
Seguindo a tradição de confundir com títulos que aparenta ser sobre determinado assunto, não, este não é um texto sobre dinheiro.
A platina é um metal nobre, considerado raro pela sua escassez na Terra, resistente a altas temperaturas.
Utilizada na área odontológica, nas joias, nos equipamentos laboratoriais e eletrônicos.
Apesar de suas qualidades “admiráveis”, a platina também é considerada um metal pesado, produzindo graves problemas de saúde ao contato com seus sais; quando presente em compostos, como a cisplatina, pode ser utilizada no tratamento quimioterápico.

A platina, porém, pode ser também maléfica nos games.
Não apenas a platina, mas os outros metais contidos nos troféus e, por extensão, também as conquistas (embora estas não possuam metais).
As conquistas surgiram no Xbox 360, como desafios adicionais ao jogador.
Enquanto algumas conquistas registram o progresso habitual da aventura, outras requerem esforços extras dos jogadores, e aqui começa o problema.
Posteriormente, os troféus surgiram no PS3.

Alguns jogadores não são afetados por conquistas e troféus, ignorando-os por completo.
Mas outros, incluindo-se aí o autor do texto, sofrem pela “necessidade de completude” que os troféus e conquistas trazem.

Recentemente eu joguei o game Tchia, baseado nas lendas da Nova Caledônia, um jogo bem divertido e relaxante.
Infelizmente o mesmo não se pode falar sobre a sua platina, um tanto quanto consumidora de tempo, pedindo um 100% entre todas as atividades do jogo, seja coletáveis espalhados pelo mapa (que não dá localizações exatas da protagonista), ganhar ouro em todos os desafios e catalogar todos os animais.
Uma platina que, ao fim do processo, tinha apagado uma parte da diversão fornecida pelo jogo (gerando a ideia desse texto).

Quem não se sente atraído por tais “periféricos”, questiona a utilidade de sua existência.
E pode não ser fácil admitir mas, de fato, não há um propósito final para troféus e conquistas.
Não há propósito também para jogar video game, é claro, e em nada para os niilistas, afinal, somos apenas macacos evoluídos em cima de uma esfera de rocha e água, flutuando no vazio do universo…

Entretanto, a existência de troféus e conquistas impele uma grande parcela dos jogadores a obtê-los.
Por um lado, pode-se dizer que tais desafios aumentam o tempo de vida dos jogos, o que é bom, especialmente nos casos dos títulos curtos.

Contudo, há de se perceber também o tempo gasto e “desperdiçado”, que poderia ser utilizado para jogar outros jogos ou exercer outras atividades.
Isso nos leva ao status de juízes do divertimento.
Vale à pena pegar troféus para se divertir, ou ignorá-los e se divertir com mais jogos? Se compramos um jogo e platinamos “mais rápido do que deveríamos”, estamos comprando jogos ou apenas troféus?

No frigir dos ovos (só pra mudar um pouco as expressões usadas em todos os textos), assim como Buda, o correto é escolher o caminho do meio.
Não tentar ir atrás de todas as platinas e 100% existentes, mas sim apenas daqueles que valham à pena.
Até porque, em muitos casos, a platina pode arruinar a diversão que o jogo trouxe…
