
* Esta análise foi feita com o código cedido pela Digital Eclipse (versão PS4/PS5)
Distribuidora: Digital Eclipse / Atari
Produtora: Digital Eclipse
Plataforma: PS4 / PS5 / Xbox One / Xbox Series S / Xbox Series X / Switch / PC
Mídia: Física e Digital
Ano de Lançamento: 2024


Mighty Morphin Power Rangers: Rita’s Rewind é um beat’em up retrô com base na primeira série da franquia, onde os rangers originais precisam lidar com a ameaça de Robô Rita, um versão futurista da vilã.
MIGHTY MORPHIN ZYURANGER?
Mighty Morphin Power Rangers (ou apenas Power Rangers) é uma série de TV americana de 1993, no Fox Kids (ainda um bloco infantil dentro da Fox, antes de se tornar um canal separado), onde cinco jovens são escolhidos por Zordon (um ser intergalático/cabeça voadora) e seu ajudante, o robô Alpha 5, para defenderem a Terra da bruxa espacial Rita Repulsa, libertada por dois astronautas em missão no planeta Marte.


Jason, Zack, Billy, Trini e Kimberly recebem morfadores e moedas de poder (cada qual correspondente a um animal pré-histórico), que os permite se transformar nos Power Rangers (respectivamente, Tiranossauro, Mastodonte, Triceratops, Tigre Dente-de-Sabre e Pterodáctilo). Em paralelo, Rita enfeitiça outro jovem, Tommy, e o transforma para que ele enfrente os Power Rangers com um poder semelhante, sendo o Dragão.
Eventualmente, Tommy é derrotado e o feitiço de Rita é quebrado, com ele se tornando o sexto Power Ranger, com participações especiais e um robô próprio, o Dragon Zord, independente do Megazord (futuramente, ele se tornaria o Ranger Branco, o Tigre Branco).


A equipe original, de seis Power Rangers baseados em animais pré-históricos, tinha como atores: Austin St. John (Jason Lee Scott/Ranger Vermelho), Walter E. Jones (Zachary Taylor/Ranger Preto), David Yost (Billy Cranston/Ranger Azul), Thuy Trang (Trini Kwan/Ranger Amarela), Amy Jo Johnson (Kimberly Ann Hart/Ranger Rosa) e Jason David Frank (Thomas Oliver/Ranger Verde).
Conquanto atuavam em suas versões civis, as cenas de luta eram reaproveitadas de Kyouryu Sentai Zyuranger (1992), um super sentai japonês que contava uma trama bem mais esquisita, envolvendo a bruxa Bandora que, após a morte de seu filho Kai, se aliou a Dai-Satan para destruir os dinossauros, 170 milhões de atrás, sendo banida para um planeta (Nemesis). As Bestas Guardiãs escolhem cinco jovens de tribos primitivas para serem congelados até o retorno de Bandora e Dai-Satan, quando então serão revividos pelo Sábio Barza e usarão as Dinoesferas para se transformarem nos Zyurangers.

Na versão americana, Bandora tornou-se Rita, enquanto Barza e Dai-Satan foram excluídos, sendo Zordon o mentor dos Power Rangers.
O que acontece é que em Zyuranger eram quatro garotos e uma garota (a Rosa, que justamente possui uma saia no uniforme), enquanto o Tigre (Dente-de-Sabre no ocidente) era um homem, motivo pelo qual usava calça, enquanto na versão da Saban o posto era ocupado por uma mulher. Como as cenas de lutas eram reaproveitadas, não é incomum que Trini tivesse closes onde um suspeito volume fosse notado na calça…


RITA’S REWIND
Frustrada com seus planos sendo impedidos pelos Power Rangers, Robô-Rita volta ao passado, em 1993, para se unir à sua versão mais jovem e derrotar o grupo em sua formação original.
Utilizando cristais mágicos, elas tentam modificar eventos da linha do tempo, que os Rangers precisam impedir destruindo-os.


Rewind funciona como um beat’em up retrô, com fases curtas e lineares, sem caminhos secundários, mas com alguns segredos escondidos, podendo ser jogado em até quatro jogadores (seis na versão de Switch), tanto no cooperativo local quanto online.
Ao longo das fases, enfrentam-se hordas de soldados rasos e versões mais fortes dos mesmo, incluindo uma versão mutante de três cabeças e corpo avantajado e os guerreiros Tenga (tengus).


Fases de moto também estão disponíveis, com a perspectiva traseira, permitindo o disparo contínuo da pistola e os saltos com rampas, além de pequenos boosts na estrada. Já nas fases de Zords, o robô referente ao Ranger escolhido possui versão traseira em terceira pessoa, disparando lasers para lidar com bases, canhões e armadilhas; ao chegar no chefe gigante, o Megazord é montado com a união dos robôs, transformando-se em para primeira pessoa, com socos para luta e o golpe final da Espada do Poder.



Enquanto nas fases padronizadas, os golpes são desferidos com quadrado, incluindo golpes aéreos e golpes de impacto no chão, o quadrado e triângulo juntos causam um golpe em área, custando um traço da vida; triângulo sozinho serve para provocação, mas quando a barra de energia estiver cheia, solta um poder devastador de área, que varia entre cada personagem, de choques a tufões.



As características de cada Ranger estão descritas na tela de seleção de personagens, com variações entre os três status: Força, Defesa e Velocidade. Ao subir de nível estas características podem receber upgrades, mas curiosamente, o efeito destas modificações não são perceptíveis no gameplay. Também não há adição ou desbloqueio de novos golpes, sendo as moedas coletadas apenas para o uso nos arcades da lanchonete, entre missões. De igual forma, os outros coletáveis (NPC’s e objetos que remetem ao seriado), não possuem funções extras. O jogo conta ainda com um modo Speedrun.


A parte gráfica é simples, mas competente, com cenários e inimigos temáticos, porém com uma paleta de cores um tanto opaca, apesar do colorido presente em todo o jogo.
Durante as fases com os robôs gigantes, o jogo utiliza elementos 3D um tanto quanto “borrados”.



A trilha sonora é animada e remete à série, inclusive com a música tema, simulando chiptune.
A dublagem se destaca nas vozes de A.J. LoCascio (Ranger Vermelho), Isaac Robinson-Smith (Ranger Preto), Dan Amrich (Ranger Azul), Holly Chou (Ranger Amarela), Cristina Valenzuela (Ranger Rosa), James Willems (Ranger Verde) e Ally Dixon (Rita Repulsa e Robô-Rita). Os dubladores fazem múltiplas vozes no jogo, sendo que as vozes dos Power Rangers saem pelo alto falante do Dual Shock. O jogo não possui localização para o português.
A platina é relativamente desafiadora, principalmente na dificuldade Headache (Very Hard).
Afora os troféus relacionados à trama, temos Completar os Objetivos de todas as Fases, Registrar um High Score em todos os Arcades da Lanchonete, Encontrar as Quatro Aparições Especiais, Atingir um Combo de 75 hits, Descobrir todos os Segredos, Jogar com cada um dos Rangers e Obter todos os Coletáveis, entre outros.


RESUMO DA ÓPERA:

Mighty Morphin Power Rangers: Rita’s Rewind é um beat’em up retrô, onde os Power Rangers precisam lidar com alterações causadas no tempo pela Robô-Rita, que voltou ao passado para se aliar à Rita Repulsa.
As fases curtas e lineares permitem um gameplay rápido, bom para sessões curtas, sem se estender além do necessário. O jogo se baseia especialmente na primeira temporada do seriado, com participações dos guerreiros Tenga (que apareceram inicialmente no filme).
A trama simples funciona para um beat’em up, colocando a Robô-Rita como uma manipuladora do espaço-tempo, unindo-se à Rita Repulsa da primeira temporada para tentar eliminar os Power Rangers ainda em sua fase inicial. Infelizmente, não é unicamente a trama que se mostra tão simples, sendo também o gameplay bastante básico, com pouca variedade de golpes e sem diferença clara entre os personagens.

As fases de moto e com os robôs gigantes conseguem quebrar a monotonia do restante do jogo, mesmo sendo igualmente simples.
Adiciona-se a isto a possibilidade de cooperativo local ou online com até quatro pessoas na maior parte das plataformas (sendo a versão Switch com até seis jogadores), além de um modo Speedrun.
A trilha sonora emula bem as músicas e o clima do seriado, acompanhando o ritmo do jogo e o clima da Alameda dos Anjos. É lá que se encontra o “HUB” entre as missões, uma lanchonete onde estão disponíveis três arcades que podem ser jogados usando as moedas coletadas nas fases e também trocar de personagem.

A dublagem cumpre bem seu papel, apesar das vozes serem bem diferentes dos atores do seriado. A equipe é pequena, distribuída em vários papeis secundários além dos Rangers. O jogo não possui legendas em português.
Ao mirar no estilo retrô, Mighty Morphin Power Rangers: Rita’s Rewind exagera na simplicidade, limitando o gameplay e as opções de combate e animações, sofrendo da semelhança entre os personagens (com exceção do especial e do golpe mais forte), sem uma clara diferença de evolução do status ou golpes novos.
Infelizmente, a tentativa da Digital Eclipse de surfar o hype dos beat’em ups baseados em franquias antigas mostra-se ineficiente para manter o jogador entretido por muito tempo. Mighty Morphin Power Rangers: Rita’s Rewind diverte, mas carece de mais elementos e carisma para sobreviver entre outros beat’em ups retrô do mercado, não conseguindo rivalizar com nomes maiores ou tornar-se memorável.
