* Esta análise foi feita com o código cedido pela Sometimes You (versão PS4/PS5)

Distribuidora: Sometimes You
Produtora: Creepy Brothers
Plataforma: PS4 / PS5 / Xbox One / Xbox Series S / Xbox Series X / Switch / PC / macOS / Linux
Mídia: Digital
Ano de Lançamento: 2023


Creepy Tale: Ingrid Penance é um point-and-click de terror onde acompanhamos a jornada da jovem Ingrid pelo inferno, enquanto busca pela redenção de seu comportamento.

Ingrid tinha apenas uma missão: levar pão para sua avó.
Mas contrariando Chapeuzinho Vermelho, Ingrid não tinha uma boa índole… o que acabou por levá-la ao inferno.

Ingrid estava se admirando no espelho quando foi interrompida pela mãe, que queria enviar pão para a avó
A soberba e o egoísmo da menina acabaram por chamar a atenção de um demônio, e ela foi tragada pela terra


Para retornar ao mundo dos vivos, ela terá de passar por uma cachoeira que admite apenas aqueles com mais boas ações do que pecados. Ao tentar atravessá-la inicialmente, Ingrid é marcada nas palmas das mãos: na mão esquerda os pecados e na mão direita as boas ações.

As decisões da garota ficam gravadas em suas mãos
A princípio, ela não parece intimidada pelas criaturas locais…


As decisões morais se dão através de escolhas representadas por um livro, onde segurar para rasgar a página para a esquerda representa uma atitude ruim, enquanto para a direita significa uma boa ação.
Outras decisões envolvem libertar ou não crianças aprisionadas, por exemplo.
Em geral as decisões ruins encurtam o caminho para a resolução dos problemas, mas impactarão negativamente em qual dos três finais você verá: bom, médio e ruim.

Grande parte das decisões é tomada através do livro
Mas boas ações, como resgatar crianças prisioneiras no sono, também contam


Os puzzles começam de maneira bem simples, mas por volta da metade da aventura, as resoluções se tornam mais complexas, com uma leve, porém acentuada, curva de dificuldade.
Você interage com os objetos usando X para manipular (símbolo de engrenagem), pegar (mãos) ou olhar (er… olhos, obviamente) e pode abrir o inventário com Triângulo. Não há combinação direta de itens, somente quando duas peças de uma engrenagem (por exemplo) precisam ser coladas, mas Ingrid executará a ação automaticamente no local indicado, tendo as duas partes já armazenadas.

O cursor indica o tipo de ação possível
É com as corujas que a dificuldade dos puzzles aumenta


Não há puzzles que envolvam tempo, embora a escala da mansão envolva um certo timming para o uso de alavancas.
É neste segmento, inclusive, que a mecânica de alternância entre personagens surge (e apenas neste capítulo), com Quadrado para escolher entre Ingrid e uma figura velha e levemente corcunda, torturada pela dor de dentes.

O ajudante temporário, que parece muito o Nosferatu, ajuda na escalada da mansão, operando alavancas
Os Molek estão por todo o inferno


Seus guias pelo inferno serão os Molek, pequenos demônios (Imp?) que não se diferenciam por nome.
Eles irão ajudar em algumas situações, embora teoricamente estejam disputando um “jogo” para que Ingrid permaneça no inferno.

Apenas um comerciante de seis braços…
Tentáculos de sombra atacam na escuridão


Os habitantes locais são seres humanoides esguios (beirando o cadavérico) e corujas antropomorfas (estas responsáveis por capturar os pesadelos de crianças adormecidas através de apanhadores de sonhos).
Há também alguns tentáculos de sombras e uma criatura invisível, que deve ser evitada pelo som.

O inferno pessoal de quem tem medo de dentistas
Preparado para extrair um dente à moda antiga?


O inferno, a propósito, não é aqui representado por um local com rios de lava, mas sim localidades decrépitas, cavernas e “entranhas”. Há também sessões que envolvem dentistas e brocas… alerta de odontofobia!

Uma viagem confusa entre portais
A “Tia” dentista, um pesadelo infantil recorrente


A trilha sonora, composta por Alexander Ahura, possui uma mescla entre temas mais “infantis e puros”, com a solidez sombria e o toque sutil do macabro, causando uma estranha sensação de perseguição.


A platina do título envolve diversas ações específicas por capítulos (que seriam spoilers), mas muitas delas englobam repetições e mortes.
Apesar de possuir três finais, apenas dois conferem troféus: o final bom e o intermediário, o que automaticamente exigirá duas runs completas.

Lembre-se que alguns troféus podem levá-lo ao final ruim…

RESUMO DA ÓPERA:
Creepy Tale: Ingrid Penance
(na verdade Creepy Tale 3, os jogos anteriores por outra distribuidora), é um point-and-click onde mergulhamos em uma aventura pelo inferno, onde a jovem e egoísta Ingrid precisa expiar seus pecados (como o título sugere).

Viajando pelo lago de sangue: ah, os bons e velhos contos europeus!


O jogo conta com um sistema moral que facilita as escolhas ruins e aumenta o tempo das decisões boas, mas que recompensa os pacientes e bondosos com o melhor final.
O estilo artístico encontra beleza no grotesco, com criaturas deformadas e paisagens “atípicas” (para dizer o mínimo), onde o inferno parece pessoal para Ingrid, enquanto mistura terror e frivolidade.
A trilha sonora faz um ótimo papel na ambientação, sempre desenhando uma linha tênue entre o sombrio e o inocente, característico dos contos europeus tradicionais.

Para quê esses olhos tão grandes, vovozinha?


Creepy Tale: Ingrid Penance é um point-and-click envolvente, com uma trama curiosa e altas doses de humor negro, inspirada em medos que condizem com a mente de uma criança.
Uma aventura repleta de puzzles criativos e situações inusitadas, onde uma menina malcriada irá aprender as consequências de suas ações enquanto vaga pelo inferno.

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