Ah… os relançamentos!!!!
As eras de diversos jogos e gêneros, revividas através de outras empresas, algo muito comum ultimamente. No mar da imensidão de possibilidades de relançamentos, existem os diversos tipos de títulos, especificados em clássicos, títulos não muito conhecidos, ou exclusivos.
Sejam jogos de luta, plataformas, shoot’em ups, beat’em ups, rítmicos, aventuras ou puzzles, esses relançamentos, em alguns casos nos trazem alguns gatilhos de lembranças, ou até mesmo propiciam o conhecimento de jogos antigos que não tivemos a oportunidade de testar na época…
A nossa amada QuByte Interactive tem feito isso com diversos jogos, e criou o chamado selo QuByte Classics.
No caso do título em questão, Beat’em Up Arcade Archives, nos traz 2 títulos específicos e que poucos devem ter jogado na época.
Vamos então fazer um gatilho de lembranças, ou ter novas experiências com essa leve coleção ?
Da mesma forma que costumo fazer em coletâneas, vou tratar dos jogos de forma isolada, e perto do final, falar dos aspectos gerais.

Código fornecido para review pela QuByte Interactive, versão Playstation 4.
Review baseado no Playstation 5, através da Retrocompatibilidade
Nome: Beat’em Up Archives (QuByte Classics)
Gênero: Beat’em up, Action, Arcade
Desenvolvedora: QuByte Interactive / PIKO Interactive
Distribuidora: QuByte Interactive
Plataformas: Playstation 4/5, Xbox One / Series S|X, Nintendo Switch
Lançamento: 2023 (15 de junho)
Mídia: até o momento do review, apenas digital


Tela Título

Seleção de Jogo

A tela de seleção de título é simples, e mostra apenas qual jogo quer começar, assim como as informações do título para a época.
Vale ressaltar que não há cooperativo online, apenas local.
Iron Commando

Iron Commando foi desenvolvido pela Arcade Zone, e estava agendado para ser distribuído na europa pela Sony Electronic Publishing, da qual canelou o lançamento de jogos para Super Nintendo e migrar de vez no mercado de jogos eletrônicos, focando exclusivamente no projeto que seria o Playstation, mais tarde. Com isso, uma localização japonesa foi feita através da Pack in Video Popo com o título de Iron Commando: Koutetsu no Senshi (アイアンコマンドー 鋼鉄の戦士) que nada mais seria que Commando de Aço: Guerreiros de Aço.
Posteriormente, Pack in Video acabou sendo mesclada com a Victor Interactive Software, que publicou diversos jogos para Playstation, Saturn e alguns jogos para Gameboy Color e Dremcast, encerrando as atividades em 2003.
A Piko Interactive acabou adquirindo os direitos de publicação internacional do Iron Commando, inicialmente lançando o jogo digitalmente no Steam em 2016, antes de finalmente produzir um cartucho de reprodução para o Super NES em 2017. A BlazePro também produziu uma reprodução da versão Super Famicom para o mercado japonês durante o mesmo ano.

Iron Commando é um beat’em up 2D com profundidade de cenário, então teremos uma área consideravelmente grande para as batalhas com os inimigos, e acredite, isso é necessário.
A história se resume apenas em destruir gangsters, criaturas estranhas e diversos inimigos diferenciados para salvar o mundo da ameaça. (porque sim)

Podemos escolher entre 2 heroís: Soldier Jack e Chang Li, ambos tem diferenças sutis e pequenas no seu gameplay, como por exemplo a forma dos combos serem executados…


Ou diferenças nos ataques aéreos, onde Chang Li é mais rápido que Soldier Jack.


Não temos muitas variações de golpes, já que os beat’em up dos arcades e da era 8/16 bits eram mais simplificados nesse aspecto. Porém temos o que chamávamos de “limpa tela”, aka Especial.
O Especial é indicado pela granada no HUD, e pode ser estocada até em um número de 5 granadas.

Os agarrões também fazem parte dos ataques dos nossos heróis, onde é possível andar segurando os inimigos para ocasionalmente acerta-los em outros.

Mas calma, ainda temos alguns fatores de ataque, e que por sinal são cruciais nesse jogo.
Objetos do cenário e grande parte dos inimigos derrubam itens, seja comida para recuperar vida, armas de ataque próximo para usar, ou armas de fogo.



As armas podem ser arremessadas após o seu uso, assim como facas e tacos de baseball podem ser arremessados quando estiverem perto de desgastar / quebrar. No caso das facas, se arremessar antes do fim do uso, ela crava no chão para que você consiga pega-la e usar novamente, por alguns momentos.
Já no caso das armas de fogo, temos o número limitado de balas no pente, que também poderá ser recarregado se tiverem pentes de balas no cenário para coletar, caso estiver sem armas, você apenas ganha uma bonificação de pontuação.



Revólveres, Metralhadoras, Escopetas, temos um considerável arsenal a disposição para usar, e também podemos inclusive usar os disparos no ar.
Em alguns níveis, teremos objetos que deverão ser destruídos e que irão bloquear o avanço de tela, além de trazer hordas infinitas de inimigos, até esses objetos serem destruídos. Concentre-se em montar sua estratégia segura, sem que as hordas lhe prejudiquem demais.

Legend

Legend também foi desenvolvido pela Arcade Zone, porém diferente de Iron Commando, ele teve um lançamento americano através da Seika Corporation, e na Europa pela Sony Electronic Publishing. Não houve um lançamento japonês no caso desse título.
Legend por sinal, foi o primeiro título desenvolvido pela Arcade Zone em abril de 1994. Carlo Perconti e Lyes Belaidouni são as mentes por trás da companhia. Ambos tiveram uma considerável influencia da indústria de jogos.
Carlo Perconti trabalhou para várias empresas como Loriciels e Titus Interactive como designer gráfico freelancer, enquanto Lyes Belaidouni trabalhou na mesma área nesta última, que desenvolvia principalmente jogos de corrida para computadores domésticos Amstrad e o Nintendo Entertainment System.

Legend já tem um foco mais mesclado entre Beat’em Up e Hack n Slash, e com as mesmas idéias de profundidade do gênero.
A história se define emo déspota maléfico Beldor reinou sobre o reino de Sellech por 1000 anos, trazendo caos e destruição para a terra. Muitos cavaleiros partiram em uma cruzada para derrubar Beldor, mas nenhum deles retornou. Unidos, as pessoas construíram heróis energizados, conseguindo selar a alma de Beldor e a paz foi trazida para a terra depois. Clovis, o filho corrupto do rei de Sellech, agora busca aproveitar o poder de Beldor e conquistar o reino ao fazê-lo. Como tal, os jogadores assumem o papel dos guerreiros cavaleiros Kaor e Igor para derrotar Clovis.
Em Legend, não temos escolha de guerreiros, sendo definido para os jogadores de forma padrão, ou seja, Kaor para o jogador 1 e Igor para o jogador 2.
Temos como ataques básicos, os combos de 3 hits e os golpes aéreos.


Também é possível defender os ataques inimigos, porém o inimigo deve atacar no lado que o personagem está defendendo, caso for atingido pelas costas, evidentemente sofrerá dao.
Nossos heróis também terão ataques alternativos que irão consumir um pouco da sua stamina / barra de vida.

Da mesma forma que todo beat’em up que se preze, os inimigos poderão derrubar itens, ou você poderá coletar durante os níveis. Comidas que recuperam sua vida, pontos de bonificação, e chaves são os diversos tipos de itens que se pode coletar.



As chaves são contabilizadas no fim de cada nível, onde serão usadas para abrir diversos baús que irão conceder novos itens pra você, cada baú terá um número X de chaves necessária para abrir.

Os potes indicadores no HUD são os especiais, que podem variar sem um critério específico.
Elementos como luz, fogo e veneno, compõe as variações dos especiais.


Gráficos

Por ser um port, evidentemente temos os gráficos originais dos jogos, com o hardware da época.
Porém, para aqueles que preferem alterar as opções gráficas, a coletânea nos trouxe algumas pequenas opções de filtros gráficos como suavização, afiação de serrilhados, filtros CRT e o borrão para disfarçar os estouros de pixel.
Também tempos as opções de proporção de tela e exibição, sendo Normal, FIT e FULL…
Onde a “normal” possui maior centralização e menor proporção, parecendo uma mini tela de TV antiga, tomada por um grande papel de parede no entorno.
Já a FIT, deixa a tela em 4:3, porém sem papel de parede no fundo, ou seja, as imagens usadas em Iron Commando.
Já a Full é a tela em 16:9, usada no Legend.
Som / OST
Ambos os jogos não possuem dublagens afetivas, apenas os gritos dos personagens ao serem nocauteados.
A composição da trilha sonora de ambos os jogos foi feita por Carlo Perconti mesmo, com ambos os temas bem definidos em suas músicas, mesclando arranojs orquestrais e medievais com músicas mais agitadas e com um leve teor de rock.
A OST de Iron Commando é cortesia do canal Jacob Bay
Porém as músicas estão de forma isolada. Deixarei uma aqui para vocês conferirem.
A OST de Legend é cortesia do canal The Cartridge Twins.
Jogabilidade


É possível mapear os controles conforme o gosto do jogador. Mas de forma resumida, não há funções em excesso.
Troféus / Conquistas

Dificuldade: 4/10
A lista de ambos os jogos são uificadas na coletânea, então você terá troféus relacionados ao Iron Commando e outros para o Legend.
Para Iron Commando, de forma resumida você deve:
- Terminar o jogo 1 vez com Soldier Jack e 1 vez com Chang Li
- Use armas de fogo com Jack e armas brancas com Li
- Faça 300 mil pontos
Para Legend, de forma resumida, você deve:
- Terminar o jogo e fazer 30 mil pontos
Considerações Finais
Graficamente temos um jogo com o charme do poder gráfico de SNES, com sprites consideravelmente grandes e detalhes sutis na concepção da rate do jogo.
Clique nas bordas das imagens para trocar o slide.
Em Iron Commando temos grandes efeitos de luminosidade, como luzes do depósito piscando, os próprios tiros das armas fazendo contraste aos personagens quando disparam a munição, efeito de neblina no nível, no nível de moto, notamos o parallax funcionando perfeitamente na profundidade da água no background do cenário, etc.
Em Legend, notamos os efeitos de chuva sendo detalhados no cenário, apesar de que o clássico fantasma de sprits e HUD acontecerem nesse aspecto, ou seja, a alternância entre ambas as camadas para causar o efeito de piscar que estará maior na gif por ser frames mais curtos. A neblina tomando conta do cenário quando está chegando perto do pântano, etc.
A trilha sonora de ambos os jogos são excelentes, e não são cansativas. A variação de composição de ambos os jogos casou bem com os temas. A falta de dublagem não impacta, pois o charme dessa época era ter apenas os gritos de nocaute dos personagens.
A jogabilidade é a grande linha tênue entre adorar ou odiar esses jogos.
Os combates tem um ritmo acelerado, e os controles, apesar de responderem efetivamente, podem falhar por causa dos frames de animação dos golpes ou de coletar os itens.
Imagine o quão chato é pegar um saquinho de dinheiro e tomar um murro na cara nesse momento? Principalmente quando os itens são coletados automaticamente, como em Legend?
Mas brincadeiras a parte, a maioria irá achar os jogos repetitivos e pobres em gameplay, e de fato, são, mas lembre-se, estamos lidando com jogos de 93 e 94, tenha isso em mente.
Em Iron Commando, não temos um impacto nos golpes dos personagens, onde é possível acerta-los ao mesmo tempo se fizermos movimentos bruscos de direção dos golpes. O efeito esponja existe em ambos os jogos, e ironicamente, maior ocorrência em Iron Commando, que foi o segundo jogo da empresa.
O desafio do jogo é o que define quem irá terminar ou não, mesmo usando SAVE STATE que é uma das possibilidades da coletânea.
Ambos os jogos tem um desafio alto, os inimigos tentarão flanquear em todo momento, e são muito agressivos. Musashi era pra ter sido o edito desse review, como usualmente é para a QuByte, mas dado esse fato, ele pediu para eu jogar na época e trazer o review pra vocês justamente pela alta dificuldade imposta e pelos erros de colisão e raio de dano.

A duração de Iron Commando leva em torno de 1 hora e 30 minutos ou 2 horas, dependendo de sua habilidade. Já Legend, demora 1 hora e 40 minutos, mesmo que tenha menos níveis que Iron Commando, a extensão delas são maiores.
A performance do jogo foi satisfatória, não houve fechamentos repentinos e se mantém nos 60fps em todo o tempo, sem slowdowns.
Conclusão
Beat’em Up Arhives QuByte Classics com certeza foi uma surpresa em termos de lançamento inesperado, o port é bem vindo pelo saudosismo que o jogo traz em diversos aspectos, já que na prática, não são títulos muito fáceis de terminar, dado os pontos de erros e dificuldade quebrada em alguns níveis, mas que no fim das contas era o que prendia os amantes de desafio dos jogos onde save’s não eram comum para o gênero.
Se você tiver 35 anos pra cima, certamente irá querer relembrar uma época onde o desafio falava mais alto, com a única preocupação de destruir inimigos e terminar a história rasa que eles possuíam…
Se você tiver menos de 35, deverá encarar isso como um resgate de uma época onde inspirações falavam alto, a influência de outros títulos como Cadillacs and Dinossaurs e Knights of the Round é clara aqui e esses títulos agora são a chave para vocês conhecerem o que de fato movimentou a indústria que vocês tem hoje, já que na prática, ambos os jogos foram uma breve introdução do que seriam “indies”…
Agora pergunto se teremos a chance de rever Nightmare Busters de volta…..
Dizer que terminou Soulslike é fácil, agora vem encarar inimigos que te cercam o tempo todo…





