
* Esta análise foi feita com o código cedido pela Sony Interactive Entertainment (versão PS5)
Distribuidora: Sony Interactive Entertainment
Produtora: Insomniac Games
Plataforma: PS5 / PC
Mídia: Física e Digital
Ano de Lançamento: 2023/2025


Marvel’s Spider-Man 2 é um open world onde Peter Parker e Miles Morales precisam lidar com a chegada de Kraven à Nova Iorque, bem como a ameaça do simbionte.
VIDA QUE SEGUE
Após a morte de tia May, Peter Parker agora administra a casa sozinha, aos trancos, enquanto tenta manter um emprego fixo.
O relacionamento segue firme com Mary Jane, esta também lutando para manter o emprego no Clarim Diário, sob o comando do tempestuoso J Jonah Jameson.

Harry Osborn, seu amigo de infância, que estava em viagem para tratamento (ao menos conforme informado pelo pai), finalmente reaparece, após ser “curado” da mesma doença degenerativa que matou sua mãe. Porém, conforme descobrimos no final do primeiro jogo, Harry estava em uma câmara de recuperação, tendo sido inoculado com o simbionte.

Miles Morales, por outro lado, está se preparando para ingressar na faculdade, enquanto concilia sua vida como Spider-Man (Jr., segundo Jameson). O relacionamento com Hailey ainda é apenas um ensaio, não tendo sido concretizado; Ganke, seu amigo e suporte técnico, o ajuda durante as missões e até mesmo interage com Peter. Rio Morales, mãe de Miles, é agora vereadora de Nova Iorque e seu tio, Aaron Davis, está aposentado da vida criminosa de Prowler (Gatuno, na versão brasileira dos quadrinhos, e ainda bem que esse nome foi abandonado no jogo).

A maior parte dos vilões dos jogos e DLC’s passados está agora reformada, mas Martin Li, o Senhor Negativo, continua preso, motivo do desejo de vingança de Miles, pela perda de seu pai durante os eventos do primeiro jogo. A luta do jovem Spider-Man com seu rancor pelo vilão é um dos pontos centrais de sua trama.
A ÚLTIMA CAÇADA
O Homem-Areia (Sandman) está à solta pela cidade, no início do jogo, chamando a atenção dos dois cabeças de teia e interrompendo a tentativa de Peter de ser um professor de ciências. Fora de controle, Flint Marko se torna gigante e ataca construções e unidades policiais, além de criar um exército de versões de areia em tamanho normal. Seu comportamento, entretanto, não condiz com sua atual realidade, tendo sua mente sido fragmentada pelas mãos de Kraven, O Caçador.


Sergei Nikolaievich Kravinoff, o Kraven, estreou nos quadrinhos em 1964 (The Amazing Spider-Man #15), sendo meio-irmão do Camaleão (Dmitri Smerdyakov).
Filho de uma poderosa família da Rússia czarista, foi durante a Revolução Bolchevique (segunda fase da Revolução Russa de 1917), que os Kravinoff fugiram para os EUA, escapando do início da União Soviética.


Ao ganhar fama como caçador no Quênia, o Camaleão o convenceu a voltar aos EUA, onde seu maior desafio seria uma presa à altura de suas habilidades: o Spider-Man.
No jogo, Kraven vai à Nova Iorque em busca de vários vilões e também do aracnídeo, disposto a ter uma morte honrosa em uma grande caçada.

Kraven conta com um exército de caçadores treinados e com tecnologia de ponta para se camuflarem na selva de pedra e encontrarem todos os poderosos alvos. Depois de alguns embates e de causar um ferimento grave em Peter Parker, este adquire o simbionte, que o salva e o torna um oponente ainda mais valioso.
DO ESPAÇO
O simbionte é um organismo alienígena que veio em um meteoro para a Terra, tendo se desenvolvido e transformado em tratamento paliativo para Harry Orborn pelas mãos do Dr. Connors (ex-Lagarto).
Capaz de curar qualquer doença ou ferimento ao se fundir ao hospedeiro, o simbionte infiltra-se aos poucos na mente do mesmo, passando a dominá-la.


O controle da criatura é especialmente preocupante no que concerne à união com Parker, alterando sua personalidade e suas ações para um Spider-Man mais agressivo e violento. Isto reflete não apenas nas atitudes do personagem, como em seu gameplay.


Originalmente aparecendo em 1984, em The Amazing Spider-Man #252 (durante a saga das Guerras Secretas), o simbionte do planeta (e raça) Klyntar, afetou o comportamento de Peter Parker e era capaz de criar teias orgânicas, aumentar a força e criar armas e vestimentas, adaptando-se à necessidade do portador. Posteriormente, deu origem ao Venom (jogável durante uma missão) e também outras variantes, como Carnage (que é citado brevemente), Scream (que faz uma aparição no jogo), Agony, Phage, Riot e Lasher, entre outros.


MENTOR E PUPILO
Em Marvel’s Spider-Man 2 é possível alternar entre Peter e Miles deslizando para a esquerda no Touchpad, para abrir o menu de missões; em alguns pontos da trama, tal troca pode ficar indisponível.
Peter Parker conta com a jogabilidade tradicional até o momento da infecção pelo simbionte, quando passa a ter poderes mais fortes e agressivos, utilizando a massa negra da criatura para atacar e se locomover.


Já Miles Morales utiliza as teias tradicionais e o poder elétrico obtido em seu próprio spin-off, mas o contato com Martin Li gera uma nova variante do poder: a Bioeletricidade. Uma versão mais forte do “Venom” original (laranja), o “Venom azul” possui mais dano por área e alcance (perceba as aspas, já que o poder Venom de Miles não deve ser confundido com o portador do simbionte).



Uma das novidades do jogo fica por conta das Asas de Teia (Web Wings), que permitem planar por longas distâncias, aproveitando correntes de ar horizontais para ganho de velocidade e propulsão de altura nas verticais. Apertando Triângulo após um salto, as asas são abertas, ficando presas entre o corpo e os braços.


Dispositivos como a Teia de Ricochete e o Disparador de Teia podem ser desbloqueados com a obtenção de peças mecânicas e pontos de herói, que também desbloqueiam novas roupas para ambos os protagonistas. Cada nova roupa, à exceção das especiais, dispõe de quatro versões de cores.


Durante as missões secundárias, é possível encontrar o outro Spider-Man em ação, o que garante ataques especiais em dupla e uma maior agilidade no combate. Outros NPC’s também fazem participações, permitindo combinações de ataques e finalizadores especiais, como Wraith, que luta usando sua kusarigama e o instinto vingativo e letal, colocando-a como uma parceira que bate de frente com as ideias de Peter.
A SELVA DE PEDRA
A navegação pela Nova Iorque do jogo é mais dinâmica agora, com viagem rápida sem telas de loading e o uso das Asas de Teia para avançar rapidamente.
A cidade é vasta e possui múltiplas áreas para visitação, como o Central Park e área portuária, passando por diversos bairros e localidades.


Em contraponto, as passagens pelo esgoto, entre paredes e dutos de ventilação que os dois Spider-Man podem acessar são claustrofóbicas e apertadas, disponíveis apenas graças à flexibilidade e agilidade dos mesmos, o que também permitem passar entre placas, construções e mesmo veículos, em especial durante o voo, ou propulsão com as teias.


Uma série de atividades está distribuída pelo mapa, algumas sendo acessíveis apenas a um dos protagonistas, como por exemplo os experimentos botânicos da Fundação Emily-May, que só podem ser resolvidos com Peter ou os esconderijos secretos de Prowler, disponíveis apenas para Miles.



Semelhante às bases do Rei do Crime (do primeiro jogo), agora estão disponíveis os esconderijos da Chama (grupo cultista de piromaníacos), as bases secretas dos Caçadores e os Ninhos de Simbiontes (em estágio mais avançado da campanha), onde é necessário derrotar todos os membros do local, sendo o stealth a melhor medida, para evitar combates contra grupos muito grandes de inimigos.


Os crimes são variados e surgem esporadicamente nos bairros, de perseguições aos carros de criminosos a incêndios causados pelos cultistas da Chama e emboscadas de caçadores. Durante estas atividades, como citado previamente, é possível realizar a atividade com algum parceiro local, em especial o outro Spider-Man. As abordagens a veículos foram facilitadas (além do necessário), dependendo ainda menos de prompt de botões.


Como coletáveis, temos os cristais com memórias do Homem-Areia, aranhas-bots espiãs, drones de caçada hackeáveis (após perseguição voadora) e locais para fotos que representam o espírito de Nova Iorque. Enquanto navega pela cidade, é possível ouvir o podcast de Jameson, alarmista e contra os Spiders, ou de Danika Hart, mais positivo e focando em eventos da cidade.
PARKER, É VOCÊ?
O jogo possui belos gráficos, em especial nos efeitos de luz sobre a cidade e na amplitude de seus cenários abertos. A recriação de Nova Iorque é grande e vívida em seus diferentes bairros, populada com muitos NPC’s e veículos, uma metrópole bastante movimentada, ainda que os protagonistas passem a maior parte do tempo nos ares, sem interagir com a população. As Asas de Teia ajudam a navegar mais rapidamente pelo extenso mapa e o SSD agora permite viagens rápidas imediatas.


Os personagens são bem detalhados e animados, com um quê mais voltado ao estilo quadrinhos, ainda que com uma ponta de realismo. Miles Morales é o rosto mais crível do jogo, bem como o de Peter Parker, ainda que o efeito do novo rosto cause uma certa confusão aos jogadores da primeira versão no PS4; durante o início do título, levei algum tempo a me acostumar com o novo Peter, mesmo que já o tivesse visto antes no spin-off de Morales.



Outras duas NPC’s importantes na trama são Mary Jane, a namorada de Peter, que infelizmente continua com suas fases stealth um tanto atrapalhadas, e Hailey, o interesse amoroso de Miles, a garota surda que agora possui até mesmo uma pequena parte jogável em uma missão secundária, pensada sem som para representar sua deficiência e com emojis visuais para representar suas emoções.


A trilha sonora é majestosa em sua versão orquestrada, com o uso de corais, composta por John Paesano, uma obra digna de uma produção hollywoodiana.
A dublagem em inglês se destaca especialmente nas vozes de Yuri Lowenthal (Peter Parker), Nadji Jeter (Miles Morales), Laura Bailey (Mary Jane), Graham Phillips (Harry Osborn), Jim Pirri (Kraven), Tony Todd (Venom), Leandro Cano (Homem-Areia), Stephen Oyoung (Martin Li), Ike Amadi (Aaron Davis) e Darin De Paul (J. Jonah Jameson).

AMIGÃO DA PLATINA
A platina do jogo é fácil de ser obtida, sem troféus que possam ser perdidos e focada no complecionismo.
Afora os troféus relacionados à trama, Completar Todos os Distritos em 100%, Comprar Todos os Upgrades de Equipamentos, Comprar Todos os Uniformes, Atingir o Nível Máximo (60), Completar Todos os Ninhos de Simbionte, Coletar Todos os Fragmentos de Memória do Homem-Areia, Completar Todas as Bases de Caçadores, Completar Todos os Experimentos da Fundação Emily-May, Completar Todas as Missões de Amigo da Vizinhança, Resolva o Mistério dos Spider-Bots, Coletar Todas as Tecnologias do Prowler e Bater Todas as Fotografias, além de troféus relacionados à conclusão de subtramas (secundárias) e troféus relacionados a golpes e habilidades específicas.

RESUMO DA ÓPERA:

Marvel’s Spider-Man 2 é um jogo open world de ação, onde Peter Parker e Miles Morales precisam lidar com a chegada de Kraven, O Caçador, à Nova Iorque, e o surgimento do Simbionte.
Ambientado após os eventos de Marvel’s Spider-Man e Marvel’s Spider-Man: Miles Morales, ambos os protagonistas agora patrulham a metrópole, podendo ser revezados livremente. A adição das Asas de Teia permite um mobilidade e agilidade ainda maiores e as viagens rápidas não possuem mais loadings graças ao uso do SSD.
Enquanto Peter Parker tenta conciliar a vida de Spider-Man com algum emprego fixo e a memória da perda de tia May, Miles Morales lida com o rancor contra o aprisionado Martin Li, responsável pela morte de seu pai, a vida da mãe como vereadora e a aposentadoria da vida do crime de seu tio, Aaron Davis, o Prowler.
Harry Osborn reaparece na vida de Peter, tendo o simbionte como sua fonte de cura, conforme visto no fim do primeiro título.
Os amigos criam a fundação Emily-May, em homenagem às suas mãe e tia, respectivamente, um instituto com a finalidade de “curar o mundo” através da tecnologia aplicada à botânica e preservação da fauna e flora.

Tudo parece correr bem, até que Sergei Nikolaievich Kravinoff, o Kraven, surge em Nova Iorque, disposto a caçar as numerosas “presas” da cidade, entre vilões e heróis, incluindo o Spider-Man. Alguns eventos levam Peter Parker a ser dominado pelo Simbionte, que modifica sua personalidade e o torna mais agressivo e, mais tarde, Venom aparece na cidade, criando múltiplas criaturas unindo o Simbionte aos habitantes locais.
Diversas aparições dos vilões do primeiro jogo e dos DLC’s estão presentes, em sua maioria reformados.
Há até mesmo um segmento onde controlamos brevemente o Venom, em seu gameplay caótico e visceral, um dos pontos altos do jogo, em contraponto ao moroso gameplay em stealth de Mary Jane, que evoluiu um pouco em relação ao primeiro jogo, pois agora ela conta com uma arma de choque para nocautear inimigos, porém tais segmentos continuam deslocados e travam a ação do título.

Graficamente, o título evolui em termos de cenários, com uma paisagem ainda mais bonita e viva. Os personagens não possuem tanta evolução gráfica comparada aos dois jogos anteriores, embora a representação de Miles Morales ganhe destaque, parecendo o personagem mais natural do jogo, ainda que os elementos cartunescos sejam mais presentes que o fotorrealismo.
A trilha sonora orquestrada e grandiosa remete aos filmes do cabeça de teia nos cinemas. A dublagem em inglês possui uma ótima qualidade e a localização para o português também merece aplausos.


Marvel’s Spider-Man 2 é uma evolução natural dos dois primeiros títulos, corrigindo alguns pontos, como uma melhor distribuição na quantidade de missões secundárias e material extra, enxugando o excesso (em especial dos coletáveis do primeiro jogo), tornando a aventura mais dinâmica e agradável de jogar. A troca rápida entre personagens e a introdução das Asas de Teia acelera o ritmo do título, que ainda derrapa em alguns pontos, como as partes de stealth com Mary Jane.
Utilizando a inclusão de forma inteligente, Hailey tem seu momento jogável como personagem surda, representada sem som e com emojis para demonstrar expressões, mostrando que tudo funciona melhor quando feito de forma natural, sem forçar estereótipos e situações irreais.
Entre erros e acertos, Marvel’s Spider-Man 2 entrega uma aventura divertida e cheia de ação, focando nas relações interpessoais dos protagonistas, o conceito de perdão e a corrupção alcançada com o poder descontrolado.
