Review / Tutorial: No Time to Explain

AVISO DO EDITOR-CHEFE: o jogo em questão possui sequências de violência excessiva e gore animado, ficando expressamente declarada e ciente a escolha do leitor que prosseguir a leitura, sendo maior de idade ou não se ofender com esse tipo de conteúdo animado.

Confesso que parte desse review tem um teor de curiosidade com “sentimento de obrigatoriedade” em aproveitar os investimentos feitos para serviços pagos nas quais temos oferecidos para os consoles, no meu caso, o Playstation Now.

Esse título em questão estava no catálogo do serviço, na qual se despede no dia 3 de Maio de 2022, e como somos deveras agradecidos pela TinyBuild por já nos ter concedido a chance de fazer reviews dos jogos deles (nas quais podem ser vistos aqui), nada mais óbvio que eu traria esse título pra cá (além de outros que estarão em produção).

No Time to Explain foi o primeiro jogo da TinyBuild,e é focado em testar sua destreza e agilidade no estilo tentativa e erro usando o gênero plataforma e ação.
No Time to Explain foi um jogo de navegador de web criado por Tom Brien (diretor criativo e co fundador da TinyBuild) e lançado em Newgrounds em 6 de janeiro de 2011. Atualmente, conquistou mais de 405.000 visualizações. Após o sucesso de No Time to Explain, Brien juntou-se a Alex Nichiporchik (fundador e CEO da TinyBuild) para começar a trabalhar em uma versão completa do jogo.

O desenvolvimento de No Time to Explain começou em fevereiro de 2011. O jogo foi anunciado inicialmente para PC e Mac, e foi lançado para Windows, Mac e Linux em agosto de 2011 e no Steam em janeiro de 2013. O jogo difere do jogo Flash original em que em vez de serem desenhados, os níveis são construídos a partir de blocos. Em 11 de abril de 2011, tinyBuild anunciou que abriu uma conta no Kickstarter para coletar fundos para ajudar a apoiar o projeto. Em menos de 24 horas, a meta de US$ 7.000 foi atingida. A página do Kickstarter ajudou a arrecadar mais de US$ 26.000 para o projeto, com uma notável contribuição de US$ 2.000 do criador do Minecraft, Markus Persson.

TinyBuild (site oficial)

Tudo começou com uma ideia
No início de 2011, quando Alex estava fazendo marketing de jogos na web, ele se deparou com um pequeno jogo de piada chamado No Time To Explain. O conceito tinha tanto potencial que ele pensou ei, por que não transformá-lo em um jogo completo que pudesse ser lançado no Steam?
Após alguma discussão com o desenvolvedor Tom Brien, os dois decidiram formar uma parceria chamada tinyBuild GAMES e criar um Kickstarter para No Time To Explain. O projeto atingiu sua meta de financiamento em poucas horas e foi um recorde na época.

A ideia de publicação
Somos um desenvolvedor independente e passamos por anos de inferno antes de ganhar dinheiro com nossos jogos. O SpeedRunners provou que podemos nos tornar um parceiro valioso para outros desenvolvedores independentes. A ideia de publicação independente nasceu.
Desde agosto de 2013, temos parceria com dezenas de desenvolvedores independentes, atuando como um parceiro de publicação – fornecendo financiamento, conhecimento, produção, arte, orientação etc. – para melhorar os jogos de outros desenvolvedores.
Você provavelmente já ouviu falar do Twitch Plays Punch Club, ou Twitch vs One Troll Army, ou várias outras acrobacias de marketing que fizemos recentemente.
Não administramos as coisas como uma grande empresa. Nosso estande PAX Prime é um bom exemplo.

Vamos então conhecer um pouco deste primeiro projeto, da até então empresa que vem publicando diversos jogos e tendo um escopo muito grande em sua jornada??

Review baseado na execução no Playstation 5 e versão Playstation 4 através do serviço Playstation Now e retrocompatibilidade

Nome: No Time to Explain
Gênero: Plataforma, Ação (subgênero: hardcore / trial and error / único / misto)
Desenvolvedora: tinyBuild
Distribuidora: tinyBuild
Plataformas: PC, Linux, Playstation 4 e Xbox One
Lançamento: 2011 (PC Windows), 2015 (PC Linux/Xbox), 2016 (Playstation 4)
Mídia: apenas digital

Tela Título

História / Enredo

Sem nome e sem explicações anteriores, seu personagem se encontra dançando na sala assistindo televisão. Quando seu lazer é subitamente interrompido por uma versão dele mesmo dizendo:
“Eu sou você do futuro, não há tempo para explicar, me sig- OH CRISTO”
E um caranguejo mutante gigante matador de viajantes no tempo o captura e deixa seu canhão laser.
Sem pestanejar, você quer respostas e vai atrás de você mesmo (!)

OBS: “Eu sou você do futuro”, é a frase que você ouvirá várias vezes no jogo…

Gráficos

Os gráficos de NTTE são bem simples, sendo totalmente desenhado em genuínos traços de desenho cartoon / deformado e com expressões bem notáveis, parte disso vem pelo estilo da primeira versão do jogo que usou o antigo software de animação Adobe Flash.
Porém a versão REMASTERED usou a Unity com os níveis sendo construídos em diferente estilo de programação e concepção, sendo a versão lançada em 2015 na Windows, macOS e Linux.
Ao terminar os universos, geralmente aparece uma pequena animação com relação ao que acontece naquele paradoxo.
O jogo possui sequências de gore e violência.

Som / OST

A dublagem do nosso personagem (e suas variações) fica por conta de Dreux Ferrano Jr (aka Druoxtheshredder).
A trilha sonora do jogo foi composta por Edgar Plotnieks (aka Mr Fuby), compositor da tinyBuild, em ambas as versões do jogo. Os arranjos escolhidos envolvem diversos gêneros como eurodance, circenses, trance e músicas referências (easter egg deveras interessante aliás). Todas as músicas tem chiptunes seja de forma completa ou com pequenos toques de efeitos.

Jogabilidade

O esquemático dos controles é bem simples, você usará os 2 analógicos para movimentar seu personagem e atirar com seu canhão, e apertar R2 para funções secundárias em algumas fases, seja pela limitação do personagem ou arma adicional.
O jogo conta com detecção de pressão dos botões, ou seja, se apertar de forma fraca, a ação será mínima, se apertar mais forte, a ação será máxima.

Sistema de Jogo

O jogo conta com um sistema de tentativa e erro em suas diferentes fases, que constituem chegar de um ponto ao outro. O jogo possui um hub com universos que irão diferenciar o paradoxo de tempo e besteiras que nosso personagem irá passar durante sua tentativa de verificar porque ele vive em um looping mortal…

I’m You From The Future…

Ao ter controle do seu personagem, e subitamente ser interrompido pelo seu VOCÊ FUTURÍSTICO, iremos atrás dele com um canhão laser propulsor:

O conceito aqui é básico, você irá usar o canhão à laser para conseguir alcançar lugares mais altos ou pegar impulso para alcançar lugares longos.
Perceba que o impulso varia conforme seus ângulos de impacto do laser no chão.

Em contrapartida, não será sempre o canhão que você usará, como pode-se notar nos controles, mas tudo envolve treino, ângulos e pressão de botão.

… No Time to Explain…

No decorrer do jogo, o nosso personagem eterno irá passar por diversos universos e paradoxos de tempo, nas quais irá se encontrar com ele mesmo diversas vezes e em situações diferentes, mudando totalmente o estilo de jogabilidade e fases.
Esses universos se encontram num HUB do seu tempo atual.

Evidentemente, para aumentar um pouco o desafio dos que são completionistas, as fases terão alguns chapéus para coletar, sendo um misto entre lugares fáceis e visíveis e outros mais difíceis e que precisam de estratégia para alcançar.

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… Follow m-OH CHRIST!!!!!!

Cada universo, como disse, irá variar as besteiras que nosso personagem irá encontrar, e diferentes universos terão seu paradoxo, com temáticas variadas.
Nesse caso, as mudanças influenciam em armas que o nosso personagem pode usar, limitações que ele pode ter ou até sofrer alguma mudança em si mesmo…

Troféus / Conquistas

Dificuldade: 7/10
A dificuldade aqui é baseada em coletar todos os chapéus e cumprir alguns universos com objetivos específicos de speedrun, sem morte ou coletando objetos e usando algum determinado chapéu.
Por isso aconselho que você jogue o máximo do jogo coletando o que puder, para assim conhecer as fases e aprimorar as diversas formas de jogar.

Extras

Ao terminar o jogo, você libera 2 universos adicionais, sendo 1 com um desafio um pouco maior (e que terá 3 chapéus adicionais) e outro para a criar / jogar fases da comunidade.

Considerações Finais

Graficamente o jogo não tem muito o que dizer, afinal foi feito em um antigo software de navegador de internet e que muitos independentes se inspiravam em lançar seus jogos (NEWGROUNDS inclusive é conhecido por ter um acervo de indies potenciais). Os efeitos de luz que o jogo possui são bem coerentes com a paleta de cores mediana que possui, haverão cenários mais opacos, mais escuros ou mais claros, de acordo com a ambientação dos universos. O toque cartoon do jogo dá embasamento ao clima besteirol e comédia que ele propõe.

A trilha sonora é um dos pontos fortes do jogo na minha opinião, todas as músicas são agradáveis de ouvir e combinam com os universos e situações no decorrer dessa confusão temporal que nosso personagem se encontra.
A dublagem de Duoxtheshredder é impecável, muitas vezes me encontrei rindo da performance emocionada e do pânico que o nosso personagem se encontra em TODA VEZ QUE É LEVADO PARA A BEIRA DA MORTE, além das diversas personalidades que o nosso herói (?) tem nos universos. Isso sem contar o aditivo das caretas nas emoções dos personagens.

A jogabilidade no conceito é simples, mas na prática irá exigir um determinado treino no decorrer do jogo, seja pelo cálculo de impulso do seu canhão ou intensidade de pressão de botão nas diversas funções alternativas.

A duração do jogo é de acordo com sua habilidade perante os desafios, pode tanto durar 2 horas como 3/4/5/10/desistência, afinal estamos falando de um estilo de tentativa e erro, e nem todos os jogadores encaram esse tipo de desafio nem que seja completar a história ou pegar troféus/conquistas (maioria dos troféus de speedrun e não morrer tem 0.1% de raridade na PSN). Mas em termos de concepção, o jogo possui 12 universos de história, mais 2 extras.
Apesar disso, os primeiros mundos são totalmente treinamento para você se acostumar com as mecânicas e físicas do jogo, ao avançar, o jogo começa a exigir mais da sua destreza…

De forma resumida, No Time To Explain é uma incrível surpresa para os amantes dos jogos indies, e que mostram que jogos em flash podem sim surpreender (eu sei o preconceito existente atualmente aqui), trazendo um desafio moderado alto na tentativa e erro, com muita criatividade em os diversos universos que o jogo tem, alternando as sequências e setpieces durante a história e evitando ser o mesmo tipo de jogo até o fim. Menção honrosa à incrível diversão que o jogo proporciona com suas piadas e bizarrices no decorrer da história. `Parte de mim quis postar imagens, mas preferi evitar elas, por serem sensacionais ao ver nas referências, seja de forma visual ou sonora (sim, temos referência sonora).
Se você gosta de indies, não se importa com gráficos e ri de umas besteiras e piadas cheias de pastelão, é o seu jogo…

Dê uma chance ao seu eu do futuro e descubra o que acontece com você e todos os outros você nesse indie que mereceu o reconhecimento e sucesso que teve.