
* Esta análise foi feita com o código cedido pela Konami (versão PS5)
Distribuidora: Konami
Produtora: Boobler Team
Plataforma: PS5 / PC / Xbox Series S / Xbox Series X
Mídia: Física e Digital
Ano de Lançamento: 2024 / 2025

Silent Hill 2 é o remake do jogo de terror psicológico homônimo de 2001, onde James Sunderland vai em busca de sua mulher falecida, após receber uma carta da mesma.
* Importante ressaltar que este é o meu primeiro contato com Silent Hill 2, então o review não terá comparativos diretos com a versão original (afora leves observações via pesquisa). Para “compensar” o fato, eu já estive no andar abandonado de um hospital, à noite; mais sobre no fim do review.
CONVITE INUSITADO
A esposa de James Sunderland, Mary, faleceu há três anos, de uma doença grave.
Ao receber uma carta de sua esposa, James vai até Silent Hill, na ilógica e vã esperança de encontrá-la viva.


A entrada da cidade está bloqueada, por isso ele pega um atalho que passa pelo cemitério local. Lá ele encontra Angela, uma mulher que procura a mãe. Ela o avisa de que há algo errado com a cidade e tenta alertá-lo para evitar a visita, mas ele insiste, pois sua mulher o espera em “seu local especial”.



Uma densa névoa recobre toda a localidade, dificultando a visão à frente.
De fato, há algo de errado acontecendo na cidade, mas talvez esta seja a explicação para a carta de sua esposa.
James não sabe, mas acabou de embarcar em um inferno pessoal.
ATRAVÉS DO NEVOEIRO
Inicialmente um artifício para ajudar a esconder problemas de renderização, a névoa de Silent Hill virou parte integrante de seu charme e da mecânica do jogo, fazendo com que as criaturas não sejam avistadas ao longe.



Aqui entra um item essencial para a navegação: o rádio.
É ele que avisa o jogador sobre os perigos à volta, emitindo ruídos conforme a aproximação dos monstros, inspirado no conceito de Transcomunicação Espiritual, a captação de espíritos através de aparelhos eletrônicos como TV’s e rádios.


Se a cidade já está deserta e dominada por estranhas criaturas disformes, a coisa piora com a sirene e a passagem para o Outro Mundo, uma realidade corrompida da cidade, onde parte das ruas colapsou e a ferrugem tomou conta das estruturas, com muitas passagens bloqueadas por escombros. No Outro Mundo, os monstros multiplicam-se consideravelmente.


Silent Hill é uma mistura entre purgatório e inferno, um local onde os erros do passado e os arrependimentos do presente unem-se para atormentar aquele que adentra a localidade, sendo perseguido por torturas e deformidades representando o ressentimento da vítima.


Para avançar pela cidade, James conta com um pequeno arsenal, composto inicialmente por um pedaço de pau com pregos e uma pistola. Conforme avança, uma escopeta, um cano de ferro (que substitui o pedaço de pau) e um rifle podem ser encontrados.
Na dificuldade padrão, a munição não deve ser um problema para o jogador, embora seja interessante priorizar as armas de combate direto e economizar balas para inimigos mais difíceis (como as enfermeiras) ou para quando se vir cercado por múltiplos monstros.


O progresso está ligado à resolução de puzzles, que estão espalhados pelas diferentes localidades da cidade, sendo o foco maior nas combinações de números que precisam ser descobertas para abrir fechaduras e baús. Os puzzles possuem modos de dificuldade individuais (assim como o combate), podendo ser adaptados ao estilo do jogador, independente da dificuldade geral do jogo.
OLÁ, ENFERMEIRA!
O gráfico de Silent Hill 2 é muito bonito e detalhado.
Os cenários variam entre as amplas áreas abertas da cidade e os claustrofóbicos prédios, onde um ataque surpresa pode estar escondido em qualquer canto (esteja sempre pronto para esquivar, mas lembre-se que os monstros também podem fazê-lo). Passar por buracos na parede e saltar em vazios na escuridão são alguns dos desafios que James encontrará em sua jornada.


Os efeitos de luz e sombra ganham destaque pelo clima de opressão que inferem no jogador; é difícil ver longe no jogo, seja pela escuridão ou pela névoa.
O título é realmente escuro e por vezes pode ser difícil se orientar, especialmente nos labirintos encontrados. Aumentar a Gama é uma possibilidade, embora não seja possível realmente deixar o jogo muito claro, o que mataria parcialmente a experiência.


A trilha sonora é carregada de emoções, com um forte tom melancólico, composta novamente por Akira Yamaoka, o compositor do título original.
Aqui, alguns novos temas são introduzidos, enquanto outros retornam e temos uma reinterpretação de Theme Of Laura (embora eu prefira a versão original).
A dublagem é consistente e transmite bem o clima do remake, com atuações menos caricatas que o título original.
Destacam-se as vozes de Luke Roberts (James), Salóme Gunnarsdóttir (Maria e Mary), Evie Templeton (Laura) e Gianna Kiehl (Angela). O jogo está totalmente localizado para o português, com uma tradução competente e sem erros aparentes.


O design de som também merece aplausos pelo resultado obtido.
Gemidos, ruídos que parecem provindos de lugar algum e a estática do rádio são constantes companheiros do protagonista.
Alguns sons são reproduzidos via Dual Sense, como o barulho da chuva caindo em um local coberto ou mesmo os avisos de proximidade de um inimigo através do rádio. Este pequeno truque aumenta a imersão e causa surpresas ao jogador.
TORTUOSA PLATINA
A platina do jogo não é necessariamente difícil, embora exija bastante planejamento.
É necessário finalizar o jogo pelo menos duas vezes, sendo a primeira jogada e o New Game +, mas não há exigência de dificuldade aqui.


O título possui uma grande variedade de save slots disponíveis, o que pode ajudar o jogador a economizar tempo para fazer diferentes finais, embora o processo possa ser penoso pela burocracia e pelo já citado planejamento. O jogo conta com oito finais, sendo os seis originais necessários para a platina, enquanto os dois novos do remake são opcionais.


Afora troféus relacionado aos finais e trechos da trama, ações específicas como Matar 75 inimigos com armas de fogo, Matar 50 inimigos com a pisada e Destruir 50 janelas estão inclusas na lista de troféus mais simples. A dificuldade vem em Completar o jogo sem usar o rádio (desative no inventário assim que o obtiver), Completar o jogo em 10 horas, Completar o jogo sem matar inimigos com armas de fogo (boa sorte com as enfermeiras).
Entre os coletáveis, temos Coletar todas as Fotos Estranhas (26) e Coletar todos os memorandos (68) e Obter todos os vislumbre do passado (também 26, objetos que fazem referência a pontos do jogo original).

RESUMO DA ÓPERA:

Silent Hill 2 é o remake do jogo homônimo de PlayStation 2, lançado em 2001, onde acompanhamos James Sunderland, um homem atormentado pela súbita carta de sua falecida esposa, convidando-o a encontrá-la em “seu lugar favorito”, na cidade de Silent Hill.
Nosso pequeno menino está crescendo!
Acompanho o estúdio Bloober Team desde Observer (que já possui review no site, aqui), passando pela saga Layers Of Fear, The Blair Witch e The Medium. Porém, em Silent Hill 2 o estúdio atingiu um novo patamar de excelência com seu primeiro triplo A propriamente dito (embora Medium já fosse um ensaio nessa direção).

É notável como a equipe do remake conhece profundamente o jogo original, fazendo pequenas adições e modificações, além da atualização gráfica e do aprimoramento que ela permite.
As expressões faciais, o olhar dos personagens e mesmo detalhes rápidos, porém precisos (como o olhar de James para o copo de whiskey, quando evita beber), tornam a trama mais sutil, característica determinante não apenas pela atualização tecnológica, mas por uma reinterpretação do material original, acompanhando as mudanças do mercado de jogos.
Aliás, o material original é muito importante para tal feito, mostrando como Silent Hill 2 é um jogo de terror atemporal, ganhando ainda mais brilho com o polimento correto. O lendário Team Silent, estúdio da Konami, que criou os quatro primeiros Silent Hill’s, criou um material absurdo em qualidade já no PlayStation 2.
De forma que, embora como dito no início do texto, eu nunca tivesse jogado o título original, alguns spoilers ao longo dos anos me foram impossíveis escapar, afinal de contas, estamos falando de um dos melhores jogos de terror (se não o melhor) de todos os tempos.

Akira Yamaoka revisita a trilha original, fazendo adições e atualizações, em um trabalho melancólico e hipnótico. O design de som também faz sua parte magistralmente, causando aquela constante sensação de opressão e paranoia no jogador.
O combate, que me parecia tão estranho nos primeiros vídeos, funciona muito bem, com um James mais mortal com os ataques corpo a corpo, porém ainda ineficiente com as armas de fogo, passíveis de grande recuo nas mãos de um atirador inexperiente.

Os inimigos, por sua vez, apresentam bom desafio, seja com as esquivadas dos monstros “capoeiristas”, com seu gingado de pernas ou mesmo o errante caminhar das enfermeiras. Pyramid Head permanece como um dos grandes ícones do terror, em suas aparições ameaçadoras e imponentes.
Os puzzles compõem boa parte da experiência, engenhosos em suas localizações de partes e códigos, colocando o jogador às voltas em um ambiente nada amistoso para encontrar respostas.
Um mergulho profundo nos traumas da mente humana, a cidade brinca com suas vítimas, manipulando suas emoções e temores, transformando-lhes em pesadelos vivos que atacam aqueles que ousam entrar na localidade.
Silent Hill 2 (remake) é um jogo obrigatório para os fãs de terror e, mesmo para os jogadores que não amam o gênero, é um título que não deve ser ignorado.
BÔNUS
Bem, já comentei algumas vezes no site que trabalhei em hospitais, à noite, por um bom tempo (mais ou menos 14 anos).
Corredores vazios e escuros, gemidos de dor provenientes de quartos e outras coisas estranhas já fizeram parte de minha rotina. E, quando tive a oportunidade, passeei pelo andar abandonado de um hospital, apenas porque eu sou desses. O andar em questão seria reformado e virou um “depósito” temporário de materiais, como você pode conferir abaixo.
O vídeo é antigo (quase 10 anos), por isto a qualidade precária do mesmo.






Review excelente! Jogaço! Da hora as imagens do hospital que tu trampava aí, hehehe.