
A ideia de criar essa coluna era falar sobre assuntos variados, como filosofia, psicologia e história, sempre relacionados aos jogos, além dos comportamentos de jogadores e padrões da indústria.
Eventualmente, conforme surgissem polêmicas e/ou problemas da indústria, também expô-los aqui.

Infelizmente, parece que de 2024 para cá, mais e mais problemas surgem com uma frequência assustadora.
2025 foi um ano muito complicado para a indústria de jogos como um todo.
Claro que não tivemos apenas notícias ruins, aconteceram surpresas como Clair Obscur e o lançamento do tão aguardado (e adiado) Silksong.
Battlefield 6 voltou ao pódio depois de um jogo anterior que fracassou e após uma série de jogos duvidosos publicados pela EA.

Por outro lado, foram tantas polêmicas no ano que eu até desisti de escrever sobre todas, em parte porque algumas delas, como o caso da Microsoft, foram aumentando com o passar do tempo, que nem valia à pena acompanhar.
Mas estamos chegando ao fim de mais um ano e é hora de refletir sobre tudo que aconteceu nesse hobby que cada vez mais testa nossa paciência e nossas carteiras.
A maior polêmica, sem sombra de dúvidas, foi a sucessão de decisões questionáveis na Microsoft.
O que já parecia ruim com o fechamento de estúdios, como a Tango Gameworks (2024), foi superado por demissões em massa na empresa de Satya Nadella.

O aumento consecutivo de preços dos modelos Xbox, chegando ao ponto do Xbox Series S (modelo mais acessível) estar mais caro que o PlayStation 5.
Depois, o aumento do Game Pass, até então o carro-chefe da marca e que ajudava a manter o console significativo, mesmo com uma base instalada claramente menor que os concorrentes.
Aumento este que chegou a 100% em alguns países, matando de vez a vontade do público em continuar assinando (ainda que, considerando a quantidade de jogos, o preço é menor do que comprar tudo que sai lá).
Esse aumento do Game Pass (que parecia inevitável em algum momento), trouxe consigo também uma mudança na estrutura dos planos, com jogos da própria MS lançados no dia um apenas no plano mais caro, em especial Call Of Duty, que pode demorar mais de um ano para ser entregue.

Call Of Duty Black Ops 7 foi outro problema do ano, com uma campanha pra lá de estranha, sempre online, sem possibilidade de pausar, com “lobby” aberto para a possibilidade de ser jogado em até quatro pessoas.
Acontece que a campanha foi pensada para quatro jogadores, sem adaptação para um jogador: quer jogar single player? Terá que lidar com a quantidade de hordas inimigas para quatro pessoas, sendo que os personagens do esquadrão aparecem nas cutscenes, mas não controlados pela máquina, durante o combate.
Afora isto, o chat do single player ficou compartilhado com o online, ou seja, no meio de um combate, seus amigos podem surgir falando sobre assuntos aleatórios, atrapalhando a experiência da campanha… Bem, a trama também é uma bagunça, servindo de “melhores momentos” da saga Black Ops, com viagens psicodélicas e o retorno de personagens mortos, como Raúl Menéndez virtual, com direito a combate com chefes gigantes e facas imensas caindo do céu. O título também entrou em polêmicas envolvendo o uso de IA.

E falando sobre Inteligência Artificial, que agora vem sendo usada em vários títulos, ainda que mais disfarçada em alguns e escancarada em outras, ela é a nova queridinha dos acionistas, em especial aqueles que pretendem comprar a Electronic Arts.
É, a EA está para ser comprada por um consórcio formado pela empresa de investimentos de risco Silver Lake, pelo Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF) e pela Affinity Partners. A última, pertencendo ao genro de Donald Trump, recebe investimentos de fundos da Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos.

A Arábia Saudita vem se aproximando dos EUA com altos investimentos financeiros, além de que o príncipe-herdeiro, Mohammed bin Salman bin Abdulaziz Al Saud (que atua como Primeiro-Ministro), está em uma verdadeira campanha de marketing para melhorar a imagem do reino.
Entre festivais de comédia, música eletrônica, luta livre (WWE) e eventos esportivos (incluindo a Fórmula Um), o príncipe vende a imagem de um reino mais livre e moderno. Entretanto, essa fachada esconde um suposto reino autoritário e ditatorial, com perseguição de dissidentes políticos e até assassinatos em outros países.

A SNK tem 96,18% de suas ações nas mãos da EGDC (Electronic Gaming Development Company), empresa do príncipe saudita, tendo saído da bolsa de valores sul-coreana (KOSDAQ), em 2022.
Tornando-se uma empresa de capital fechado (o mesmo que irá acontecer com a EA, até 2027), o controle da empresa está sob poder saudita, razão pela qual Cristiano Ronaldo e Salvatore Ganacci, estão em Fatal Fury: City Of The Wolves.

CR7 está atualmente no Al-Nassr, time que pertence ao Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita e o DJ Salvatore Ganacci já tocou em alguns eventos no país, tendo uma possível ligação próxima com o príncipe.
A compra da Electronic Arts seria, então, uma forma de expandir a imagem saudita de país progressista, além de diversificar os investimentos para além do petróleo, conforme o plano do país (Visão 2030).
Para finalizar, vamos falar da novela GTA 6, adiado para Novembro de 2026. O jogo já conta com uma série de adiamentos e até dois vazamentos de informações e imagens, tornando-se “o novo Silksong”.

Junto com essa nova data, vieram protestos de uma série de funcionários e ex-funcionários da Rockstar, pela demissão de aproximadamente 40 deles, sob a alegação de vazamento de informações via Discord. Porém, estes mesmos demitidos alegam que estavam tentando formar um sindicato.
E temos ainda o flop duplo de MindsEye e a compra massiva de DRAM pela OpenIA (40% global) que irá aumentar preços, mas acho que já chega de 2025 né?
Agora é aguardar o novo ano que logo se inicia e esperar pelos problemas vindouros…
