* Esta análise foi feita com o código cedido pela Red Art Games (versão PS4/PS5)

Distribuidora: Red Art Games / Sunsoft
Produtora: Red Art Games
Plataforma: PS4 / PS5 / Xbox One / Xbox Series S / Xbox Series X / Switch / PC
Mídia: Física e Digital (Física apenas PlayStation e Switch)
Ano de Lançamento: 2024

Versões standard e deluxe física (PS5) disponíveis para pre-order no site da Red Art Games


SUNSOFT is Back! Retro Game Selection é uma coletânea com três títulos da Sunsoft, de 8 bits, lançados originalmente apenas no Japão.

FIREWORK THROWER KANTARO’S 53 STATIONS OF THE TOKAIDO

Firework Thrower Kantaro’s 53 Stations of the Tokaido (Kanshaku Tamanage Kantaro no Tokaido Gojusan-tsugi) foi lançado originalmente em 3 de Julho de 1986, no Japão, para Famicom (o Nintendo 8 bits japonês).

Tokaido pode ser jogado em multiplayer local


As 53 Estações de Tokaido são os cinquenta e três postos de correio do governo, servindo de estações de descanso para os viajantes no Caminho do Mar do Leste (ou Rota Marítima Oriental, Tokaido), ligando o distrito comercial Nihonbashi (em Edo) à ponte Sanjo Ohashi (Quioto). Tokaido era uma das Cinco Rotas de Edo, as cinco principais estradas que ligavam pontos importantes a Edo, (atual Tóquio), construídas no governo do xogum Tokugawa Ieyasu, antes da transferência da capital de Quioto para Edo; Tokaido era a principal das Cinco Rotas, por fazer a ligação entre Edo e Quioto.

A primeira estação, Shinagawa, em pintura ukyo-e


No jogo, controlamos Kantaro, um fabricante de fogos de artifício recém-formado em Quioto, retornado para sua noiva, Momoko-chan, em Edo. Porém, o comerciante Gonzaemon pretende roubar os segredos da fabricação de fogos de artifício, enviando seus capangas para atrapalhar a viagem de Kantaro, tendo este suas bombas como forma de defesa.

Kantaro utiliza bombas para se defender dos ataques durante a jornada
Andando pelo telhado enquanto evita Otami

O gameplay é simples, consistindo em avançar sempre à direita do cenário, pulando com Círculo e arremessando bombas com X; é possível plantar bombas apertando para baixo e X, desta forma podendo acertar inimigos invulneráveis ao arremesso.

Com o item certo, é possível rolar pelo cenário, tornando-se invulnerável temporariamente
Os glitchs gráficos dos jogos de NES podem ocorrer eventualmente (é um “port direto”)

Além dos assassinos, ninjas, samurais e monges contratados por Gonzaemon, há outros personagens que, embora não sejam inimigos propriamente ditos, atrapalham o avanço do protagonista, restringindo seus movimentos e deixando-o vulnerável às investidas adversárias.
A cortesã Otami e a fantasma Oichi reduzem a velocidade de Kantaro, enquanto o ladrão Santa pode roubar itens do protagonista e o oficial de fronteira Nakayama Shusui patrulha os pontos de controle de algumas fases. Estes personagens podem ser evitados pulando, embora persigam Kantaro por uma boa parte da fase, ou evitados com itens específicos: Shushi cobra 6 moedas koban para liberar a passagem pelo ponto de controle, enquanto amuletos ofuda protegem contra Oichi.

Tenha duas moedas koban para atravessar rios com planaltos no outro lado

As moedas koban servem também para criar pontes em áreas distantes para o salto (duas são necessárias), enquanto as sandálias de madeira (geta) permitem pisar nas nuvens, o que garante passagens alternativas e aumento da pontuação. Ao portar 10 moedas koban, portais negros surgem, liberando a passagem para áreas secretas, que permitem avançar 3 ou 6 níveis, a depender da dificuldade da fase em questão.

Oichi pode levantá-lo no ar e lançá-lo próximo dos inimigos

Graficamente, Tokaido é um jogo simples, mas bem animado e com telas “cheias” de elementos, algo não tão comum aos jogos 8 bits.
As telas mais simples, porém com diversas construções e elementos básicos não atrapalham o jogador (embora eventualmente alguns inimigos e elementos de cenários sejam de cores semelhantes), passando por cenários bastante coloridos, envolvendo as diferentes regiões das 53 estações de Tokaido.

A última estação é bastante movimentada

A trilha sonora usa chiptune básico, com músicas animadas, porém com poucos elementos na composição (afinal de contas, estamos falando de um jogo de 1986).

THE WING OF MADOOLA

The Wing Of Madoola foi lançado originalmente para o Famicon, apenas no Japão, em Dezembro de 1986.

Os upgrades coletados são mostrados ao início de cada fase

O reino de Badham possui a estátua de um pássaro, chamada de Asa de Madoola (que dá nome ao jogo); aquele que obtiver a estátua, terá poder para controlar o mundo, o que causa inúmeras guerras no reino.

Avance e não cometa o erro de tentar derrotar todos os inimigos da fase
As fontes recuperam completamente a vida de Lucia

Para evitar que a estátua seja roubada, o clã Rameru passa a protegê-la com o uso de sua magia, mas Darutos, um descendente da linhagem Rameru rouba a estátua, utilizando seu poder para construir uma fortaleza e invocar demônios. É neste contexto que a protagonista, a maga guerreira Lucia, do clã Rameru, precisa derrotar Darutos e seus asseclas, bem como recuperar a estátua.

Explore todas as salas para coletar os upgrades necessários
Cuidado com as partes falsas nas pontes

Esse é um jogo hardcore na dificuldade, de longe o mais difícil da coletânea!
The Wing Of Madoola é um jogo de ação com elementos de RPG, onde controlamos Lucia, devendo encontrar upgrades para aumentar seu poder enquanto avança pelas 16 fases.

Os chefes não possuem barras de vida à mostra e não é possível voltar ao entrar em suas salas (é claro, o Rewind contorna isso)

Os cenários possuem verticalidade e passagens entre diferentes salas e setores, não sendo completamente linear em sua progressão. Você pode, por exemplo, avançar por algumas fases sem ter pego alguns upgrades e isto pode impactar (ou até impedir) seu avanço, portanto vasculhe bem cada canto!

Um dos mais fortes, o ataque Flash consome muita mana

Lucia possui uma espada simples, que pode ser melhorada com a coleta de mais itens de espada, usada com X, enquanto o pulo fica no Círculo, este também podendo ser melhorado com a coleta do item da bota (se você não coletar as três botas, não irá conseguir passar de uma determinada fase…).

O salto pode ser de difícil manejo, até o jogador aprender a “manobrar” o corpo no ar

Ao coletar outras armas e itens, como a espada de fogo, o anel que dispara colunas de fogo ou a cruz que dá o ataque flash, por exemplo, é necessário trocar de item durante o pause (Options), apertando select (Touchpad) para alternar a arma em questão. Armas e artefatos mágicos usam mana, que pode ser aumentada encontrando os pergaminhos ou livros e a vida é aumentada coletando jarros. Caso fique sem mana durante o combate, a espada comum é equipada automaticamente; a mana é totalmente recuperada ao passar de fase.

Portas de saída de fase podem estar trancadas se você não tiver derrotado o chefe

É possível (e até recomendável) evitar alguns combates, pois os inimigos avançam continuamente, podendo eventualmente soltar poções de vida e mana ao serem derrotados, embora o drop seja escasso. O salto, por sua vez, não é executado na diagonal, devendo ser “manobrado” no ar para alcançar a direção desejada.
Ao entrar na sala de um chefe, só é possível sair da mesma ao matá-lo (não esquecendo de coletar a orbe de recuperação e aumento de vida na sala seguinte); assim como os inimigos comuns, os chefes não possuem barras de vida, o que torna mais difícil lidar com os mesmos, sem ter a noção de quanto falta para morrerem.

Sem mana? Sem problema! Volte para a espada normal

A arte de Madoola é mais complexa, com vários sistemas de cavernas e dungeons, embora a estrutura de certas partes se repita, mudando apenas o sistema de cores. O eventual fundo completamente escuro, característico dos 8 bits, é percebido em alguns momentos.
As construções, entretanto, possuem mais elementos visuais, como “texturas” e ranhuras nas paredes, enquanto os inimigos possuem visuais mais simples, às vezes com poucos detalhes no interior dos corpos.

O uso de cores pode tornar alguns trechos mais confusos

A trilha sonora é focada no uso de chiptune de uma maneira bastante criativa, evocando sensações de suspense e aventura, mesmo com os poucos recursos disponíveis.

RIPPLE ISLAND

Ripple Island é um jogo point and click/adventure, lançado originalmente em janeiro de 1988, para o Famicon, apenas no Japão.

Originalmente um jogo para o FCDS, seu lançamento foi impactado pela proximidade de Dragon Quest 3

Pensado originalmente como um título para o Family Computer Disk System (o acessório com disquetes para o NES, disponível apenas no Japão), com o título de The Darkness of the Emperor (Kotei no Yami). Seu lançamento foi fortemente impactado por Dragon Quest 3, que saiu 18 dias depois. 

O Family Computer Disk System, lançado apenas no Japão, utilizava disquetes no NES, mas teve vida curta
Na ordem de comandos: caminhar, olhar, conversar, tocar, itens, entrar, acertar e empurrar (o lápis serve para usar passwords)

A pequena ilha Ripple é um lugar de convivência pacífica entre humanos e animais, até a chegada do imperador do mal Gerogeru, que sequestra a princesa  Nasarell, filha do rei Dotella.

Calma, Belchior! Só estou de passagem
O (falecido) cantor brasileiro Belchior, caso você não tenha pego a referência…


No título controlamos Kyle, um jovem que vai ao resgate da princesa, com a promessa de um casamento com a mesma. No decorrer da aventura, Kyle encontra Cal, uma menina que passa a ajudá-lo na jornada, embora tema o imperador. Kyle e Cal passam a compartilhar sentimentos românticos, embora caiba ao jogador decidir quem é a preferida do protagonista, impactando nos finais (há quatro deles).

Na ilha Ripple, humanos e animais conversam normalmente
O rei Dotella explica a missão a Kyle e Cal

O jogo utiliza um sistema de comandos para avançar entre as diferentes telas e interagir com objetos, sendo eles: caminhar, olhar, conversar, tocar, itens, entrar, acertar e empurrar; não há mapa disponível, então a navegação entre as diferentes telas, em especial nas florestas, pode ser um pouco confusa caso o jogador seja ruim com direções.

Calma aí, seu Raposa!
Uma carona em um esquilo voador gigante

O gráfico de Ripple Island é o mais bonito da coletânea, utilizando bem as imagens estáticas e/ou com pequenas animações em cenários e personagens mais detalhados. As variações nas formas dos personagens possuem visuais mais voltados ao anime, com caretas e demonstrações de pânico ou medo, até mesmo com personagens que eventualmente “saem da tela”, caminhando pela parte escura da imagem.

O inimigo tão assustado que “sai da tela”
O título aposta nos momentos bem humorados
Momentos onde a ação do jogador precisa ser rápida (e que irá afetar os finais)

Seguindo o estilo do jogo, é a trilha sonora mais tranquila do pacote, com músicas variadas em tons mais amenos, também fazendo bom uso do chiptune básico.


ACESSIBILIDADE E ADAPTAÇÕES

O pacote conta com scans dos manuais originais (sempre em japonês), ilustrações e esboços dos personagens, cenários e conceitos dos três jogos em geral, além de representações 3D dos cartuchos.

Saudade de assoprar cartuchos?
Manual japonês de Ripple Island

Os jogos contam com save states (3 slots por jogo), que podem e vão ajudar o jogador enormemente (Wing Of Madoola que o diga!), além de um sistema de rewind.
As configurações seguem o padrão japonês, sendo o botão de Círculo usado para confirmar as opções e ações dentro dos jogos.

Save states, uma atualização necessárias aos jogos antigos
A função Rewind (Triângulo) para trapacear voltar atrás em decisões ruins


Filtros como CRT, mudança no aspecto dos pixels e na palheta de cores também estão disponíveis.
Cada jogo conta com uma tela de introdução que dá uma breve explicação sobre o título em si.

Filtros: por que nenhuma coletânea retrô está completa sem eles
L1+R1 abre o menu geral da coletânea

PLATINA 1 X 3

A platina de SUNSOFT is Back! não é difícil, embora exija uma certa habilidade do jogador (Madoola, novamente, estou olhando para você!).
Os troféus envolvem começar cada um dos três jogos, finalizá-los (Ripple Island com um troféu específico para o True Ending), utilizar o Save State uma vez, olhar um dos manuais e uma arte da galeria e entrar no modo para dois jogadores de Tokaido.

RESUMO DA ÓPERA:
SUNSOFT is Back! Retro Game Selection
é um título curioso justamente pela seleção dos jogos.
Enquanto outros coletâneas apostam nos jogos mais conhecidos das empresas, este é um pacote com alguns dos títulos mais undergrounds da mesma, aqueles jogos que apenas os colecionadores ou entusiastas dos 8 bits tiveram conhecimento e/ou jogaram no ocidente.

Material promocional de Ripple Island

Dito isto, os três jogos são bastante diferentes entre si, enquanto Firework Thrower Kantaro’s 53 Stations of the Tokaido é um jogo de plataforma tradicional e caótico, The Wing of Madoola é um RPG/”metroidvania” hardcore e Ripple Island é point and click/adventure mais relaxante, com múltiplos finais.

Combater o colesterol: você está fazendo isso errado!


Um pacote variado, com títulos 8 bits lançados apenas no Japão, SUNSOFT is Back! Retro Game Selection aposta em uma trinca de jogos mais raros, relançando-os no ocidente, com melhorias como save state e rewind, localização para o inglês e material original como manuais e arte de galeria.
Não apenas um resgate de títulos restritos ao Japão, mas uma apresentação de jogos mais obscuros da empresa, SUNSOFT is Back! Retro Game Selection aposta em uma coletânea menos mainstream, mas com ar vintage.

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