
* Esta análise foi feita com o código cedido pela Capcom (versão PS5)
Distribuidora: Capcom
Produtora: Capcom
Plataforma: PS5 / Xbox Series X / Xbox Series S / Switch 2 / PC
Mídia: Física e Digital
Ano de Lançamento: 2026

Resident Evil Requiem é um jogo de survival horror/ação onde controlamos Grace e Leon em uma investigação sobre misteriosas mortes ligadas a um novo tipo de infecção biológica.
FBI e DSO
Em 2026, oito anos após o incêndio do Hotel Wrenwood, a agente do FBI, Grace Ashcroft é enviada ao local, para investigar mortes relacionadas aos sobreviventes do incidente de Raccoon City (1998).
Procurando pistas nos escombros do hotel, ela é confrontada por um estranho sujeito, o Dr. Victor Gideon, de aparência acinzentada e coberto de cicatrizes.


Neste momento, Leon S. Kennedy adentra o antigo hotel, também investigando as mortes e procurando pistas sobre a Síndrome de Raccoon City (SRC), doença relacionada a persistentes mutações do Vírus-T; o agente sofre com a infecção, que causa mancha escuras na pele e tosse com sangue, além da perda de força.


Leon, agora mais velho e experiente, trabalha para a DSO (Divisão de Operações de Segurança) e tenta impedir que Victor sequestre Grace, mas o cientista consegue escapar com a garota, indo em direção ao Centro de Cuidados Crônicos Rhodes Hill.


Leon parte em direção ao antigo hospital, para tentar resgatar Grace e buscar respostas sobre a doença.
O jogador irá encarnar ambos os personagens, com diferentes perspectivas de câmera: Leon em terceira pessoa e Grace em primeira pessoa (embora seja possível mudar, esta é a configuração original pensada pelos desenvolvedores).



Enquanto Grace é mais focada no gameplay de survival horror, frágil e sem ataques físicos fortes e uma arma melee permanente, Leon é mais focado na ação, com movimentos de execução físicos (mais pesados dada a sua idade, compensando na agressividade) e um machado tático, que pode ser afiado.
O poderoso Revolver Requiem, que dá nome ao jogo, é compartilhado por ambos os protagonistas, em diferentes momentos.
METADE TERROR, METADE AÇÃO
Algo notável durante a jornada é que o jogo se divide claramente em dois momentos: a parte voltada ao terror, na primeira metade do jogo (tanto com Grace quanto Leon) e a segunda metade mais voltada à ação, focada em Leon explorando as ruínas de Raccoon City.


Esta variação pode causar um certo estranhamento a alguns jogadores e mesmo alguma aversão.
Entretanto, ambos os gameplays são sólidos e bem construídos, apesar da mudança brusca entre um e outro. O terror em primeira pessoa, com Grace, funciona muito bem, bebendo da fonte dos dois títulos anteriores, com uma jovem desajeitada, especialmente no uso de Requiem, revolver com grande poder de fogo, mas recuo proporcional.


Uma agente do FBI acostumada ao escritório, Grace Ashcroft é enviada ao Hotel (onde sua mãe foi assassinada), passando a lidar com os perigos da melhor forma que consegue: ao deixar inimigos temporariamente desorientados, ela pode empurrá-los para que caiam, o que possibilita a execução com facas improvisadas (de pouca durabilidade, podem ficar presas aos corpos) ou tempo extra para mirar na cabeça. Ela pode arremessar garrafas de vidro para distrair ameaças e passar despercebida ou assassiná-los pelas costas, caso possua lâminas no momento.


Já Leon, veterano da série, retorna como um agente mais velho (por volta dos 50 anos de idade), exímio combatente corpo-a-corpo, podendo executar chutes giratórios, arremessos sobre o ombro e pisadas que estouram cabeças; em alguns momentos, execuções com armas de fogo também acontecem, quando o tiro é acionado à distância muito curta.
Sua machadinha tática serve para combate direto, finalizações em inimigos caídos e para o parry contra armas melee (como a motosserra); adicionalmente, Leon pode pegar armas que os inimigos derrubem, arremessando-as e mesmo operar a motosserra. O machado não quebra, mas perde o fio da lâmina com o uso, precisando ser afiado com uma pedra de amolar.


Entre o arsenal dos protagonistas, Grace conta com algumas pistolas e (temporariamente) o revólver Requiem, além de facas improvisadas que encontra pelo caminho; seus itens ficam guardados na bolsa, que pode receber upgrades ao encontrar receptáculos semelhantes.


Leon também conta com pistolas e o revólver Requiem, encontrando rifles (incluindo de precisão), submetralhadoras, espingardas e granadas, que podem ser melhorados nas caixas da BSAA, utilizando pontos acumulados com as mortes de inimigos. Sua machadinha tática também pode ser melhorada nestas caixas, onde também é possível comprar munições, itens de cura e uma roupa de proteção extra.
As armas arremessáveis deixadas pelos inimigos não podem ser carregadas, apenas utilizadas próximas ao local, para matar algum inimigo dentro do alcance; a motosserra possui uso temporário, estragando após algumas mortes. Leon armazena seus itens em uma maleta organizável, no sistema tradicional da série, devendo manejar os espaços para que mais itens possam caber no inventário.


O jogo conta com um sistema de criação de itens, que permite fabricar munição para as armas, granadas (apenas Leon), facas improvisadas (apenas Grace), itens de cura, esteroides (aumentam a vida de Grace) e injetores hemolíticos (coagulam o sangue da vítima, fazendo-a explodir), entre outros. Através do coletor de sangue, você pode coletar o líquido de baldes, poças ou mesmo de inimigos mortos, permitindo a confecção de itens específicos.
CRIATURAS
O inimigo padrão de Resident Evil Requiem é… o zumbi!
Principal monstro da franquia, aqui os zumbis infectados com a variante do Vírus-T que causa a SRC possuem resquícios de inteligência, repetindo funções que executavam em vida (como em Terra dos Mortos, de George Romero).


Aprendendo os padrões, é possível ludibriar alguns deles para executá-los com mais facilidade ou mesmo evitá-los. No hotel, por exemplo, um dos zumbis apaga todas as luzes acessas, já a camareira tenta limpar o ambiente, esfregando suas mãos no local (e na cara dos protagonistas também, cuidado).


Alguns zumbis sofrem uma mutação secundária, os Cabeças de Bolha/Cabeças Pustulantes (semelhante aos Crimson Heads), tornando-se mais fortes e rápidos, desferindo sequências devastadoras de arranhões. Estes podem ser mortos apenas quando sua cabeça é destruída, o que podem consumir uma grande quantidade de munição normal; o Requiem é ideal para estes inimigos.


Além dos zumbis, Chunk (um grande e gordo mutante que se espreme para passar pelas portas, Lickers, aranhas, plantas carnívoras e Garmr (lobo/cão com grande boca e enorme velocidade), além de outras surpresas. Há também inimigos humanos a serem combatidos.
BELEZA MANUAL
Graficamente, Resident Evil Requiem é muito bonito, SEM PRECISAR DE DLSS 5!!!
Os rostos dos personagens, em especial os protagonistas, são bem modelados e animados, com expressões faciais realistas, ainda que o jogo utilize um visual entre o cartunesco e o realismo.
Os monstros, principalmente os zumbis, possuem ótima modelagem, com destaque para os danos causados pelos tiros e golpes, que deformam de maneira diferente rostos e partes do corpo, uma evolução da tecnologia já demonstrada no remake de Resident Evil 2.


Os cenários em ambientes fechados são opressivos e o jogo faz um ótimo uso de luz e sombra para criar um clima claustrofóbico, seja na primeira metade do jogo, seja nas estruturas internas das construções de Raccoon City. O jogo consegue até mesmo causar alguns sustos com jumpscares inesperados. Tudo roda liso no console, sem engasgos ou quedas de frame abruptas, mais um “milagre” da RE Engine.


A trilha sonora é discreta e soturna, composta por um time encabeçado por Nao Sato, contando também com Masahiro Ohki, Shigeyuki Kameda e Joseph Holiday, conta com uma mescla de música orquestrada e toques de guitarra e sintetizadores, mais focada no uso de piano e instrumentos de corda pesados, como violoncelo.
A dublagem em inglês ganha destaque com as vozes de Nick Apostolides (Leon), Angela Sant’Albano (Grace), Antony Byrne (Victor Guideon), Emma Rose Creaner (Emily) e Eden Riegel (Sherry Birking). A localização para o português possui ótima qualidade nas legendas; o jogo também conta com dublagem em português.

ELPIS PLATINUM
A platina do título consome um tempo considerável e possui uma alta dificuldade, embora o jogador possa contar com melhorias desbloqueáveis que tornam a jornada consideravelmente mais fácil após a primeira run.


Afora os troféus relacionados à trama, temos Completar o jogo na dificuldade Insana, Usar 300 microamostras de sangue infectado, Derrotar três zumbis com um golpe finalizador de machadinha, Derrotar três zumbis com um disparo de Requiem, Criar todos os tipos de item com Leon, Cortar a língua de um Licker com a machadinha, Destruir um Chunk com a Grace, Fazer um zumbi atacar outro no hospital, Abrir todos os cofres do jogo, Abrir todos os container da BSAA, Ler todos os arquivos da trama principal, Destruir todas as estátuas do Mr. Raccoon, Obter 200 mil créditos, Coletar 5 mil microamostras de sangue infectado, Ver todas as artes conceituais, Completar a campanha sem usar ervas ou injetores de medicina e Completar a campanha sem que Grace use o coletor de sangue.
RESUMO DA ÓPERA:

Resident Evil Requiem é a nova entrada na franquia de survival horror, onde desta vez controlamos Grace Ashcoft (FBI) e Leon S. Kennedy (DSO) investigando mortes relacionados à Síndrome de Raccoon City, uma doença proveniente de uma mutação remanescente do Vírus-T.
Utilizando dois sistemas de câmera diferentes, o jogo contrasta bem seus protagonistas, com Grace em primeira pessoa e Leon em terceira (embora seja possível alterar o sistema, para aqueles com preconceito de FPS). Enquanto Grace é menos atlética, preferindo o stealth, Leon é o “tanque” da dupla, mais velho e pesado, compensando sua idade e a doença com golpes mais brutos e mortais.
O revólver Requiem, que dá nome ao jogo, é uma arma monstruosa em termos de poder de fogo, capaz de executar inimigos simples com apenas um disparo e ferir seriamente inimigos mais fortes. Leon conta ainda com uma machadinha tática, capaz de dar parry em armas de corpo-a-corpo, indestrutível, mas que deve ser constantemente afiada, além de poder arremessar armas deixadas pelos inimigos, empalando-os com hastes de madeira e suportes para soro ou partindo-os ao meio com a motosserra.
O estilo artístico impressiona pela fluidez e beleza, sem quedas súbitas de frames. Apesar desta beleza aparente, o jogo possui “cara de Resident Evil”, especialmente nos NPC’s menos trabalhados. Nick Apostolides e Angela Sant’Albano, que não apenas dublaram (Leon e Grace, respectivamente) como fizeram a captura de movimento dos personagens.

O retorno à Raccoon City, 28 anos após o bombardeio, mostra as ruínas da cidade vitimada por uma explosão nuclear para conter o Vírus-T, o que não adiantou muito, dado que uma mutação sobreviveu e infectou novamente pessoas, incluindo Leon e sua nova ajudante da inteligência, Sherry Birkin. O maior impacto fica por conta da visita aos escombros da delegacia, onde Leon S. Kennedy deveria apenas ser o policial novato, mas acabou encarando um dos maiores desafios de sua vida, vendo o apocalipse zumbi em primeira mão e sendo transformado pelo resto da vida.
Entre erros e acertos, Resident Evil Requiem aposta em uma mistura de terror e ação, fazendo ligação com os primeiros títulos da franquia. Àqueles que não jogaram os originais, ainda é possível experienciar Requiem sem grandes prejuízos, mas o conhecimento torna a trama mais interessante, com múltiplas referências e detalhes para os fãs de longa data.
Resident Evil Requiem pode não ser perfeito, mas é com certeza um jogo muito divertido, que sabe dosar a nostalgia sem cair em suas armadilhas, facilmente um forte candidato ao GOTY 2026.

