
* Esta análise foi feita com o código cedido pela Team17 (versão PS4/PS5)
Distribuidora: Team17
Produtora: The Game Kitchen
Plataforma: PS4 / PS5 / Xbox One / Xbox Series X / Xbox Series S / Switch / PC / Amazon Luna
Mídia: Física (apenas PlayStation e Switch) e Digital
Ano de Lançamento: 2023 (2024 a DLC Mea Culpa)



Blasphemous 2 é a continuação do metroidvania/souls-like 2D onde o Penitente precisa impedir o nascimento de uma nova criança d’O Milagre.
O REBENTO INDESEJADO
Após a derrota de Escribar e das Altas Vontades, a adoração ao Milagre perdeu forças, gerando uma era sem deuses ou a presença d’O Milagre.
Porém o sofrimento e a dor nunca foram completamente extirpados, levando os cidadãos da Cidade do Santo Nome a orarem por uma força maior que os livrasse dos males restantes.


Estas preces deram força ao Milagre, que criou um coração gigante no céu, para gerar uma nova criança. O Milagre ressuscitou a Arquiconfraria para proteger o coração, sendo liderada por Eviterno, o Primeiro Penitente e por seus “generais”, Orospina, Benedicta, Orón e Lesmes.


Deogracias, o narrador do Milagre no primeiro Blasphemous (cujo review você pode conferir aqui), guardou o caixão com o corpo do Penitente, até sua ressurreição. Ao escolher uma entre três armas disponíveis (a espada Mea Culpa não está mais disponível), o Penitente encontra Anunciada, que lhe revela ser sua missão coletar os Três Arrependimentos para poder acessar o Coração.

MEA CULPA
A espada Mea Culpa, como citado anteriormente, não está disponível no jogo base, mas sim na DLC homônima, devendo ser recuperada. Esta DLC é integrada ao jogo principal, sendo acessada inicialmente após derrotar os quatro membros da Arquiconfraria.


O Penitente recebe um aviso da alma de Crisanta, a Penitente outrora derrotada por Eviterno, para recuperar a espada Mea Culpa. A espada pode disparar energia acumulada nos inimigos, além de uma projeção astral que permite ao Penitente atravessar barreiras espinhosas.
Além de três lutas contra chefes, o DLC dá acesso a extensões de algumas áreas do mapa original e o Final C.


SUPLÍCIO E DEVOÇÃO
Blasphemous 2 é um metroidvania 2D com elementos de Souls, que segue a linha do primeiro jogo, mas desta vez com a escolha da arma principal no início do jogo: Ruego al Alba, uma espada de largo gume; Sarmiento e Centella, sabre e punhal combinados para rápidos combos; Veredicto, uma maça lenta, mas poderosa e com grande extensão de alcance.


Ao fazer sua escolha inicial, as outras duas armas serão encontradas em pontos mais avançados do jogo, conforme suas habilidades secundárias se tornem necessárias para progredir. Sarmiento e Centella, ao se chocar com espelhos de prata flutuantes, teleporta o protagonista através de grades e alturas maiores; Veredicto, ao bater em sinos, faz a ressonância solidificar temporariamente plataformas e apoios temporários de metal.


Além destas, habilidades especiais de combate estão disponíveis, como o Pacto de Sangue (R1 + quadrado para ativar) de Ruego al Alba, que recupera vida ao acertar inimigos ou a Ignição de Veredicto, que incendeia a maça, causando mais dano ao impacto contra inimigos.


O combate funciona com Quadrado para golpes e combos com as armas, R1 para parry, R2 para dash/esquiva (também serve para passar sob vãos pequenos), Círculo para Orações (Versos e Cânticos) e L1 para troca de armas. Triângulo é o botão para usar Frascos de Bile (a cura do jogo) e L2 é o botão interativo do cenário, enquanto X é o botão de pulo (obviamente), podendo ser combinado com o R2 para dash aéreo e algumas paredes interativas (também é possível agarrar-se nestas com L2).



Melhorias e desbloqueios de habilidades são realizados nos Prier Dieu, altares que servem para salvar o progresso do jogador, posteriormente também permitindo a troca de Benesses equipáveis e o teleporte entre Prier Dieu descobertos.



Complementando o arsenal, Orações podem ser utilizadas em Versos e Cânticos, diferentes magias e boosts que consomem parte da barra de Fervor. O Fervor é a mana do jogo, sendo recuperado conforme luta e podendo ser perdido parcialmente durante as mortes, ficando uma barra de Culpa ocupando parte do Fervor. Coletar o Fragmento de Culpa (no local da última morte) ou confessar para a Expiação da Culpa são as formas de reestabelecer o Fervor perdido, recuperando também a capacidade total de defesa. Entretanto, quanto maior a Culpa, maior as Lágrimas de Redenção e Pontos de Martírio obtidos.


As Benesses são imagens esculpidas pelo artista de Cidade do Santo Nome, equipáveis no Retábulo do personagem, com duplas que podem gerar boosts e poderes mais fortes, a depender das combinações obtidas.
PIETÀ INVERSA
O que já era belo na arte “profana” de Blasphemous, ficou ainda mais bonito no segundo título da franquia. O estilo artístico 2D está mais refinado, inclusive nos chefes gigantes, sem grandes pixelizações, como acontecia no jogo anterior. O designa da freira (Sor Cautiva del Silencio) na DLC Mea Culpa é um dos mais rebuscados da saga.


A fluidez de movimentos e a complexidade dos cenários também destacam-se, com o característico padrão blasfemo (como o título sugere), com imagens e inimigos que remetem a temas cristãos, porém com uma roupagem própria, como uma religião paralela. A arquitetura hispânica com toques mouriscos dá um charme especial à obra, onde o grotesco e o augusto caminham lado a lado.


A trilha sonora, comporta novamente por Carlos Viola, mais uma vez brilha com o uso da viola espanhola e temas sacros/clássicos. Um destaque para a excelente trilha da batalha contra Orospina (Súbita Caligrafía de Plata), em música flamenca que vai acelerando conforme a luta avança.
A dublagem faz um bom trabalho em inglês e também no espanhol, idioma de origem do estúdio. Apesar disso, com o PlayStation 5 setado para o português, o áudio em espanhol surgia apenas em algumas narrações, ficando em inglês no restante do tempo; cito a configuração do PS5, pois algumas vezes o idioma do console pode interferir em dublagens e/ou legendas.
A localização para o português nas legendas está muito bem feita, especialmente dado o texto rebuscado e a métrica da escrita.


SACRUM PLATINUM
A platina do jogo é trabalhosa, embora não tanto quanto a do primeiro título.
É necessário fazer os dois finais, revelar 100% do mapa, coletar todas as Orações, Benesses, Nós do Rosário (e desbloquear todos os slots), encontrar todos os Símbolos Escondidos, todas as irmãs (Cobijadas), libertar todos os irmãos de Proximo, matar 300 inimigos com cada arma, desbloquear todas as habilidades e fazer 100% no jogo. A dificuldade maior concentra-se nos troféus de matar um chefe sem receber dano (com exceção do primeiro chefe) e chegar ao Sentinela do Esmeril em menos de 30 minutos.


Já em Mea Culpa, os 100% são obtidos ao recuperar e obter o poder total da espada Mea Culpa, derrotar os chefes, relevar todas as novas áreas do mapa, coletar todos os itens e fazer o Final C (exclusivo da DLC).
RESUMO DA PEREGRINAÇÃO:

Blasphemous 2 retorna em grande estilo, com o renascimento do Penitente para salvar Cvstodia de um novo filho do Milagre. O clima de profanação está novamente no ar!
Desta vez o protagonista conta com 3 armas para avançar em seu calvário, além de diferentes Orações.
Dinâmicas entre si, as três armas servem a diferentes propósitos e habilidades, não apenas de combate, mas ajudando na progressão dos cenários.
Durante a jornada, entre os horrores e o desconhecido, personagens surgem com tarefas tão peculiares quanto o mundo onde se encontram: um casal de irmãos que nunca se encontram vivos no mesmo momento, um gigante que roubou o seio de uma mulher para amamentar uma criança e por aí vai…


Este estranhamento se mescla às criaturas inimigas que estão pelo caminho, como sacristãos putrefatos, bispos cuspidores de fogo, espíritos espadachins projetando-se de corpos mortos, padres e freis explosivos, quadros voadores, bruxas conjuradores de corujas espirituais, entre tantos outros.

Há um latente refinamento nas animações e no gráfico comparado ao título original, com paisagens belas e decrépitas (simultaneamente), realçadas pela primorosa trilha sonora, novamente composta por Carlos Viola, incorporando elementos do flamenco e do sacral.
A DLC Mea Culpa, que dá acesso à espada homônima (a arma do jogo anterior), é bem mesclada ao jogo base, tanto que você pode acabar acessando alguns de seus elementos sem ao menos perceber.
Um bom conteúdo adicional, com altos desafios, apesar da baixa quantidade de chefes (apenas 2, um que aparece em duas lutas diferentes).

Enquanto Blasphemous era um bom jogo, com algumas arestas a serem polidas, em Blasphemous 2 temos um diamante bem lapidado, mostrando o quanto o estúdio The Game Kitchen evoluiu em sua própria fórmula, aceitando e correspondendo bem ao feedback do público.
Uma obra de arte em 2D, Blasphemous 2 mergulha de cabeça em um mundo devastado pela fé tortuosa, onde os santos mais parecem demônios e um novo messias pode ser uma ameaça ainda maior…
