
* Esta análise foi feita com o código cedido pela Sony Interactive Entertainment (versão PS4/PS5)
** Um agradecimento especial à Sony Interactive Entertainment Europe pela ajuda extra com o código
Distribuidora: Sony Interactive Entertainment
Produtora: Guerrilla Games
Plataforma: PS4 / PS5 / PC (Edição Completa)
Mídia: Física e Digital
Ano de Lançamento: 2022 / 2024
*** Review baseado na versão console, para o lançamento da Edição Completa no PC

Horizon: Forbidden West é um RPG de ação open world onde Aloy precisa lidar com uma praga que ameaça os humanos em um mundo dominado por máquinas.
UMA NOVA AMEAÇA
Após os eventos de Horizon: Zero Dawn, quando os corruptores foram derrotados e o Hades parecia coisa do passado, surge um novo problema.
As plantas estão sendo envenenadas por uma “praga vermelha”, que as destrói com toxinas.

Aloy recebe uma mensagem de Sylens, que partiu para o Oeste Proibido, à procura de respostas sobre a praga e o controle das máquinas, agora de posse de Hades em um dispositivo móvel.
Durante as investigações, Aloy salva uma versão de GAIA, o programa responsável pela “reconstrução” da Terra, porém fraca e precisando das inteligências artificiais responsáveis por partes específicas do programa completo.

Ted Faro, um programador membro do projeto e hacker criou a IA Nemesis para destruir GAIA e instaurar um sistema de terraformação do planeta, enquanto pretendia embarcar para Sirius, com a colônia Odyssey, junto dos membros do Far Zenith, que iriam recriar a humanidade na estrela distante.

Sabendo-se o clone de Elisabeth Sobeck e tendo acesso à diversas informações e locais dada sua herança genética, Aloy parte para o Oeste Proibido atrás de respostas sobre a praga, tendo de encarar novas máquinas e o temido povo Tenakth, uma sociedade tribal agressiva que domina o oeste.
ALIANÇAS E INIMIGOS
Como o foco do título é o Oeste, muitas das tribos de Zero Dawn não estão presentes aqui, embora ainda haja interações com os Oseram, Carja e Banuk. Os Carja, vistos como inimigos pela maioria das outras tribos, dado o reinado de Jiran, o antigo Rei Sol Louco.

Embora Jiran não seja mais o rei Carja, os Ataques Rubros, a guerra entre Carja e outras tribos, ainda permanecem na memória dos povos tribais.
Apesar disto, são justamente os Carja que fazem fronteira com os Tenakth, a grandiosa tribo que domina todo o Oeste Proibido.
Através de rituais conhecidos como Embaixadas, dá-se a negociação entre ambas as tribos, na fronteira entre as duas regiões.

Os Tenakth são divididos em três clãs: Céu, Deserto e Terras Baixas, fazendo referências às respectivas áreas de controle.
Unificados sob o rei Hekarro, os Tenakth são guerreiros ferozes e violentos vindos de uma sociedade baseada em “Visões” (memórias holográficas) da JTF-10 (Joint Task Force 10/Força-Tarefa 10), um grupo de soldados norte-americanos, chamados pela tribo de Os 10.

Entretanto, Regalla, uma antiga Delegada de Hekarro, rebelou-se contra a tentativa do rei de trazer paz ao povo. Ao desafiá-lo em combate, perdeu, mas teve sua vida poupada pelo soberano, o que a enfureceu e a fez tornar-se uma dissidente da tribo, juntando um grupo de rebeldes contrários às negociações com os povos do Leste.

Apesar de Regalla parecer a principal vilã de Forbidden West, os Zenith são quem realmente ocupa tal posição.
Os Zenith possuem um escudo de proteção impenetrável, podem voar e possuem armas incrivelmente poderosas. Eles possuem ligação com Far Zenith e Ted Faro, mas por motivos de spoiler não adentrarei em detalhes.

EQUIPAMENTO
A lança, que servia apenas para a conversão de montarias e ataque stealth, agora passou por uma reformulação, tornando-se uma arma de combate meele mais adequada (uma grande crítica de Zero Dawn).
R1 funciona como o ataque leve e R2 como ataque pesado, podendo ser segurado para concentrar a força e quebrar a defesa inimiga ou também implantar um Ressonador, que ficará marcado em azul e poderá ser acertado com uma flecha para uma “explosão” de impacto.


A arma principal, é claro, é o arco e flecha, entre variantes de Caçador, Guerreiro e Precisão, incluindo flechas de fogo, eletricidade, gelo, envenenamento, entre outras (variações destas munições estão disponíveis também em outras armas de fogo).
L2 carrega a flecha e mira, enquanto R2 causa o disparo, podendo ser segurado para intensificar o dano ou aumentar a quantidade de munição e R1 para uma rajada de flechas (após comprar a habilidade).


De igual manejo, estão disponíveis Estilingues Explosivos, Armadilheiras, Lança-Cordas (para prender as máquinas à terra, especialmente úteis contra máquinas voadoras), Lança-Virotes (disparam uma série projéteis em rápida sucessão) e Manoplas Trituradoras (lançam discos giratórios que voltam após acertar o alvo e ficam mais potentes se aparados).


As Armadilhas também são uma boa opção de caça, devendo ser preparadas previamente ao ataque, variando entre explosivas, de choque e ácidas. As Bombas de Fumaça surgem como uma boa alternativa para fugir de humanos e máquinas, úteis também dentro d’água.


(apesar do que Aloy diz, eu desisti várias vezes até conseguir matar essa Tratuga)
As armaduras/vestimentas podem ser compradas com vendedores nas cidades ou obtidas como premiações, podendo ser melhoradas em mesas próprias, com os materiais necessários.
Tanto armaduras quanto armas podem ser aperfeiçoadas com o uso de Bobinas, que incluem uma série de melhorias, entre aumento da resistência a ataques elementais, recuperação mais rápida de energia, etc...


Já as bolsas de munição, comida e itens podem ser melhoradas com o uso de peles e partes de animais caçados ao longo da aventura.
Caso precise se lembrar de algum material específico, você pode criar uma missão de coleta, o que indicará as regiões onde os itens necessários se encontram.

EVOLUINDO
A árvore de habilidades de Aloy está dividida em seis categorias: Caçadora, Guerreira, Emboscada, Maquinista, Sabotadora e Sobrevivente.
Ao gastar pontos nas habilidades de uma mesma categoria, é possível acessar os Impulsos, habilidades temporárias que dão vantagens de combate e estratégia, como aumento de dano das flechas, invisibilidade, escudo de proteção, etc...


Os Impulsos precisam de ao menos uma barra acumulada ao executar ações em combate e são acessados pela roda de equipamentos (L1 + R1).
Impulsos podem mudar o rumo de uma batalha, cabendo ao jogador administrá-los corretamente: camuflagem e outros podem evitar combates ou permitir fugas, já os impulsos de combate podem ser ativados durante a batalha, dando uma sobrevida à Aloy.


Experiência é ganha em qualquer atividade executada no jogo, especialmente ao concluir desafios, missões secundárias e principais.
JORNADA AO OESTE
Forbidden West apresenta atividades e máquinas conhecidas do primeiro jogo, mas também adiciona novidades, mas vamos por partes.

Se você jogou o The Frozen Wilds, o dlc de Zero Dawn, já foi apresentado ao urso gigantesco Garra Fria; aqui ele não só retorna, como possui a variante de fogo Garraquente (além da versão alfa, presente em todas as máquinas).


Rabotes também dão as caras, macacos (babuínos?) que saltam e podem ser bastante irritantes em grupo. Já o Garraveloz é um velociraptor agressivo, que pode aplicar chutes, enquanto o Agouro é um morcego gigante com uma vasta possibilidade de ataques e o Heliodo, um pterodáctilo territorial que, próximo ao fim do jogo, pode ser convertido como montaria voadora. É claro que não para por aí, mas vamos evitar as surpresas e só mencionar rapidamente dois dos inimigos mais difíceis e problemáticos do jogo: Rastejador, uma grande naja que pode se enterrar para mudar a posição de ataque e a Tratuga, uma tartaruga imensa, com uma gama de ataques muito poderosa e mais vida e proteção do que deveria…


Ataque das Máquinas é um “Xadrez Tenakth”, com uma série de variações de peças baseadas nas máquinas e diferentes terrenos que incluem buffs e debuffs em movimento, defesa e golpe das peças. É possível sobrecarregar peças para um ataque e/ou movimento extra por turno, até que um dos jogadores obtenha 7 pontos, o que encerra a partida. Peças diferentes podem ser criadas com o artesão de cada Campo de Caça.


Aliás, falando dos Campos de Caça, eles retornam, com desafios um pouco mais difíceis que os do jogo anterior (ou assim minha memória diz), envolvendo abates e conversões contra o tempo.

As Arenas, disponíveis em algumas das cidades, servem tanto como treinamento de novos golpes, como desafios contra os mestres das mesmas, focando-se quase que exclusivamente no uso da lança.

As Missões Secundárias estão mais interessantes, especialmente aquelas envolvendo os aliados de Aloy, que podem ser encontrados na Base (após a mesma ser estabelecida na trama). Erand e Varl integram o time, vindos da primeira aventura, bem como a Utaru estreante, Zo, e a Quen, Alva, entre outros novatos.


As corridas Rodada de Páreo são provas montadas, onde ataques com lança e flechas de power up disponíveis ao longo do traçado fazem a diferença; derrubar os oponentes é não só recomendável, como essencial para vencer.


Os coletáveis incluem trechos de diários, voicelogs d’Os Antigos, Drones de Vigilância, Panoramas (hologramas do passado) e Relíquias do mundo antigo.


Os Caldeirões retornam como áreas secretas de navegação mais complexa dado o nível de estrago presente em cada um.
Caldeirões possuem arenas centrais onde grandes chefes protegem a conversão de mais máquinas.

BELEZA E PERCEPÇÃO
Graficamente, Forbidden West é um dos melhores (se não o melhor) gráfico em um jogo open world já feito.
A riqueza de detalhes nas florestas e fauna em geral, os detalhes em construções e nas praias, agora presentes na costa oeste americana e mesmo as grandes máquinas.


Enquanto Zero Dawn já possuía um belo gráfico, Forbidden West elevou esse padrão com a engine Decima, rodando ainda no PS4, apesar de seu potencial completo ser atingido no PS5.
Os personagens refletem ainda melhor esta evolução, com rostos mais complexos e detalhados. Os NPC’s, que em ZD possuíam visuais genéricos e que contrastavam com os personagens principais, agora ganharam o mesmo nível de detalhamento.


Aloy, por sua vez, ganhou tanto nível de detalhe que é possível ver os pelos faciais em seu rosto, o que levou certas pessoas a questionarem se ela tinha barba… Não, mulheres também possuem pelos faciais, bem como os homens, em partes do rosto que não equivalem a bigode e barba.


Todas estas melhorias gráficas, entretanto, acabam trazendo alguns pequenos bugs, como o cabelo de Aloy, cujas tranças podem enlouquecer em algumas cutscenes, movendo-se de maneira exagerada e pulando conforme colidem com outras partes da protagonista. É um detalhe pequeno, mas que fica evidenciado perante a grandeza do trabalho artístico envolvido.


Forbidden West é riquíssimo em cores, especialmente pelas variações dos Clãs da tribo Tenakth e pela variedade de cenários, envolvendo picos gelados, florestas e bosques densos, praias e desertos.

A trilha sonora, composta por Joris de Man, The Flight, Oleksa Lozowchuk e Niels van der Leest segue o estilo do jogo antecessor, recheada de temas épicos e envolventes, trazendo de volta algumas músicas, como a principal da franquia Horizon. Os temas tribais são mais explorados, bem como os cânticos em vozes femininas.
A extensa dublagem também faz um ótimo trabalho, com destaque para as vozes de Ashly Burch (retornando no papel de Aloy), Lance Reddick (como Sylens), Noshir Dalal (Kotallo), John Hopkins (como Erend), Carrie-Anne Moss (Tilda), Angela Basset (Regalla), Marc Kudisch (Hekarro) e Lesley Ewen (Gaia). É muita gente pra citar, mas há realmente um ótimo trabalho de dublagem e interpretação nestes e em outros personagens, mesmo NPC’s, que possuem personalidades e humores distintos.

Tanto áudio, porém, traz à tona uma certa verborragia, tornando certos momentos cansativos pela quantidade de diálogos. Aloy, especialmente, fala mais do que no primeiro jogo e algumas conversas nas missões principais podem levar até 20 minutos. Embora uma boa parte das conversas possa ser ignorada nas rodas de opções, o lore é valioso e vale à pena ser explorado, mas esteja preparado para longos discursos.


Vale ressaltar o excelente trabalho de localização nas legendas em português brasileiro; o jogo também conta com dublagem completa, embora eu tenha optado por jogar com o áudio em inglês.
PLATINA OCIDENTAL
A platina de Horizon: Forbidden West não é particularmente difícil, embora possa ser desafiadora em alguns pontos, como desafiar a guerreira após vencer todas as Arenas e alguns desafios dos Campos de Caça que, como citado no corpo do texto, estão mais difíceis que no título anterior.

De resto, ela é uma platina generalista, pedindo que o jogador explore um pouco de cada conteúdo do jogo, que inclui chegar ao nível 50, completar as side quests especiais dos aliados da base, sincronizar todos os Pescoções, investigar todos os campos Rebeldes, obter a informação de todos os Caldeirões, escanear todos os tipos de Máquinas, etc…
RESUMO DA ÓPERA:
Horizon: Forbidden West é um RPG de ação em mundo aberto, dando continuidade ao universo estabelecido em Zero Dawn, desta vez focado em uma peste que está matando plantas e animais.
Aloy precisa adentrar o Oeste Proibido do título e recuperar as forças de Gaia, para então reverter os efeitos da praga, enquanto sobrevive à temível tribo Tenakth, ganhando a confiança destes ao ajudá-los em questões e problemas locais, fazendo aliados no caminho.
Os dois pontos de destaque em relação ao título anterior são a adição da Lança como arma meele mais robusta, com combos e golpes desbloqueáveis e o rosto dos NPC’s, que ganharam vida e deixaram o status de “manequim”. Como ponto adicional, a inclusão do Lança-Gancho permite agora remover escombros e abrir caminho em estruturas instáveis.

As novas armas e o sistema aprimorado de combate brilham no lado Ocidental do mundo apresentado, com novas e poderosas máquinas e um lore ainda mais profundo que o anterior.
O caráter de ficção científica alça novos voos com uma complexidade adicional na trama e nos diferentes grupos presentes na aventura.
A parte técnica apresenta belíssimos gráficos na engine Decima, em um mundo vasto e colorido, com uma fauna e flora ainda mais rica que o título antecessor.
A verborragia da protagonista e alguns personagens acaba por incomodar em alguns momentos e o “cabelo vivo” da ruiva pode atrapalhar em algumas cenas, mas são pequenos bugs que não eclipsam a majestade da obra como um todo.

Um mergulho rico em um universo futurista com novas nuances e polimentos, Horizon: Forbidden West consegue elevar o patamar de qualidade de Zero Dawn, trazendo novas questões à mesa e impressionando no quesito artístico (especialmente considerando que este jogo roda ainda no PlayStation 4).
Um dos último trabalho de Lance Reddick, falecido em 2023, permitindo assim que o ator seja lembrando pela sua excelência (vamos ignorar a série de Resident Evil, ok?).


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