
* Esta análise foi feita com o código cedido pela tinyBuild (versão PS5)
Distribuidora: tinyBuild
Produtora: Do My Best
Plataforma: PS4 / PS5 / Xbox One / Xbox Series S / Xbox Series X / PC
Mídia: Digital
Ano de Lançamento: 2023

The Bookwalker: Thief Of Tales é um jogo narrativo de exploração e investigação onde assumimos o papel de Etienne Quist, um escritor com a habilidade de entrar em livros para roubar objetos.
A POLÍCIA LITERÁRIA
Etienne Quist, outrora um autor, foi condenado por um grave crime literário e condenado a ficar com algemas que restringem sua criatividade e capacidade como escritor por 30 anos.
Para cumprir sua sentença, ele deve se filiar à uma agência editorial licenciada, impedido de criar pelo tempo determinado.


Frustrado e com sua licença de escritor caçada e os livros retirados das livrarias, ele é contatado por uma agência clandestina que oferece serviços em troca de pequenos furtos literários.
Dada a gravidade de sua punição (o crime permanece misterioso até próximo ao fim do jogo), o autor precisará adentrar seis livros e roubar os objetos requisitados.
Realizados os seis trabalhos, suas algemas serão retiradas pelo contratante.
MALAS PARA VIAGENS ESPECIAIS
Após aceitar um dos contratos via telefone, Etienne recebe uma mala na porta de sua casa e, ao abrí-la, depara-se com uma sinopse do livro, parte de uma crítica e a obra em si, além de um compartimento onde deve colocar o objeto após concluir a missão.


O jogo se divide em duas “mecânicas” diferentes: no apartamento o jogo funciona em primeira pessoa, é possível bater à porta dos vizinhos para pedir objetos que irão ajudá-lo nos livros, receber e entregar a mala, além de melhorar as habilidades através de um caderno; ao adentrar os livros, o jogo muda para um visual isométrico, com Etienne utilizando uma máscara que se assemelha a páginas de um livro.


É possível voltar à realidade a qualquer momento, segurando R2.
Na primeira aventura, o escritor encontra uma pequena gaiola de metal, chamada Roderick, que irá acompanhá-lo em todas as missões, podendo ser consultada através do L1, e que irá participar conversando com Etienne sempre que algum objeto, NPC ou obstáculo surgir.


Triângulo abre o inventário, com todos os objetos coletados em baús, caixas e gavetas.
Objetos descartáveis como lixo, livros úmidos, plantas e outros podem ser derretidos em bancadas, transformando-se em Tinta, que deve ser armazenada em pequenos fracos.
As bancadas também permitem criar utensílios, entre chaves micha (para abrir pequenas fechaduras), pés-de-cabra (para arrombar portas e cadeados maiores) e alicates (que podem cortar fios e pequenas correntes).
ESPADA E PENA
O título possui um combate por turnos, onde o autor pode Atordoar inimigos, Cortar com a caneta tinteiro e Drenar a Tinta dos inimigos, também com a caneta. Adicionalmente, o recurso de criar um Escudo para proteção (por um turno) é obtido.


A Tinta funciona como Mana durante o combate, podendo também realizar outros efeitos, como dissolver mecanismos e alterar situações do livro em questão.
O uso contínuo da Tinta, entretanto, fere Etienne através das algemas de contenção.


Os itens de cura são Maçãs e Pães, obtidos ao vasculhar os cenários e podem ser usados em combate, uma vez por turno, sem o consumo do mesmo. Tubos de Tinta também podem ser consumidos fora do turno; já o ato de Drenar um personagem causa menor dano, mas consome a ação do turno.


Entretanto, nem todos os combates são necessários.
É possível escapar de alguns deles através das opções de diálogo escolhidas e/ou através do uso de Tinta.
Por ser um jogo focado na narrativa, os diálogos e narrações são constantes, podendo alterar o destino de personagens.


A maior parte da ação se dará através das resoluções de “puzzles”, envolvendo encontrar dispositivos de ativação.
Como cada livro se passa em um universo diferente, os objetivos e objetos variam bastante, de baterias para robôs a sacos de areia como forma de pagamento, entre outros.


Roderick pode acessar algumas partes da trama de cada obra, aconselhando Etienne quanto ao curso de suas ações. Esta consulta, todavia, é limitada e modificações feitas nas obras originais acabam por embaralhar o enredo para a gaiola.


Ao obter o objeto requerido pelo contratante, o escritor retorna ao seu apartamento, devendo guardar o item no compartimento específico da mala e entregá-la na porta do prédio, para alguém cujo braço é a única parte do corpo observada.
TOMOS E TRAMAS
A variedade de cenários e épocas dos livros é um dos trunfos do jogo, com locais muito variados, como uma distopia tecnocrática dentro de uma nave, uma escola de magia, uma prisão onde testes são realizados em um prisioneiro, entre outros.


Toda essa diversidade é demonstrada em um estilo elegante de arquitetura realista (na medida do possível), com cenários que parecem desenhados à mão.
Os personagens, parte realistas, parte caricatos, possuem os rostos em destaque durante as conversas com o protagonista, este discreto em seu longo casaco, mas não tão discreto em sua face de páginas.


Em contrapartida, o prédio onde Etienne mora, mostrado aqui em primeira pessoa, parece uma versão pálida e triste do estilo elegante isométrico, representando a decadência do escritor em uma construção que parece ter visto seus tempos áureos em outra era.
A trilha sonora é bastante sutil e discreta, com uma pegada mais onírica, lembrando um pouco Vangelis, em Blade Runner, embora não consiga identificar se são órgãos, teclados e sintetizadores juntos.
TROFÉUS DA LITERATURA
A platina de Bookwalker requer repetição de capítulos, dadas as diferentes opções de escolhas que podem afetar os rumos de certos personagens.
Como o jogo possui foco narrativo, a maior parte dos troféus possui algum nível de spoiler, então não entrarei em detalhes.


Para citar um exemplo, existe um troféu de vencer todas as lutas existentes no jogo, porém algumas podem ser puladas dependendo de como o jogador explorar.
Por outro lado, um capítulo pede que todas as lutas em determinado local sejam evitadas.
RESUMO DA ÓPERA:
The Bookwalker: Thief Of Tales é um jogo narrativo de investigação com um grande foco na trama, utilizando metalinguagem e referências cruzadas (como a mitologia nórdica em concorrentes de uma usina).
Dividido em dois estilos de gameplay, sendo a parte em primeira pessoa o mundo real e a isométrica na maior (e mais imersiva) parte do jogo, o título possui uma excelente e intrigante trama, em um mundo distópico onde autores podem ser condenados a terem sua criatividade e direito de escrita revogados enquanto cumprem suas penas.
O estilo artístico elegante das ilustrações e a trilha sonora atmosférica e envolvente dão bom ritmo à trama de Etienne tentando retirar suas algemas enquanto rouba itens de obras literárias.
Um título altamente inventivo, The Bookwalker: Thief Of Tales empolga o jogador por sua narrativa cativante e texto bem escrito.
