* Importante ressaltar, o texto a seguir possui caráter opinativo, escrito por um leigo. Qualquer erro no aspecto psicológico ou jurídico, fique a vontade para corrigir o autor nos comentários.

(vamos caçar sarna pra se coçar? vamos!)

Já tem algumas semanas que eu venho pensando em escrever e postar sobre esse assunto, mas se você está lendo isso, os pensamentos intrusivos ganharam…

“Recentemente”, uma polêmica surgiu na internet, envolvendo o jogo Pragmata.
A acusação de algumas pessoas é que a relação entre Hugh e Diana era um flerte com a pedofilia…

Hugh e Diana (D-I-0336-7) estabelecem um forte vínculo emocional, que tentou ser deturpado na Internet…

Já vi muitos polêmicas idiotas com jogos, mas essa se superou!
O protagonista do jogo assume uma relação análoga à parental com a pequena “androide” (pragmata), afeiçoando-se à “pureza” da pequena robô.

Apesar da polêmica descabida, de gente que está procurando “pelo em ovo”, decidi aproveitá-la para falar desse tema tão espinhoso e complexo.
Eu deveria fazer isso? Provavelmente não! Seja pelo âmbito do problema, seja pela indexação do Google, que provavelmente vai tentar “esconder” a página. Mas o Filosofando, no final das contas, é esse espaço pra falar desses temas problemáticos, então…

Parecendo contraditório com o texto, pedofilia é sim, crime, quando praticada, embora seja TAMBÉM um transtorno psicológico: transtorno parafílico

Em primeiro lugar, devemos começar estabelecendo que a pedofilia é uma parafilia, ou seja, um interesse/fetiche sexual não convencional, nesse caso danoso.

Portanto, antes do crime de pedofilia, existe o transtorno psicológico.
E, sim, consumir pornografia infantil, produzi-la e/ou abusar de crianças é crime, obviamente! Só para deixar clara a posição sobre o assunto, mas, como citado anteriormente, antes do criminoso, existe o “portador” do problema.

Em O Lenhador, Kevin Bacon vive um pedófilo que cumpriu sua pena e tenta se reintegrar à sociedade, enquanto lida com sua parafilia

Eu já conversei com uma psicóloga sobre o assunto, para saber se existia o pedófilo sob controle, aquele que sente atração por crianças mas reprime o desejo, sem cometer o crime.
A resposta obtida foi que sim, existem casos de pessoas que conseguem refrear estes impulsos, mesmo que não seja algo fácil para aquele que possui o transtorno.

Bem, eu já me desviei da explicação do que é a pedofilia, então voltemos a isso (lembrando que faço pesquisas, mas não sou especialista na área da Psicologia, ok?).
A aparência de bebês e crianças nos é agradável por uma característica evolutiva: a delicadeza e a inocência dos pequenos acabam por garantir que os protejamos.

As características evolutivas do ser humano, classificadas como “Esquema Bebê”, realçam características agradáveis aos adultos, o que garante a proteção; no caso dos pedófilos, estas mesmas características são deturpadas pela parafilia dos indivíduos

O pedófilo, todavia, vê nestas características puras algo de sensual. Uma interpretação reversa do convencional,que desperta nele desejos perigosos. Ao cruzar a barreira da interpretação das características infantis, o pedófilo se torna um potencial predador, quando deveria ser um protetor.

A idade limite para o crime de pedofilia, no Brasil, é de 14 anos, considerando-se acima disso qualquer criança como adolescente, embora tecnicamente isso ocorra aos 12 anos de idade.
O relacionamento com qualquer adolescente acima dos 14 anos ainda é moralmente errado, porém a lei não é tão clara com relação à relação sexual com um adulto, sendo a questão melhor explorada no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), que estabelece punições mais claras.

O Estatuto da Criança e do Adolescente regulamento melhor algumas lacunas no Código Penal

Porém o assunto aqui é a pedofilia, propriamente dita, mas entrei no assunto do limite para o crime justamente por considerar que o pedófilo não se interessa por adolescentes que já tenham entrado na puberdade, justamente por não possuírem mais estes traços de pureza que são o foco da parafilia.

Popularmente, chamamos de pedófilo qualquer um que se relacione com alguém menor de 18 anos, mas isto é um erro, dado que esse corruptor de menores não se assemelha àquele que tenha interesse em crianças.

Nobuhiro Watsuki, autor de Rurouni Kenshin, está entre os mangakás conhecidos por terem sido descobertos com pornografia infantil; ironicamente, ele foi apenas processado em 200 mil yens, mas não chegou a ficar preso

O caso de Pragmata nada possui de relação com pedofilia, e quem viu algo ali, tem sérios problemas morais (e talvez mentais).
Já alguns outros jogos e formas de arte, especialmente japonesas, podem esbarrar no tema, ainda que com certas camuflagens e áreas cinzentas de interpretação.

Falo, é claro, de personagens (especialmente femininas) que são desenhadas como crianças, mas retratadas como maiores de idade ou mesmo entidades com milhares de anos.
Uma bruxa poderosa, com 8 mil anos de idade, presa no corpo que parece ter 5 anos de idade…

Aharen-san wa Hakarenai, um anime com um romance entre dois protagonistas de 16 anos, mesmo que a menina pareça bem mais nova…

Essa prática é comum em personagens de mangás e animes, onde circulam inclusive alguns autores que já foram pegos com material de pornografia infantil. E o Japão, país do qual tanto gosto e aprecio a cultura, infelizmente possui um histórico complicado com a questão. Esse histórico, portanto, também esbarra com os jogos.

Contudo, nada disso importa.
Pragmata possui uma representação de uma criança pura (ainda que não humana), sem nenhuma conotação sexual.
Quanto ao assunto abordado no texto, se você o está lendo, significa que eu decidi de publicar, embora parte do meu instinto diga para deixar de lado.
Temas espinhosos são sempre problemáticos e podem trazer dores de cabeça desnecessárias.
E, claro, não custa ressaltar: pedofilia é crime!



P.S.: Para não deixar em branco, seguem duas recomendações de filmes sobre o assunto: O Lenhador, que mostra um pedófilo (Kevin Bacon) após cumprir a pena, tentando lidar com sentimentos conflitantes e se regenerar e A Caça, onde um professor de primário (Mads Mikkelsen) é injustamente acusado de pedofilia e precisa lidar com a comunidade local.

2 thoughts on “Pureza Corrompida”

  1. O problema não é escrever sobre isso, mas deixar de explicitar um problema grave, que macula disfarçadamente a nossa sociedade. Essas histórias de anime em que, dizem, personagens de tantos anos habitando corpos de 5 anos é um absurdo e um desrespeito à inteligência do público. É com essas que se vai formando jovens pedófilos.

    1. De fato, só dei uma passada por cima do assunto, ia pegar mais exemplos pra citar, mas a pesquisa do Google já estava ficando “carregada” com o assunto.
      O mais assustador é o histórico dos mangakás, o cara do Rurouni Kenshin não só ficou solto após pagamento da multa, como foi homenageado por outros mangakás, mais tarde, na própria Shonen Jump.

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