Pocket Bravery é um jogo indie brasileiro, lançado pelo estúdio Statera Studio e distribuído pela PQube e PixelHeart no ano de 2020 em desenvolvimento early access para PC. Tal qual seu reconhecimento no decorrer dos anos, agora foi lançado para os consoles de mesa, Playstation 4/5, Xbox One / Series S|X e Nintendo Switch.
Um dos envolvidos no projeto do Pocket Bravery é Jonathan Silva, responsável por Trajes Fatais e toda a campanha feita no jogo desse nome, com o desenvolvimento da Onanim Studio. Com o desfalque financeiro e tendo uma reputação prejudicada, Jonathan se desligou do projeto em 2020 e se uniu à Anderson Halfeld, criando então a Statera Studio.
Todos que gostam dos jogos de luta e apoiaram o projeto sabem toda a história, em que Jonathan explicou tudo nesse vídeo em seu canal, caso você ainda não saiba exatamente o que aconteceu, recomendo ver e ficar a par de tudo, tendo em vista que Pocket Bravery foi o fruto de toda essa história.
Com a fundação da Statera Studio, temos então um novo projeto em mente, que tinha o intuito de resgatar diversos elementos dos jogos de luta conhecidos, além de alguns easter eggs da cultura pop e geek em geral.
Sem mais delongas, vamos então analisar e ver o que esse título tão aguardado nos traz???

Código fornecido pela PQube para review, sendo baseado na versão Steam
Nome: Pocket Bravery
Gênero: Fighting Game / Luta / Arcade
Desenvolvedora: Statera Studio
Distribuidora: PQube / PixelHeart
Plataformas: PC, Nintendo Switch, Playstation 4/5, Xbox One / Series S|X
Lançamento: PC (2023, 31 de agosto), Consoles (2025, 10 de abril)
OBS: a versão Playstation 4 & 5 POSSUI crossbuy
Compatibilidade com Steamdeck: Jogável, o que significa que terá alguns detalhes que precisaram de atenção, como textos pequenos demais pra leitura ou a necessidade de teclado virtual para interação em alguns momentos.

Tela Título

História / Enredo
Assim como todo jogo de luta, o modo arcade oferece a história por diferentes perspectivas de cada personagem. Porém, o plot principal se encontra no modo História, que é a perspectiva que será considerada aqui.

Um estranho fenômeno chamado Ichor, tomou conta do mundo e poucas pessoas são capazes de senti-lo ou manifestá-lo…
Alguns conseguem desferir poderes energéticos pelas mãos, outros tonificarem seus músculos, enquanto outros transferem sua energia para objetos e armas. Ninguém consegue entender o porquê de tudo isso e tenta desvendar o mistério desse fenômeno.

Em meio desse distúrbio, um grupo terrorista chamado Matilha, rouba artefatos e relíquias antigas de inúmeras nações, levando o caos por onde passa. Nuno Alves um ex-membro da Matilha se opõe ao seu líder, Hector e acaba sendo punido brutalmente e lançado à própria sorte em um cativeiro chamado Canil.

Nesse lugar ele conhece um homem chamado Lobo com quem ele cria uma aliança e o treina, ensinando-o a usar a estranha força que tomou conta do mundo chamada Ichor. Nuno e Lobo conseguem fugir do cativeiro e planejam se vingar de Hector.

Nessa jornada eles conhecem Mingmei que é agente da organização Ghost Hat que visa parar o algoz de Nuno e nesse empreitada conhecem e se tornam amigos de Sebastian e Hadassa que possuem metas parecidas com a de Nuno, além do resto do elenco ao redor do mundo.
Gráficos


O jogo possui gráficos em pixelart, com detalhes em cenários e efeitos dos golpes, baseados nas diferentes tonalidades da paleta de cores. Os cenários são dinâmicos e alteram conforme os rounds, onde remetem aos jogos clássicos da SNK, como Fatal Fury / Garou Densetsu e King of Fighters.
A história é contada por cenas estáticas que irão se alterar conforme a narrativa, algumas em formato anime/HQ.


A modelagem dos personagens não possui uma suavidade e seu aspecto se encontra no formado SD / Superdeformed / Chibi, tendo sua resolução ao estilo retro, como referência ao Pocket Fighters e os jogos de Neo Geo Pocket. Em contraste à isso, os personagens possui frames detalhados de movimentação e coreografia dos golpes, assim como suas expressões durante as lutas.
A engine usada é a Unity.
Som / OST
A dublagem do jogo tem o idioma original em Português Brasileiro, nomes como Vii Zedek, Alice Monstrinho e Lia Mello, fazem parte do time de dubladores.
A dublagem do jogo é presente apenas nas batalhas, não sendo presente na narrativa do modo história.
A trilha sonora é composta por diversos artistas como Miura Jam, Franklin Lisboa, Angelo Ceccatto, Luan Lucas e João Paulo Oliveira, com arranjos em formato rock, temáticos e trance / dance.
A abertura tem o tema “Bravery in My Soul“, cantada por Rod Rossi, conhecido por também interpretar as músicas de animes no formato metal e rock, seu maior trabalho foi com Cavaleiros do Zodíaco: The Lost Canvas.
Jogabilidade

O jogo possui a função de 4 funções com 2 socos e 2 chutes, variando entre leve e pesado, remetendo ao esquema do Neo Geo / MVS, além de funções adicionais através da mistura desses botões.
É possível jogar com teclado ou controle, com a opção de remapeamento entre ambos os estilos.
A Pequena Bravura…
Como dito antes, o jogo possui um formato clássico de esquema dos jogos da SNK, que são 4 botões com 2 variações de socos e chutes. Os ataques podem ser misturados entre pequenas variações de combos básicos e que cada personagem.

Os ataques também incluem golpes especiais e super golpes.


Como previsto os Super Golpes usam a barra de Super Gauge no inferior da tela, e consome 1 barra inteira do estoque de 2, simbolizados pelos hexágonos no lado da barra.
A barra do lado do Super Gauge é a Elemental Gauge que tem funções mistas para ataque e defesa.
Em aspecto de ataque, a Elemental Gauge funciona como um aprimoramento de golpes especiais, ou seja, hits adicionais podem ser aplicados para continuar combos.


A aprimoração dos golpes custam ½ da Elemental Gauge, e pode ser aplicado em 2 formas seguidas para combos mais extensos, usando ambas as metades da barra.

A Elemental Gauge também funciona para executar os golpes mais fortes de cada personagem, como o chamado “Ataque Final“, onde é necessário ter 30% da barra de vida (ou entrar em estado de DANGER) e ter as 2 cargas de Elemental Gauge ativadas.


Em aspecto de defesa, a Elemental Gauge é usada para causar o Breaker que é a interrupção dos combos sofridos pelo inimigo ou até mesmo uma pressão sofrida em defesa para um contra-ataque de afastamento.

O Breaker usa ½ da barra da Elemental Gauge se estiver sob defesa em pressão, caso estiver apanhando, o custo aumenta para 1 carga completa da Elemental Gauge.
O sistema de cancelamento é efetivo, e pode ser aplicado com E. Cancel (Elemental Cancel) e S. Cancel (Super Cancel), porém os custos aumentam para que ambas as barras sejam canceladas.
No caso dos Elementais, o custo da barra Super Gauge e Elemental Gauge fica em ½ para cada barra.
No caso dos Supers, o custo da barra Super Gauge sobe para 1 barra e ½.
A barra de Stamina acima da sua barra de vida, é relativa à resistência de golpes sofridos, e que ocasiona STUN ao ser completamente preenchida. Nesse caso, o combo é considerado contínuo já que o inimigo estará sem reação e atordoado.

Já o Guard é simbolizado pelo escudo próximo do retrato dos personagens na HUD.
Golpes normais, especiais e supers causam o gasto desse escudo, a diferença é que apenas os normais não causam Chip Damage (dano em escala de 1:1 para cada hit defendido).
Caso defender demais, o personagem irá sofrer o Guard Breaker, ficando com a postura quebrada.

O jogo também é amigável para aqueles que preferem controles mais casuais.

Os personagens também possuem 4 aspectos de aprendizado.
Power – poder de ataque
Speed – velocidade de movimentação e combos
Range – alcance dos golpes
Difficulty – dificuldade de aprendizado do personagem
Recomendo pegar personagens que tenham os 3 primeiros atributos mais próximos, o que torna a dificuldade de aprendizado menos exigente e mais baixa, ajudando assim à entender toda a mecânica explicada aqui no review/tutorial.
As diferentes formas de Bravura…
O jogo possui diversos tipos de modo, que agregam conteúdo e grandes horas de replay value, aprendizado e aprofundamento…

O Modo História tem como objetivo mostrar o lado de Nuno e sua vingança contra Hector, líder do Canil. Possui pequenas batalhas adjacentes com personagens “figurantes” e com o Elenco do jogo, além de ter opções de escolha em alguns pontos.

O Modo Arcade é o clássico modo onde cada lutador trará seu ponto de vista da história, com finais que podem ser canônicos e fillers. Cada personagem irá viajar para o país de destino e enfrentar seu rival,

O Modo Versus são batalhas únicas contra amigos de forma local ou contra a CPU.
O Modo Online são batalhas em servidor do jogo, obviamente contra o mundo todo, com o sistema de Rollback.
Os Modos Extras são a cereja dos que jogam jogos de luta na época de fliperama / arcades indo até a modernização dos modos para aprofundamento. Os modos extras contam com Sobrevivência, Contra o Tempo, Desafios / Trial de Combos de cada personagem e o Busca Implacável.

Os Modos Tutorial e Treino trazem os aspectos básicos do jogo para serem aplicados de forma livre, respectivamente.
O modo Combo Factory permite que você crie combos e adapte conforme achar melhor com dedicação de timing e frames, seja com os combos já pré definidos nos desafios ou livres.

A Galeria traz as artes conceituais e promocionais do jogo.
A Loja permite gastar os pontos de batalha (BP) ganhos enquanto joga completando os modos para desbloquear novos conteúdos como os modos extras citados anteriormente, personagens, cenários e cores.

Troféus / Conquistas

Dificuldade: 8/10
Statera soube deixar um set de conquistas / troféus bem consistente e desafiador, exigindo habilidade e empenho dos jogadores em diversos aspectos. Alguns pontos são ocultos e com relação ao conteúdo do jogo de forma geral, mas não irei citar todas as conquistas aqui para não estragar as surpresas de conteúdo.
Porém, podemos dizer que você precisa terminar o modo história, o modo arcade com todos os personagens, vencer 10 rounds com perfect, terminar o arcade na dificuldade 8 e usar alguns recursos do sistema de luta por uma quantidade de vezes.
Considerações Finais e Conclusão
Graficamente vemos um jogo com a essência retro e que homenageia diversos outros títulos em vários aspectos, seja pela forma de design, quanto ao dinamismo que ele traz. Detalhes que podem parecer bobagem, mas que agregam uma imersão ao conteúdo do jogo, como apresentações de cada estágio antes da luta começar, os personagens se provocarem antes da luta, easter eggs aos montes com referências ao mundo geek e cultura pop em geral.


As referências visuais são diversas, seja pelo aspecto de sistema de jogo ou visuais enquanto assiste a história ou olha os cenários e seus “espectadores” durante a luta.
A trilha sonora baseada em rock diferentes estilos alternam o tom cultural e ritmo do jogo.
O elenco de dublagem ser em português, não é meu gosto pessoal em idioma para jogos de luta, mas obviamente por ser um jogo produzido no Brasil, é normal de se esperar isso, e devo concordar que é um trabalho satisfatório, já que o tom de dublagem muda conforme os golpes são aplicados ou evitados, assim como vemos em jogos da Arcsys.
Um fator que devo frisar é que talvez um potencial tenha sido perdido ao optarem não dublar o modo história, mas entendo que dada a grande quantidade de textos que o modo história traz, estivesse fora da possibilidade financeira do jogo deixar a dublagem totalmente dedicada na narrativa.

Os controles tem uma resposta efetiva em grande parte do tempo, mas como todo jogo de luta, frames e timings precisam ser entendidos para que os comandos entrem de forma eficaz, o que pode ocasionar um mal entendimento de jogadores apressados ou que não entendam muito de entrada de comandos e suas nuâncias.
O modo história é consideravelmente extenso, se formos levar em conta a leitura e os diversos rumos que é possível ter. A trama tem pontos chaves que podem considerar um universo em potencial.
O desafio do jogo é alto e a máquina é ofensiva extrema, causando uma pressão e combos extensos que farão você aprender um pouco de cada personagem enquanto joga. Assim como os modos extras também trazem um bom desafio e que poderá fazer diversos jogadores desistirem de pegarem todas as conquistas / troféus.

O sistema de elementais e o custo dos cancelamentos trazem um bom equilíbrio entre risco x erro, seja pela pressão que você pode impor nos ataques ou pela estratégia de interromper a pressão do inimigo, você facilmente consegue fazer um comeback nos seus oponentes e na máquina.
O conteúdo rico em referências e o roster tem um excelente número de personagens no elenco base, com 10 personagens desbloqueados e 3 desbloqueáveis.
Sho (Breakers), Jorge e Hector são os desbloqueáveis.
Além de Sho ser um dos personagens convidados, temos Rick de Guns N’ Runs, que é outro jogo da Statera Studio focado em ação e Run and Gun, concluindo a Season Pass 1 do jogo com outros 3 personagens (Brandon, Camille e Dvesha).


A Bravura lapidada em diamante…
Pocket Bravery é uma obra que mostra que é possível persistir em ideais e sonhos concretizados através da persistência e suor dos responsáveis pelos projetos, mesmo que tenhamos dificuldades e problemas terceirizados, a fórmula bem concreta e a referência para homenagear outras obras dos jogos eletrônicos podem sim trazer um bom resultado.
O sistema balanceado que mistura casual com estratégico faz com que os ataques elementais e os controles casuais tragam os mais diversos públicos para os jogos de luta, algo que por sinal tem sido uma linha tênue na discussão e debate desse ponto dos Fighting Games.
Com isso, leva o selo de recomendação.
O nome Pocket Bravery é apenas o projeto, mas o resultado mostra que a persistência e idealização de sonhos, fizeram com que a Bravura dos responsáveis se tornasse em uma obra referência para os diversos estúdios brasileiros, que querem ou não homenagear outros jogos.
Mesmo que esteja sem o caminho pra trilhar financeiramente, nunca deve esquecer que o caminho certo é da honestidade e persistência…




