
* Esta análise foi feita com o código cedido pela Koei Tecmo (versão PS5)
Distribuidora: Koei Tecmo
Produtora: Omega Force
Plataforma: PS5 / Xbox Series S / Xbox Series X / PC / Switch 2
Mídia: Física e Digital
Ano de Lançamento: 2024/2026



Dynasty Warriors: Origins é um hack’n’slash/musou* passado durante o Período dos Três Reinos, onde acompanhamos um guerreiro sem memória que vivencia os conflitos da época.
* Não sabe o que é musou? Então dê uma olhada nesse texto aqui: Musou, O Gênero Secreto
UM GUERREIRO, TRÊS DESTINOS
Dynasty Warriors: Origins é a 10ª inserção da franquia principal de Dynasty Warriors (9ª no Japão, dada a diferença de nomemclatura entre o primeiro e o segundo jogos), sem contar seus inúmeros spin-offs.
Em um novo rumo para a franquia, desta vez encarnamos um guerreiro sem nome e sem memória que viverá os principais momentos e batalhas do Período dos Três Reinos chinês.


Inicialmente sem nome, cabendo ao jogador decidir como será chamado (Luyong no meu caso, como aparecerá nas capturas de tela), o combatente sem lembranças encontra-se casualmente com um jovem Guan Yu, ambos unindo forças para salvar aldeões que estão sendo saqueados pelos guerreiros do Turbante Amarelo, uma seita que originalmente promovia a paz após a queda da Dinastia Han, mas se corrompeu. Entre as habilidades do protagonista, está os Olhos do Pássaro Sagrado (L2), uma visão que realça objetivos e esquadrões, bem como truques utilizados pelos inimigos.


Diferentemente dos outros títulos da série, o protagonista é único desta versão do jogo, embora possamos controlar temporariamente alguns aliados no campo de batalha (segurando o touchpad quando indicado). Ele é também um mestre em todas as armas do jogo, que podem ser facilmente alternadas via menu, sem restrições, conforme são desbloqueadas: espada, lança, garras, piques gêmeos (twin pikes), “lâminas circulares” (wheels), podão, bastão, alabarda, spear (no português, tanto spear quanto lance se tornam lança) e “lâmina crescente” (uma lança longa com lâmina curva, o guandao). Cada arma possui Artes de Batalha, executáveis com R1+ um dos quatro botões principais, que podem ser trocadas via menu, conforme novas Artes sejam adquiridas/encontradas.


Conforme avança e conhece os diferentes generais que construirão seus três reinos, o protagonista precisa fazer uma escolha no capítulo 3, entre Wei, Wu e Shu, tornando-se inimigo dos outros dois reinos, o que definirá qual dos três finais obtidos (há, ainda, um final verdadeiro para cada facção).

NOVAS TRAMAS E TÁTICAS
O rumo de cada Dynasty Warriors principal sempre se define pelos novos personagens ou detalhamento de personagens (sejam eles novos ou com uma diferente abordagem). Como o Romance dos Três Reinos é baseado em acontecimentos históricos, mas com uma boa dose de fantasia combinada, estas pequenas variantes sempre foram o que diferenciava um título do outro.


Aqui, temos o foco apenas em um protagonista, que navega entre as histórias dos três reinos; o reino posterior, Jin (apresentado em DW8), não está presente.
Esta decisão dá um rumo diferente de todos os outros títulos da franquia, reimaginando a intervenção de um personagem fictício nos eventos principais. Alguns plots também foram levemente alterados e/ou corrigidos, como a relação ente Diaochan, Dong Zhuo e Lu Bu.


Embora Diaochan não seja uma personagem histórica real, vindo diretamente do Romance, ela é parcialmente baseada em mulher real, uma cortesã de Dong Zhuo com quem Lu Bu teria tido um caso, motivo pelo qual trairia o pai adotivo. Sim, Lu Bu é considerado filho adotivo de Zhuo, embora isto seja mais um título do que uma relação parental, assim como acontece com o juramento de irmãos entre Liu Bei, Guan Yu e Zhang Fei e Cao Cao ser primo de Xiahou Dun e Xiahou Yuan.


Enquanto um título focado em protagonista único, DWO sacrifica alguns eventos e batalhas, em especial quando se trata dos guerreiros “independentes” (Meng Huo e Zhurong, por exemplo). Yuan Shao, entretanto, continua tendo um papel importante na trama; já Da Qiao e Da Xiao, as irmãs intrinsecamente ligadas à batalha naval de Chibi, não fazem participação do jogo, bem como o casamento de Sun Shangxiang com Liu Bei, que funciona como uma trégua temporária entre Wu e Shu.



Uma novidade é o sistema de táticas, que remete a Bladestorm (também da Koei Tecmo). Táticas podem afetar batalhões inteiros, até mesmo dizimá-los, quando usados em Dramatic Tactic (um símbolo mostrando a tática adequada surgirá ao usar os Olhos do Pássaro Sagrado). Táticas executadas pelos inimigos devem ser impedidas a tempo, como destruir torres de arqueiros, impedir o True Musou de um general ou mesmo eliminar um número significativo de inimigos.
Quando executadas pelo exército do qual o personagem faz parte, é possível participar de Cargas, onde o exército corre massivamente para cima dos inimigos.

UM POR TODOS, TODOS POR UM!
Como citado anteriormente, alguns aliados podem ser controlados temporariamente, uma vez que sua barra de Rage esteja cheia. Neste momento, ao segurar o touchpad, o aliado (escolhido previamente, durante o Conselho de Guerra), salta à frente, podendo ser controlado pelo jogador até que a barra de Rage seja consumida e/ou o True Musou seja executado. Enquanto isto, o protagonista fica sendo controlado pela máquina.


O combate segue o estilo clássico dos demais musous: Quadrado para golpes normais com as armas e Triângulo para os golpes mais fortes (podendo ser eles carregados em algumas armas); Círculo executa o Musou (“especial” do personagem, neste caso dependendo da arma empunhada). R1 + os quatro botões principais executa uma das quatro Artes de Batalha equipadas, L1 funciona como defesa e parry (imprescindível para reduzir ou acabar com a Fortitude do general enfrentado), L2 executa os Olhos do Pássaro Sagrado, podendo ser combinado com Quadrado, Triângulo ou Círculo para executar Táticas e R2 funciona como Esquiva/Dash.



L3 chama o cavalo e L3+R3 ativa o modo Rage (quando o medidor estiver carregado). O modo Rage recarrega completamente a energia das Artes de Batalha, além de aumentar os status do personagem temporariamente. Durante o modo Rage, caso a barra de musou estiver completa, permite a execução do True Musou, um ataque devastador que deixa o jogo temporariamente com cores acinzentadas, enquanto a onda de choque vai acertando centenas de inimigos no campo de batalha.


Entre as batalhas, é possível navegar em um pequeno “mapa mundi” da China, semelhante aos jogos de RPG da era PS1. É possível percorrer o mapa a pé ou a cavalo, precisando de pontes, portões abertos e barcas para cruzar alguns obstáculos.
Neste mapa encontram-se moedas antigas, que podem ser trocadas por itens no Refúgio de Shui Jing, Piroxênio (minerais usados para aumentar o nível de Gemas de Piroxênio, que possuem diferentes boosts), Escaramuças (Skirmish, pequenas batalhas aleatórias geradas nos territórios), Conflitos (geralmente atrelados aos Pedidos de generais encontrados), Treinos e outros.



Os Marcos são pontos que permitem a viagem rápida no mapa e que, após a paz ser restaurada na região, geram bônus, incluindo até mesmo Pergaminhos de Artes de Batalha únicos. Cidades e reinos podem ser visitados para acessar comerciantes de armas e itens e também “hospedarias”, onde tem-se acesso às cartas recebidas (algumas contendo bônus, missões e localizações de generais) e onde é possível evoluir as Gemas de Piroxênio.



FLOR DE PESSEGUEIRO
Graficamente, este é o melhor Dynasty Warriors, com uma larga vantagem. Talvez para quem é novato na série, não entenda o avanço, mas a franquia nunca teve um gráfico muito avançado e aqui, finalmente, estamos na geração correta!


O draw distance das batalhas também é notável agora, com um número massivo de personagens em tela, simultaneamente, sem quedas de frame ou engasgadas, como aconteciam em alguns títulos antigos.
É possível notar a movimentação das tropas, que não se restringem mais a batalhões isolados; durante os encontros de exércitos, centenas (até mesmo milhares, em alguns casos), estão por todos os lados, passando um sentimento de guerra mais apropriado.


Alguns personagens passaram por reformulações de seus visuais: Cao Cao e Liu Bei perderam seus bigodes, Guan Yu aparece mais jovem, com uma barba menor, que eventualmente torna-se a famosa barba longa. Gan Ning… ah, Gan Ning, por que a Omega Force não consegue mais acertar no teu visual? De pirata, ele parece mais um índio agora… Ling Tong, por sua vez, embora mantenha o tradicional visual de cabelo comprido, está usando um bastão ao invés dos habituais nunchakus. Pela primeira vez, crianças aparecem em algumas missões, entre os camponeses que precisam ser protegidos e transportados até regiões seguras.



Os campos de batalha são vastos e bem modelados, especialmente quanto à fauna, com visual mais consistente de folhas e árvores. Estendem-se por diferentes áreas e territórios chineses, incluindo florestas, desertos, castelos, cavernas e até mesmo batalhas navais, como Chibi, onde as embarcações são unidas por pontes improvisadas. A verticalidade pode ser explorada pelo uso de escadas fixas e torres móveis (na invasão de castelos). Os armamentos de cerco, como aríetes (portáteis ou transportados), carruagens e catapultas também estão presentes.


A trilha sonora, composta por Masato Koike, brilha seguindo a linha de heavy metal misturado à música tradicional chinesa, com faixas como o tema de Lu Bu e outras músicas clássicas da franquia.
A dublagem japonesa continua competente como sempre, destacando-se as vozes de Jun Fukuyama (protagonista), Yohei Azakami (Cao Cao), Kazuya Nakai (Xiahou Dun), Hideo Ishikawa (Zhou Tai), Yasunori Masutani (Guan Yu), Kohei Fukuhara (Zhang Fei), Tetsu Inada (Lu Bu), Kenji Nomura (Dong Zhuo), Hitomi Ueda (Diaochan) e Osamu Ryutani (Yuan Shao). A dublagem em inglês também está disponível (para aqueles com mau gosto). Os efeitos sonoros também fazem um ótimo papel, especialmente durante o True Musou, quando o eco da voz ressoa previamente às centenas de mortes.
SELO IMPERIAL
Toda platina de Dynasty Warriors é consumidora de tempo e Origins não é diferente, contudo a dificuldade progressiva do título é uma novidade.
Ao escolher um dos três reinos como facção, você não poderá acessar os outros até que a campanha seja concluída; porém, não é necessário fazer múltiplos saves pois, finalizada a trama, você poderá acessar os eventos e recomeçar de certos pontos, escolhendo caminhos diferentes tanto entre as facções como dentro das próprias, alterando eventos para conseguir os finais verdadeiros. Aliás, as batalhas também possuem checkpoints de onde podem ser retomadas ao morrer/perder, não necessitando partir do começo delas.


Outros troféus envolvem restaurar a paz completamente em todas as regiões (os marcadores do mapa ficaram em azul), completar todas as Missões, Pedidos e Treinos, desbloquear todos os Marcos, desbloquear todas as habilidades entre os rankings Cavaleiro Errante e Musou, coletar 100 Piroxênios, adquirir todas as armas, reforjar as características de uma arma, atingir o nível máximo de uma arma (99), obter todos os acessórios e todos os cavalos, atingir o nível máximo de ligação com todos os oficiais, entre outros.
RESUMO DA ÓPERA:

Dynasty Warriors Origins é uma reimaginação da franquia, vista sob os olhos de um personagem novo e completamente fictício, que irá envolver-se no destino dos Três Reinos.
Uma mudança geral nas características da série, a introdução de Táticas, o ritmo de combate absurdo e a quantidade massiva de personagens em tela, alteraram em muito este que é o 10º capítulo da franquia principal.
Embora o combate continue (em essência), o mesmo, a introdução do parry como mecânica fundamental contra oficiais adiciona uma nova camada. A dificuldade do título também sofreu uma forte reformulação, pedindo que o jogador tenha mais atenção às mensagens dos aliados e aos eventos que podem ser evitados.
Os Olhos do Pássaro Sagrado, habilidade especial do protagonista, permite ver truques usados por inimigos e também realçar esquadrões e objetivos importantes no mapa.

Em termos de narrativa, o novo personagem, vindo de fora, permite explorar diferentes aspectos dos reinos de Wu, Wei e Shu, dando foco maior a algumas narrativas, em detrimento de outras.
As batalhas e personagens mais importantes de cada facção receberam mais atenção, enquanto personagens secundários podem fazer pequenas aparições ou sequer serem mencionados.
Embora isto restrinja a quantidade de personagens controláveis (os oficiais que podem substituir temporariamente o protagonista nas batalhas é bem reduzida), há um foco mais preocupado em apresentar e até mesmo corrigir eventos reais, como as épocas em que alguns oficiais aderem aos reinos em que ficaram famosos (Zhaon Yun em Wu e Zhang He e Zhenji em Wei, por exemplo), bem como adequar a idade correta, como o caso do jovem Sun Quan ao suceder seu irmão, Sun Ce, no governo de Wu.
O gráfico da franquia também ganhou um upgrade considerável, com melhorias nos soldados rasos, nos cenários e, principalmente, nas texturas de roupas dos oficiais, bem como na redução (quase) completa dos glitchs relacionados às roupas e armaduras durante os movimentos, em especial os personagens com capas, antes tão comuns à franquia. Xiahou Dun agora pode usar livremente sua capa, sem que ela seja atravessada por ombreiras!
A trilha sonora continua com seu habitual primor, misturando música tradicional chinesa com muito heavy metal, em faixas empolgantes e que dão um ótimo embalo para o ritmo furioso das batalhas.
A dublagem em japonês conta com vozes clássicas da franquia e a opção de dublagem em inglês também está disponível, embora seja quase um crime utilizá-la… Os efeitos de eco e dos musous também ganham destaque pela magnitude de impacto que causam no jogador.

O sistema de navegação por um mapa da China permite uma maior liberdade entre batalhas, mas sem cair no erro de Dynasty Warriors 9 (que entregava um mapa vazio e deveras extenso). Entre as inúmeras missões, ligações e eventos extras, entretanto, nota-se uma verborragia desnecessária entre os personagens, com muitos diálogos que acrescentam pouco à narrativa, ainda que haja opções de respostas para serem escolhidas.
Houve um tempo em que gostar de jogos musou era sinônimo de vergonha alheia e guilty pleasure, mas isto fica para trás com o lançamento de Dynasty Warriors: Origins, que não apenas revigora e reinventa uma série longa, como a diferencia significativamente de sua franquia irmã, Samurai Warriors.
Longa vida ao Romance dos Três Reinos!

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