* Esta análise foi feita com o código cedido pela Samustai LTD (versão PS5)

Distribuidora: Samustai LTD
Produtora: VidyGames
Plataforma: PS4 / PS5 / Xbox One / Xbox Series X / Xbox Series S / Switch / PC
Mídia: Digital

Ano de Lançamento: 2024

Plastomorphosis é um survival horror com visual retrô onde um cidadão comum precisa escapar da Cidade Moderna enquanto lida com o avanço da Energia Escura.

O avanço da Energia Escura tomou conta do Continente.
Buscando salvação, você, um Cidadão (mulher ou homem, à escolha do jogador), embarca em um trem para a Cidade Moderna, último refúgio aos cidadãos não infectados… ou era o que você pensava.

Eva atualiza o protagonista sobre a situação da Energia Escura
A estação não se encontra exatamente em boas condições…

Dentro do trem, um celular chama a sua atenção, através do qual uma mulher, Eva, avisa sobre os perigos da Cidade Moderna.
Ela será a guia do protagonista, à distância, através de anotações em documentos de QR Codes e outras mensagens.

QR codes nas paredes contém mensagens que podem ajudá-lo
Isso não quer dizer que as mensagens sejam reconfortantes…

Ao chegar na estação, o cenário está destruído e caótico, abandonado, com exceção de manequins.
A primeira arma encontrada é um bastão com pregos, uma escolha lenta, mas eficaz contra os manequins, que logo se põem em movimento. A pistola e a shotgun serão encontradas mais à frente, com o problema de precisarem de munição, e outros tipos de inimigos surgirão, variações do processo de Plastomorphosis, a transformação através da energia escura radioativa. Eva sugere, inclusive, que a energia escura foi colocada na água, para transformar os habitantes e os colocarem sob o controle do Soberano, integrando seu exército.

O bastão é útil, mas o coloca cara a cara com os inimigos
Se você tem problemas com manequins, eu tenho uma má notícia

Objetos encontrados podem ser observados, usados e combinados via menu (Triângulo). O inventário possui poucos espaços, embora itens de mesma categoria agrupem-se ocupando apenas um slot. Desta forma, a munição de uma arma irá sempre ocupar apenas um slot, enquanto a arma em si ocupa outro.

Quem foi nesse banheiro???
Itens ficam agrupados em categorias próprias, economizando espaço

O jogo não conta com coletáveis (propriamente ditos) afora ursos de pelúcia e arquivos explicando o incidente com a energia escura e as mutações de plastomorphosis.

A shotgun é ideal para os robôs
Notebooks são o ponto de save

O avanço está diretamente ligado aos diversos puzzles disponíveis, de combinações numéricas e de cores a decifrar enigmas e poemas. Alguns são particularmente mais desafiadores, especialmente sob pressão dos inimigos, que podem atacar durante a resolução, então fique atento e limpe a área antes de se instalar na parte de um painel numérico. O título também conta com interações além do jogo em si, mas não darei spoilers para evitar estragar a surpresa do jogador.

As dicas para puzzles estão espalhadas, nem sempre sendo tão óbvias
O exército do Soberano patrulha a Cidade Moderna, eliminando ameaças: leia-se pessoas não infectadas

As variações de plastomorphosis incluem tipos que podem se teletransportar, imprevisíveis no padrão de movimentação, tipos com máscara de gás, que surgem de lugares inesperados e gritam ao atacar (gerando boa parte dos sustos que tomei) e sombras, seres tomados pela energia escura, afetados apenas por tiros de sinalizador. Há, ainda, robôs quadrúpedes do Soberano, patrulhando pontos da Cidade Moderna, cuspindo rajadas de fogo no jogador.

Esse inimigo grita antes de atacar e geralmente sai de onde você menos espera
Dica: não seja golpeado pelo chefe com a motosserra…

O gráfico segue o estilo retrô de jogos de PS1/PS2, com câmera fixa e movimentação tanque ou moderna (selecionável no início do jogo). O efeito de “câmera de segurança/VHS” está presente em todo o jogo, causando interferências e “ruídos” de tracking na imagem, o que gera um efeito interessante.

Sombras só podem ser feridas com o sinalizador
Fiquei mais tempo nesse puzzle do que gostaria de admitir…

Os personagens são bem modelados, sem rostos aparentes, uma vez que o protagonista usa um capacete e as variações de inimigos utilizam máscaras de gás (ou são manequins sem rosto).
Efeitos psicodélicos perpassam a tela em diversos momentos, causando um estranhamento proposital, com névoa e neon bruxuleando constantemente. Pedaços de corpos putrefatos, vermes e pinturas com sangue complementam o cenário caótico da Cidade Moderna.

Alucinações mais fortes rolam em alguns momentos do jogo
A água é o item de cura mais básico

A trilha sonora é pontual e atmosférica, sóbria em sua execução, dando mais espaço ao som ambiente, que trabalha psicologicamente sobre o jogador.
A dublagem é escassa, com algumas falas de Eva e também do protagonista (que em alguns momentos não possuía voz, seja por escolha ou por glitch, ficou difícil identificar) e eventuais avisos do exército.

R3 abre o mapa, dica importantíssima na plantação!
Eu vou postar a platina aqui, pois precisei jogar praticamente uma segunda run completa, por conta de um troféu

A platina é tranquila, sendo a maior parte dos troféus relacionados ao progresso do jogo e resolução de puzzles, com exceção de dois, relacionados aos ursos de pelúcia. Eva irá comentar no início do jogo o que fazer com eles, cabendo a você obedecer ou não (as duas escolhas geram troféus). Se você souber o que está fazendo, pode platinar o jogo em uma única run.

RESUMO DA ÓPERA:

Plastomorphosis é um survival horror retrô onde acompanhamos um cidadão que vai até a Cidade Moderna em busca de salvação contra os infectados pela Energia Escura. Continuação/spin-off de Re.Surs, aqui controlamos um civil em terceira pessoa, contrastando com o detetive paranormal (Jessie Sullivan) do título antecessor, um shooter side scroller 2D.

O combate simples torna-se desafiador com os ângulos de câmera fixa e a pouca agilidade do protagonista. A munição não chega à escassez, desde que o jogador não exagere nos erros; o sinalizador, arma mais próxima ao final do jogo, possui munição infinita, mas o carregamento mais lento, equilibrando a presença das sombras, inimigos mais poderosos do jogo.

Re.Surs, o jogo anterior, é de um estilo completamente diferente, mas ambos compartilham o mesmo universo

O combate simples torna-se desafiador com os ângulos de câmera fixa e a pouca agilidade do protagonista. A munição não chega à escassez, desde que o jogador não exagere nos erros; o sinalizador, arma mais próxima ao final do jogo, possui munição infinita, mas o carregamento mais lento, equilibrando a presença das sombras, inimigos mais poderosos do jogo.

Os puzzles são bem elaborados e não desafiam o jogador além do necessário, bastando uma boa percepção e raciocínio lógico para que o mesmo não empaque; alguns puzzles geram lembretes como pistas para sua solução.

Esse corredor sempre causa desconfiança…

Graficamente, o jogo emula jogos de PS1/PS2, com a câmera fixa e possuem um filtro de distorção, maquiando imperfeições e dando um bom aspecto, ainda que confuso, com as interferências de imagem e efeitos psicodélicos distorcidos.
O clima de terror é bem aproveitado com a câmera fixa e os ângulos que favorecem ataques surpresas dos inimigos.

A trilha sonora é discreta e deixa mais espaço para o som ambiente, que climatiza bem a atmosfera distópica do Governo do Soberano. A dublagem possui poucos diálogos e o jogo não possui legendas em português, pedindo um bom nível de inglês do jogador, especialmente para as dicas através de charadas e poesias.

Tomara que seja apenas uma imagem

Um bom jogo de terror, Plastomorphosis faz muito com pouco, driblando os problemas de poucos recursos pelo único desenvolvedor do título, que sabe utilizar a atmosfera opressiva e a sensação de paranoia a seu favor.
Os pequenos deslizes não eclipsam a criatividade por trás do título, ainda que a trama seja um tanto vaga e aberta à interpretação.
Cuidado ao dobrar uma esquina, uma mutação da Energia Escura pode estar à sua espera…

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