Arautos do Apocalipse

Toda trama precisa de um começo, um meio (ou desenvolvimento) e um fim.
E qual fim seria mais apoteótico (ou apocalíptico) do que o fim do mundo?

Uma temática tão velha quanto a humanidade, a escatologia* está presente em (praticamente) todas as mitologias, sagas e contos.
Um meteoro que atingirá o planeta? Uma guerra que destruirá tudo? A fúria dos deuses? Um cataclisma?

* A escatologia aqui refere-se ao termo teológico, relativo às doutrinas de extinção ou fim da raça. O termo escatológico referente às práticas sexuais é uma “corruptela” de escatofilia, que envolve excrementos…

Temor ou desejo?


Não importa qual seja o método, a humanidade teme e também adora a temática da extinção.
Seja o Ragnarok na mitologia escandinava, onde deuses, gigantes e monstros lutam até a ruína dos mundos ou a segunda vinda de Cristo, após o confronto entre o bem e o mal, pela Escatologia Cristã, o misto entre fascínio e desespero sempre permeou o imaginário humano.

Há, entretanto, duas vertentes diferentes, como citadas acima: uma onde o fim é apenas a destruição completa e outra onde o fim é um ciclo de renovação para um novo mundo.
Enquanto os povos tribais e/ou primitivos enxergam a extinção humana como o fim do próprio mundo, as religiões vigentes tendem a enxergar uma esperança em um novo Homem pós-período apocalíptico.

“O tempo é relativo!” – Albert Freeza sobre a destruição de Namekusei


Na doutrina do Arrebatamento, algumas vertentes cristãs acreditam que as pessoas boas e merecedoras do perdão divino ascenderão aos Céus antes do período de Tribulação, voltando junto de Jesus Cristo para um mundo renovado e livre do pecado.

Nesta vertente, aqueles que ficam na Terra passam pelo sofrimento decorrente do reino de Lúcifer e do fim dos recursos naturais, condenados à Danação Eterna ou vítimas de um Purgatório em Vida, uma última chance de Arrependimento, a depender da doutrina religiosa que advogam.

No Arrebatamento, se você subiu, está tranquilo. Se ficou…


Já na arte, especialmente nos jogos eletrônicos, o fim do mundo é algo a ser evitado e, portanto, passível de obtenção, contrariando o livre-arbítrio religioso, que é individual, mas onde o fim dos tempos é um caminho inevitável e já traçado por Deus (ou deuses).

Exemplo mais claro é a queda da Lua, em The Legend Of Zelda: Majora’s Mask, onde Link possui três dias para evitar que o satélite natural colida com Hyrule e extinga a vida completamente.

Um looping temporal de três dias antes do fim de Hyrule com a queda da Lua


As temáticas de Final Fantasy costumam girar em torno do fim do mundo pelo controle e/ou destruição dos cristais que canalizam a energia do universo em questão.
Indigo Prophecy baseia-se na profecia da Criança Índigo do título norte-americano, que entregará uma mensagem sobre o fim do mundo ligada aos maias; em Assassin’s Creed, o fim do mundo está ligado a um cataclisma, também previsto pelos maias, que ocorrerá em 2012 (durante os eventos de Assassin’s Creed 3).

Em 2012, Desmond Miles (lembra dele?) salva o mundo do cataclisma em Assassin’s Creed 3


Entretanto, muito mais comuns são os jogos pós-apocalípticos, onde a sociedade humana ruiu e os sobreviventes precisam lidar com a escassez de recursos e o perigo iminentes, como visto em The Last Of Us, Fallout e tantos outros.

No “fim” (trocadilho incidental), o fim do mundo/sociedade reflete um dos medos primordiais do ser humano, que aprendeu a temer a própria extinção, seja pela passagem de um cometa, por um eclipse ou mesmo profecias confusas de um médico francês (alô, Nostradamus!).
O fim está próximo? Sobre o mundo não sei, apenas sobre o fim deste texto.

Enquanto muitos tentam salvar o planeta…

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