FPS atualmente tem tido diversos subgêneros dos quais a indústria “classificou” como algo de segmento em seus diversos nichos, digo isso porque alguns classificam alguns FPS como “soulslike”, “sci-fi”, “realistic”, “looter shooter”, “arena / battle royale”, entre outros. Vale ressaltar que o próprio FPS já é um subgênero de Shooter… mas enfim, coisas da indústria.

Twisted Tower entra em um sub-gênero, que aliás acho um tanto quanto bizarro ter sido adotado como tal, é o chamado “BOOMER SHOOTER”, aka Jogos de Tiozão. Esse termo em específico é usado na indústria atualmente como os novos FPS que possuem um design e estilo, partindo do princípio da década de 90, como Wolfenstein 3D, Rise of the Triad, Doom e Quake.

Com a proposta de focar justamente no design de jogos antigos e pitadas “Horror” mais leviano, ele foi desenvolvido pela Atmos Games, e distribuído pela nossa querida e nostálgica 3D Realms, com o lançamento inicial para PC. Sendo um projeto liderado por Thomas Brush e idealizado por ele há 5 anos. Caso não o conheça, Thomas trabalhou em Pinstripe e Neversong.

Vamos então analisar e ver o que esse FPS de tiozão nos traz ?

Código fornecido para review pela 3D Realms, versão Steam

Nome: Twisted Tower
Gênero: Action, First Person Shooter (Boomer Shooter), Adventure, Indie
Desenvolvedora: Atmos Games
Distribuidora: 3D Realms
Plataformas: até o momento do review, apenas PC
Lançamento: 2026 (18 de agosto)
Compatibilidade com Steamdeck: Verificado

Tela Título

História / Enredo

Red Wash, Inglaterra 1994
Vincent e Charlotte estão no Drive-In vendo um filme, enquanto Vincent está propondo Charlotte em casamento e ela aceita….

O casal feliz termina a noite e Vincent sorrateiramente é acordado em sua casa pelo telefone tocando, ao atender, uma voz estranha o chama, com Charlotte no fundo pedindo socorro. Um ticket aparece por baixo de sua porta com o título Twisted Tower.

Vincent decide ir atrás de Charlotte e visitar o parque resort abandonado Twisted Tower…
Que tipo de surpresas o aguardam ????

Graficos

Usando a engine Unity, vemos um jogo com uma aparência que remete ao retro clássico dos primeiros jogos da geração com placas gráficas aceleradoras. O design dos personagens é cartoon e possui pequenos detalhes sutis com expressões mais “robóticas” e lentas, comum para a época que o jogo quer retratar na sua engine.

O jogo também se preocupa com o dinamismo de algumas armas, como o Martelo Maluco que fica com resquícios de sangue depois de acertar os inimigos, ou com as animações das munições das armas serem descarregadas enquanto atirar. A luminosidade é bem dinâmica e distribuída no cenário, interagindo diretamente com Vincent e suas armas, enquanto ele se move no cenário.

É possível quebrar e interagir grande parte dos objetos do cenário, mas outros não são interativos.
Também é possível ver as pernas de Vincent, um dos fatores que sempre verifico nos FPS… hahahahaha

Em alguns pontos da história, teremos algumas animações que irão desenvolver a trama.

Som / OST

O jogo conta com a dublagem e performance de Andrew Latheron para Vincent, Alaina Wis para Charlotte e Thomas Brush para os mascotes do parque.

A trilha sonora é mista, onde alguns pontos é focado em músicas com teor de piano e violoncelo em atmosfera misteriosa e sombria, assim como outros pontos em que estamos dentro do parque com fundo de músicas da década de 40 e outros momentos, geralmente em batalhas, as músicas tornam um foco mais hard rock e com arranjos mais atuais.

Infelizmente não achei a trilha sonora para vocês apreciarem.
A trilha sonora foi composta por Quinten Coblentz, Thomas Brush e Krys Polezoes.
As músicas cantadas possuem composições com a ajuda de Thomas e outros artistas, além de músicas sob domínio público por serem já consolidadas.

Jogabilidade

O jogo é compatível com os controles de todos os consoles, entretanto, a Steam não traduz a interface para os botões respectivos dos controles de Playstation, por exemplo. Para os amantes dos tempos antigos de teclado e mouse, o jogo também tem essa opção.

O esquemático é totalmente customizável em ambos os modos de jogabilidade, sendo absolutamente versátil e conforme a necessidade e costume do jogador.

Um parque, diversas surpresas…

Logo na entrada do Parque, Vincent se depara com um cenário desolador, totalmente abandonado e obscuro.
No decorrer de sua exploração, podemos encontrar “tickets” que serão usados no decorrer do jogo.

Esses tickets podem estar também em objetos interativos do cenário, seja investigando ou destruindo eles. Os valores variam conforme a quantidade de itens pegos, como tickets em uma caixa ou um breve montante, por exemplo.

Ao chegar no ponto central do parque, com uma hospitalidade um tanto quanto convidativa, percebemos que ele é interligado em diversas seções, como Hotel, Palácio das Sereias, entre outros. Essas áreas deverão ser desbloqueadas ao coletar o cartão de acesso e inserir no elevador. A primeira área de acesso do parque é o Hotel, que terá seu cartão logo na entrada no elevador.

Explorar o parque irá trazer algumas surpresas, com o anfitrião Mr Twisted, provocando Vincent ao longo de sua jornada.

Brinquedos Mortais, Guloseimas Vitais…

O arsenal envolve desde revolver e escopetas, até um estilingue com mira ótica para precisão. Cada arma terá sua própria munição, e não será compartilhada entre elas.

Cada área irá introduzir inimigos novos que poderão confundir sua mira ou simplesmente vir correndo atacar você, ou brinquedos sedentos de fricção vindo na sua direção de forma rasteira.

As armas poderão ser melhoradas na estação de melhorias do Real Boy por um custo elevado de tickets, entretanto, algumas máquinas terão desconto específico em algumas melhorias das armas, sendo anunciadas no letreiro da máquina. Os upgrades envolvem melhorias de dano, tamanho do pente, velocidade de recarga e quantidade reserva de munição. Além de disparos secundários para armas específicas.

Bullet Time… sempre um recurso infalível…

O maior ponto divertido dos combates é a versatilidade de estratégia, algumas armas são mais efetivas em alguns inimigos do que outras, e também é possível fazer combos diversos entre as armas para tirar o maior proveito de dano nos combates, seja com um ataque corpo a corpo rápido com o martelo, ou variando entre escopetas e pistolas.

Entretanto, um ponto a ser considerado é que todo o dano que Vincent recebe, só poderá ser curado usando os doces encontrados no parque, com um limite de coleta de 10 unidades, variando o efeito da cura conforme os doces coletados. Caso você já tenha 10 doces, os adicionais coletados serão automaticamente consumidos, há não ser que Vincent esteja com 10 doces no bolso e vida cheia, aí eles ficarão lá até que você possa usar.

Em alguns pontos do cenário é possível gastar os tíckets em estandes para coletar munições, guloseimas, ou absolutamente nada, já que alguns desses estandes não possuem vidros transparentes, e você só saberá o que tem lá, gastando os tickets para abri-los.

A maior diversão de um parque, é explorar ele completamente…

Como dito antes, algumas áreas do parque serão desbloqueadas posteriormente, e em alguns casos, você terá acesso à pequenas portas seladas com cores específicas de Tokens. Esses Tokens serão descobertos ao completar uma área nova de combate, e posteriormente você deverá voltar ao lobby para entrar nessas áreas específicas. O caminho geralmente é “rastreável” no lobby por intermédio de tickets enfileirados, dando assim uma ideia de “caminho isca” para Vincent chegar nessas portas.

Ao explora-las, você deverá cumprir um breve circuito planejado pelo anfitrião Mr Twisted para coletar “gimmicks” que irão ajudar Vincent à explorar as áreas futuras do resort.

O parque terá pequenas áreas sinalizadas com pontos fechados e lacrados com uma estrela, esses pontos em específicos serão liberados na segunda rodada, através do New Game Plus.
Vale ressaltar que após o lançamento do jogo, essas áreas eram apenas uma fita com Vincent dizendo que só poderia explorar ao chegar no topo da torre, modificaram para uma sinalização mais clara e direta para os jogadores ficarem um pouco mais curiosos, talvez.

Conquistas

Dificuldade: 4/10

As conquistas exigem um pouco de habilidade e decoração, além de conquistas que vem naturalmente ao jogar o jogo e avançar por ele. De forma resumida, você precisa:

  • Terminar o jogo sem a necessidade de terminar na dificuldade Twisted (Hard)
  • Começar e terminar o jogo no New Game Plus (2º Playthrough no mesmo arquivo de save)
  • Fazer todos os upgrades em todas as armas
  • Achar todas as áreas secretas na sessão corrente do jogo ou no mesmo arquivo de save
  • Coletar todos os gimmicks
  • Juntar em mãos 2000 tickets
  • Fazer 100 slides
  • Terminar o jogo em 4 horas
  • Terminar o jogo sem morrer uma única vez

Vale ressaltar que o troféu de todos os segredos é perdível, já que a área do píer na praia ficará inacessível em determinada parte do jogo. Então a dica é, antes de entrar no resort de fato, ache todos os segredos dessa área.

Considerações Finais / Conclusão

Apesar de termos um gráfico simples, o dinamismo dos efeitos de luz, e dos próprios personagens mostram a preocupação em fazer os detalhes sutis serem perceptíveis, seja pela sujeira do martelo e dos inimigos, ou pela possibilidade de procurar tickets em diversos objetos destrutíveis ou interativos do cenário, mesmo que outros que também poderiam ser “quebrados” não sofram nenhuma interação.

No aspecto de narrativa, temos uma história que vai se desenvolvendo com a interação de itens que Vincent poderá interagir, como folhetos de jornais, diários, cartas e gravações. Toda a narrativa e percepção da história ocorre prestando atenção nesses itens, já que não há nenhum lugar em que eles fiquem registrados para que você possa reler.

A história tem bom desenvolvimento, e instiga a curiosidade no formato thriller, mas quem já presenciou diversos filmes ou jogos, irá entender rapidamente toda a trama envolvendo os personagens simplesmente percebendo nuâncias do cenário.

O aspecto cartoon e macabro dos mascotes traz um feeling de parque abandonado e fracassado, dando um breve ar de terror ao jogo. Assim como em pequenas sessões do mapa, mas o jogo todo tem bastante ação e sessões desafiadoras. O parque possui algumas armadilhas em que você deve totalmente ficar atento, já que todas as armadilhas são instant-kill

O design do jogo é intuitivo, e dificilmente você irá se sentir perdido, apesar de ter uma grande aparência labiríntica, os puzzles são dedutíveis e todo o aspecto de exploração é facilmente auto orientável.

A trilha sonora tem uma boa presença na grande maioria dos ambientes, principalmente em batalhas de arena, onde Vincent chega em determinados pontos da exploração e as portas se fecham, vindo pequenas hordas de inimigos, geralmente com músicas de tensão ou com arranjos mais atuais para dar imersão ao combate de longa escala que está para acontecer, assim como as músicas da época enquanto está explorando pontos de setpieces menos problemáticas.

A dublagem também cumpre seu papel, a voz psicopata dos mascotes perseguindo Vincent e interagindo nos combates, torna a dinâmica divertida e com um grande gosto de derrota-los. Parabéns à performance de Thomas.

A jogabilidade é muito responsiva, o jogo tem um combate frenético e é possível misturar armas em combate, principalmente quando descarregar o pente em um inimigo e precisar trocar de arma rapidamente ou acerta-lo com a marreta. O slide e pulos tem um tempo de reação bem coerentes se você conseguir pegar o tempo de padrão dos inimigos.

A dificuldade do jogo é bem desafiadora, os inimigos tem uma mira precisa e rápida, principalmente os Jerry Jiraffe, que se locomovem de um lado pra outro enquanto atiram. A versatilidade dos inimigos e a sutil variação deles, torna o jogo satisfatório em cada nova seção do parque à ser explorada, já que os inimigos são apresentados sempre que Vincent entra em um novo ambiente.

O projétil vindo pela esquerda enquanto eu desviava do projétil da direita… oh shit!!!!!!

O combate é mais satisfatório também nas seções de hordas, que por sinal, sofreram mudança em comparação ao jogo em Early Access, onde sempre acontecia uma breve animação das portas trancando e os inimigos começando a surgir. Agora essas sessões são mais diretas em alguns pontos, com as portas fechando na frente de Vincent e as vozes dos mascotes já interagindo na área, deixando o clímax fluir mais naturalmente.

Não importa qual seja o jogo, uma escopeta sempre é satisfatória……..

A duração do jogo é plausível de fazer em 2 horas, quando você já tem todo o progresso em mente e já conhece os inimigos, mas claro que explorando tudo que o parque tem pra oferecer, e considerando a busca pelos segredos, esse tempo pode demorar consideravelmente, apesar de a grande maioria deles serem dedutíveis, outros são mais “disfarçados e escondidos”, aumentando a média para umas 7 ou 8 horas para completar.

Eu já disse que os inimigos são diferenciados????

É possível rastrear todos os segredos da sessão corrente através do Jornal que também dará o objetivo para progressão.
Porém, o jogo não possui tradução para Português, o que pode deixar alguns jogadores chateados, mas particularmente???
Acho que isso é um detalhe que poderá ser inserido depois por atualização, diferente de tempos mais antigos onde a gente aprendia inglês “na marra” para conseguir jogar, e como disse antes, o jogo é totalmente intuitivo e possui dicas e rastros para onde deve-se ir… então deixe de frescura, sim?

A performance do jogo foi satisfatória em todo o momento, desde sua versão EA, até o lançamento, o jogo não teve muitos problemas de performance ou “crashes”, mas houve pequenos erros de clippíng que foram corrigidos no decorrer das breves atualizações que fizeram.

Um parque velho, com uma fórmula velha infalível…

É inegável que a fórmula de FPS no aspecto “boomer shooter”, focado em combates frenéticos, dinâmicos e intensos, ainda tem seu charme e diversão.

Mesmo que inexplicavelmente o personagem segure mil armas em seu bolso, as diversas opções de armas deixam o jogo versátil e com a possibilidade de criar muitas estratégias.

Os jogos de tiro de “tiozões” ainda tem seu valor, e espero que tenhamos um grande mercado para esse gênero que sempre foi querido pelas gerações de marmanjos dos seus 40 anos em diante.

Apesar do jogo ter ausência de chefes e a batalha final ser relativamente fácil, não tira o brilho de toda a estrutura e proposta do projeto que demorou anos para ser concretizado, o que o faz ter o selo de recomendação do site e o troféu de platina, que é claramente destinado ao nicho de FPS com fórmula boomer shooter.

Então, pegue seu passaporte para o Twisted Tower e já sinta a hospitalidade que te espera ao começar à subir a torre…

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