Review / Tutorial: Cotton Reboot

Antes de começar o review em si, vamos falar de um dos equipamentos que chamaram minha atenção quando criança, e que era um sonho de consumo para muitas pessoas.

X68000

O X68000 é um computador doméstico de quarta geração desenvolvido e fabricado pela Sharp Corporation, lançado apenas no Japão em 28 de março de 1987. Foi o segundo e último computador a ser lançado com a marca Sharp, sucedendo a série X1.

Apresentando um sistema operacional escrito por Hudson Soft chamado Human68k e agrupado com uma conversão do jogo de arcade de 1987 da Konami Gradius como o jogo integrado no lançamento, o X68000 era muito semelhante às placas de sistema de arcade da época em termos de hardware e servia como o máquina de desenvolvimento para o sistema CP da Capcom. Muitos add-ons foram lançados incluindo rede, SCSI, upgrades de memória, melhorias de CPU e placas de E / S MIDI, entre outros que aumentaram o desempenho do sistema. Múltiplas revisões foram lançadas posteriormente, incluindo vários aprimoramentos em relação ao modelo original, com o último modelo sendo lançado em 1993 antes de ser oficialmente descontinuado no mercado, embora jogos para a plataforma continuassem sendo criados. Os jogos também foram distribuídos através das máquinas de venda automática de software Takeru, que permitiam aos usuários escrever títulos comerciais ou dōjin soft em disquetes de 5,25 “vazios. Originalmente lançado por JP ¥ 369.000, os modelos posteriores foram vendidos por preços consideravelmente mais baixos. Não se sabe como muitas unidades X68000 foram vendidas no total durante sua vida comercial.

Lembro de ser pequeno quando ainda falavam dos computadores Sharp X68000 e dos jogos lançados para ele, sendo um equipamento lançado no Japão e que com certeza era um sonho distante de ter um. Hoje temos métodos alternativos para a possibilidade de mexer nesses sistemas.

Como dito antes, os jogos remetem muito ao antigo PC Engine / Turbo Grafx em seus gráficos, algo que na época já era surpreendente depois de passar por chips CGA e EGA nos PC’s ocidentais…

O reforço de um sub-gênero

Com isso, vamos ao jogo em questão: Cotton Fantastic Night Dreams – foi desenvolvido pela Success e originalmente lançado para Arcades japoneses em 1991, publicado pela Sega para o Sega System 16, e posteriormente em diversas plataformas. O jogo teve atenção pela sua arte desenhada a mão, algo impressionante e incomum na época, trabalho realizado por Hideki Tamura.
O visual colorido e com personagens de anime fofos, faz o público japonês ter uma recepção excelente, e ter diversos ports, fortalecendo o subgênero “cute’em up”.

Cover da versão PC Engine

Em fevereiro de 1993 foi portado para Turbo Grafx pela Hudson Soft, porém na versão CD-ROM, o jogo tem uma resolução menor e uma paleta de cores modificada, com um áudio de qualidade de CD.
A versão japonesa do jogo conta com dublagem de Tarako Isono, cujo trabalhou Danganronpa V3 (Monokuma), Super Robot Taisen (Chiru, Hebimetako) e Zero Escape: Virtue’s Last Reward (Zero III).

Sucesso foi tanto que foi lançado posteriormente nos Estados Unidos para o PC Engine pela Turbo Technologies Inc. em abril de 1993.

Entretanto, a versão de X68000 foi lançada no mesmo ano em setembro, com melhorias e modificações comparada com a versão arcade, ficando apenas no Japão pela Eletronic Arts Victor.

Claro que há outras versões como Neo Geo Pocket, Playstation e Mobile, mas vou deixar de fora do texto porque já citei as versões que eu achei oportunas para o texto.

Em 2019 foi anunciado Cotton Reboot pra PC, Nintendo Switch e Playstation 4 no Japão através da BEEP, esta versão é uma reimaginação da versão original com aplicação de formato 16:9.
Por sua vez, foi anunciado a localização e lançamento para o ocidente, através da ININ Games, em forma física e digital para os consoles (deixarei os links para compra, não se preocupem).

Dito isso, vamos para o review da versão Reboot!!!

Código cedido para review pela ININ Games, versão Playstation 4

Nome: Cotton – Fantastic Night Dreams –
Gênero: Shoot’em Up (Subgênero: Cute’em up)
Desenvolvedora: Success
Distribuidora: Beep (Japão) / ININ Games (ocidente)
Plataforma: Playstation 4, Nintendo Switch
Lançamento: 2021 (20 de julho versão ocidental) / 2019
Mídia: Física e Digital

Links para compras das Versões Físicas:

Por algum motivo, o link do PS4 não foi embutido, mas clique no link do NS e escolha Playstation 4.

Tela Título

História / Enredo

Um dia, o mundo teve os prismas de luz dominados pela escuridão
As pessoas acabaram vivendo com a incerteza se um dia viriam a luz do dia novamente

Entretanto, neste mundo há alguém chamado Nata de Cotton que está totalmente despreocupada com essa escuridão, e alguém que por sinal ama muito o doce chamado WILLOW

Eis que Silk, uma fada com olhar de desespero clama por sua ajuda
“Por favor, nosso mundo foi conquistado por demônios da escuridão, derrote este mal e salve o mundo”

Cotton, sem dar muitas palavras, simplesmente se retira…
Eis que Silk faz uma oferta, dizendo que o WILLOW mais famoso será o prêmio de agradecimento…

Sem mais delongas, assim começa a batalha de Cotton e Silk contra o mal…

Gráficos

O Reboot de Cotton conta uma remodelagem gráfica, com efeitos de luz intensas, paleta de cores bem rica e forte. A modelagem é em pixelart, mas o cenário com texturas suaves em 3D e arte desenhada em efeitos sutis.
Pessoas frágeis à epilepsia devem ter cuidado ao jogar o jogo.

Som / OST

A trilha sonora original do jogo foi totalmente rearranjada, sendo exatamente as mesmas músicas, com um toque mais atual, sendo sua concepção o gênero de eurodance, chiptunes e rock, tendo participações dos estúdios SUCCESS, CAVE e SUPERSWEEP.
A voz de Cotton no Reboot é feita pela Nami Miyaki ea de Silk por Kaede Horikawa.

Para sua apreciação, o canal Pcah disponibilizou a OST no YT:

Jogabilidade

A jogabilidade do jogo foi repensada, com alguns recursos adicionais que veremos no decorrer do review / tutorial, tendo mais botões de ação (no original eram apenas 2 botões, e no reboot são 3).

Sistema de Jogo

Cotton é um SHMUP em rolagem horizontal / lateral, fazendo parte do sub gênero Cute’em Up.

Cute’em Up

Subgênero do Shoot’em Up, suas caracterísicas envolvem paletas de cores fortes e ricas, onde seus personagens tem um visual “fofo” e carismático, inimigos podem ter a mesma característica, mas em sua maioria são personagens de design estranho / bizarro e que não condiz em nada com o universo e propósito do jogo.
Exemplos de Cute’em Up: Parodius, Twinbee, Fantasy Zone, Twinkle Star Sprites, entre outros…

Sua dificuldade é acessível para qualquer tipo de público, podendo ser um jogo fácil – moderado baixo ou se tornar um pesadelo e um pseudo bullet hell.

Na versão REBOOT, nos foi presenteada a versão de X68000 para jogar (entenderam o motivo de eu ter apresentado o aparelho pra vocês???) e a versão totalmente refeita denominada arranged version
Para melhor lidar com o tutorial do jogo, pensei em falar isoladamente do arranged e citar as diferenças da X68000, ok???

Em busca de Willow’s em geração recente…

Cotton tem ataques base em tiros e bombas:

Diferente dos jogos antigos como Salamander e Gradius onde você tinha botões diferentes para bomba e disparos, tinha também a opção de usar um botão que misturasse ambos os tiros, Cotton já usa essa função em padrão.

Silk também tem seus disparos e auxilia na destruição dos alvos.

Com relação à poderes mais fortes, Cotton usa a magia para causar danos altos nos inimigos:

Mas claro, o sistema do jogo não é só isso, vamos aos detalhes:

O poder das jóias e cristais

Cristais podem aparecer quando inimigos forem derrotados:

Os cristais tem diversas funções, e praticamente parte do seu sucesso no jogo depende da forma que você usará eles, mas vamos por partes…

Primeiramente você notará que ao atirar nos cristais, seu tiro muda:

Mesmo com o seu tiro mudando, o impacto do seu disparo pode fazer com que os cristais troquem de cor:

Cada cor de cristal pode lhe conceder os seguintes power-ups:
Amarelo / Laranja – lhe darão experiência, e melhoria nos seus disparos, sendo identificada pela barra inferior central, sendo o seu máximo LEVEL 13.

OBS: laranja dará mais XP que o amarelo, porém ao morrer sua barra diminui um pouco, tendo de recuperar a experiência perdida.

Azul / Vermelho / Roxo / Verde – magias, darei detalhes a seguir…

Tom Escuro – bonificação de pontos, nesse estado ela não muda mais de cor, ou seja, se atirar demais ela perde sua magia e fica escura.

As Magias

No Reboot é possível usar 4 tipos diferentes de magias:

Azul – magia Lightning

Vermelho – magia Dragão de Fogo

Roxo – magia Bombardeiro

Verde – magia Invocação

OBS: o apertar o botão de magia e manter pressionado, elas poderão ter diferentes reações.

Agora perceba que no canto inferior direito as magias tem um nível.
Este nível é aumentado se coletar cristais da mesma cor de magia em estoque, aumentando seu dano e raio de efeito.

Red Dragon Level 3

Jewel Fever

No canto inferior esquerdo você notará uma joia verde com a porcentagem.
Essa barra é carregada usando magias ou disparos recorrentes dos cristais, quando você atirar neles. O Fever é usado para dar bônus na sua pontuação ou isolar os ataques inimigos.

Seu multiplicador vai de 64 à 1024.

Bombas e Fadas

Ainda no arsenal, haverão alguns itens que pode-se pegar seja em forma fllutuante ou pelos inimigos Jizos (vazos com um rosto).

Note que há uma joia azul entre o Jewel Fever e EXP, é o nível da sua bomba.
Ela sobe gradativamente com seus ataques nos inimigos, mas ao pegar as cápsulas dentro de potes de vidro, irão aumentar consideravelmente o poder da sua bomba, sendo indicado pelas joias azuis na tela, modificando sua quantidade e depois sua forma (até ficar uma joia grande).

As fadas nada mais são que seu reforço para a batalha, ou seja, seria a mesma coisa que os antigos “Options” de Gradius / Salamander, sendo possível ter até 6 fadas.

Entretanto, ao morrer e ter fadas adicionais (excluindo a Silk que já vem por padrão), elas irão aplicar o “Fairy Attack”, causando uma explosão e matando todos os inimigos da tela.

Mas nos chefes, o dano causa apenas uma cócega….

Diferenças da versão X68000

Como dito antes, a versão X68000 possui melhorias da versão original, o Reboot por sua vez possui melhorias da versão X68000, vamos então citas as diferenças:
Na versão X68000:

  • Os cristais não são flutuantes, eles caem para o fundo da tela
  • A penalidade para a perder EXP é maior, assim como conseguir subir o nível
  • Há apenas 2 magias: Lightning e Red Dragon
  • Atirar nos cristais não cria tiro diferencial, apenas mudam a cor dos cristais
  • Não há Jewel Fever
  • A barra de vida de chefes e subchefes não é mostrada

Extras

Ao terminar o jogo uma vez, é possível jogar com a Silk e deixar Cotton como reforço (mas ainda sim seus reforços adicionais serão fadas e não “bruxas” LOL).

Reboot ainda conta com o modo Time Attack que se consiste em um modo de 2 minutos e 5 minutos em uma arena com o máximo de pontos que conseguir fazer e ter sua posição em ranking mundial.

Troféus

Dificuldade : 2/10

Antes de publicar, fui platinar e pegar os 2 troféus que faltavam… 😛

Apesar de ser um conceito difícil, o jogo não exige muita habilidade para platinar, pois não exige dificuldade alta.
De forma resumida:

  • Vencer o jogo no modo arranged e X68000
  • Vencer o jogo com Cotton e Silk
  • Derrotar um chefe usando magia, fada e barreira (barreira – magia azul)
  • Atirar em um Jizo e destrui-lo
  • Destruir um cristal escuro
  • Fazer um inimigo especial aparecer
  • Completar um estágio com 6 mágicas em estoque
  • Coletar 6 magias iguais
  • Jewel Fever no máximo
  • Jogar os 2 modos de Time Attack
  • Fazer as 3 primeiras fases com NO MISS (não morrer)

Considerações Finais

Graficamente o jogo ficou excelente na minha percepção, a remodelagem e aplicação de formato 16:9 foi admirável, tendo em vista que a maioria dos jogos do gênero preferem usar interfaces com fundos falsos e a tela centralizada. A paleta de cores dá um toque mais vivo ao jogo, entretanto talvez devessem aplicar algum patch que adicione uma opção para diminur a intensidade das luzes e efeitos, deixando-os talvez mais transparentes.

A trilha sonora arranjada pros efeitos de som atuais dão uma cara nova e moderna para o jogo, sendo possível comparar com ambas as versões do jogo, além de deixar um estilo eclético para as fases, perante sua diversidade de gêneros musicais.

O desafio é o livre arbítrio do jogo, permitindo que cada perfil de jogador escolha como quiser lidar com o jogo. Desde o mais lento para reflexos, até o mais astuto em desviar de tiros, além do perfil competitivo de deixar a quantia de vidas no padrão para fazer ranking (se aumentar você não irá ter sua pontuação publicada no ranking mundial).
A duração é a mesma do jogo original (afinal é um reboot com toque de remaster), de bom tamanho, 7 fases sendo a última apenas a batalha final com todas as 6 fases anteriores tendo sub chefe e chefe.

A performance do jogo foi totalmente satisfatória, não havendo fechamentos repentinos e mantendo-se firme nos 60fps, independente da quantidade de inimigos, tiros e multiplicadores (LOL).

Resumindo, Cotton Reboot é uma excelente escolha para aqueles que não tiveram a oportunidade de jogar o original ou que não conheciam, tendo a experiência para a geração de consoles atuais (sim, oitava geração de consoles ainda é atual xD) com retoque de mecânica diferenciada (ARRANGED) para os jogadores mais modernos e genuína (X68000) para os jogadores mais saudosistas.
Deve fazer parte do seu curriculo gamer ou aguardar uma oportunidade para compra-lo, principalmente se for fã do gênero…

Ajude Cotton à ir atrás dos doces Willows e livrar o mundo do mal…