Sexualização nos Games

Vivemos em uma época de transformações na sociedade e é natural que a indústria de games também passe por esta reformulação.
Enquanto uma indústria que surgiu e por muitos anos foi dominada pelos homens, era natural que o conteúdo dos jogos fosse feito exclusivamente para agradar este público alvo.

É claro, as mulheres sempre estiveram envolvidas na produção de jogos, embora em menor número do passado (mas a Roberta Williams estava lá, no começo de tudo).
Mas, mesmo assim, grande parte dos criadores de jogos eram homens brancos heterossexuais, produzindo obras para seus semelhantes, com um foco maior nos meninos, especialmente os adolescentes.

Desta forma, personagens femininas com roupas minúsculas e provocantes eram parte do foco das personagens, fossem elas protagonistas ou coadjuvantes.
Ah que se entender, no entanto, que não há realmente um problema em personagens femininas sensuais: o problema é o motivo para tal.

Morrigan tem uma aparência condizente com sua natureza

A justificativa deve sempre gerir o bom senso.
Morrigan, de Darkstalkers, é um bom exemplo disto.
Ela é uma súcubo, um demônio responsável por drenar a energia sexual de homens durante o sono. Esta é uma personagem que pode (e deve) ser sensual, dada a sua natureza.

Mas o que dizer das lutadores de Dead Or Alive, que lutavam em micro biquínis sem uma justificativa plausível (e que, mais recentemente, foram reformuladas para usar mais roupa, embora os dlc’s apelativos ainda existam).

Dead Or Alive ficou conhecido pelo seu fanservice…

Importante ressaltar que, uma vez que o mercado mudou, tanto na produção dos jogos, que agora englobam mais mulheres e mesmo o público alvo, onde as mulheres já ocupam praticamente 50% dos consumidores (apesar de grande parte ainda focada no mobile), é natural que o escopo dos títulos também mude.

Não estamos falando de censura, é claro, apenas de um bom senso mais acurado.
Não foi apenas o público feminino que aumentou: a indústria amadureceu com o passar dos anos, é só ver a quantidade de histórias de pais que surgiram.

Também é válido perceber que há uma diferença entre os mercados ocidental e oriental.
O ocidente vem tentando readequar personagens femininas para versões mais realistas; já no oriente, isso não parece uma grande preocupação.

O Japão sempre utilizou o fanservice de meninas em roupas curtas para agradar o seu público, em parte devido à uma forma de extravasar a própria sociedade introspectiva.
Por outro lado, algumas personagens desafiam o senso crítico.
É só olhar para 2B, a androide de Nier Automata, com sua saia reveladora ou mesmo a transformação de Lady, que parece uma jovem inocente em Devil May Cry 3, para logo em seguida surgir com um decote generoso em Devil May Cry 4.

Aparentemente a convivência com Trish alterou o comportamento de Lady


O ocidente também apresenta suas estranhas variações, como a Cortana, que em Halo 4 surge com visual mais jovem e provocante, embora ela seja apenas… um holograma de uma inteligência artificial.

Cortana em Halo 1, 2, 3 e 4


No fim das contas, sempre haverão personagens sexualizadas em alguns jogos e ok, podemos conviver com isto, especialmente quando tratam-se de jogos de nicho.
Nos jogos mais comerciais, no entanto, um pouco de contexto e justificativa sempre vai bem, especialmente se queremos que o público feminino se interesse mais pelos jogos.
É claro que no PC, sempre existirão os mods de nudez, onde nem a Aloy de Horizon Zero Dawn escapa…