
* Esta análise foi feita com o código cedido pela Konami (versão PS4/PS5)
Distribuidora: Konami / Limited Run Games
Produtora: Limited Run Games / Konami
Plataforma: PS4 / PS5 / Switch / Xbox One / Xbox Series X e S
Mídia: Física (Limited Run Games) e Digital
Ano de Lançamento: 2024


Felix The Cat é o relançamento de ambos os jogos de plataforma, lançados para Nintendo 8 bits e Game Boy, onde Felix precisa resgatar sua namorada.
O Gato Félix é um personagem de desenhos animados (e posteriormente de quadrinhos), criado em 1919, ainda na era do cinema mudo, pela dupla Pat Sullivan (cartunista australiano) e Otto Messmer (animador americano), embora a autoria seja motivo de disputa.
O sucesso imediato nos cinemas só foi eclipsado pelo surgimento dos primeiros curtas de Mickey Mouse, no final da década de 20, já com som, em contraste ao gato preto sorridente. A princípio contrários ao som em suas animações, a dupla tentou a sorte com alguns curtas sonorizados de 1929 a 1936, sem sucesso.


Em 1953, já reformulado pelo animador Joe Oriolo, Felix estreou na TV americana. Esta é a versão conhecida atualmente, com pernas longas e cabeça mais arredondada, sem dente e bigodes, além de ter recebido a sua Bolsa Mágica, capaz de se transformar (e/ou armazenar) em qualquer coisa que o felino deseje. É também neste período que outros personagens são inseridos, como sua namorada e seus inimigos.
Atualmente Felix pertence à Dreamworks.

O título atual é a coletânea com os dois jogos homônimos, lançados para NES (Nintendo Entertainment System) em 1992, pela Hudson Soft e Game Boy, em 1993, pela Electro Brain.
Curiosamente, embora de produção japonesa, a versão de NES recebeu lançamentos apenas na América do Norte e Europa, sendo a versão “extra” japonesa contida no título, tecnicamente, seu primeiro lançamento oficial.


Felix recebe o telefonema de seu arqui-inimigo, o Professor, que sequestrou sua namorada (Kitty) e promete devolvê-la em troca da Bolsa Mágica do gato. Sua tarefa é se aventurar por vários “mundos” até encontrar e derrotar o Professor definitivamente.


Felix The Cat possui mecânicas simples e um plot básico, porém o jogo mostra-se bastante divertido devido à sua diversidade de veículos/poderes.
A versão de Game Boy possui alguns mundos a menos, mas é praticamente uma versão de bolso do seu irmão maior: você pula com Círculo (ou Quadrado), que também serve para voar e nadar/mergulhar e ataca com X; sim, esta configuração estranha de botões é permanente, então acostume-se pois não há opção para mudá-la!


Atacando inicialmente com uma luva de boxe, ao coletar cabeças você evolui a sua Bolsa Mágica, transformando não apenas os ataques, mas também os meios de locomoção do felino.
Há diversas transformações, dependendo se a fase se passa em terra, no ar ou na água. As transformações, entretanto, duram um tempo determinado, que pode ser acompanhado pelos corações na parte superior esquerda da tela; para se manter mais tempo na forma desejada, você deve coletar garrafas de leite, que surgem ao derrotar inimigos (enquanto na versão de NES você obtém três garrafas por vez, dada a limitação do portátil, no Game Boy apenas uma garrafa é gerada).



Dentre as formas obtidas por Felix estão uma cartola e bengala de mágico (que emite estrelas ao redor do personagem), um tanque de guerra, um planador um balão, um golfinho, uma tartaruga e um submarino com o formato da cabeça do personagem, entre algumas outras. As vidas extras são obtidas através da pontuação do personagem, que pode ser expandida entrando nas grandes Bolsas que estão escondidas pelos cenários, as quais possuem em seu interior pequenos estágios bônus com diversas cabeças para serem coletadas.


A estrutura de avanço das fases é linear, consistindo em algumas fases por mundo, até enfrentar o chefe em questão, entre uma galeria de vilões que incluem o próprio Professor (em mais de uma luta antes da final), o mecânico Mestre Cilindro, o cão Rock Bottom e uma cópia maligna de Felix (que aparece apenas na versão de NES e não parece possuir um equivalente nos desenhos animados).


Graficamente, Felix The Cat possui as limitações da época, sendo um port direto do original, em ambas as versões.
O jogo possui uma interessante paleta de cores (NES), talvez para contrastar melhor com o protagonista, que é preto e branco. Além daquele amarelo/laranja característico do NES, fundos verdes como na fase do Egito (com desenhos nas paredes internas das pirâmides) e um vermelho com rosa nas paisagens do último mundo compõem uma paleta de cores diferenciada, embora as fases marinhas possuam um azul mais natural ao ambiente. A versão de Game Boy, em contraparte, é em preto e branco, simulando variações de cores com os tons de cinza disponíveis ao portátil.


A trilha sonora é bastante animada, característica comum aos jogos de plataforma da época, com chiptune em looping rápido, na versão de NES. Embora o Game Boy possua menos mundos, a reprodução de áudio é bastante fiel à versão de console naqueles em que estão disponíveis.
A platina é direto ao ponto aqui: apenas conclua a campanha da versão NES e da versão Game Boy.
O jogo conta com o recurso de Rewind (L2) e save state (R2 pra abrir o menu, apenas um slot disponível), o que facilita o avanço.


RESUMO DA ÓPERA:
Felix The Cat é o relançamento dos jogos de plataforma, lançados originalmente para NES (1992) e Game Boy (1993).
Ao se aventurar para salvar Kitty, sua namorada raptada, das garrafas do maligno Professor, Felix enfrenta vários desafios e chefes, em fases curtas, mas bem desenvolvidas, seja por terra, ar ou mar (até mesmo embaixo dele).
A jogabilidade simples e agradável envelheceu bem, porém os ports possuem seus problemas das versões originais, sejam os glitchs gráficos de pixels piscando (erro comum aos jogos de NES) ou os slowdowns (constantes) na versão de Game Boy.
A arte, bem trabalhada para a época, apresenta personagens em bom tamanho na tela e fases com um bom grau de navegação, especialmente ao voar ou mergulhar. A trilha sonora em chiptune é gostosa de ouvir e gruda facilmente no cérebro; a versão de Game Boy ganha pontos aqui pela fidelidade, mesmo com as restrições de memória e processamento do portátil.
Uma experiência simples e divertida, Felix The Cat consegue evocar um sentimento de nostalgia mesmo naqueles que não tiveram contato com o jogo no passado, como foi no meu caso.
Um título que facilmente pode ser indicado para todas as idades e do qual já ouvi falar muito, graças ao meu amigo Glauco, que morava em Minas Gerais, agora já falecido. Demorou, mas eu finalmente joguei, e a sua indicação foi valiosa, mesmo que não esteja aqui para receber o agradecimento.

Nossa!! Clássico! Nostálgico!!
Parabéns Thiago! 👊🏽😉