Todos nós lembrados de quanto Hellblade: Senua Sacrifice chamou atenção pela sua produção indie com tons de AA, e quiçá AAA. Entretanto, além de um capricho notável, quem jogou o título se deparou com diversos outros aspectos como puzzle’s criativos, combates cadenciados e desafiantes e uma história, especial.
Sim, especial, digo isso porque a personagem do jogo, Senua, sofre de um transtorno mental que tem uma distorção da visão de realidade, aka: Psicose.
A psicose é um transtorno sem cura, porém com tratamento via auto controle, o jogo também possui endereços onde você pode entender um pouco mais disso através do link Mental Health Support | Senua’s Saga
O link em específico ajuda você em ter informações caso se sentir incomodado com algum dos diversos problemas que o jogo traz e lida com a psicose. Entretanto, há regiões específicas para tentar tirar informações.
Com o considerável sucesso do título anterior, Hellblade: Senua’s Sacrifice, desenvolvido pela Ninja Theory em 2017, voltamos ao esperado título dessa personagem que nos envolveu em sua forma de encarar as situações e mostrar ao mundo o que vê, e a forma que interpreta o seu ambiente.
O título também está disponível no serviço Game Pass da Microsoft desde o dia de seu lançamento.

Ninja Theory (site oficial)
Criamos arte que muda vidas com tecnologia que muda o jogo
Nossa filosofia é simples: criar experiências de jogo impactantes feitas por equipes pequenas e apaixonadas com tecnologia inovadora.Com sede na histórica cidade de Cambridge, com suas faculdades de arenito e barcos descendo o rio, é neste ambiente que produzimos todos os nossos títulos aclamados pela crítica, desde Hellblade: Senua’s Sacrifice, vencedor de vários BAFTA, até DmC: Devil May Cry e Bleeding Edge.
Hoje, como parte do Xbox Game Studios, nos esforçamos para cumprir nossa missão de criar arte transformadora com tecnologia revolucionária em nossos projetos em desenvolvimento de Senua’s Saga: Hellblade 2, Project MARA e The Insight Project.
Vamos então analisar e aprender o que a continuação nos trás?

Código fornecido para review através da nossa parceira Nuuvem, versão PC / Xbox Series
Review baseado na versão PC Windows Store / PC GamePass
Nome: Senua’s Saga – Hellblade II
Gênero: Action, Adventure, Psycho Thriller
Desenvolvedora: Ninja Theory
Distribuidora: Microsoft Game Studios
Plataformas: PC, Xbox Series S|X
Lançamento: 2024 (21 de maio)
Mídia: Apenas Digital
OBS: o jogo aceita o recurso de Play Anywhere, onde pode-se jogar no PC pela Windows Store / Xbox APP ou no console Xbox


Tela Título

História / Enredo


Após o primeiro jogo, onde Senua nos foi apresentada como uma personagem com diversos traumas de sua vida e também da invasão viking, indo até os confins de Helheim com o objetivo de salvar a alma de seu eterno amor Dilion.
Para quem não jogou o primeiro jogo, temos um breve resumo do que aconteceu em sua primeira aventura, podendo ser visto ao iniciar a história do segundo jogo ou através do menu “Extras”.
Caso queira ver antes de jogar, também é possível averiguar através do canal da Ninja Theory no YouTube:
Um novo destino, uma velha promessa…
Lidando com a dor de deixar a alma de Dilion descansar, e a promessa de tentar fazer com que seu povo não sofra mais com novos eventos, Senua se entrega a fim de investigar o motivo de seus conterrâneos serem levados por navios para se tornarem escravos, navios estes que tem como destino a Islândia.

Com uma forte tempestade, os navios sofrem náufrago e todos os ocupantes são espalhados pela costa. Senua, tendo suas Fúrias retornando na sua mente, acorda submersa e reage tentando sobreviver e subir até a superfície, chegando à costa.

Enfrentando novamente suas Fúrias, que estão cada vez mais fortes e altas na sua mente, Senua deve lidar com uma nova perspectiva de destino e reconhecimento de si, assim como continuar lutando com a grande alucinação de seu pai, a Sombra.
Nesse cenário desolador e sozinha, Senua parte em um novo conto de sua saga, a fim de descobrir o motivo da escravidão do povo de sua terra natal e talvez, conhecer uma nova perspectiva de sua visão pelo mundo, com novas possibilidades e auto conhecimento.
Gráficos



Hellblade 2 usa gráficos com a Unreal Engine 5, e devemos assumir o quão belo é este jogo, com modelagens incrivelmente detalhadas e uma total fidelidade aos atores que usaram sua imagem para interpretar os personagens.
Com belos efeitos de iluminação e imersão do mundo, vemos um jogo com uma paleta de cores bem rica e diversificada com os elementos de ambientação, assim como coloridos demais para lugares bonitos e com luz solar, ou com escuridão e cores opacas para ambientes sombrios e tristes.
Com isso, temos alguns cuidados para os jogadores sensíveis a epilepsia, em alguns momentos de brilhos intensos das batalhas ou dos próprios eventos da narrativa.
O jogo conta com uma direção de arte focada em uma espécie de experimentação cinematográfica, com as famosas tarjas pretas em design de exibição wide para a exibição de jogo, através da escolha feita pelos próprios desenvolvedores.
Som / OST
Assim como o primeiro jogo, temos uma ambientação sonora excepcional para a continuação, sendo recomendado jogar de fones de ouvido para uma melhor ambientação e experiência com a tecnologia binaural 3D.
A intérprete de Senua se mantém com Melina Juergens, Thórgestr com Chris O’Reilly, Fargrimr com Gudmundur Thorvaldsson e Ástríðr com Aldís Amah Hamilton, além do retorno de Helen Goalen e Abbi Greenland como as Fúrias na mente de Senua.
A trilha sonora tem participação da banda de música folk Heilung, assim como a composição de toda a trilha sonora feita pelos participantes da banda, o compositor do primeiro jogo e também diretor de áudio da Ninja Theory, David Garcia Diaz, também trabalhou nas músicas.
O tema cantado do jogo, “Animal Soul”, é interpretado pela artista Aurora.
Jogabilidade
É possível jogar com as opções de entrada com teclado + mouse ou usando o controle de Xbox, seja qual for sua opção, também é totalmente personalizável o mapeamento dos botões, ficando a critério de cada jogador a forma que quiser jogar.


Sistema de Jogo
Senua deverá percorrer seu destino através de níveis divididos em capítulos, dividindo esses capítulos em partes de seções em cada um deles. Não há um mundo aberto, sendo totalmente linear.
Uma guerreira buscando cumprir sua promessa…
Da mesma forma que o jogo anterior, controlaremos Senua na perspectiva de 3ª pessoa, através da visão traseira de seu corpo.


Senua poderá explorar os níveis através de corrida, ou velocidade mais cautelosa, lugares que são demarcados com manchas brancas, sinalizando a possibilidade de interatividade através de escaladas ou subidas / descidas.
Caso você explore e não perceba onde ir, em alguns casos, as Furies, irão indicar as possíveis interações que Senua pode ter.

As falas das Furies são indicadas na parte inferior das tarjas, entre os lados esquerdo e direito, assim como a indicação do áudio nos fones para a melhor percepção e imersão delas.
Um mundo visto de forma diferente…
Novamente teremos alguns puzzles em que Senua irá assimilar o mundo de outra forma, seja através de símbolos ou figuras que iremos encontrar. Parte desses puzzles são baseados em símbolos durante eventos específicos da mente de Senua.

Assim como no primeiro jogo, voltamos com os puzzles de encontrar símbolos através da perspectiva de visão de Senua, onde ela precisa usar o seu foco para assimilar e memorizar o símbolo.

As partes estarão destacadas com alguma cor enquanto o cenário ficará mais escuro, encontrar a perspectiva correta pra formar o símbolo através do foco novamente, irá resolver o enigma.
Já em alguns casos, teremos símbolos mais complexos, onde serão divididos em partes para que Senua tente assimilar a imagem e as figuras, sendo destacado quando ela usar o foco para sua assimilação.

Nesses casos, você deverá achar cada uma das partes do enigma em diferentes pontos do cenário em suas respectivas perspectivas.
Outro tipo de puzzle também fará parte dessa sequência, onde Senua poderá trocar os planos do mundo e alternar para chegar em pontos chaves para resolve-los, mas esse não irei mostrar imagens para deixar que vocês entendam na hora de jogar.
A fúria através da lâmina…
Os combates do segundo jogo mantém o mesmo estilo do jogo anterior, com opções de ataques leves e fortes para Senua, que poderá aplicar combos simples e efetivos.

Como defesa, você pode defender / aparar os ataques.
Senua também pode fazer evasão dos ataques inimigos, seja dando passos curtos em desvios mais ágeis, ou fazendo rolamento no chão para tentar tomar uma postura de contra-ataque enquanto o inimigo faz investidas, por exemplo.


As finalizações continuam brutais e violentas, mas ocorrem de forma progressiva da cena pós batalha, ou seja, scriptada.

Em determinado ponto do jogo, Senua irá recuperar o seu espelho, usado no jogo anterior para ativar um foco mais forte durante as batalhas e que irão causar mais agilidade em ataque, além de deixar o mundo em ritmo mais lento.


O espelho irá preencher suas bordas até ter o brilho, indicando a possiblidade de usa-lo apertando o botão de Foco.

Os inimigos por sua vez também possuem alguns aspectos parecidos com os de Senua, seja pela própria evasão ou ataques em combos sequenciais, além de poder deferir os ataques, sendo necessário quebrar a postura deles com um ataque mais forte.



As batalhas podem ter uma sequência de inimigos, que geralmente é interligada em uma cena de finalização ou com a invasão de outro inimigo.

Pedras da Sabedoria e Caminhos Ocultos
Druth, o velho estudioso irlandês, retorna com seu conhecimento para auxiliar Senua em sua jornada, novamente narrando os contos do mundo nórdico, através dos pilares com as runas que Senua pode encontrar no jogo.

Em outro aspecto, temos também os rostos ocultos nos cenário, que ao manter o foco neles irá revelar passagens secretas, através do olhar diferenciado de Senua pelo mundo.

Tanto as Pedras da Sabedoria, quanto os Rostos Ocultos, irão enriquecer o aspecto de lore do jogo, e que de certa forma concedem um pouco mais de contexto na jornada de Senua, assim como era no primeiro jogo.
Conquistas

Dificuldade: 1/10
As conquistas do jogo são simples de se completar, uma vez que exigem, de forma resumida, que você termine o jogo, ache todas as pedras da sabedoria e caminhos ocultos, além de usar o modo fotografia uma vez e mudar o ponto de vista com outro narrador do jogo.
Considerações Finais
Graficamente temos um jogo impecável, em diversos aspectos.
A modelagem e direção de arte impostas aqui dão uma grande imersão cinematográfica, com ângulos de câmera e sequências de cenas que mostram o incrível poder da Unreal Engine 5, principalmente na fidelidade do rosto dos atores que usaram sua imagem para interpretar os personagens, algo que pode ser notado enquanto joga e vê os vídeos postados ali no elenco.
A ambientação do cenário e a variação de tons de cores deixa o mundo nórdico bem caracterizado, mesmo com a adição de blur em alguns deslocamentos de câmera, não chega à ser um exagero, sendo focado de forma detalhada quando o cenário fica mais estático.

A performance de atuação dos personagens, assim como suas conversas são satisfatórias, percebemos a aflição de Senua enquanto lida com as diversas situações que irá passar e interagir com outros seres no decorrer do jogo. A trilha sonora, obviamente destinada ao folk, possui uma presença mais discreta em sua grande maioria e mais presente em específicas sequências de ação do jogo, o que pode tornar despercebida pela grande maioria dos jogadores.
Outro aspecto de destaque é a dublagem das Fúrias na mente de Senua, onde continuam dando uma excelente imersão ao efeito 3D do áudio.
A jogabilidade se mantém satisfatória, Senua aplica seus combos e reações de forma precisa.
A evasão alternada aumenta a janela de espera para contra-atacar os inimigos que estão de certa forma mais equilibrados entre agressividade e defesa.
Entretanto, apesar do equilíbrio da IA, temos um jogo com dificuldade baixa, onde vemos um sistema de combate nerfado, comparado ao primeiro jogo. Como dito antes, os inimigos são enfrentados um por vez, através de sequências animadas que irão traze-los para a batalha de forma transitória. Com isso, não temos mais aquele aspecto instigante das Fúrias auxiliando Senua na batalha, como era no jogo anterior, onde enfrentávamos 2 ou 3 inimigos e elas diziam “atrás de você”, alertando o jogador das ameaças ao seu redor. Isso eu particularmente achei um ponto fraco das batalhas, apesar de as vozes serem extremamente mais ativas no segundo jogo, talvez pudesse ter sido mais explorado se mantivessem o mesmo esquema anterior.
Ainda na dificuldade, também posso citar que os puzzles e enigmas são mais fáceis que o primeiro (ah, como esquecer a parte do Labirinto em Senua’s Sacrifice), as soluções são mais rápidas e os puzzles são bem simples e intuitivos, principalmente os de achar os enigmas de símbolos.
A duração do jogo fica em torno de 6 à 7 horas, variando entre coletar tudo e terminar a história, caso deixe algum coletável para trás, é possível selecionar o capítulo e a parte específica de cada um, além de ter seu informativo com quantos coletáveis restaram.
A performance do jogo se tornou impecável, rodando em 60fps na versão PC, diferenciando assim da versão console que roda em 30fps, pelo que foi repassado. As tarjas pretas, apesar de ser possível retirar no PC através de modificação, não acredito que incomode tanto, dada à experiência cinematográfica que o jogo quer passar.
Porém o jogo possui um breve bug se estiver rodando a versão PC através da versão Windows Store / PC GamePass, onde caso a Steam estiver aberta de forma minimizada e você preferir jogar no controle, pode lidar com um problema de seu analógico esquerdo agir de forma dupla como movimentação e câmera ao mesmo tempo:

Caso isso ocorra, apenas feche a sua Steam e reinicie o jogo.
Conclusão
Não devemos negar que Senua’s Saga: Hellblade II foi muito esperado e criado um certo hype/expectativas em como seria essa nova aventura de Senua, eu inclusive sou obrigado à dizer que fui um destes que aguardaram imensamente esse jogo.
Com isso, devo frisar que a experiência trazida para mim foi uma nova perspectiva de rumo para a Microsoft, onde claramente está focando em jogos com uma narrativa mais concentrada e profunda, já que ao terminar o jogo temos diversas teorias possíveis e que exigem um determinado aprofundamento do lore para tentar interpretar o que ocorre.
O jogo possui setpieces razoáveis, porém em alguns pontos, exagerados em puzzles.
Sim, temos batalhas com chefes em alguns momentos e temos batalhas que tem sequências bem interessantes, porém são poucas, e quando digo poucas, é exatamente isso.
Alguns pontos de exploração se tornam extensos, apesar da inovação e apresentação em novos elementos (como inversão de planos do ambiente), nota-se que o jogo foca grande parte na exploração e puzzles.
Diferente do que me fez gostar bastante do primeiro, o grande equilíbrio entre ação e puzzles, e senhores, esse foi um dos principais motivos de eu não colocar o selo de recomendação do site, porque era a minha intenção, até então…
De qualquer forma, você deve encarar o jogo como uma simples continuação focada em aspecto cinematográfico com uma narrativa profunda e psicológico, sem grandes inovações em sua jogabilidade e mecânica, porém com uma nova experiência de estilo de jogo para a Microsoft…
Em outras palavras, é um jogo que merece ser apreciado, seja de forma por assinatura de serviço ou por uma experiência que tenta trazer a imersão da psicose através da visão de uma personagem que, querendo ou não, se tornou ícone do assunto…
Caso queira saber um pouco mais sobre a forma que a Psicose de Senua foi encarada na franquia, confira o vídeo abaixo.
E você, pronto pra encarnar Senua e ter as Furias na sua mente com o objetivo de traçar um novo destino para o povo nórdico?????

