Finalmente você pega aquele jogo que “todos” elogiam, começa a jogar e… não se diverte!
Confuso, você tenta dar mais alguma(s) chance(s), mas não adianta, o jogo simplesmente não clica.

Estranho, parecia um jogo adorado pela massa e você simplesmente não consegue entender o motivo.
Começam então os questionamentos: será que não estou no momento certo pra esse tipo de jogo? Ele não encaixa no meu gosto? As pessoas estão loucas em adorar essa porcaria?

Red Dead Redemption 2: nem com todo o esforço do mundo consegui gostar…


Ao postar essa questão online, certamente alguém irá sugerir que você está “jogando errado”.
Mas afinal, isso existe mesmo? E quem define o que é jogar certo?

E quem é que faz isso, Musashi?
(isso é uma suposição filosófica, ok? não necessariamente a realidade, mas, ainda assim, uma realidade parcial e hipotética)

Bem, em primeiro lugar, devemos considerar que “jogar certo”, depende de circunstância, objetivo e local.
Se está no jogo, tecnicamente, pode ser usado.

A Golden Gun de Goldeneye 007 matava com apenas um tiro (chore com a resolução da imagem)


O jogador pode usar cheats e jogar no easy se assim o quiser, desde que em modo single player.
Isto pode estragar a experiência do indivíduo, mas cada um é juiz de si próprio (embora os fiscais de gosto alheio circulem livremente pela internet).
Portanto, se o jogador progride no título, quer dizer que, sim, ele está jogando certo, independente de como.

Agora já no ambiente multiplayer, as coisas ficam mais complexas.
Bugs e personagens desbalanceados podem afetar a experiência alheia e, via de regra, serão corrigidos pelos desenvolvedores.
Porém, enquanto permanecem ativos, servirão de vantagem para jogadores malandros.

Eddy Gordo, o personagem desbalanceado de Tekken que nunca foi banido…


Os jogos de luta são um terreno ainda mais complicado, com personagens de DLC sendo lançados periodicamente em uma prática já comum ao gênero.
Estes personagens muitas vezes possuem vantagens que quebram a experiência, mas que na internet, podem ser usados.

Em campeonatos, entretanto, eles são muitas vezes banidos, seja pelas vantagens, seja pela novidade de sua existência em relação ao elenco original.
Desta forma os jogadores podem ter partidas mais equilibradas em termos de habilidades.
O que não deixa de ser curioso, já que os próprios desenvolvedores lançaram os novos personagens e os organizadores do evento não permitem que sejam usados.

Akuma em Super Street Fighter 2 Turbo: um clássico do desbalanceamento e banimento de campeonatos


Por fim, temos os complecionistas, ontem eu me encaixo.
Assassin’s Creed e Like A Dragon/Yakuza são duas séries que possuem muito conteúdo extra em sidequests e coletáveis.
A questão é que, ao completar estas atividades extras, você ganha experiência. Só que, infelizmente, eu não consigo me controlar e acabo “limpando” o mapa antes de progredir na campanha.

Kazuma Kiryu, apelão por natureza, fica ainda mais forte após o “farm” nas ruas de Kamurocho


Ao completar tudo antes de progredir na trama, as lutas contra chefes ou combates contra grandes grupos se tornam fáceis, pois o protagonista já chega com o nível muito acima do que deveria.
Ou seja, embora tecnicamente o jogador não esteja errado, já que o jogo permite que estes conteúdos sejam jogados já no início, ao fazê-lo o balanceamento da dificuldade é quebrado.

No fim das contas, se o jogo permite, então não, você não está jogando errado.
Sempre haverão fiscais de diversão alheios, não permita que eles interfiram no seu passatempo.
E cuide para que você não se torne um fiscal em relação aos outros e, especialmente, a si mesmo

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