* Esta análise foi feita com o código cedido pela Leonardo Interactive (versão PS4/PS5)

Distribuidora: Leonardo Interactive
Produtora: Invader Studios
Plataforma: PS4 / PS5 / Xbox One / Xbox Series S / Xbox Series X / Switch / PC
Mídia: Física e Digital
Ano de Lançamento: 2023

Daymare: 1994 Sandcastle é um jogo de survival horror, prequel de Daymare: 1998, onde controlamos Dalila Reyes, uma agente da H.A.D.E.S. em uma insólita missão na Área 51.

DESCIDA RUMO À LOUCURA

Sandcastle se passa quatro anos antes dos eventos de Daymare:1998.

Veterana da Guerra do Golfo, Dalila Reyes foi dispensada do exército após o conflito e recrutada como agente especializada em comunicações e eletrônicos da H.A.D.E.S. (Hexacore Advanced Division for Extraction and Search), embarcando na missão para recuperar informações de uma pesquisa na Área 51. Como colegas de missão estão presentes o Comandante Mark C. Foster e o Major Ivan Radek.

Reyes e Radek, uma relação de rivalidade ácida
O Comandante Foster passa as últimas informações à equipe


Após desastrosos eventos em Groom Lake (Área 51) que permanecem sem explicações, o Secretário de Defesa americano envia a equipe da H.A.D.E.S. para resgatar a maleta contendo as informações da pesquisa que resultou no incidente. A missão da H.A.D.E.S. serve para encobrir as possíveis descobertas do presidente americano, que enviou a Sessão Oito para investigar o local e descobrir o que aconteceu.

O D.I.D. permite a localização e comunicação direta entre seus portadores
O primeiro encontro com um Decoy


Antes do início da missão, Reyes entrega a Radek sua criação, o D.I.D. (Data Interchange Device), um computador portátil preso ao pulso do operador, capaz de armazenar dados e permitir a comunicação e a localização entre os membros que o possuem.

Decoys são os inimigos básicos do jogo, mas não menos ameaçadores
Um avião parcialmente fundido à base em um efeito colateral do experimento


Chegando ao local, o grupo tem um encontro com membros da Sessão Oito e acabam se separando.
Conforme desce nos níveis subterrâneos da instalação, Reyes se depara com criaturas capazes de se teleportar e reencarnar em corpos encontrados no local, além de estranhos acontecimentos que parecem ter alterado as leis da física na instalação.

EXPERIMENTO FILADÉLFIA

Ao adentrar as camadas mais baixas do complexo, a agente Reyes encontra partes de avião e outros objetos fundidos com as salas, em situações “impossíveis” fisicamente, resultantes de um desastre relacionado à pesquisa de invisibilidade e transporte de matéria que deu errado.

A Teoria do Campo Unificado, de Einstein, nunca foi comprovada, embora seja parte integral da conspiração do Projeto Filadélfia


Este incidente assemelha-se ao famoso Experimento Filadélfia (ou Project Rainbow), uma teoria da conspiração relatada pelo ex-marinheiro mercante americano, Carl M. Allen.
Em 1955, Allen afirmava ter presenciado o experimento (28 de outubro de 1943) sob o qual o destroyer USS-Eldridge teria ficado invisível aos olhos dos observadores por alguns minutos.

O USS-Eldridge fotografado em 1944


A teoria (posteriormente comprovada como farsa) falava sobre o Dr. Franklin Reno, um pesquisador que teria conseguido utilizar a teoria do campo unificado, descrita por Albert Einstein, de modo a curvar a luz em volta de um objeto, tornando-o invisível ao olho nu.

Corpos de cinco tripulantes teriam sido fundidos ao navio durante o último teste


Após vários testes, com o USS-Eldridge ficando parcialmente invisível, alguns tripulantes adoeceram. O próximo teste seria para a invisibilidade apenas nos radares, mas devido a uma má calibração dos equipamentos envolvidos, o navio desapareceu no teste final, tendo sido avistado em alto mar e novamente reaparecendo no local do teste.
Alguns tripulantes teriam adquirido sintomas de doença mental, outros sinais de esquizofrenia, alguns desapareceram e outros cinco foram fundidos ao metal do navio. O USS-Eldridge tinha sido acidentalmente teletransportado, causando danos irreparáveis aos tripulantes, fazendo com que a Marinha americana abandonasse o projeto.

COMBATENDO PESADELOS

Buscando a invisibilidade e o teletransporte, as pesquisas realizadas subterraneamente na Área 51, através do Abyss Scam Program, acabaram por afetar as cobaias do experimento, transformando-as em criaturas elétricas.

Os Decoys em vermelho não podem ser destruídos apenas com armas convencionais
Sparkers podem criar Decoys e matam a personagem imediatamente se a agarrarem


Ao serem mortas, algumas delas podem possuir novos corpos, através de orbes azuis ou vermelhas.
Os inimigos possuem capacidade de teleporte e alta velocidade de movimento em curtos períodos. Outros podem cuspir bolas de energia e os voadores podem produzir novas criaturas, liberando orbes para encarnar corpos próximos.
As duas armas disponíveis de Reyes, uma shotgun e uma uzi, possuem pouco efeito sobre as criaturas, especialmente as vermelhas, que são mais fortes. Elas podem ser melhoradas com partes extras encontradas e com skins.

A shotgun dá cabo de inimigos com a orbe azul, mas apenas interrompe orbe vermelha
O Frost Grip permite apagar pequenos incêndios


É aí que entra o Frost Grip, uma mochila que a agente encontra em um dos corpos, capaz de disparar ar congelante e tornar os inimigos mais vulneráveis. Ao congelá-los completamente, é possível quebrar seus corpos com um soco, ao consumo de energia da mochila, que recarrega aos poucos naturalmente (ou pode ser recarregada imediatamente com refis de combustível).
Outras funções vão sendo desbloqueadas para o Frost Grip ao acessar máquinas especiais (apenas um upgrade por vez), como Mina Congelante, Bomba, Escudo, entre outras.

Skins para armas desbloqueiam melhorias
O Frost Grip pode ser melhorado apenas em estações próprias: um upgrade por máquina


As criaturas bípedes podem agarrá-lo, consumindo parte de sua energia enquanto aperta X rapidamente para escapar. Após upgrade, é possível usar o R3 como um ataque pesado no chão, congelando parcialmente todos os inimigos ao redor, ao custo de uma boa parcela da carga do Frost Grip.

Ao apertar R2 próximo a um inimigo congelado, você o destrói com um soco
Claro que as armas também podem resolver o problema


O D.I.D. no pulso da agente também permite escanear objetos importantes para encontrar pistas do que ocorreu na área, arquivos de texto e áudio contando o destino das pesquisas e de alguns funcionários e cobaias.
Ao chegar em um local com objeto escaneável, um medidor em azul será mostrado na tela; ao equipar o scanner, segure L2 para mirar: o retículo circular irá concentrar-se conforme você se aproxima do alvo. Ao encontrá-lo, basta segurar R2 enquanto ele terminar o processo.

O scanner do D.I.D. em ação
Arquivos de texto e áudio podem ser escaneados


Afora os arquivos de áudio e vídeo, outro dos coletáveis são as estátuas de alienígenas, que devem ser destruídas. Semelhantes aos veados do primeiro jogo, estas figuras bubble head são pequenas e podem estar bem escondidas, mas emitem um som baixo conforme você se aproxima delas.

Os bubble heads aliens devem ser destruídos para entrarem na coleção
Hacks de dificuldades mais difíceis possuem dados corrompidos para atrapalhar


Armários e salas com itens especiais e recargas de munição possuem senhas que podem ser hackeadas com o uso de um cabo de anulação. Desta vez, porém, o cabo não é descartável, sendo utilizado durante todo o jogo.
O puzzle de hackeamento funciona com colunas e linhas que precisam ser movidas até que cada letra e número correspondente ocupe o lugar correto, dentro do tempo estipulado (você possui três chances).
Os hacks de maior dificuldade possuem dados corrompidos, que anulam o processo automaticamente se atingirem a linha com a senha correta.

Um clássico puzzle de labirinto com linhas que não podem se sobrepor para ligar os itens
Nada mais nostálgico que procurar cartões para abrir portas


Há outros puzzles para o avanço da trama, geralmente envolvendo ordens sequenciais e manipulação de diferentes camadas.
Os puzzles de Sandcastle são mais palatáveis e intuitivos que o do título anterior, sem confundir o jogador.

A BELEZA DO ABISMO

Um dos pontos altos do título é sua evolução gráfica considerável em relação a Daymare: 1998.
As texturas e modelagens ganharam um belo upgrade, embora os personagens ainda tenham expressões faciais estranhas em alguns momentos.

Algumas expressões artificiais ainda acontecem e… peraí, esse é o Foster ou…
O Marc Dacascos???


O trabalho de iluminação dá uma excelente ambientação nas profundezas da base, tornando alguns pontos tão escuros que realmente fica difícil enxergar, mesmo com a lanterna.
Alguns inimigos estão estrategicamente posicionados para assustar o jogador em esquinas e cantos de salas.

A iluminação e os ambientes claustrofóbicos dão uma ótima ambientação de terror
Ao destruir as orbes antes que elas entrem nos corpos, você reduz a quantidade de inimigos


A dublagem em inglês possui um elenco competente, desta vez com ao menos uma personagem mais amistosa, na voz de Tiana Camacho (Dalila Reyes) e o sarcástico Rikk Wolf (Ivan Radek).

A maleta da felicidade, que permite o save manual!
Pessoal pegou pesado na decoração de Halloween desse ano


A trilha sonora intercala momentos sutis e bastante atmosféricos com temas mais agitados, a depender da sessão em que o jogador se encontra. Destacam-se bons usos de teclado e sintetizadores.

PLATINANDO A ESCURIDÃO

Essa é uma platina relativamente difícil, dependendo bastante da habilidade do jogador e de como abordá-la.
Os troféus de coletáveis são os mais tranquilos, dada a linearidade do jogo e os avisos sonoros para scans e bubble heads: colete todos os documentos, todos os áudios, escaneie todos os objetos e colete todos os aliens.

Dannys Torrance, é você?


Afora os troféus relacionados à trama e específicos de números de morte por técnicas, o grande trabalho aparece com os troféus de finalizar o jogo sem morrer, obter o rank A, finalizar o jogo na dificuldade Hardcore e, o pior de todos, finalizar o jogo com rank S (o que só é possível obter ao finalizar na dificuldade Hardcore, em menos de 4 horas, sem morrer).
Algumas ajudas como munições infinitas podem ser desbloqueadas ao finalizar o jogo sem morrer, finalizar com rank A e finalizar no Hardcore, mas isto obviamente irá tomar mais tempo e runs do jogador.

RESUMO DA ÓPERA:
Daymare: 1994 Sandcastle
é um prequel do jogo Daymare: 1998, onde controlamos uma agente investigando acontecimentos na Área 51, enquanto confronta criaturas resultantes de um experimento mal sucedido.
O avanço tanto gráfico quanto em termos de jogabilidade é considerável; aqui, Reyes pode até ser lenta em algumas reações, mas os controles são mais fluidos que no título anterior.
O gráfico do jogo recebeu um upgrade considerável em termos de modelagem, texturas e um ótimo trabalho de luz e sombra. Apesar das melhorias, as expressões faciais dos personagens ainda apresentam um quê de estranhamento e, durante algumas cutscenes no início do jogo, algumas falhas foram percebidas.

A trama e os puzzles estão mais organizados, sendo de fácil entendimento, desta vez acompanhando apenas uma personagem.
Os ambientes fechados são palco de combates intensos com as criaturas elétricas que aparecem em pequenos números, mas se mostram bastante desafiadoras.
A introdução do Frost Grip dá uma ótima dinâmica de combate, com várias opções de congelamento.
Quatro anos após o lançamento do título original, os italianos do Invader Studios mostram uma melhoria sólida em seu segundo jogo, com um futuro promissor pela frente.
Daymare: 1994 Sandcastle é não apenas uma ótima continuação, como uma bela homenagem ao gênero do survival horror, em especial aos fãs da série Resident Evil.

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