a próxima!

