
* Esta análise foi feita com o código cedido pela Annapurna Interactive (versão PS5)
Distribuidora: Annapurna Interactive
Produtora: Uvula
Plataforma: PS5 / Xbox Series S / Xbox Series X / PC
Mídia: Digital
Ano de Lançamento: 2025


to a T é um jogo de puzzle/plataforma 3D onde uma criança com o formato de T aprende a conviver com as diferenças e dominar sua habilidade de voar.
Uma criança com os braços sempre esticados na horizontal, no formato da letra T, acorda para mais um dia de escola, local que não gosta, por sofrer bullying dos colegas, que caçoam de sua aparência diferente.


Os seus braços costumam atrapalhá-lo constantemente, então seu fiel cão o ajuda nas atividades rotineiras, como escovar os dentes e vestir-se.
Ah, desculpa a falta de educação!
A criança em questão é customizável, do cabelo às roupas e nome; no meu caso, deixei o nome padrão, Jovem (em uma referência obscura do personagem homônimo do comediante Chico Anysio), um menino em forma de T (a questão do gênero do protagonista fica em aberto para o jogador escolher ou não) e seu cachorro com o nome de Bob.


Após colocar o uniforme e comer seu cereal do Rei Leitão, ele escova os dentes com a ajuda de Bob e se prepara para mais um dia de aula. Desanimado, sua mãe o incentiva a sentir orgulho da sua forma única, já que este é seu aniversário de treze anos.
Basta levantar a cabeça, colocar seu calçado preferido* e escolher sua sacola, passar na lanchonete de Girafa para pegar seu sanduíche de aniversário e partir para a escola.
* Embora não haja uma referência de país ao qual o mundo de T pertence, claramente estamos no Japão, com os calçados sendo deixados na entrada de casa e com calçados próprios para andar dentro da escola.



Tudo corre como sempre, com as aulas de ciências do Professor Cogumelo, as de matemática da Professor Cateto e de educação física da Professora Plié, o lanche no terraço do colégio, onde pode comer apenas na companhia de Bob.
Ao final do dia, voltando para casa, um estranho incidente ocorre quando algo se choca contra uma das turbinas eólicas da cidade, jogando-a no lago próximo e destruindo parte da escola.



Ao retornar para casa, com Bob fazendo cocô no pátio do vizinho, Jovem descobre acidentalmente um poder atrelado à sua forma.
Ele consegue girar muito rápido e voar no processo, em uma espiral ascendente!
A princípio uma habilidade restrita a momentos da trama, logo ela se torna habilitada em todos os ambientes abertos, permitindo acessar novas áreas do mapa e coletar moedas antes inalcançáveis.
Gire o analógico direito e aperte triângulo para subir como um helicóptero.



to a T funciona como um anime por episódios, sempre com a abertura e encerramento (e suas respectivas músicas), durante a passagem de capítulos da trama.
Pela cidade é possível participar de competições de comida (às quais Maruo sempre inicia como primeiro colocado no ranking), passear de trem (a viagem rápida do jogo), comprar roupas e acessórios para si e para seu cachorro; aliás, o cão também participa de um “grupo secreto”, mas isto está entre os spoilers do jogo, assim como a descoberta do formato em T do protagonista…



O gráfico 3D dos personagens possui traços simples, porém limpos e muito coloridos, com visual bem característico. Em uma determinada parte da trama, quando “outra realidade” (vamos chamar assim) é mostrada, as cores chegam a ser vibrantes demais.
Os personagens, apesar dos poucos traços no rosto, são super expressivos e grandes em tela, com vários closes.



A trilha sonora do jogo possui músicas animadas e divertidas, com destaque para os temas de Perfect Shape e O Tema da Girafa, cantadas por PREP e Rebecca Sugar, respectivamente.
Os personagens do jogo falam um idioma próprio, então comentar a dublagem fica um pouco complicado.



A platina de to a T envolve complecionismo, embora alguns desafios ainda me sejam de difícil interpretação.
Além dos troféus relacionado ao término dos capítulos, também é possível citar Visitar todas as lojas, Olhar por todos os telescópios, Espantar 100 pássaros, Coletar 12.345 Hospa (a moeda do jogo), Conseguir 1º lugar em todos os desafios de comida e Acertar todas as questões e desafios dos professores, Descobrir todos os penteados e Comprar todas as roupas (esse consome tempo e dinheiro consideráveis), afora troféus de miscelânea.


RESUMO DA ÓPERA:

to a T é um jogo de Keita Takahashi, criador de Katamari Damacy e Noby Noby Boy, sendo o primeiro de seu novo estúdio, Uvula.
Se você conhece os trabalhos anteriores dele, sabe que fora da caixa é pouco para descrever a criatividade do indivíduo.
Protagonizado por uma criança/adolescente que possui a forma de T e o poder de girar e voar, to a T aposta em uma visão mais infantil, com características de uma série animada, como abertura e encerramento cantados entre os capítulos, além de um visual colorido e fofinho, mas que esconde psicodelia e conceitos bem diferentes.
O gráfico 3D bastante estilizado, com grandes personagens em tela e foco em um humor leve é cadenciado por uma trama que parece simples, mas revela segredos sobre o passado da família e a origem do protagonista e o porquê de sua forma não convencional.

A trilha sonora cantada, falando sobre a forma perfeita na abertura e sobre a Girafa, criadora de lanches, no final, dão um toque especial à obra.
A localização das legendas para o português foi muito bem feita, embora eu ainda não entenda porque maionese se tornou caranguejo na música da Girafa.

A mecânica do voo ao girar os braços, o grande chamariz do título, apesar de divertida, encontra alguns problemas no mapa, como o jogador acabar por se trancar em alguns locais ou mesmo cair no “vazio” abaixo da cidade.

Inovador e casual, to a T apela tanto ao público infantil quanto aos jogadores que gostem de jogos de plataforma/puzzle diferentes.
Uma trama que fala de inclusão e questiona o que é ter a “forma perfeita”, o jogo traz uma mensagem importante, envelopada em um game simples e divertido.
