
“Como muitos mais indivíduos de cada espécie nascem do que podem sobreviver; e como, consequentemente, há uma luta recorrente e frequente pela existência, segue-se que qualquer ser, se variar de alguma forma ligeiramente positiva para si mesmo, sob as condições complexas e às vezes variáveis da vida, terá uma melhor chance de sobreviver e assim ser naturalmente selecionado. Do forte princípio da hereditariedade, qualquer variedade selecionada tenderá a propagar sua forma nova e modificada.”
O trecho acima, retirado de “A Origem das Espécies”, é a introdução ao livro de Charles Darwin, que dedicou seu estudo à origem da vida e à modificação evolutiva das espécies, após décadas de observação de animais e fósseis.

“Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças.” A frase, de autoria do professor Leon C. Megginson, refere-se à sua interpretação do livro de Darwin (e não ao próprio, como muitos confundem).
O homem é único animal capaz de alterar significativamente a natureza ao seu redor, ao ponto de interferir direta e indiretamente na evolução das outras espécies, levando muitas à extinção.
Mas tais raças também se adaptam às mudanças causadas pelo homem.

Enquanto uma parte da própria humanidade, em tempos mais modernos, tenta reparar e reduzir os estragos feitos na natureza, também ela se adapta à humanidade.
Espécies ameaças de extinção podem ser colocadas em cativeiro para uma tentativa de reprodução e, subsequentemente, repopulação, mas nem todos os animais são capazes de reproduzir-se em cativeiro.
O panda, por exemplo, é um animal de difícil reprodução em cativeiro, tendo uma taxa de apenas 10% de sucesso na reprodução, com 30% das fêmeas engravidando no processo e mais de 60% dos cativos sem demonstrar nenhum desejo sexual.
Para piorar a situação, os pandas costumam gerar 1 ou 2 filhotes por gestação, sendo que a mãe escolhe o filhote que aparenta mais força para cuidar (dada a natureza frágil da espécie), abandonando o outro para a morte.

Este texto, originalmente, não tinha um jogo ou franquia definido para fazer a associação com o mundo dos games, mas eis que a Sony lança Concord! E logo em seguida o “abandona para a morte”, assim como uma mãe panda.

Concord foi como um animal fadado à extinção, já em sua primeira apresentação.
Um hero shooter sem grande carisma, com personagens genéricos, classes confusas entre si e custando 40 dólares.
Os jogadores rapidamente perceberam que havia sérios problemas com o título, mas a Sony insistiu no lançamento simultâneo entre PS5 e PC, mesmo após os fraquíssimos números nos beta testes, inclusive com a mudança do beta fechado apenas para quem havia feito pré-venda (este número também bastante insignificante), sendo aberto.
O fracasso já nos beta testes mostrava o futuro do jogo e, mesmo com desenvolvedores doando chaves de acesso, não houve engajamento da comunidade ou interesse suficiente.

O estúdio Firewalk foi adquirido pela Sony, dado o súbito interesse que o protótipo do que seria Concord gerou na empresa.
Como era exatamente este protótipo, não sabemos, mas o jogo passou por extensos 8 anos de desenvolvimento, tempo no qual outros hero shooters surgiram no mercado, muitos morrendo no processo e muitos tornando-se free-to-play, incluindo o próprio Overwatch 2.
E enquanto tudo isto acontecia, a Firewalk continuava seu desenvolvimento, para o que seria um jogo pago e com altas expectativas dentro da Sony.

Em 23 de Agosto de 2024, o jogo foi lançado para PS5 e PC, tendo números patéticos de usuários online, tornando-se um dos maiores (se não o maior) flop da indústria.
Os beta testes, que já haviam fracassado em seu intuito de gerar hype, não foram suficientes para alertar a Sony sobre o fracasso iminente e retumbante que o jogo seria.

O caminho mais lógico parecia ser o jogo ir rapidamente para a PSN Plus, tentando assim movimentar um número um pouco maior de jogadores e, posteriormente, torná-lo um free-to-play. Isto, porém, não parecia ser suficiente para salvar tamanho flagelo em forma de jogo eletrônico.
Diante de tanto problema, a Sony resolveu desligar os aparelhos do pobre moribundo, desativando os servidores de Concord em 6 de Setembro de 2024, apenas duas semanas após o lançamento!

Enquanto isso, Concord é apenas uma lembrança ruim de um acidente telegrafado, que todo o mercado parece ter visto chegando, menos a própria Sony.
Teoricamente, o destino de Concord ainda está sendo decidido internamente, mas a julgar pelo que foi lançado, apenas refazendo o jogo do zero seria possível relançá-lo.
Um triste legado do que parece ser uma maldição na Sony, desde o tempo do PlayStation 2: nunca conseguir emplacar um FPS verdadeiramente bom (não adianta, Killzone fez sucesso e se manteve, mas nunca foi realmente impactante) e muito menos um jogo multiplayer que faça sucesso suficiente.

A evolução pode ser cruel, portanto, Sony, por favor, mantenha-se nos jogos single player, que é o que você sabe fazer.
Os jogos como serviço parecem fadados à extinção, especialmente quando não possuem nenhuma defesa contra concorrentes mais fortes…
