Autodestruição Ativada

“Esta mensagem se autodestruirá em 5 segundos”. 
A frase, famosa da série dos anos 60, Missão Impossível (que daria origem aos filmes), tocava ao final da gravação com a missão da vez, que queimava logo após.

O conceito de autodestruição sempre me pareceu curioso.
Quantas e quantas vezes vimos a base/mansão/castelo do vilão final iniciar uma contagem regressiva para explodir, após a morte do mestre local? 

Algumas vezes o próprio vilão aciona o mecanismo, ao ser derrotado. Imagine ter um aparato capaz de explodir a área inteira ao toque de um botão ou alavanca?
Outras vezes o processo se inicia após a morte dele, como se todo o complexo estivesse ligado aos batimentos cardíacos do mesmo.

A regra é clara: todo Metroid que se preze termina com uma fuga de autodestruição

O conceito é um clichê na série Resident Evil, Metroid e nos beat’em ups.
A contagem regressiva inicia e o protagonista precisa correr desesperadamente para sobreviver ao colapso local.

Agora imagine você comprar um console e ele ser desativado/incapacitado pela empresa que o fabricou?
É o que, aparentemente, os novos termos da Nintendo sugerem para o Switch 2, caso detectem uma alteração no aparelho.

Nintendo, eu gosto de você! Por favor, me ajude a te ajudar!!!

Eu queria parar de falar mal da Nintendo, mas ela não ajuda!
A empresa parece que quer reinar tiranamente sobre seus “fiéis súditos”.

A prática de banimento de contas que sejam detectadas é comum entre as empresas, como forma de punir usuários de pirataria.
Lembra do famoso martelo do banimento da Microsoft na época do Xbox 360?

A Microsoft costumava aplicar ondas de banimento de consoles desbloqueados.

Desta forma, caso fosse detectado o uso de jogos piratas, você teria sua conta permanentemente banida. Isto não impedia de criar outra conta, nem do console se manter funcional, é claro!
Você poderia tranquilamente ter “aprendido a lição” ou mesmo vender o console para alguém que iria utilizar apenas produtos licenciados.

Até mesmo alguns consoles e portáteis com modificações poderiam voltar ao status original rodando um software legal, caso em que determinadas modificações eram desabilitadas.

Porém, não é disso que os novos termos da Nintendo sugerem, embora eles ainda não estejam 100% claros.

Nintendo e a eterna luta contra a pirataria

Segue abaixo a tradução do texto nos novos termos e condições da empresa:

“Sem limitação, você concorda que não pode (a) publicar, copiar, modificar, fazer engenharia reversa, arrendar, alugar, descompilar, desmontar, distribuir, oferecer para venda ou criar trabalhos derivados de qualquer parte dos Serviços da Conta Nintendo; (b) ignorar, modificar, descriptografar, invalidar, adulterar ou de outra forma burlar quaisquer funções ou proteções dos Serviços da Conta Nintendo, inclusive por meio do uso de qualquer hardware ou software que faça com que os Serviços da Conta Nintendo operem de forma diferente da documentação e do uso pretendido; (c) obter, instalar ou usar quaisquer cópias não autorizadas dos Serviços da Conta Nintendo; ou (d) explorar os Serviços da Conta Nintendo de qualquer maneira que não seja de acordo com a documentação aplicável e o uso pretendido, em cada caso, sem o consentimento por escrito ou autorização expressa da Nintendo, ou a menos que expressamente permitido pela lei aplicável. Você reconhece que, se não cumprir as restrições acima, a Nintendo poderá tornar os Serviços da Conta Nintendo e/ou o dispositivo Nintendo aplicável permanentemente inutilizáveis, no todo ou em parte.

Ainda que haja muito espaço para debate do que seriam estas contrariedades aos termos, como o uso de homebrew e outros, obviamente o foco da Nintendo é na pirataria.

Irá a Nintendo enfrentar várias batalhas nos tribunais? Saberemos em breve…

Também penso que a pirataria é danosa para a indústria, mas… até que ponto inutilizar o aparelho do consumidor também não o é?
Perceba que nos termos é citado que a Conta Nintendo e/ou o aparelho Nintendo podem ser inutilizados. Esta parte abre margem para que apenas a conta esteja sujeita ao processo, porém o aparelho é citado como possível alvo.

Nós já não éramos donos dos jogos, agora parece que nem mesmo dos consoles…

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