O Estado Vegetativo da Mídia Física

Você ganha um cartucho, abre a caixa, lê o manual, cheira o manual (só eu fazia isso?).
Ok, na maior parte das vezes, aqui no Brasil era muito raro comprarmos ou ganharmos cartuchos, dado o preço inflacionado dos video games e acessórios.

Então mudemos o cenário: você ia até a locadora, na sexta-feira, e alugava três cartuchos para o fim de semana, voltava para casa o mais rápido possível, pois precisaria entregá-los na segunda.
Como alternativa, você poderia juntar os centavos para pagar uma hora de jogo na própria locadora, aproveitando para jogar consoles que não tivesse.

Aí vieram os CD’s e depois os DVD’s, a pirataria se alastrou pelo mercado nacional de jogos com rapidez e os games perderam parte de seu valor.
Como assim perderam parte de seu valor?

Comprava-se em grande quantidade, barato, e muitos títulos eram deixados de lado.
Isto se tornou mais aparente quando chegaram os jogos em DVD e os drivers capazes de fazer cópia ficaram popular.

É claro, este cenário fala muito mais sobre o Brasil e outros países com menor poder aquisitivo do que os principais mercados, como EUA, Europa e Japão.
Mas o primeiro golpe na mídia física havia acontecido.

A internet finalmente chegou aos consoles e, com ela, as atualizações, DLC’s e a mídia digital.
Os jogos físicos não eram mais soberanos, eles precisavam de patches de correção, o jogo finalizado não estava mais na mídia.
Conteúdos adicionais, que antes seriam desbloqueados após finalizar o título e/ou cumprir objetivos específicos (baseados na habilidade do jogador), agora estavam presos através de uma barreira, mediante pagamento.
Pior ainda, em muitos casos o conteúdo estava no próprio disco, mas não podia ser acessado sem acesso à internet e dinheiro.

A mídia física não era mais completa em si: ela precisava de acesso à internet, ao menos para rodar uma primeira vez de maneira correta (e, claro, futuramente alguns jogos utilizariam o conceito de always online mesmo em single player).
Os manuais, outrora pomposos e até mesmo explicando detalhes adicionais, foram reduzidos a poucas folhas em preto e branco e logo começaram a desaparecer das caixas.

Títulos indie surgiram neste meio tempo, muitos de pequenas empresas que não poderiam arcar com os gastos da produção de mídia física e viram no meio digital uma solução para a publicação de seus títulos com mais facilidade.

Estava decretada a morte da mídia física!
Ou assim parecia…

É verdade que a mídia física sofreu um forte baque nas últimas gerações; mas ela persiste, seja pelos grandes títulos, o mercado e as edições de colecionador.
A mídia física perdeu grande espaço no mercado, mas sua vida ainda se estenderá por alguns anos, mesmo que respirando por aparelhos…